sábado, 1 de fevereiro de 2014

Pior superávit primário da história


O Banco Central divulgou nesta última sexta-feira os números nada agradáveis de 2013. O governo federal conseguiu surpreender negativamente mais uma vez, mesmo quando já se esperava um resultado inferior à meta estipulada, e encerrou o ano passado com o menor superávit primário (saldo positivo entre as receitas e as despesas do governo central, excluindo os gastos com os pagamentos dos juros da dívida soberana) da história.

O setor público consolidado (formado pelo governo central, estados, municípios e empresas estatais) apresentou um superávit primário de apenas 91,306 bilhões de reais em 2013, equivalente a 1,90% do PIB (Produto Interno Bruto). O resultado ficou significativamente abaixo da meta traçada pelo próprio governo.

No início do ano passado o governo se comprometeu em fazer um superávit primário de 3,1% do PIB. Porém, na metade de 2013, esta meta foi reduzida para 2,3% do PIB. E mesmo com o volume expressivo de receitas extraordinárias obtidas no final do ano passado, que não se repetirão neste e nos próximos anos, o governo não conseguiu chegar perto da meta já revisada, encerrando 2013 com o pior resultado fiscal (1,90% do PIB) da série histórica, iniciada em 2001.

Este número torna-se ainda mais azedo quando se incluem as despesas com os juros da dívida pública. O déficit nominal (resultado entre receitas e despesas, incluindo os gastos com juros e correções monetárias) registrado pelo setor público em 2013 foi de 157,550 bilhões de reais, significativamente superior ao déficit de 2012 (108,912 bilhões de reais). Isso significa que o nosso rombo aumentou de 2,48% do PIB em 2012 para 3,28 do PIB em 2013.

Os números demonstram total insustentabilidade fiscal. A manutenção do ritmo de crescimento deste rombo bilionário nos levará ao default (calote na dívida) no longo prazo. Esta tendência precisa ser revertida o quanto antes. Quanto maior o déficit nominal, maior será o retorno exigido pelo mercado para emprestar dinheiro ao governo.

Os juros da dívida soberana sobem (e continuarão subindo) naturalmente em reação à normalização das condições monetárias nos países desenvolvidos. O aumento da remuneração dos títulos do Tesouro norte-americano, por exemplo, provoca uma inevitável atração de capital, obrigando os demais países a subirem seus respectivos prêmios de risco (juros), a fim de manter a atratividade de seus ativos e impedir uma fuga em massa de capitais.

Além da reação natural, os juros da dívida soberana brasileira sobem, também, por influência da política fiscal expansionista do governo. Esta última variável pode e deve ser revertida a fim de minimizar/frear o avanço do déficit nominal. Nas últimas semanas, os retornos dos títulos pré-fixados do Tesouro Nacional ultrapassaram a barreira psicológica dos 13% ao ano. No início do ano passado, estes mesmos títulos apresentavam retornos de 8% ao ano, o que representa um aumento de pouco mais de 60% nos últimos 12 meses. Isso significa que o governo está pagando 60% a mais para conseguir rolar a mesma dívida no mercado.

Está muito claro que existe uma real necessidade de revisão da política fiscal, independente das questões políticas deste ano. Mesmo com as inúmeras manobras contábeis dos últimos anos e receitas extraordinárias (especialmente em 2013), as metas de superávit primário não estão sendo cumpridas.

O problema não está na arrecadação. Nunca se pagou tantos impostos na história deste País. O Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo alcançou a marca recorde de 1,7 trilhão de reais em impostos federais, estaduais e municipais pagos pelos brasileiros em 2013. São recursos mais do que suficientes para fazer as reformas estruturais necessárias, melhorar o atendimento dos serviços públicos, destravar os investimentos privados (reagindo à melhora do ambiente de negócio) e provocar ascensão social de maneira sustentável.

O recorde de arrecadação é acompanhado pelo recorde “informal” de desperdício de recursos, que pode ser notado a olho nu, sem a necessidade de medição de um indicador específico. Ao observarmos a péssima qualidade das estradas, escolas, hospitais, transporte público, entre tantos outros, num cenário de inflação persistentemente elevada e crescimento medíocre, podemos concluir que nunca se desperdiçou tantos recursos na história deste País.

