quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

FED corta mais 10 bilhões


Numa decisão unânime, os diretores do Comitê de Política Monetária do FED (Federal Reserve - Banco Central dos Estados Unidos) decidiram, nesta quarta-feira, realizar mais um corte de 10 bilhões de dólares em seus programas de estímulos monetários.

A partir de fevereiro, a autoridade monetária vai comprar 30 bilhões de dólares em títulos do Tesouro norte-americano (mais conhecida como Operação Twist) e 35 bilhões de dólares em ativos hipotecários (mais conhecida como quantitative easing 3), totalizando, portanto, uma descarga de 65 bilhões de dólares na economia e no mercado financeiro.

A decisão não surpreendeu. O novo corte de 10 bilhões de dólares era amplamente esperado pelo mercado. O Banco Central reconheceu nesta reunião que "a atividade econômica ganhou fôlego nos trimestres recentes", fato que reforça a expectativa do mercado quanto ao aumento do ritmo de fortalecimento da economia norte-americana.

Além disso, o Comitê decidiu manter a promessa de manter os juros próximos de zero por um período de tempo suficientemente prolongado após a taxa de desemprego norte-americana cair abaixo de 6,5%. Atualmente o desemprego nos Estados Unidos atinge 6,7% da população economicamente ativa. Vale ressaltar que a promessa está condicionada à permanência da taxa de inflação, atualmente em 1,5%, abaixo da meta de 2% do Banco Central.

A ausência de surpresas e/ou informações novas/relevantes nesta reunião do FED remete as atenções dos investidores e operadores aos mercados emergentes. Na noite desta terça-feira, o Banco Central da Turquia subiu abruptamente a taxa para empréstimos de sete dias, de 4,5% para 10,0%, que agora passou a ser a principal linha para oferecer liquidez ao mercado. A taxa de concessão de empréstimos no overnight, que antes era o referencial, saltou de 7,5% para 12,0%.

O mercado acordou nesta quarta-feira com otimismo, reagindo à decisão surpreendente na Turquia. Mas a calmaria durou pouco. O clima de tensão voltou a predominar nas principais praças financeiras mundiais após o Banco Central da África do Sul também elevar inesperadamente a taxa básica de juros em 0,5 ponto porcentual, para 5,5%.

Gill Marcus, presidente do Banco Central sul-africano, disse que as recuperações econômicas nos Estados Unidos e no Reino Unido não mostram que a crise financeira global chegou ao fim. Na verdade, segundo Marcus, a crise financeira global está entrando numa nova fase, criando novos desafios para as economias emergentes. O presidente do Banco Central ainda disse que a depreciação do câmbio sul-africano vai elevar significativamente o risco para a perspectiva de inflação, mesmo num quadro de demanda interna mais fraca.

A declaração do presidente do Banco Central da África do Sul fortalece o discurso de outros importantes banqueiros centrais de países emergentes (principalmente os mais vulneráveis) nos últimos dias, incluindo o Brasil. Pode-se observar uma certa semelhança nos problemas que estas economias estão enfrentando, que pouco tem a ver com o tapering (redução gradual no volume dos programas de estímulos monetários) nos Estados Unidos.

Os países que estão sofrendo com uma depreciação maior na taxa de câmbio apresentam taxas de inflação elevadas, deterioração das contas públicas e déficits em transações correntes. A inflação, em especial, é um problema crônico, pois enfraquece o valor dos ativos e desanima os investidores, alimentando a fuga de capitais.

José Vinals, diretor do Departamento de Mercados e Capitais Financeiros do FMI (Fundo Monetário Internacional) disse que os Bancos Centrais dos países emergentes devem combater urgentemente a inflação, mas para isso é necessário que essas instituições desfrutem de uma independência não observada hoje em algumas praças.

Vinals também pediu às nações emergentes que cuidem do endividamento excessivo. O governo brasileiro, como de costume, segue ignorando os inúmeros alertas recebidos nos últimos meses/anos. Nesta quarta-feira o Tesouro Nacional divulgou mais um dado preocupante. A dívida pública federal fechou 2013 em 2,12 trilhões de reais. O número é um novo recorde histórico e representa uma alta de 5,72% frente ao ano anterior. Como o governo parece continuar achando que dinheiro dá em árvore, a meta para a dívida este ano foi definida entre 2,17 trilhões a 2,32 trilhões de reais.

