sexta-feira, 4 de abril de 2014

Correria no Nasdaq se espalha pelo mercado


Os negócios nas principais praças financeiras mundiais abriram a sexta-feira mantendo o tom otimista observado nos últimos dias. Logo pela manhã, o Departamento de Trabalho dos Estados Unidos divulgou o tão esperado payroll. Foram criados 192 mil postos de trabalho durante o mês de março, levemente abaixo da expectativa de 200 mil. A leitura ficou acima das 175 mil novas vagas criadas no mês de fevereiro (dado revisado para cima). A taxa de desemprego manteve-se inalterada nos 6,7%.

A reação do mercado aos dados do payroll foi positiva. Dow Jones, S&P500 e Nasdaq avançaram para as máximas no intraday. O índice Bovespa chegou a subir 1,7%.

Entretanto, logo no início da tarde a bolsa eletrônica Nasdaq levou uma tremenda sacudida. Para entender o que aconteceu, vamos resgatar o histórico do índice. Até o início do mês passado, a bolsa havia acumulado alta de mais de 40% nos últimos 14 meses. Nas semanas seguintes após a máxima registrada na virada de fevereiro para março, a força compradora começou a se exaurir, abrindo espaço para realização de lucros.

As primeiras vendas surgiram com os questionamentos de sustentabilidade dos preços praticados em algumas ações de tecnologia e biotecnologia. Este questionamento perdurou durante todo o mês de março, pressionando os preços de algumas ações para baixo. Porém, os preços ensaiaram um movimento de retomada no início desta semana, duramente rechaçados nesta sexta-feira.

Nasdaq experimentou a fúria dos fundos hedge. Bastou reaparecer a força compradora para os gestores se sentirem confortáveis em desmontarem suas respectivas posições em papéis com preços esticados no curto prazo.

As ações do Google caíram 4,6%, registrando a maior baixa desde outubro de 2012. Os papéis do Facebook desvalorizaram 4,6%, na maior retração dos últimos dois anos. As ações do Yahoo! recuaram 4,2%. Netflix tombou 4,89%. Priceline caiu 4,80%. LinkedIn despencou 6,29%. Tesla perdeu 5,85%. Alexion Pharmaceuticals derreteu 5,92% e as ações da Halozyme Therapeutics desmoronaram 27,26%.

No final do pregão, o índice Nasdaq fechou em baixa de 2,60%, perdendo a linha central de bollinger no gráfico semanal pela primeira vez desde janeiro de 2013.


O volume elevado constatado nas operações do índice Nasdaq assustou o mercado, contagiando os demais índices de Wall Street. Dow Jones e S&P500 reverteram rapidamente a tendência de alta e passaram a operar em baixa. Ao final do pregão, Dow Jones cedeu 0,96% e S&P500 fechou em baixa de 1,25%.

No gráfico semanal, ambos os índices (Dow Jones e S&P500) soltaram uma estrela cadente colada na máxima histórica. Sinalização clássica de topo e possível reversão de tendência (a princípio, de curto prazo).


Na Europa os mercados fecharam a semana em alta, colados na máxima histórica, influenciados pela expectativa de que o BCE (Banco Central Europeu) utilizará medidas não convencionais (tais como mecanismos de flexibilização quantitativa) para combater a inflação baixa.


Na Índia, a bolsa de Bombay, sobrecomprada no semanal, soltou uma estrela cadente, sinalizando topo e possível reversão na tendência de alta de curto prazo. Mercado ainda não realizou lucros de maneira consistente desde o rompimento da máxima histórica.
  
  
Na China, a bolsa de Xangai fechou a semana em leve alta, mantendo-se levemente acima da importante zona de suporte localizada na região dos 2.000 pontos.


No Brasil, o índice Bovespa fechou em forte alta pela terceira semana consecutiva. Entretanto, o ritmo da arrancada claramente diminuiu, devido aos elevados níveis de sobrecompra constatados nos gráficos intraday e diário. O mercado também sentiu a aproximação de uma LTB dos 63.5k.


