quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

A resposta de meio ponto


O Banco Central enviou uma resposta ao mercado nesta quarta-feira. O aumento de 0,5 p.p. na taxa básica de juros tem objetivo de evitar uma piora ainda maior nas expectativas dos agentes econômicos, além de suavizar (ou esconder) a percepção de descompromisso da autoridade monetária com a estabilidade dos preços.

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, indicador oficial de inflação) de dezembro causou um impacto psicológico relevante. A inflação de 0,92% foi a maior alta mensal dos últimos 10 anos. Além disso, o histórico dos últimos quatros anos mostra que o IPCA oscila dentro de um perigoso ponto de equilíbrio na casa dos 6%.

A resposta de meio ponto percentual é também uma tentativa de camuflar os grandes arranhões provocados pelas falhas dos últimos anos. 10,5% não resolve o problema da inflação persistentemente elevada, mas pode esfriar os ânimos dos agentes econômicos, impedindo uma alavancada no perigoso processo de indexação.

A decisão foi unânime. Ao final da reunião o Copom (Comitê de Política Monetária) emitiu o seguinte comunicado:

“Dando prosseguimento ao processo de ajuste da taxa básica de juros, iniciado na reunião de abril de 2013, o Copom decidiu por unanimidade, neste momento, elevar a taxa Selic em 0,5 p. p., para 10,5% ao ano, sem viés”.

O texto é praticamente uma cópia do que foi emitido na reunião anterior. A única diferença pode ser observada no acréscimo da expressão “neste momento”, cujo objetivo está citado nos parágrafos anteriores desta análise. A próxima reunião do Copom será realizada nos dias 25 e 26 de fevereiro e poderá ser marcada pela redução no ritmo de aperto monetário, de 0,5% para 0,25%, aproximando-se do fim do ciclo.

No mercado de capitais as principais bolsas de valores mundiais fecharam o pregão desta quarta-feira em alta. A bolsa de Londres subiu 0,78%. Frankfurt disparou 2,03%. Paris ganhou 1,35%. A bolsa de Milão avançou 1,60%. Nos Estados Unidos o índice S&P500 subiu 0,52%, enquanto Nasdaq valorizou 0,76%. O clima positivo observado nas praças financeiras foi um reflexo do primeiro relatório otimista emitido pelo Banco Mundial nos últimos três anos.

A instituição projetou alta de 3,2% para o PIB (Produto Interno Bruto) global neste ano. Em sua última estimativa, traçada no mês de junho do ano passado, o Banco Mundial esperava um crescimento global de 3% em 2014. O aumento no ritmo de recuperação da economia norte-americana tornou-se o grande responsável pela melhora na perspectiva de crescimento da economia mundial.

O relatório do Banco Mundial afirmou ainda que a economia global chegou a um "ponto de inflexão", ou seja, daqui pra frente o cenário tende a melhorar gradativamente, na medida em que se observa redução dos impactos provocados pelas políticas de austeridade fiscal na Europa e superação das incertezas políticas/econômicas nos Estados Unidos.

Com o aumento de impulso da atividade global, haverá, inevitavelmente, aumento de demanda por commodities, beneficiando, consequentemente, grandes exportadores, tais como o Brasil. Puxada pela retomada do crescimento global, a projeção de crescimento do Banco Mundial para economia brasileira em 2014 subiu de 2,2% para 2,4%.

No Brasil, o índice Bovespa ainda foi influenciado pela forte alta das ações da Petrobras. O jornal Folha de São Paulo publicou uma matéria (bastante suspeita por sinal) afirmando que o governo e a estatal estimam para junho deste ano um novo aumento da gasolina e do diesel. O MME (Ministério de Minas e Energia) negou a informação e pedirá à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que investigue o episódio devido à valorização das ações, “coincidentemente” às vésperas do exercício de opções, que acontece na próxima segunda-feira.