PS: a análise de fechamento semanal dos principais índices mundiais encontra-se disponível neste link.

20 comentários:

  1. é...o pior é que vamos ter que aguentar esse des-governo por muitos anos, já que compram o povo com bolsas de tudo que é possível imaginar.... com certeza o pt continuará no trono presidencial roubando nosso dinheiro e dando migalhas de pão em troca para o povo

    ResponderExcluir
  2. O cara que consegue ainda defender um governo desse ou é um completo imbecil ou tem algum desvio de caráter.

    Excelente post, resume exatamente a situação que o Brasil vai enfrentar durante o ano tentando sobreviver ao governo do PT.

    ResponderExcluir
  3. Ok. A massa continua votando enquanto de volta receber o pão (bolsas qualquer coisa) e circo (copa do mundo e olimpíadas). Maldita estrela vermelha

    ResponderExcluir
  4. E a merda é que estes malditos serão reeleitos.

    ResponderExcluir
  5. meus caros, a campanha eleitoral ainda não começou, virão novas manifestações de rua antes e durante a Copa... a desgovernANTA não vai suportar a enxurrada de ataques e as novas propostas da oposição que estão por vir, não vamos jogar a toalha antes da luta começar!... vamos fazer a nossa parte, somos formadores de opinião, pessoas esclarecidas, vamos trabalhar junto aos nossos familiares, vizinhos e amigos, tem milhões e milhões de brasileiros de saco cheio de PTralhas...

    ResponderExcluir
  6. Agora a moda do governo vai ser o o Minha Casa Minha dívida. Aqui no interior do nordeste ( interior mesmo cidade de 10k a 20k habitantes), estão ganhando muito dinheiro construindo casas de 40k e vendendo por 85, 90. E o pior é o pessoal que compra, famílias que não ganham dois salários completo consegue comprovar renda de 1,8k mensal facilmente, e compram casa de 85 pagando quase 570 mensal...

    Dizem que pode se ter um arrocho fiscal por 2015, acreditam que o programa minha casa minha vida, por ser um programa social muito caro, seja extinto logo em 2015 , para comprimento do arrocho fiscal, e deixando diversos micros construtores com a mão no saco com suas casas por terminando por fazer e sem conseguir vender devido ao fim inesperado do programa ? Tem muita gente entrando neste negócio de construir e vender, acredito que eles estão chegando atrasado...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Maria Letícia,

      Você tem fontes deste boato do fim do MCMV? Se tiver, poste aqui os links, por favor.
      Seria importantíssimo para estourar a nossa bolha imobiliária.

      Excluir
  7. Segundo a Folha....

    http://www1.folha.uol.com.br/colunas/painel/2013/12/1391391-dilma-nao-lancara-terceira-etapa-do-programa-minha-casa-minha-vida.shtml

    E tem essa matéria também que é muito importante...

    http://dinheiropublico.blogfolha.uol.com.br/2014/01/09/minha-casa-minha-vida-ja-gasta-mais-que-30-dos-39-ministerios/

    Por esses motivos acredito que seria o primeiro programa social de fato, a ser extinto em 2015 pelo possível ajuste fiscal ! O que acha ?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Mas não lançar a terceira fase não significa que o programa vai acabar. Apenas significa que a renda não vai subir, nem os subsídios nem os valores teto de casas...

      Excluir
  8. Já discordo, com nos links acima citado, o MCMV já consome do governo federal mais de 30 dos 39 ministérios, fora isso o ajuste fiscal necessário que deve ser feito em 2015 (achismo ).

    Temos também atraso no repasse dos pagamentos de subsídios feito pela caixa.. Link: http://www.conjunturaonline.com.br/novo/0,0,00,6041-252510-GOVERNO+ATRASA+PAGAMENTO+DO+PROGRAMA+HABITACIONAL+MINHA+CASA+MINHA+VIDA.htm

    Com isso tudo, ainda fico no achismo que, no ano do ajuste fiscal, o primeiro programa social do governo a ser cortado será o beneficio do subsídio e o financiamento de longo prazo a juros subsidiado.