Apesar de não ser uma estrela cadente, o pavio superior do candle desta semana sugere realização de lucros nos próximos pregões, seguindo a sinalização das demais praças financeiras internacionais. Ainda assim, o clima de otimismo exagerado tende a permanecer no mercado enquanto a bolsa conseguir se manter acima dos 50k (nível psicológico relevante).

A todos vocês um ótimo final de semana! Bom descanso e até segunda.

24 comentários:

  1. Muito boa explicação. Será que vai levar uma correção geral no mercado americano (SP500)? Achei que caiu bastante hoje para "padrões americanos".

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    1. Obrigado. Sim, o mercado se assustou com o volume das vendas na bolsa de Nasdaq. Fundos hedge embolsando lucros de posições em ações de tecnologia e biotecnologia, que subiram muito. Esta premissa (embolsar lucros de papéis que subiram demais no curto/médio prazo) pode se espalhar para o S&P500/Dow Jones. Apesar da perspectiva positiva, estes índices estão relativamente puxados no curto prazo. Não tem nada barato pra comprar na bolsa de Nova York. A possibilidade de correção no curto prazo é alta, mas a princípio, a tendência de alta de médio e longo prazo não deve ser afetada.

      Abs, bom sábado!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. mais uma pesquisa, agora dilma tem 38% e consegue se reeleger no primeiro turno

    fi, que tal uma análise técnica do gráfico das intenções de votos e popularidade da dilma? hahahaha

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  4. Creio que a pesquisa eleitoral vai colocar pressão negativa na bolsa brasileira, pois mais importante que a queda da PORTA é a subida de seus adversários, não verificada. Não vejo outra possibilidade de reversão do atual cenário senão a entrada de uma alternativa ao poder - no caso o Morcego Barbosão.

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    1. O batman não vem. Mas se trocarem o Campos pela Marina o PT vai tremer. Viu quanto ela teria se viesse candidata? 27% e forçando um segundo turno.

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    2. a pergunta que fica: não seria menos pior dilma do que marina?

      porque entre uma anta que não sabe falar e não sabe gerir uma economia, que age de maneira truculenta, na grito e intervencionista, acabaria sendo menos nociva do que a anta sonhática verde, que também não sabe gerir uma economia, e além disso iria adorar acabar com o setor agro do brasil, em troco da plantação sustentável de cannabis para seus seguidores marineiros

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    3. Acho muito difícil o Eduardo Campos ser vice da Marina. O Jô Soares entrevistou ela no ano passado, até que tem umas propostas boas, como a retomada do tripé macroeconômico (câmbio flutuante, superávit primário e inflação na meta). Aliás, boas intenções é o que não faltam. Só não mostrou como vai fazer, que é o mais difícil. E quanto ao agronegócio fica realmente uma incógnita perigosa, lembrando que esse setor é o carro chefe da economia brasileira.

      Abs a todos e a boa semana!

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  5. FI. A conjuntura atual ainda favorece a bovespa. Nos EUA e Europa, bolsas caras. India, idem. China uma incognita, ainda mais sem governo democratico. Japao em luta contraria a nossa. Sobrou o Brasil, com dolar alto e bolsa nas minimas, com pelo menos perspectivas de mudancas por perto. Mais de 70% do eleitorado quer mudancas. Eis o que o proximo poder politico tera que atender. E essa a aposta dos investidores, com a percepcao de que o Brasil, ainda com suas falhas, e democratico e aberto e as instituicoes costumam funcionar quando ha exageros. E penso que o elastico ja esticou demais. Um abraco.

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  6. Se o mercado ficar refém das pesquisas eleitorais estamos perdidos rsrs... Vamos ter que chamar alguns cientistas políticos para opinarem no nosso blog nos próximos 6 meses.

    Comparando com a pesquisa Ibope, não houve diferença significativa. Dilma tinha 40% das intenções de voto no Ibope. Já no Datafolha, Dilma tem 38% das intenções de voto. Está dentro da margem de erro de 2 p.p. Já os candidatos da oposição continuam estáveis. A aprovação do governo da presidente Dilma está em 36% no Datafolha. Mesmo percentual da pesquisa Ibope divulgada na semana passada. Continua não havendo sinalização de aumento na hipótese de transição de poder.

