terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Copom sem Tombini


O primeiro dia de reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil) começou nesta terça-feira sem a presença do presidente da instituição, Alexandre Tombini.

Os chefes de departamento do Banco Central apresentaram a análise rotineira da conjuntura doméstica, com as novas projeções para inflação, nível de atividade econômica, finanças públicas, economia internacional, mercado de câmbio, mercado monetário e reservas internacionais.

O diretor de Assuntos Internacionais e de Regulação do Banco Central, Luiz Awazu Pereira, com poder de voto no Copom, também não participou da reunião desta terça-feira. A ausência destes dois importantes membros formadores da política monetária brasileira foi justificada pela presença dos mesmos na reunião bimestral de presidentes de bancos centrais do BIS (Banco de Compensações Internacionais), realizada na última segunda-feira (24) em Sydney, na Austrália.

Levando em consideração a aparente falta de soberania do Banco Central brasileiro, a presença destes dois importantes diretores na reunião bimestral do BIS deve ser mais produtiva do que discutir política monetária brasileira de “braços atados”.

O BIS é considerado o Banco Central dos bancos centrais. É onde os diretores das principais autoridades monetárias mundiais se reúnem de portas fechadas, sem a presença de suas respectivas lideranças políticas, para discutirem estratégias, experiências e, ou mesmo, traçar planos de cooperação entre as instituições a fim de promover a estabilidade financeira mundial.

Tombini e Pereira participarão somente da reunião desta próxima quarta-feira para carimbar o novo patamar da taxa Selic. Conforme constatado nas duas últimas atas do Copom, percebe-se que Banco Central continua propenso a reduzir o ritmo de aperto monetário (de 0,5 p.p. para 0,25 p.p.), mas a degradação do quadro doméstico atrasou a redução deste ritmo, que pode começar amanhã.

No mercado de capitais o índice Bovespa cedeu 1,43% nesta terça-feira, confirmando o ressurgimento da força vendedora. Esta suspeita pode ser observada nas formações técnicas dos últimos dias 21 e 24 de fevereiro. Entretanto, o movimento de baixa não altera o cenário de curtíssimo prazo, onde a bolsa permanece trabalhando dentro de uma zona de congestão entre os 46.1k e 48.7k.


Colaborou para o tombo desta terça-feira a queda do preço do minério de ferro na China, além da desaceleração da concessão de crédito no setor imobiliário chinês, fato que pode reduzir a demanda por aço.

Nos Estados Unidos o índice de confiança do consumidor da Conference Board caiu de 79,4 pontos em janeiro para 78,1 pontos em fevereiro, ainda refletindo os efeitos adversos das condições climáticas. O pregão na bolsa de Nova York foi irrelevante, mantendo a análise dos últimos dias.


11 comentários:

  1. FI,

    Brasil tá virando uma piada mesmo, inflação comendo solta aqui e o presidente do Bacen não comparece a reunião... brincadeira!

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    1. Pois é. Isso acaba reforçando a ideia de que "alguém de fora" é quem manda e desmanda no BC.

      Abcs, bons negócios

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  2. FI

    Os mercados EUA,estão novamente em maximos no caso do S&P 500.
    Vc tinha falado quando eles foram visitar a MM200 e que a volatilidade ia aparecer num futuro proximo...
    Gostaria de lhe pedir a sua opinião do que acha neste momento.É possivel continuar a subir acima dos maximos anteriores ou estão sobre valorizados a este nivel.
    Como ja em 2013 havia que fala-se que o bull market estava exagerar.Nas condiçoes que o FED esta oferecer ao mercado atualmente talvez a ultima correçao tenha sido um aviso ou foi so por causa do clima severo?

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    1. Sim, não somente nos Estados Unidos, mas na Europa e alguns emergentes também. A média móvel simples de 200 períodos diária segurou o tombo do Dow Jones no mês passado, por exemplo. Movimento normal de correção de curto prazo, parecida com aquela que aconteceu no mês de agosto do ano passado e depois entre o final de setembro e início de outubro. Isso é importante para alimentar a tendência de alta de médio e longo prazo.

      Definitivamente estas bolsas em máximas não estão baratas, levando em consideração os fundamentos atuais. Acontece que as perspectivas futuras são boas, fato que provoca uma melhora sustentada no valuation das empresas e, portanto, sustenta o movimento de alta dos ativos em bolsa no médio e longo prazo. É bem diferente do cenário observado na bolsa brasileira, que está relativamente descontada, mas sem perspectiva favorável. Faltam condições para provocar uma melhora no valuation das empresas no Brasil.

      Acho que não vai haver impacto relevante em Wall Street antes do aperto monetário. Enquanto a taxa básica de juros não subir nos Estados Unidos o mercado financeiro continuará operando extremamente alavancado. Essas correções de curto prazo são normais e podem voltar aparecer nos próximos meses/anos. A tendência de médio e longo prazo permanece altista.

      Abcs, bons negócios

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  3. FI,

    Estava conversando com a Ostra, e ela me mostrou alguns sinais de uma nova crise que pode ocorrer nos próximos meses. Você chegou a ler ou encontrar em algum indicador internacional esses sinais ?

    UTa!

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    1. Olá Estagiário,

      Você poderia me enviar o link com estas informações para que eu possa analisar?

      Obrigado!

      Abcs,

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    2. FI,

      http://www.bloomberg.com/news/2014-02-26/crisis-gauge-rises-to-record-high-as-swaps-avoided.html
      Acho que essa informação atrelada a morte de 8 banqueiros nos últimos meses pode reforçar uma possível crise se formando, talvez ?

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    3. Isso é fruto da política de empréstimos excessivos dos últimos anos/décadas na China. Há uma desconfiança no mercado de que uma parte considerável deste crédito está podre. Mas até o momento o Banco Popular da China tem conseguido controlar os nervos no mercado interbancário (visualizado pela oscilação da Shibor Rate); injeta mais recursos quando necessário, forçando uma queda da Shibor e deixa de injetar recursos quando necessário, permitindo uma leve subida da Shibor, numa postura menos flexível. A China tem bala na agulha pra conter uma crise de inadimplência até certo nível. Grande parte dos bancos são Estatais. As informações com relação à solvência destas instituições são bastantes restritas, mas creio que boa parte destas instituições não sobreviveriam sem os aportes do Estado. As pequenas crises observadas no mercado de dinheiro na China nos últimos anos são pequenas, perto da capacidade de aporte do Estado. Uma crise mais severa com impacto relevante no mercado financeiro poderá ser detonada quando o governo mostra-se incapaz de salvar todas as instituições estatais podres e/ou conter a elevação da Shibor. No momento, a situação está sendo bem contornada, mas a possibilidade de um estouro neste não está totalmente descartada no médio prazo.

      Abcs, bons negócios

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    4. (...) estouro neste nível*** não está totalmente descartada (...)

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  4. Olá FI.
    Um amigo um dia me falou:
    -Se você quer trabalhar no mercado financeiro, venda sua bola de cristal, seu Tarot e nunca tente adivinhar o futuro.
    Grande abraço!

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