segunda-feira, 31 de março de 2014

3 bolas na caçapa, em uma só tacada


O mês de março foi bastante positivo aos investidores/operadores nacionais posicionados em ações no mercado nacional. O índice Bovespa encerrou este mês com o melhor desempenho registrado desde janeiro de 2012. Mas se o mês foi positivo para nós, aos estrangeiros, foi três vezes melhor.

Os estrangeiros aproveitaram uma janela de oportunidade para ganhar nas três pontas clássicas do mercado: câmbio, bolsa e juros. O dólar alto, cotado a R$ 2,35 no mês passado, próximo da máxima, casou com a bolsa no chão, aos 46.000 pontos e com os prêmios atrativos no mercado de juros futuros. Tudo isso levando em consideração estratégia de posicionamento de curto prazo.

Entrar no Brasil com o dólar alto é bastante favorável, pois os estrangeiros ganham na valorização do câmbio no curto prazo. Este mesmo capital, que já entra ganhando no câmbio, é destinado às compras de papéis no mercado de juros ou na bolsa de valores.

Aproveitando os prêmios dos títulos pré-fixados em torno de 12,70% ao ano atingidos em meados do mês de março e/ou expectativa de novas elevações na taxa básica de juros, favorecendo posições pós-fixadas, os estrangeiros se entupiram de títulos públicos federais. 93,508% das garantidas depositadas para operações no mercado de derivativos são oriundas de títulos públicos federais. Apenas 0,548% das garantias são “dinheiro vivo”. Isso mostra que, além de ganharem no câmbio e no mercado de juros, os estrangeiros aproveitaram para se alavancarem ao máximo nos derivativos, principalmente em contratos futuros do índice Bovespa.

Em uma só tacada os investidores estrangeiros botaram 3 bolas na caçapa. Em março, o dólar registrou o maior recuo desde setembro do ano passado. Os pré-fixados se valorizaram com a queda do Yield (juros). A curva de juros futuros com vencimento em 2017 cedeu para 12,47%. Os pós-fixados (LFT) passarão a render 0,25 p.p. a mais neste mês, com a provável nova subida da taxa básica de juros a ser anunciada na próxima quarta-feira, após a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central). Já a bolsa disparou 7,05% neste mês, multiplicando o ganho do capital alavancado.

Março foi um mês fenomenal aos investidores estrangeiros. Não é sempre que se aparece uma oportunidade para entrar numa praça financeira sem hedge e ganhar nas três pontas. E tudo isso aconteceu frente aos indicadores que mostraram agravamento do quadro doméstico, criando descompassos no mercado. O mercado apenas reagiu às diferentes pressões do lado da oferta e da demanda.

É importante ressaltar que este quadro dificilmente se repetirá nos próximos meses. A janela de oportunidade está fechando. O elástico para queda do dólar e dos Yields é pequeno, e, se esticar demais (dólar abaixo de R$ 2,20 e prêmios pré-fixados em torno de 12%) haverá, provavelmente, um novo tranco pro outro lado. Tal como o dólar e os juros, a bolsa também tem seu elástico limitado. O cenário de crescimento medíocre, inflação elevada e crédito mais caro (conseqüência do ciclo de aperto monetário) afetará sensivelmente as margens de lucros das empresas, reduzindo o potencial de upside das ações em bolsa. Se, novamente, o elástico estimar demais nesta ponta, haverá, provavelmente, resposta de igual pressão do outro lado.

No gráfico mensal do Ibovespa podemos observar a formação de fundo duplo na região dos 44k, fato que permitiu a sustentação do índice na LTA de 2002. Houve um falso rompimento da referida LTA no início do mês, caracterizando bear trap, impulsionando ainda mais a força compradora nas últimas semanas do mês de março.


Apesar dos elevados níveis de sobrecompra nos gráficos intraday e diário, o mercado tem espaço livre para continuar subindo no curto prazo. Não há zonas de resistências relevantes próximas.

7 comentários:

  1. FI, permita-me a ousadia de questionar o seguinte ponto :

    "Apesar dos elevados níveis de sobrevenda, o mercado tem espaço livre para continuar subindo no curto prazo. Não há zonas de resistências relevantes próximas."

    Oras, a subida da bolsa parece ter sido feita a partir de especulações, sem haver sólida base de sustentação. Como você mesmo disse no texto vivemos momentos caóticos no país : inflação crescente, crescimento pífio e crédito caríssimo.

    Apesar do gráfico de curto prazo ter vindo sugestivo de uma manutenção da tendência de alta, o que me diz que deve ocorrer caso nesta ou na outra semana seja divulgada nova pesquisa de intenção de votos mostrando a presidenta na cabeça, ganhando no primeiro turno?