    Análise técnica: Dilma está em aparente ligeira tendência de queda, mas ainda longe das regiões de suportes relevantes, com bastante espaço para correções sem afetar a tendência principal de médio e longo prazo rs... Mas isso é perigosíssimo, a continuação desta tendência de queda apenas estimulará o aumento de gastos por parte do governo federal, fato que implicará em mais um descumprimento da meta de superávit primário neste ano.

    Outro fator importante refere-se à inflação. 65% dos entrevistados acreditam que a inflação vai aumentar. Este é um dos grandes responsáveis pela queda da aprovação do governo Dilma. Dentro da ótica do governo, para reverter essa expectativa, só mesmo aumentando a intervenção na economia, visando controlar a inflação artificialmente, já que os meios ortodoxos estão fora de cogitação (jogar a taxa Selic acima dos 12% ou adotar uma política fiscal contracionista). Isso fatalmente deixará a economia ainda mais desregulada.

    Outro fator importante está na fantasia criada pelo mercado em torno dos candidatos de oposição. Criou-se uma expectativa muito forte de que se o Aécio ou Eduardo Campos forem eleitos, teremos acerto de contas e voltaremos a fazer o dever de casa. Duvido muito que isso vá acontecer, com ou sem Dilma. Não temos políticos no Brasil que chegariam aos pés de uma Margareth Thatcher e não há nenhum mecanismo para conseguir apoio da população enquanto estivermos fazendo o acerto de contas. Quem cortar os gastos públicos, dar liberdade ao Banco Central para combater devidamente a inflação, privatizar totalmente a Petrobras, Eletrobras e Banco do Brasil, bater de frente com os sindicatos e negociar um tratado de livre comércio com os Estados Unidos vai sofrer impeachment. O poder cairia nas mãos do Lula.

    Mesmo que tivéssemos um (a) aspirante à Margareth Thatcher no Brasil, faltaria, ainda, o mecanismo para conseguir apoio do povo. Thatcher só não caiu no Reino Unido porque foi muito bem sucedida na Guerra das Malvinas, fato que uniu o País num momento difícil e lhe agregou popularidade. Foi por isso que ela conseguiu manter a mão firme e fazer o acerto de contas.

    Por aqui, Aécio Neves já disse que manterá a atual política do salário mínimo e que os reajustes de gasolina terão de ser feitos de forma gradual...

    Abs a todos!

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    1. FI,

      No seu parágrafo abaixo creio que faltou o principal, que nos afeta e podemos operar ::

      "Dentro da ótica do governo, para reverter essa expectativa, só mesmo aumentando a intervenção na economia, visando controlar a inflação artificialmente, já que os meios ortodoxos estão fora de cogitação (jogar a taxa Selic acima dos 12% ou adotar uma política fiscal contracionista). Isso fatalmente deixará a economia ainda mais desregulada."

      Uma mecanismo de influenciar a inflação no curto prazo é o BC seguir vendendo dólares, promovendo ainda mais carry trade. Dólar em queda, inflação idem e muito mais rapidamente que via juros.

      Problemas na indústria ? Bah, isso é para depois das eleições !

      PS - Agora que lembrei... e não é que já estão fazendo isso, com o pretexto de "diminuir a volatilidade" - Inteligentes esses garotos !


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    2. Exatamente. Bem observado. Inclusive o Mr. Green (Luis Stuhlberger) já criticou bastante esta estratégia do Banco Central. Fornecer liquidez ao mercado/diminuir a volatilidade é apenas uma desculpa para o Banco Central intervir no mercado para jogar o dólar pra baixo, com objetivo claramente inflacionário. O governo deve continuar insistindo nesta estratégia, acontece que desta forma nosso potencial de competição vai ficando cada vez menor, haja vista que as demais moedas estão se desvalorizando frente ao dólar.

      Abs, boa semana!

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  7. FI,

    Pergunta que não quer calar: Uma reeleição de Dilma em outubro, somado ao fim do QE (provavelmente na mesma época) e na iminência da subida do FED no máximo em seis meses não vai causar um reboliço muito grande no mercado? Talvez perda do grau de investimento?

