terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Mrs. Dovish


Adotando uma linguagem mais clara e objetiva do que as próprias atas de reuniões do Fomc (Comitê de Política Monetária do Banco Central norte-americano), a nova presidente do FED (Federal Reserve), Janet Yellen, mostrou por que é reconhecida pelo mercado como um dos membros mais dovish (forte defensora dos juros baixos) do FED.

Em seu primeiro discurso como chair do FED, Yellen descartou qualquer mudança na direção da política monetária norte-americana e reforçou a visão de Ben Bernanke (seu antecessor), de que embora a economia esteja ganhando força o suficiente para suportar uma redução dos estímulos monetários, as taxas de juros devem permanecer baixas para impulsionar o crescimento econômico ainda mais.

No entanto, a nova presidente do FED foi mais além, mostrando uma postura mais dovish que a do próprio Bernanke. O relatório do Departamento de Trabalho dos Estados Unidos informou na última sexta-feira que a taxa de desemprego recuou para 6,6%, o menor nível dos últimos 5 anos, aproximando-se do patamar de 6,5% definido pela autoridade monetária para começar a planejar o aumento da Federal Funds Rate (taxa básica de juros dos Estados Unidos). Mas Janet Yellen disse que a recuperação do mercado de trabalho está longe de ser completa.

O recuo da taxa de desemprego para 6,6% em janeiro deste ano foi influenciado pelas condições climáticas extremamente adversas no período e, também, pelo número considerável de trabalhadores desempregados norte-americanos que desistiram de procurar por emprego nos últimos meses. Provavelmente por conta destes fatores, a nova chair do FED considera que a taxa de desemprego permanece em níveis bem acima daqueles que os integrantes do Comitê pensam ser consistentes com a meta de emprego pleno. Segundo ela, o mercado de trabalho ainda enfrenta muitos desafios.

Em seguida, Janet Yellen reforçou o trecho mais importante da última ata do Fomc, no qual a autoridade monetária compromete-se em manter a Federal Funds Rate perto de zero bastante tempo depois de a taxa de desemprego ficar abaixo de 6,5%, desde que a inflação permaneça relativamente baixa.

O primeiro discurso da nova chair do FED realizado na Câmara dos Deputados foi mais convincente do que a própria ata de reunião do Fomc e sinalizou que a “Mrs. Dovish” não tem a menor pressa em subir a Federal Funds Rate. O Banco Central norte-americano vai continuar alimentando o mercado com juros baixos por um longo período até que a economia do País volte a atingir o status de pleno emprego.

As projeções do FED para a taxa de desemprego giram em torno de 6,3% a 6,6% em 2014, entre 5,8% a 6,1% em 2015 e entre 5,3% a 5,8% em 2016. Já as estimativas para inflação estão abaixo da meta de 2% até 2016. O Banco Central só vai agir para conter a inflação quando (e se) o índice superar o centro da meta (2,0%) em 0,5 p.p. Ou seja, caso a inflação chegue em 2,5%, a autoridade monetária deverá apertar a economia subindo os juros, independente da situação do mercado de trabalho. Levando em consideração as projeções do FED, a taxa de desemprego atingirá a marca psicológica dos 6,5% somente em 2015. A utilização da expressão “bastante tempo depois”, para sinalizar um aumento da Federal Funds Rate pelo gatilho da taxa de desemprego, acabou com a hipótese de aperto monetário nos Estados Unidos antes de 2015 ou mesmo 2016. Isso significa que o sistema permanecerá altamente alavancado por um bom tempo.

O mercado reagiu rapidamente ao discurso de Janet Yellen. As bolsas de valores subiram forte pela expectativa realimentada de manutenção da alavancagem do sistema nos próximos meses/anos.

Na Europa, a bolsa de Londres fechou o pregão desta terça-feira em alta de 1,23%. Em Frankfurt, o índice DAX disparou 2,03%. A bolsa de Paris subiu 1,09%. Milão avançou 1,04% e Madri ganhou 1,09%.

Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street também avançavam com força próximo ao fechamento dos negócios, mantendo o movimento de recuperação iniciado na semana passada. Após retomar a média móvel simples de 200 períodos diária, o índice Dow Jones encontrou forças para superar a importante linha de resistência na região dos 15.7k. Não há resistências relevantes pela frente, apenas a máxima histórica.


No Brasil, o índice Bovespa fechou o pregão em alta de 1,58%, realimentando a tendência de alta de curtíssimo prazo. Mercado atualmente comprado aproximando-se da LTB dos 56.7k, apresentando melhores condições de rompimento desde a formação da referida linha de tendência no mês de outubro. A superação desta barreira pode reforçar a tendência de curtíssimo prazo, estendendo-a para o curto prazo.



Vale ressaltar que a atual reversão do mercado não representa um indicativo de melhora no ambiente doméstico. O próprio FED considera o Brasil como fonte de vulnerabilidade econômica e financeira significativa. A reversão é puramente técnica e pode ser perfeitamente aproveitada com o devido manejo de risco.

17 comentários:

  1. "O próprio FED considera o Brasil como fonte de vulnerabilidade econômica e financeira significativa."

    Eles falaram isso?