No mercado de capitais o índice Bovespa fechou o pregão desta quarta-feira em baixa de 0,59%, mostrando uma reação após testar a linha de suporte na região dos 49.2k. Embora sobrevendido, mercado ainda em tendência de baixa, na tentativa de engatar um movimento de repique de curtíssimo prazo.


Destaque para o Bank of America Merril Lynch, que emitiu um relatório colocando o mercado de ações brasileiro como um piores do mundo, devido ao baixo potencial de valorização nos preços dos ativos.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones cedeu 1,19%, colado na linha de suporte dos 15.7k. A perda deste importante patamar de sustentação poderá jogar o índice para testar a média móvel simples de 200 períodos diária.


26 comentários:

  1. Diante de tal conjuntura, na qual a bolsa testa as mínimas e o dólar as máximas, estamos diante de uma nova e boa oportunidade de compra de ativos?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ainda não. No ano passado tivemos esta oportunidade, o dólar esticou demais pra cima e a bolsa esticou demais pra baixo. Apresentou um ótimo ponto de entrada. Mas o elástico este ano ainda não esticou o suficiente, já que o risco Brasil aumentou significativamente com a deterioração das contas públicas. Como o risco aumentou, o prêmio também tem que subir (ou seja, o desconto/atratividade dos ativos precisa melhorar) para chamar atenção dos investidores/operadores.

      Mas por outro lado o ambiente está propício para aproveitar o direcional do mercado. As pernadas do índice estão bem definidas e com boa duração.

      Abcs, bons negócios

      Excluir
  2. A bolsa vai ao 45k, 40k será?

    Creio que os próximos 3 a 5 anos de aperto monetário vai fazer a bolsa afundar legal e o TD voltar a ser estrela.

    A hora de ser rico na bolsa chegou?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Acho que vai abaixo disso (40k) pobretao. Vamos ver o que o FI fala!

      Excluir
    2. Se a Nota do Rating Brasileiro cair a gente chega lá rápido !!! rsrs

      Excluir
    3. Não tem absolutamente um dado novo positivo vindo da nossa economia... esse ano vai ser só porrada...

      Excluir
    4. Os lucros das empresas serão impactados pela recente alta da taxa básica de juros, persistência da inflação elevada, insustentabilidade do modelo econômico, manutenção do péssimo ambiente de negócios e crescente deterioração do cenário doméstico. Por outro lado haverá pressão positiva para o seleto grupo de empresas exportadoras de commodities, beneficiadas pelo deslocamento do câmbio e retomada da economia global. São duas fontes de forças distintas que vão se revezar para influenciar o direcional do índice. Portanto, a perspectiva é que o mercado continue travado, não se distorcendo da tendência ligeiramente baixista de longo prazo, apresentando alternâncias entre pernadas relevantes de curto prazo de alta e de baixa. No momento a primeira força segue dominante no mercado e tem proporcionado uma boa pernada de baixa para swings ou mesmo positions. Em algum momento esta tendência de baixa atual será finalizada. Não há necessidade de tentar descobrir o target, basta virar a mão quando o mercado iniciar uma nova tendência de alta.

      O momento ainda não é propício para iniciar a estratégia de compras parciais e crescentes (utilizada nas quedas relevantes de mercado, conforme demonstrado no livro), já que a volatilidade ainda está baixa, por mais que a bolsa comece a ficar um pouco descontada próxima dos 45k.

      Abcs, bons negócios a todos

      Excluir
  3. Abaixo de 40k e uma desvalorizacao sinistra

    ResponderExcluir
  4. Ja esta dificil chegar aos 44/45 quanto mais aos 40

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. e mais ca na minha opinião se nao for abaixo dos 47, amanha adeus 44,basta pensar que temos o Q4 a perna

      Excluir
  5. FI, como ficam os bancos brasileiros nessa perspectiva? Acha que eles se seguram, ou acha que serão penalizados? Ou ainda, acha que eles darão um jeito de lucrar com a alta dos juros?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Banco jamais vai emprestar dinheiro por uma taxa inferior aquela paga para captar os recursos no mercado. Quanto mais a Selic subir, mais caras serão as linhas de crédito/financiamento. O maior entrave envolvendo os bancos brasileiros hoje é o julgamento no STF da correção monetária dos depósitos em caderneta de poupança em planos econômicos, que começou no final do ano passado e foi adiado para o mês de fevereiro/2014.