O Ibovespa fechou o pregão em alta de 0,81%, trabalhando mais um movimento de repique de curtíssimo prazo, que pode ganhar força com a superação do ponto de pullback na região dos 50.2k. Entretanto, o movimento ainda não ameaça a tendência de baixa iniciada na região dos 56.7k.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones subiu 0,66%, mostrando um movimento de recuperação após a correção de curtíssimo prazo iniciada na região dos 16.6k (máxima histórica). Segue em tendência de alta de curto, médio e longo prazo.


19 comentários:

  1. Esse aumento de 0,5% é bom para a petrobras? Digo isso pois se o governo aumentasse apenas 0,25% como diziam antes do ipca de dezembro, haveria pouca margem para a petro aumentar a gasolina, com esse aumento mais "forte" de 0,5% talvez de margem para a petro aumentar os preços não? Eu particularmente creio que essa notícia de ontem dela faça sentido no dia em que se discutia a selic e está se planejando o ano baseado nas eleições! Seria ruim se não tivesse o aumento da gasolina para a campanha da dilma, pois assim vão jogar ela la pra baixo e a oposição pode afirmar que estão destruindo um patrimonio do povo brasileiro mostrando a notícia dos bi de dólares que foram perdidos em valor de mercado..

    Abs e bom retorno!

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    1. http://www.infomoney.com.br/onde-investir/acoes/noticia/3107992/quem-nao-comprar-petrobras-agora-vai-arrepender-muito-diz-dinheiro

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    2. Dentro deste ponto de vista, sim. É um driver de curto prazo com efeito positivo (basicamente psicológico) para as ações. Mas a Petrobras não atua, exclusivamente, como trading de Petróleo, portanto, numa análise mais ampla, não. Pelo contrário, é negativo. Para uma empresa altamente dependente de capital de giro e demais linhas de crédito/captação de recursos no mercado, o aumento da taxa básica de juros causa impacto significativo no caixa. Elevação dos juros nunca é bom para nenhuma empresa, especialmente as que são mais dependentes destas linhas de financiamento.

      Obrigado!

      Abcs, bons negócios

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  2. FI,

    A expressão "neste momento" é o sinal da ordem de Dilma para frear a alta. Imagina a alta da Selic que não virá após as eleições.

    Você ve o Ibovespa morno esse ano, ou acha que vai cair forte até o final do ano?

    Abs.

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    1. Não tem margem pro Ibovespa cair forte (voltando-se aproximar dos 30k, por exemplo), caso contrário as ações ficariam baratas demais. Haveria este espaço apenas se observássemos uma deterioração muito grande nos balanços. Mas isso também não é uma garantia de sustentação dos preços. O mercado pode despencar independente de qualquer motivo. Acontece que se esta queda acontecer dentro de um quadro de manutenção das expectativas atuais (fundamentos das empresas/economia), seria um evento de curta duração, já que muitos fundos aproveitariam este desconto nos preços e comprariam ações, impulsionando novamente o índice.

      Neste post estão minhas expectativas para 2014: http://www.financasinteligentes.com/2013/12/analise-e-projecoes-para-2014.html

      Qualquer dúvida volte a me questionar.


      Abcs, bons negócios

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    2. FI,

      Li as projeções. Conforme vc falou:

      "O saldo final provocado pela atuação destas duas fontes distintas poderá resultar na permanência de um mercado travado no próximo ano, não se distorcendo da tendência ligeiramente baixista de longo prazo, apresentando alternâncias entre pernadas de curto prazo significativas de alta e de baixa. "

      Devo interpretar que, embora não haja espaço no curto prazo, a perspectiva de longo prazo ainda é de aprofundamento da queda do índice (Aí sim, para patamares de 30.000 ? )

      Tal fato poderia acontecer com o estouro da bolsa americana / alta dos juros em 2015 ?

      Agradeço!

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    3. Dentro do que temos hoje de expectativa micro e macro, a tendência é ligeiramente baixista para o índice. Utilizei o termo "ligeiramente baixista" para dar um tom suave. Tendência de baixa persiste no longo prazo, porém sem muita margem pra despencar. 30k seria um tom mais forte.

      Já um crash em Wall Street provocado pelo aperto monetário nos Estados Unidos poderá ser replicado aqui certamente. Mas esta seria uma projeção para 2015 ou 2016.

