segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Sensação com a Europa sustenta o ânimo no mercado financeiro


Não é por acaso que o presidente do Banco Central do Brasil, Alexandre Tombini, tem esboçado um discurso bastante otimista nas últimos dias. O câmbio parou de subir com o maior fluxo de entrada de dólares nas últimas semanas, a bolsa parou de cair, a curva dos juros futuros cedeu, o CDS brasileiro caiu (credit default swaps, mais conhecido como risco Brasil, título que mede a probabilidade de calote dos títulos da dívida emitida por empresas e governo) e o ambiente está relativamente tranquilo no mercado financeiro. Nem parece que as praças emergentes foram duramente golpeadas no mês passado.

Vale ressaltar que a nova meta vergonhosa de superávit primário fixada em 1,9% do PIB (Produto Interno Bruto) pouco tem a ver com a retomada do ânimo dos investidores. O governo continua cometendo os mesmos erros do passado e dificilmente conseguirá alcançar o número prometido este mês no fechamento de 2014, simplesmente porque as despesas continuam crescendo num ritmo significativamente superior ao das receitas.

Tombini concluiu que a avaliação dos investidores com relação ao Brasil mudou para melhor nas últimas semanas, mas na verdade o que está acontecendo aqui não passa de um respingo de otimismo frente à nova sensação observada nos mercados desenvolvidos, especialmente nas praças europeias.

As bolsas de valores na Europa estão respondendo às medidas de austeridade fiscal e reformas adotadas nos últimos anos. Os governos fizeram os seus devidos deveres de casa, sob imensa pressão do mercado, é verdade, mas agora as empresas estão mais eficientes, lucrativas e faturando mais com o ressurgimento da demanda interna e externa.

A confiança do consumidor na zona do euro está subindo e os países estão começando a colher benefícios oriundos das reformas implementadas no passado, fato que pode ser constatado na retomada do crescimento do PIB e melhora na perspectiva para os ratings das principais economias do bloco. A agência de classificação de risco Moody's, por exemplo, elevou o rating da Espanha nesta segunda-feira para Baa2, sob perspectiva positiva. A confiança empresarial também está em alta. Na Alemanha, o índice subiu esse mês para o maior nível desde julho de 2011.

Este ambiente positivo provoca, inevitavelmente, uma melhora na perspectiva para o valuation das empresas, atraindo investidores a comprarem ações. Esta nova onda de compras na Europa jogou a bolsa de Paris para o nível mais elevado dos últimos 5 anos, superando um importante patamar de resistência.


A bolsa de Londres, em forte rally neste mês, voltou a encostar na máxima histórica, com boas possibilidades de rompimento nos próximas dias/semanas.


Na Alemanha, o índice DAX recuperou quase todas as perdas registradas no mês passado e está próximo de renovar a máxima histórica, mais uma vez.


A sensação na Europa impediu que Wall Street continuasse caindo neste mês de fevereiro, onde os principais índices já recuperaram mais de 50% das perdas registradas no mês passado.


Já os mercados emergentes não subiram tanto nas últimas semanas, mas pelo menos receberam um respingo do otimismo provocado pelo rally na Europa, fato que permitiu a interrupção, a princípio temporária, da forte onda vendedora observada no mês passado.

A bolsa do México trabalha dentro de uma zona de congestão de curto prazo, sustentando-se acima da importante linha de suporte na região dos 250 pontos.
  
  
A bolsa da Índia também trabalha dentro de uma zona de congestão de curto prazo, ainda na tentativa de rompimento da máxima histórica, sustentada pela média móvel simples de 200 períodos diária.


O mercado chinês subiu dentro de suas limitações na primeira quinzena do mês de fevereiro, mas já devolveu boa parte dos ganhos conquistados, mantendo a tendência de baixa de curto, médio e longo prazo.


No Brasil o índice Bovespa segue trabalhando dentro de uma congestão de curtíssimo prazo, sustentada pelo fundo duplo formado na região dos 46.1k. Nos últimos dois pregões pode-se notar o ressurgimento, ainda tímido, da força vendedora localizada na região da linha central de bollinger, devido à proximidade com a LTB dos 56.7k. Não há definição de tendência para o curtíssimo prazo. No curto prazo, a tendência de baixa ainda prevalece dominante.


11 comentários:

  1. Bom retorno Fim.. tava fazendo falta...

    Veigalex

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    1. Que nada rsrs... Obrigado Veigalex!

      Abcs, boa semana!

