quarta-feira, 26 de março de 2014

Patinho feio, patinho burro e o profeta


Quem pensava não existir algo mais humilhante do que ser reconhecido como patinho feio do mercado estava muito enganado. O apelido nada agradável é fruto das rotineiras decepções de investidores, empresários, agentes e instituições do mundo inteiro com o Brasil dos últimos anos.

O downgrade de segunda-feira apenas confirmou o nosso “status” de patinho feio. Nenhuma potência emergente tem uma classificação de risco tão baixa quanto o Brasil. Nem mesmo a Rússia, que passa por uma crise econômica e geopolítica, ocupa o mesmo degrau brasileiro.

Mas o governo conseguiu piorar a nossa imagem, se é que isso ainda é possível. A agência de classificação de risco Standard & Poor's está sendo bombardeada por integrantes da equipe econômica. Políticos do alto escalão partiram para o ataque contra a S&P, rejeitando e desmerecendo o trabalho da agência, numa incrível demonstração de ignorância.

Primeiro porque não entendemos o importante recado da S&P. Não há mais espaço para truques e manobras contábeis. A política fiscal precisa ser revista o quanto antes. O crescimento medíocre prova que a política econômica não funciona. O Banco Central, sozinho, não faz milagre. As expectativas estão deterioradas e a inflação continua perigosamente elevada, sem perspectiva de encontro ao centro da meta. As intervenções sufocaram o setor elétrico. A taxa de investimento (atualmente em 18% do PIB) está muito baixa e precisa subir. É preciso retomar a confiança e credibilidade.

Segundo, e não menos importante, porque os indivíduos que estão atacando a S&P são da mesma base política que elogiou a postura da agência de classificação de risco em 2008, quando recebemos o título de grau de investimento. Na época, tal evento foi celebrado exaustivamente pelo então presidente Lula. “Vocês viram na televisão, na semana passada, eu não sei nem dizer direito, mas eu estava em casa vendo televisão, e dizia assim: O Brasil agora virou investment grade!”

Quando o rating subiu novamente, em novembro de 2011, de BBB- para BBB, a S&P recebeu uma nova onda de elogios do governo. O ministério da Fazenda soltou uma nota no mesmo dia reconhecendo o importante trabalho da agência de classificação de risco, ressaltando todos os motivos responsáveis pelo nosso upgrade.

A atitude de atacar, quem já foi exaustivamente elogiado pelo mesmo serviço prestado, revela incoerência de postura, irracionalidade e incapacidade de análise e compreensão dos fatos. Pior do que isso, só mesmo quando se paga por um serviço para ser atacado e desqualificado. Mas é o que estamos fazendo. O governo assinou um contrato de 275 mil dólares no final de 2013 para a S&P dar sua opinião independente sobre o rating do País neste ano. Parece que estávamos assinando, na verdade, um atestado de burrice.

Para finalizar, vamos resgatar um discurso do ex-presidente Lula, feito alguns dias depois de recebermos o título de grau de investimento. Naquela ocasião, Lula havia utilizado a figura de dois trabalhadores para explicar aos brasileiros o que representava o upgrade na classificação de risco do Brasil. “Um deles é um homem comportado, que cuida da família, paga o aluguel e não tem vícios. Esse é o investment grade. O outro recebe o dinheiro, torra tudo em mesa de jogo ou bebe demais e está quebrado. Então, era assim que era o Brasil. O Brasil estava quebrado, não tinha credibilidade.”

Será que Lula estava falando do Brasil do passado, ou, sem querer, estava mesmo é fazendo uma profecia? Ultimamente, o Brasil está passando mais tempo no bar do que no trabalho, ou em casa com a família. Seja o que for, tomara que este cenário não se concretize.

No mercado de capitais o índice Bovespa testou e respeitou a principal barreira de curto prazo, localizada na linha dos 48.7k. O candle de fechamento é uma estrela cadente, semelhante ao candle da última terça-feira e caracteriza formação de topo de curtíssimo prazo. Isso não significa que a tendência de alta iniciada na região dos 44.9k está finalizada, mas que são boas as possibilidades de manutenção do movimento corretivo, iniciado hoje, nos próximos pregões.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones cedeu 0,60%, reforçando uma linha de resistência localizada na região dos 16.4k, levemente abaixo da máxima histórica. Mercado norte-americano entrou em congestão de curtíssimo prazo, com suporte inicial na faixa dos 16k.


4 comentários:

  1. "Segundo, e não menos importante, porque os indivíduos que estão atacando a S&P são da mesma base política que elogiou a postura da agência de classificação de risco em 2008, quando recebemos o título de grau de investimento. Na época, tal evento foi celebrado exaustivamente pelo então presidente Lula. “Vocês viram na televisão, na semana passada, eu não sei nem dizer direito, mas eu estava em casa vendo televisão, e dizia assim: O Brasil agora virou investment grade!”"


    Ai ai, esse PT..

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O que me irrita ainda mais é o idiota do Beluzzo chorando no Estadão falando que é "ataque e fraude" dos irracionais e apontando dedos nos outros falando que a S&P não previu a crise etc, etc.

      Ele é safado ainda mais pois pega alguns dados aqui e acolá pra apontar que tá tudo bem.

      É um puta dum desenvolvimentista safado e burro, odeio esses keynesianistas idiotas

      Excluir
    2. A história e os números mostram que não é uma boa ideia escutar o que o Belluzzo fala. Ele foi (e continua sendo) um dos economistas mais influentes do governo Dilma.

      Abs, bons investimentos

      Excluir
  2. Fi, sei que é muito inteligente mais que não chega a ser vidente, mesmo assim poderia me dar a sua opinião sobre os imóveis no rj, pois dizem que estamos cheios de novos ricos e que o preço não vai baixar, saiba que esse não é o meu caso tenho economizado com muita disciplina uma vida inteira para comprar um apartamento no recreio mais não sei se comprar agora ou esperar mais um pouco. Desde já obrigado.

    ResponderExcluir