      Abcs, bons investimentos

      Excluir
    2. Mas os bancos ainda não subiram suas taxas de financiamento imobiliário. Não é uma linha que é exceção? Ou será que haverá ajuste nestas taxas imobiliárias também?

      Excluir
    3. Depende da origem da captação. Alguns bancos trabalham com linhas subsidiadas para financiamento imobiliário. O Banco Central divulgou na última ata que a taxa média de juros das operações de crédito do sistema financeiro atingiu 20% a.a. em novembro, elevação de 0,2 p.p. em relação a outubro e de 1,1 p.p. ante novembro de 2012. Particularmente projeto impacto no mercado imobiliário a partir do segundo semestre de 2014.

      Abcs,

      Excluir
  6. banco , sai fora desta !
    Com dolar nas alturas, os bancos se estrupilhão! A maior parte da divida dos bancos é em dolar.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muitas empresas de peso no Ibovespa captaram recursos no exterior nos últimos anos. Algumas estão mais vulneráveis, como a Petrobras, por exemplo

      Abcs, bons trades

      Excluir
    2. FI,

      Quando consulto o fundamentus.com.br sou informado que a dívida do bbas3, itub4 e bbdc4 são praticamente 0 (se não 0).

      Isso procede, de que eles seriam afetados com a alta do dólar?

      Agradeço.

      Excluir
    3. Não vejo como essas empresas não teriam algum tipo de hedge sobre suas dívidas em dólar. Principalmente bancos, que eu diria que entendem um pouquinho sobre riscos financeiros/cambiais.

      Portanto, a alta do dólar em si não afetaria essas empresas diretamente, mas sim indiretamente, pela fuga de capitais e descrença na economia brasileira relacionada a ela.

      Mas admito que não entendo o efeito que o câmbio teria DIRETAMENTE nas operações de bancos brasileiros (se algum). Algum insight FI?

      Valeeu!

      Henrique (HDD)

      Excluir
    4. É relativamente comum observar empresas de grande porte captando recursos no mercado externo. Inclusive bancos. O crédito é significativamente mais barato e, também, seletivo. Seria uma tremenda infantilidade da área financeira de qualquer empresa não montar uma operação de hedge. Se não me falha a memória, estes impactos do câmbio nos balanços trimestrais são consequência da efeito da marcação a mercado.

      Abcs, bons negócios a todos

      Excluir
  7. Anôn, banco não tem dívida. Se o que ele vende é dinheiro, logo seu estoque tem que ser de dinheiro

    ResponderExcluir
  8. FI, essa promessa do FED de manter os juros próximo a zero veio um pouco contra ao esperado certo? Por mais que a política monetária esteja visando um aumento nos juros apenas a médio/longo prazo, não era esperado um pequeno aumento nesta reunião de quarta?
    Obrigado.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. IA, olá!
      A programação do FED é balizada por dois segmentos, consequenciais:
      1º) Redução dos Estímulos. Começou no início desse ano, dentro do lapso temporal de previsão e há indicações de terminar neste ano, no segundo semestre, com zeramento de posições de estímulos;
      2º) Após o fim do primeiro, inicia-se a 2ª fase, a do aumento dos juros. Calculo que começará em meados de 2015.

      Excluir
    2. De jeito nenhum rsrs... Desde junho do ano passado o Bernanke tem falado pra todo mundo ficar calmo no mercado, mesmo com a retirada dos estímulos, pois o aperto monetário ainda vai demorar.

      O FED pretende manter a taxa básica de juros entre zero e 0,25% bastante tempo depois que o índice de desemprego chegar aos 6,5%. O Banco Central dos Estados Unidos projeta uma taxa de desemprego entre 6,3% e 6,6% em 2014, entre 5,8% e 6,1% em 2015 e entre 5,3% e 5,8% em 2016.

      Abcs a todos e bons investimentos

      Excluir
  9. FI, você tem algum direcional de como o dólar pode ficar no final do Q1, Q2, Q e Q4? estou trabalhando para R$ 2,40 a R$ 2,50 (cabe alguma oscilação maior em alguns dos trimestres citados?).

    ResponderExcluir