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  2. Grande e sumido FII... tô espantando com a queda expressiva das taxas do TD, acha que se mantém no médio prazo ? Não quero comprar LTN com menos de 13% mais

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    1. hahaha, excelente

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    2. De fato a correção está um pouco mais forte quando comparada aos últimos movimentos corretivos de curto prazo ocorridos no mês novembro e dezembro de 2013, agosto e setembro de 2013, mas ainda está mais fraca quando comparada à correção do mês de junho de 2013. Resumindo, até o momento é mais um movimento normal na curva de juros, que por sua vez não invalida a tendência de alta de médio e longo prazo.

      Dificilmente este movimento descendente se manterá no médio e longo prazo, já que teremos apertos monetários na Inglaterra e, posteriormente, nos Estados Unidos. Creio que logo logo a curva de juros vai encontrar um novo ponto de equilíbrio de curto prazo, pois o spread dos juros futuros com relação à projeção para a taxa Selic está bem apertado no momento.

      Abcs, boa semana a todos!

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  3. FI,

    Ótimo post. Você recomenda algum veículo (um ou mais) fonte de informação, do tipo valor / reuters ou algo assim (pode ser estrangeiro tmb) ? Vejo que vc faz referência aos relatórios do instituto markit em alguns dos seus posts. Acesso às vzs o infomoney mas não me rende muitos resultados, rs.

    Agradeço.

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    1. Opa, tudo bom?

      Obrigado! Na reuters e/ou bloomberg você vai estar bem informado de praticamente tudo o que precisa saber no mercado financeiro. São as mídias "menos sensacionalistas" (se é que isso existe rs...) e não são tão tendenciosas quanto as demais . Não perca tempo lendo o resto rs... Informação demais atrapalha, principalmente na internet, onde é bastante comum encontrar informações erradas, tendenciosas e de baixa qualidade. Infomoney dispensa comentários rsrs...

      Sim, os relatórios do Instituto Markit são ótimos e confiáveis. Os mais importantes são replicados na reuters/bloomberg, mas você pode ler na fonte (markit.com). São relatórios que auxiliam na avaliação do cenário macro.

      Abcs, boa semana!

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  4. Como sempre, excelente análise FI,

    O que dá dó é quando você olha os gráficos:
    Londres ascendente
    França ascendente
    Alemanha ascendente
    EUA ascendente

    Ai você já vê um padrão e olha o IBOV descendente. Dói.

    Será que nas próximas reuniões do Copom as taxas de juros irão continuar subindo 0,5 p.p. ou a ascendência dente a decair para 0,25 p.p. ?

    Estagiário
    http://oblogdoestagiario.blogspot.com/

    Uta!

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    1. Obrigado!

      Sim, na verdade grande parte das praças financeiras mundiais operam em tendências de alta de médio e/ou longo prazo, inclusive algumas emergentes, como Índia (colada na máxima histórica) e México (rompeu TH em 2012), por exemplo. Os mercados que micaram, como o brasileiro e o chinês, por exemplo, não ofereceram/oferecem condições mínimas para valorização sustentada dos ativos no médio e longo prazo, basicamente por questões políticas.

      O Banco Central está propenso a reduzir o ritmo de aperto monetário (de 0,5 p.p. para 0,25 p.p.), conforme indicações das duas últimas atas, mas a degradação do quadro doméstico está impedindo esta redução e, ou mesmo, provocando um alongamento do atual ciclo. Tecnicamente não há espaço para interrupção do ciclo, ou mesmo redução no ritmo de aperto monetário, já que as projeções do próprio Banco Central apontam para uma inflação distante do centro da meta em 2014 e 2015. Levando em consideração os acontecimentos dos últimos anos, pode-se entender que as decisões de política monetária sofrem influência externa. O Banco Central parece não ter autonomia suficiente para consertar o estrago dos últimos anos. Então pode ser que a taxa Selic seja conduzida à casa dos 11%, mantendo-se neste nível até o final deste ano, e a inflação, por outro lado, continue oscilando acima do centro da meta.

      Abcs, boa semana!

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  5. Olá FI.
    Eu costumo dizer que não é fundamental estar bem, o que realmente importa é estar melhorando. Esse parece ser o caso de alguns países da Europa, que estão fazendo a lição de casa e colhendo os frutos, ainda que miúdos. Entretanto por aqui não é o que está acontecendo. Além de não estarmos bem em diversos aspectos, infelizmente o passado é sempre melhor.
    Não estou otimista com o que está acontecendo em âmbito global, pois os investidores de fora estão perdendo o interesse na nossa economia - o que já é péssimo -, e estes estão cada vez mais interessados em outras economias, que mostram uma recuperação mais consistente; Pouco discurso e mais ação.
    Abs.

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    1. Exatamente Zé Piu. Crescer de maneira sustentada, com o suporte das reformas, é bem melhor do que crescer de maneira "desembestada". O Brasil frustrou muita gente, mais uma vez. Retomar a nossa credibilidade vai ser uma tarefa difícil e de longo prazo.

      Abcs, boa semana!

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