      Abcs!

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  3. Finanças,

    Você sabe onde posso consultar dados bem antigos (antes de 2000) do Banco do Brasil ? Mesmo se for pago, se pudesse indicar algum que realmente tenha os dados com gráficos. Valeu

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    1. Você quer ver o gráfico do papel? Caso positivo acesse o ADVFN (br.advfn.com), não há necessidade de pagar.

      Abcs, bons investimentos

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  4. Este é mais um item que a equipe econômica deixou a desejar... manteve além da conta juros baixos e inflação alta e agora tem que correr atrás para tentar corrigir o erro... de uma forma ou de outra, quem paga a conta são os brasileiros.

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    1. Sim. Lembrando que a Dilma assumiu o governo com a taxa Selic aos 10,75%, levantando a proposta de reduzir a taxa de juro real. A ideia é boa, mas fizeram tanta coisa errada que é capaz de entregar o mandato com uma taxa de juros maior.

      Abcs, bons negócios

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  5. Estamos em ano de eleição. Inflação explosiva é uma das únicas coisas que ameaça a Dilma este ano. O BC está fazendo tardiamente o papel dele depois do arranhão na sua imagem. Também este aumento visa compensar os aumentos inevitáveis dos preços controlados públicos que estão no limite.

    O governo irá fazer diversos malabarismos para segurar o desastre fiscal de 2013 e 2014 até as eleições jogando o ajuste para 2015-2018. Esse ano tá com cara que vai ser péssimo para o país mas o mais incrível é a resiliência do emprego que permanece totalmente pleno e ele é a única variável que poderia salvar o país do PT.

    Que situação, ou torcemos contra o país agora para salvá-lo ou torcemos agora mas ferramos os próximos anos ainda mais.

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    1. Imagina, rolezinhos, manifestações, caos nos aeroportos, turistas feridos por repressão policial, argentina campeã da copa em pleno Brasil tudo acontecendo ao mesmo tempo. Vai ser a deixa para os estranheiros irem diminuindo a exposição no Brasil.

      Vamos torcer para que isso não ocorra.

      Soulsurfer

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    2. Pleno emprego?
      Cresce para 16,8 milhões número de brasileiros que não trabalha nem quer emprego
      Segundo o IBGE, aumento da inatividade explica queda da taxa de desemprego para mínima histórica

      http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,cresce-para-168-milhoes-numero-de-brasileiros-que-nao-trabalha-nem-quer-emprego,173485,0.htm

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    3. Exato. A taxa de desemprego está baixa por conta da desistência ou desinteresse na procura por emprego. Quem não procura emprego não é considerado desempregado. A sustentação deste modelo (político) é feita, basicamente, pela utilização de uma política fiscal extremamente expansionista, com uma parcela considerável dos recursos sendo utilizada de maneira improdutiva/ineficiente.

      Realmente a situação não é boa. O ajuste é primordial, mas infelizmente acho que o governo (se reeleito) vai manter o atual modelo, se sustentando aos trancos e barrancos do jeito que der.

      Abcs a todos e bons negócios

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    4. Mas mesmo que essa galera esteja desistindo, eles tem o bolsa família ou seguros desemprego ou ainda os pais aposentados para sustentar. Diante desta dependência clara do modelo do PT, eles continua a votar neste partido.

      E sim, eles desistem mas a maioria das pessoas está empregada, comércio e serviços, construção civil não faltam empregos. O nível de emprego é alto e o fator emprego é o que mais faz um governo permanecer no poder junto com inflação.

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    5. Olha o que saiu hoje. Uma simples mudança de metodologia do IBGE jogou a taxa de desemprego para 7,7% no primeiro semestre de 2013.
      http://br.reuters.com/article/businessNews/idBRSPEA0S2MI20140117

      Mais alta do que a taxa de desemprego oficial dos Estados Unidos.

      Abcs,

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  6. Pobretao, torcer contra o pais nao vai ser nada comparado a ter que torcer contra a seleção na copa.

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    1. Brasil campeão = Dilma 2014?

      Faz sentido total.

      Que inferno.

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