    Gostaria de ler também a opinião do F. Inteligente...Sempre acompanho o site e a opinião do mesmo é importantíssima..Abraço...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Este comentário foi removido pelo autor.

      Excluir
    2. Terminando...

      Contudo isso citado, atraso nos repasse a caixa, dificuldade financeira do governo federal, e o ano após a eleição, figura-se, que de fato, se o ajuste fiscal acontecer, poderiamos ver o fim do Minha casa minha vida, e consequentemente, subida do desemprego e estouro de vez da bolha imobiliária de forma geral ?

      Excluir
  9. Na minha avaliação, os efeitos contracionistas provocados pelo aumento da taxa básica de juros causarão desaceleração no ritmo de crescimento do mercado imobiliário, altamente dependente das condições de circulação do crédito na economia (não somente do programa Minha Casa Minha Vida), a partir do segundo semestre deste ano.

    Como a valorização dos imóveis foi exagerada nos últimos cinco anos, basta acionar um gatilho (fator crédito) para provocar uma nova correção sustentada dos preços (isso não significa estouro de uma bolha). Ciclo normal de mercado. Acontece que a partir do período onde espero uma correção sustentada nos preços (segunda metade deste ano), teremos uma maior disponibilidade de oferta (fruto do boom de novos empreendimentos dos últimos anos), fato que poderá acentuar o movimento corretivo, que já serão impactados pelo próprio esfriamento da demanda (fruto da restrição do crédito na economia).

    Portanto há o surgimento de duas pressões negativas que impactarão os preços dos imóveis a partir do segundo semestre de 2014. O governo só conseguirá minimizar este impacto se aumentar o volume dos subsídios para compra de imóveis.

    Não vejo motivação política para o atual governo fazer os ajustes fiscais necessários em 2015, se reeleito. Acho que só vamos fazer o necessário para continuarmos equilibrando em cima da corda bamba.

    Abcs e boa semana a todos!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. FI,

      Isso que tenho receio. Nada indica que a Dilma reeleita vai fazer o oposto (dar algum rumo ao país). Teremos mais do mesmo. Inacreditável.

      Excluir
    2. A Dilma poderá ficar em partes na corda bamba até o FED de fato resolver se movimentar.
      Assistencialismo tem limites.
      De qualquer forma, não comprarei e sequer mais cogito comprar imóveis no Brasil.
      Me aposentarei, irei para a terra dos livres e de lá irei explorar esse povo ignóbil. E, bem, vivendo em imóvel bem melhor e mais barato, fazendo tudo melhor e mais barato.
      O brasileiro (99%) adora pagar caro.
      Merecem sim serem explorados.

      Excluir
  10. FI,


    Me refiro ao programa minha casa minha vida, você acredita que o mesmo continuará a existir após a eleição desse ano, dando crédito fácil e fardo com juros abaixo da inflação e ainda um subsídio ? . Eu entendi que você acredita em freada da demanda ( mi corrija se eu estiver errado), o problema é que em muitos interiores ( me refiro interior do nordeste ) essa demanda de valores de imoveis de até 90k, com renda de no máximo R$ 1.800,00, tem muito espaço para crescer por alguns anos , tudo depende se os juros do programa MCMV(D) ( que não sobem nem com alta da selic ) vão continuar abaixo da inflação( 4,5% a 5% ) e o governo ainda dando subsídio ( no interior ronda o máximo de 9k de subsídio).

    Se o programa ainda existir por mais algum tempo, de certeza que o rombo será grande, pois o pessoal que financiou, ( com decore de contador para comprovar renda ) comprometem mais de 50% da renda, e na primeira crise deixam de pagar...

    E com o Anônimo citou, o fim desse programa afetaria de certo o subsídio dado para a população de grandes centros onde o governo dá até 27k de subsidio, dando uma grande pancada no mercado não acha ?

    E então, acredita ser possível o fim do programa ou a manutenção dele por alguns anos após a eleição ?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Não tenho a menor dúvida quanto à manutenção do programa Minha Casa Minha Vida. É um importante mecanismo de sustentação da popularidade do governo.

      Abcs,

      Excluir