    Abs.

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    1. Sim. São elementos mais do que suficientes para causar um grande reboliço no mercado. Ainda mais levando em consideração a permanência do cenário de baixo crescimento, inflação elevada e juros na casa dos 11%. Vai ser muito difícil para as empresas conseguirem manter o valuation neste quadro cada vez mais deteriorado. Com relação ao grau de investimento, ainda é possível contornar a situação. Acho que temos um prazo de 12 meses para mostrar serviço pra S&P. Só não consigo enxergar ações ou mesmo vontade do governo neste sentido. Redefinir a política fiscal é apenas uma das tarefas que precisamos fazer nestes próximos 12 meses. Ainda será preciso rever todo o modelo de política econômica, afastar riscos de racionamento, reduzir o excesso de intervencionismo e acabar com a inflação. Não sei porque, mas ao escrever este comentário acabei me recordando do filme "Missão Impossível".

      Abs, boa semana!

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  8. O babado é o seguinte, se o PT perceber que existe uma grande possibilidade de perder as eleições, eles simplesmente tiram o BREVÊ da PORTA e repassam para o NÃO SABE. O povão ignorante + o povão sócio do PT + o povão do Bolsa Miséria ficarão felizes e serão mais 8 anos de governo do NÃO SABE, até que alguém resolva dar um fim nisso - seja porque ficou muito na cara a roubalheira (como se já não tivesse) ou porque literalmente falimos por via da inflação.
    Espero que muitos intelectuais e artistas continuem a apoiar esta safadeza toda, pois são eles os maiores culpados dessa quadrilha ter chego ao poder. Quando estiver faltando papel higiênico em nossos mercados como na Venezuela, será a hora em que o povão entenderá que mudanças no poder são sempre bem vindas, pois limita a ganância e o aparelhamento do estado e das estatais.

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    1. 8 anos num cenário pessimista. É difícil derrubar governos populistas. A cadeira para sucessão de poder em 2018 já está reservada. E esse é difícil de tirar também, fica mais 8 anos lá. O governo só precisa cuidar da vaca para que ela continue dando leite.

      Abs, boa semana

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    2. Correção:

      8 anos num cenário otimista***

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    3. Quatro anos de Dilma mais 8 do molusco. Tudo muito bonito e certinho. Mas será que não estão esquecendo a idade do cara???

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    4. Provavelmente não terá o mesmo pique pra fazer campanha, mas ele tem imagem forte. Isso seria o suficiente.

      Abs, boa semana

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  9. Dizem as más línguas que coisa ruim não morre cedo, salvo se pelas mãos de outrem. Comenta-se em boca pequena que inclusive a doença da PORTA também não existiu, que foi uma estratégia pra sensibilizar a opinião pública mais suscetível a manipulação pela emoção. Não estranhem se misteriosamente ela tiver uma recaída nas próximas semanas.

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  10. Era bem vinda uma correção de curto prazo,mas as bolsas europeias hoje estão que nem gato morto...

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    1. Queda generalizada hoje no mercado. Somente o Ibov subiu, embalado pelo fluxo de dinheiro novo dos estrangeiros. Elástico do dólar ficando esticado e o da bolsa também. Vamos ver até onde vai.

      Abs, boa semana

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  11. Estava me preparando para entrar no TVIX-volatilidade do SP500 uma vez que esta perto de perder MM50.mas com esta noticia pode tudo mudar

    S&P descarta crise prolongada em bancos chineses. Os bancos chineses possuem "impressionantes" similaridades com o sistema bancário do Japão dos anos 1990, época que ficou conhecida como a década perdida, mas as instituições da China devem seguir um caminho diferente, embora com certa turbulência nos próximos anos, afirmou a Standard & Poor's.

    Bons negocios

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    1. São os fortes candidatos ao próximo crash dos mercados. Mas o governo ainda tem margem de manobra e bala na agulha. No longo prazo a situação é insustentável, haverá, inevitavelmente, uma crise de crédito na China. Em todas as economias onde pode-se constatar aumento significativo do crédito houve posterior choque de inadimplência.

      Abs, bons negócios

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