terça-feira, 1 de abril de 2014

Ministro reforça política da negação


Desmerecendo o trabalho de uma das mais respeitadas agências de classificações de risco do mundo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta terça-feira que a que a decisão da Standard & Poor's em rebaixar o rating brasileiro foi baseada no “achismo”.

Os motivos destacados no comunicado da agência de classificação de risco, divulgados logo após o anúncio do rebaixamento na semana passada, foram completamente ignorados pelo governo, que resolveu partir para o ataque contra a S&P.

O Brasil sofria com a ameaça de ser rebaixado desde junho de 2013. Antes disso, recebemos inúmeras advertências de diversas instituições globais. Todos os erros de política econômica cometidos nos últimos anos foram insistentemente destacados. O mundo esperava uma resposta/correção do governo. Mas não aconteceu nada. Pelo contrário, a deterioração do quadro doméstico só aumentou.

Portanto, não foi por “achismo”, nem por falta de aviso que sofremos o downgrade. Motivos, infelizmente temos de sobra. BBB- ficou de bom tamanho para um País de economia fechada, que apresenta déficits crescentes em conta corrente, inflação persistentemente elevada, crescimento medíocre, desajustes fiscais significativos, baixa taxa de investimentos e de poupança interna, excesso de intervencionismo e péssimo ambiente de negócios.

O ministro da Fazenda ainda comentou sobre a dinâmica dos mercados e ressaltou que as praças de países avançados não estão oferecendo rentabilidade para os capitais, informação lamentavelmente grosseira e incorreta. Conforme podemos observar no gráfico abaixo, o índice S&P500 acumula rentabilidade superior a 180% desde setembro de 2009.


O mesmo quadro pode ser observado em diferentes praças europeias e até mesmo na economia deflacionada do Japão (vide disparada do índice Nikkei em 2013).

Guido Mantega também criticou o fato de que as análises feitas recentemente sobre o impacto da Copa do Mundo na economia brasileira não devem ser focadas apenas no lado da inflação, mas também no incremento dos negócios em setores diretamente envolvidos com o evento. Entretanto, um relatório da agência de classificação de risco Moody’s mostrou que a Copa do Mundo trará avanço zero ao PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil.

O documento traça uma estimativa de ganho da ordem de R$ 25,2 bilhões ao País, o que representa apenas 0,5% do PIB. Ainda assim, este pequeno ganho será praticamente anulado por conta dos problemas de mobilidade urbana e dos dias perdidos de trabalho por causa dos jogos.

Apresentando informações incorretas, argumentos pífios e infundamentados, o ministro da Fazenda mostra que o governo continuará dando passos para o lado errado, sustentando sua postura através da política da negação. Mantêm uma visão otimista, diante de dados cada vez mais pessimistas. Totalmente desencontrado com a realidade.

No mercado de capitais, o dia foi marcado por mais uma rodada de indicadores macroeconômicos ruins. O Índice Gerente de Compras da zona do euro caiu de 53,2 pontos em fevereiro para 53,0 pontos no mês de março, mostrando ligeira desaceleração da atividade industrial na região.

Na China, o Índice Gerente de Compras caiu de 48,5 pontos em fevereiro para 48,0 pontos no mês de março, aumentando a velocidade de contração da atividade industrial. O indicador atingiu a mínima dos últimos oito meses e preocupa o governo chinês. Medidas de incentivo podem ser anunciadas nas próximas semanas, a fim de sustentar o ritmo de crescimento acima dos 7,0% ao ano.

A expectativa por medidas de incentivo na China animaram os pregões nas principais praças financeiras mundiais. O índice Dow Jones encerrou o dia com alta de 0,46%, colado na máxima histórica.


No Brasil, o mercado permanece desligado do quadro de deterioração da economia doméstica. Hoje, o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio informou que a balança comercial brasileira registrou seu pior déficit no primeiro trimestre desde o início da série histórica (1994).

O índice Bovespa encerrou o pregão com uma pequena desvalorização de 0,29%, ainda insignificante para afetar a tendência de alta iniciada na região dos 44.9k. A sinalização pode indicar topo de curtíssimo prazo na região da média móvel simples de 200 períodos diária, a ser confirmada nos próximos pregões.

14 comentários:

  1. No aguardo do ranking LIXO.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Espero que ele venha logo a ver se o IBOV da mais uma arrancada

      Excluir
  2. FI,

    Fica a nossa preocupação com a balança comercial brasileira, cada vez menos superavitária e dependente da China.