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    1. Foi bom você destacar este trecho, pois o nível elevado é de sobrecompra. Vou corrigir no texto. Agradeço.

      Com relação às resistências, não é uma sinalização de que o mercado subirá indefinidamente, ou mesmo de sustentabilidade do movimento. Apenas mostra que existe espaço para novas altas de curto prazo, mesmo porque a tendência é de alta. Em algum momento esta tendência será revertida. Pode acontecer com um choque de realidade, disparada da inflação, estrangeiros embolsando os ganhos deste mês, etc.

      Abs, bons investimentos

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  2. LEGAL VER ISSO, PENA QUE OS INVESTIDORES (FORISTAS) NACIONAIS NÃO POSSUÍAM A MESMA MENTALIDADE PARA AGIR NA HORA H, AO CONTRARIO FICARAM TODOS COM MEDO E FALANDO EM 40K 39K ... LAMENTAVEL

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  3. FI. O tranco vira apos as eleicoes, independentemente de quem ganhar. Nao ha escape. Gasolina, transporte e energia eletrica terao que subir para cobrir o artificialismo criado, entre outros ajustes na economia, pouco populares. Entendo que e isso que o mercado esta precificando neste momento, e reputo que exista espaco para subir mais, ja que a bovespa, frente as demais bolsas, e uma das mais desvalorizadas. Houve um exagero, malgrado os problemas que vivenciamos, bem expostos neste blog. Contudo, todos sabem o que deve ser feito e o Governo nao e ingenuo para levar o populismo ate as ultimas consequencias. Ele esta emparedado e tem que dar uma resposta coerente, de acordo com as espectativas do mercado, pois caso contrario as urnas serao severas, mesmo com bolsa familia. Um abraco

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    1. Essa gambiarra que fizeram para adiar o aumento da conta de energia elétrica foi digna de um prêmio IGNÓBIL... Fazer um empréstimo para ser pago ano que vem com aumento das contas é de matar de rir...

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    2. Não há escape, mas dá pra continuar empurrando com a barriga. Esse é o problema. Para isso, basta o governo continuar administrando o IPCA, como tem feito nos últimos anos. Duvido muito que os preços dos combustíveis, transportes e energia elétrica subirão o necessário em 2015, conforme estão comentando por aí. A inflação estouraria o teto da meta de 6,5% fácil. Em caso de vitória do PT, qual a motivação para o governo acertar as contas, se recebeu um voto de confiança da sociedade aprovando a estratégia de represamento de preços? Ou em caso de vitória da oposição, será que o partido estaria disposto a perder sua popularidade recém conquistada para arrumar a casa? Como convencer o Congresso? Não seria mais fácil fazer uma limpeza superficial e deixar o grosso da sujeira de baixo do tapete, preservando o emprego de quem te elegeu? Fazer acerto de contas é muito complicado, não vejo esta disposição para encarar o rojão, mesmo em caso de vitória da oposição. Duvido que entregariam o osso (perder popularidade) depois de passar tantos anos apanhando do PT.

      Acho que os preços administrados continuarão represados, porém em "níveis menores". Se a energia subir muito, a gasolina vai subir pouco ou quase nada. Impostos populares, como IPTU e IPVA podem subir mais, enquanto os preços das tarifas de transporte público podem subir menos. Existe, também, a possibilidade de manusear a cobrança de impostos de produtos importados como forma de gerenciar a inflação. Ou mesmo o governo pode até aumentar o intervencionismo na economia para administrar a inflação. Enfim, são várias possibilidades. Apenas citei algumas que veio à cabeça no momento.

      Infelizmente o que eu espero para 2015 é mais do mesmo, com um pouco "menos do mesmo" em caso de vitória da oposição. Acerto de contas dificilmente vai acontecer, mesmo porque não estamos tão perto do abismo quanto à Venezuela ou Argentina. Estamos apenas na mesma estrada, que não é curta. O populismo deve continuar em caso de vitória do PT, porém, cuidadosamente administrado para não matar a vaca leiteira.

      Abs a todos e boa semana!

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    3. É terrível este cenário mas a energia elétrica não tem como escapar o rombo do tesouro está ficando insustentável. A Petrobrás até 2018 ou 2020 não aguenta sem caixa. Não vai ter como segurar muito mas se o PT ganhar eles vão destruir o país até 2018 com essas políticas.

      Essa alta da bolsa é só por causa da pesquisa. Só, nada justifica. Eu ainda acredito que em Abril já devolve tudo.

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