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    1. Responde à sua dúvida ?

      http://g1.globo.com/economia/noticia/2014/02/relatorio-do-bc-dos-eua-menciona-brasil-entre-emergentes-vulneraveis.html

      "O BC dos EUA, o Federal Reserve, mencionou o Brasil entre os países emergentes mais vulneráveis, juntamente com Índia, Indonésia, África do Sul e Turquia, em relatório de política monetária publicado nesta terça-feira (11)."

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    2. http://brasileconomico.ig.com.br/noticias/fed-aponta-necessidade-de-reforma-em-emergentes_138864.html Esse aqui ta mais completo

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  2. Será que a bolsa vai andar de lado esse tempo todo, por conta da dualidade cenário econômico fraco X sistema financeiro global alavancado?

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    1. A minha expectativa é que o mercado permaneça travado neste ano, não se distorcendo da tendência ligeiramente baixista de longo prazo, apresentando alternâncias entre pernadas de curto prazo significativas de alta e de baixa. Portanto, torna-se essencial aproveitar, dentro do possível, o direcional dos movimentos técnicos de curto prazo.

      Abcs, bons trades

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    2. FI,

      Uma crise braba que jogue o índice (^ibov) lá para baixo só é mais provável de acontecer então em 2016 ? Agradeço

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    3. Há uma boa possibilidade de ocorrer uma bela chacoalhada nos mercados quando começar a fase de desalavancagem do sistema com o aumento da taxa básica de juros nos Estados Unidos. Isso pode acontecer em 2016. Vai depender de como será o processo de retomada do crescimento neste ano e no ano que vem. Mas não se preocupe em tentar descobrir o momento certo. Basta estar preparado para agir quando o momento chegar.

      Abcs, bons negócios

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  3. Não achei indícios práticos na atual manifestação de que ela seja mais dovish do que o Bernanke, uma vez que o mesmo já vinha com essa conversa.
    De qualquer forma, a diminuição dos estímulos continua, o que demonstra que a economia não está sendo abalada e cresce a bons passos.
    Mantido o ritmo atual a taxa de desemprego cairá para abaixo dos 6% (minha aposta) neste ano, o que pressionará ainda mais o consumo/inflação, além de pressionar aos bancos que emprestem dinheiro, visto que a mamata dos estímulos está diminuindo.
    Dessa forma eu aposto em aumento de juros para 2015 e entendo que não vai ser apenas 0,5% a mais não.
    O setor energético americano está crescendo violentamente, compensando com larga folga a vindoura queda do imob de lá.
    A festinha bananense acabou!
    Senhores, tomem cuidado: a "borboleta" começou a bater as suas asas mas fica com conversa suave de que vai "demorar". 1 ano (aproximadamente, pode ser pouco mais, pouco menos) não é NADA.

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    1. Essazinha (escolhida por ser mulher) vem com essa palhaçada de ser dovish (toda mulher é esquerdistas e pró-esquerdismo) e portanto ela tem a característica de ser liberadora de grana.

      Mas não vai durar mto não, ela só fez esse discurso pra manter as expectativas de mercado americanas estáveis pra não dar merda. Ela vai sim continuar metendo QE e concordo, 1 ano a coisa vai estar bem diferente e o Brasil vai sofrer duras consequeências na conta corrente e inflação interna com a destruição do valor do real.

      E aí a indústria não vai reagir com real à 3,40 porque está sucateada e blá blá blá.

      Tempos sombrios amigos, pena que vocês vão votar no PT NÉ???

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    2. Pobretão, como diria o Jack, vamos por partes:
      1) Ela começou a diminuir os QEs, pois já era o plano, e vai continuar diminuindo, até zerar. Somente após isso é que vão falar de juros. Somente após a redução de estímulos. Ela está com esse discurso para de fato não colocar "loucurinha" no mercado, mimimis, enfim, aí vc está certo;
      2) Penso ser extremamente difícil o dólar chegar nesse patamar. A não ser talvez daqui uns 4 anos e sendo bem bacana na valorização da moeda. Todavia, de fato é possível esse valor, em que pese eu entender ser muito difícil. O real já está muito desvalorizado, vai desvalorizar ainda mais, mas 3,4 somente se o PT ganhar e ousar radicalizar muito mais do que atualmente faz;
      3) Ninguém aqui vai votar no PT, só ignóbeis ou vendidos do setor votariam.

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    3. Ela demonstrou ser mais dovish pois está mais preocupada que o Bernanke com o mercado de trabalho. Isso ficou bastante nítido no discurso.

      Com relação ao aperto monetário, ainda vai demorar um pouco. Temos que esperar terminar o tapering e acompanhar a postura do FED.

      Abcs a todos e bons negócios

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  4. FI,

    O que você acha disso aqui: http://www.infomoney.com.br/mercados/acoes-e-indices/noticia/3186889/bolsa-americana-sinais-iguais-crash-1929-vem-queda-forte-por

    Meio perigoso ?

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    1. Desculpe. Mas não sei se é pra rir ou pra chorar. Não consegui ler tudo, parei na metade rsrs... Uma boa dica é não perder tempo lendo Infomoney.

      Abcs, bons negócios

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  5. empréstimo para negativados Olá aqui vc encontra empréstimo pessoal para negativados sem consulta ao spc e serasa
    http://www.emprestimopessoal-bvw.com.br/emprestimo-pessoal-para-negativados.html

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