    Abs.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim, este é um dos motivos responsáveis pela vulnerabilidade do Brasil. Qualquer soluço na China derruba nossa economia. Se tivéssemos aproveitado o super ciclo de alta das commodities para investir no ambiente de negócios e agregar valor aos nossos produtos não estaríamos nesta situação.

      Abs, bons negócios

      Excluir
  3. Até quando vamos aguentar esta mula ignorante? Autoritário, burro, mentiroso, desenvolvimentista do caramba. Surfou na onda da bonança do Lula, passou a se achar o bonzão e agora olha aí.

    Nojento, tá aí o culpado da situação do país junto com Dilma, a pior presidente desde Sarney.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. E hoje ele conseguiu soltar mais uma. Disse que "o mais importante é que o poder aquisitivo da população suba acima do aumento de preços."

      Quem escuta uma declaração dessas pode muito bem entender que não existe mais política de metas de inflação no Brasil.

      E parece que o Tombini ainda não conseguiu entender porque as expectativas dos agentes estão deterioradas. Será que é preciso desenhar? rss...

      Abs, bons investimentos

      Excluir
    2. Por isso eu disse, FI, vem aí o ranking LIXO. Retrocederemos aos níveis dos anos 90. Vou ganhar uma fortuna em renda fixa com selic acima de 20% aa em breve.

      Excluir
    3. Bom pro mercado, péssimo pra economia. 20% não sei se chega lá, mas certamente o pré-fixado ultrapassará os 13% nos próximos 12 meses. O mais curioso é que isso só está acontecendo graças ao intervencionismo desastroso do governo Dilma. A presidente tomou posse ameaçando acabar com o almoço grátis do mercado e acabou entregando um presentão. Hoje no mercado você encontra almoço grátis e ainda ganha a sobremesa. Por incrível que pareça, a Dilma se tornou a melhor amiga dos traders e investidores do mercado de juros. Pra você ver como o PT é bom de serviço rsrs... tentou fazer uma coisa e acabou construindo um cenário totalmente oposto.

      Abs, bons investimentos

      Excluir
    4. Exato. Se está 13% com ranking de investimento, imagina quanto vai ser quando virar ranking lixo e provocar saída de dolar do país...

      To adorando os juros da renda fixa, nem preciso procurar ganhos em renda variável.

      Agora eu to na espera mesmo é de uma retração forte no mercado imobiliário. Com 11% de juros não tem mais ninguém grande interessado em investir em construtora rs Aí, quem sabe, compro o meu. Mas não nestes preços escandalosos.

      Excluir
    5. Na minha avaliação vai haver perda de ritmo a partir do segundo semestre deste ano. Mesmo com algum (novo) impulso do governo em subsídios para compra de imóveis. Nos próximos anos podem abrir oportunidades para compra de imóveis, com a provável queda de preço. Pode ser uma oportunidade interessante, pois em caso de crises severas ou sistêmicas, não há hedge melhor do que ter um imóvel/terreno.

      Abs,

      Excluir
  4. Boa tarde FI.
    Mais uma do nosso ministro: Mantega diz que manter inflação baixa é "questão de honra"
    Estou cada vez mais certo que esse sr. está brincando de ser ministro da economia. Quando você vê um cara profissional, sério no que faz, usar uma expressão dessa? Sem tomar dores de ninguém, mas não imagino ouvir do Armínio Fraga, ou do Henrique Meirelles um comentário tão emocional e pessoal assim. Abs.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Lamentável ouvir isso. É mais uma demonstração de total despreparo. Na verdade, pelo que parece, quem manda lá dentro é outra pessoa.

      Abs, bons investimentos

      Excluir
  5. FI, pessoal, o Mantega está lá exatamente por que ele age dessa forma. Obedece caninamente a Presidenta.
    Quanto ao texto, concordo com tudo, menos a frase "uma das mais respeitadas agências de classificações de risco do mundo".
    Na época da crise 2008 li um relatório num site americano onde os juizes questionavam um empregado de uma agência de risco - não lembro qual - se ele alterava as notas para "AAA", e ele respondeu, para diminuir a pena, que avisava seu chefe que um ativo/carteira não merecia esta nota, mas diziam para ele classificar no grau mais alto, pois assim a remuneração da agência seria maior.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Correto. Mas ainda sim, mesmo após os episódios de 2008, a quase totalidade dos fundos de investimentos do mundo inteiro continuam obedecendo às classificações de risco da S&P.

      Abs, bons negócios

      Excluir