sábado, 12 de abril de 2014

Um golpe aos 80 anos de história do IBGE


A semana encerrou com o surgimento de mais um fato lamentável no Brasil. Cedendo aos questionamentos da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e do senador Armando Monteiro (PTB-PE), a presidente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Wasmália Bivar, anunciou na última quinta-feira que a divulgação da Pnad Contínua estará suspensa até o dia 6 de janeiro de 2015, "curiosamente” após as eleições presidenciais.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, mais conhecida como Pnad Contínua, substituirá a tradicional Pnad anual, que inclui o importante indicador da taxa de desemprego, atualmente medido pela PME (Pesquisa Mensal de Emprego.

A diferença de metodologia entre Pnad Contínua e PME revela que, na realidade, a taxa de desemprego no Brasil não é tão baixa. Dentro dos moldes da PME, a taxa de desemprego no Brasil é de 4,3%. Já nos moldes da Pnad Contínua, a taxa de desemprego no Brasil é de 7,1%.

A diferença na taxa de desemprego registrada pelas duas pesquisas acontece porque a Pnad Contínua abrange 3.500 municípios de todas as regiões do país, incluindo áreas rurais, enquanto a PME coleta dados apenas em seis regiões metropolitanas (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador), onde o desemprego tende a ser menor.

Portanto, o novo indicador mostra um desemprego maior que o calculado pela PME, fato que, em tese, poderia prejudicar as estratégias a serem utilizadas nas campanhas eleitorais deste ano. O pronto atendimento aos questionamentos dos senadores, feito “arbitrariamente” pela presidente Wasmália Bivar e, ainda, sem consulta ao departamento técnico da instituição, foi um duro golpe à imagem do IBGE, aos 80 anos de pesquisas independentes e resistências às intervenções de governos.

Esta decisão infeliz desencadeou a pior crise na instituição desde a sua criação, em 1934. 18 coordenadores e gerentes de pesquisas conduzidas pelo IBGE (incluindo indicadores importantes como IPCA e taxa de desemprego) assinaram uma carta enviada ao conselho diretor do instituto na qual ameaçam entregar seus cargos caso não seja revista a decisão de suspender a divulgação da Pnad Contínua.

Indignadas, Marcia Quintslr, diretora de Pesquisas do IBGE, e Denise Britz do Nascimento Silva, coordenadora-geral da Escola Nacional de Ciências Estatísticas, pediram exoneração de seus cargos.

A presidente do IBGE nega interferência política na decisão, mas a forte reação de importantes diretores da instituição deixa sérias dúvidas a serem devidamente esclarecidas.

O sindicato que representa os funcionários do IBGE aponta pressão política sobre o órgão e alertou que a metodologia da Pnad Contínua está correta. Não há erros na amostra nem no cálculo da renda domiciliar per capita. A associação lembrou ainda que a decisão de reavaliar a pesquisa foi tomada sem que a equipe técnica fosse consultada sobre a pertinência dos questionamentos feitos pelos senadores.

A autonomia e integridade das instituições brasileiras são o principal escudo do sistema contra o avanço do bolivarianismo no País. Sem elas, nos tornamos, rapidamente, uma segunda Argentina na América do Sul. O governo desferiu mais um golpe, desta vez contra o IBGE. A sociedade pode decidir entre continuar apanhando de braços cruzados ou reagir com inteligência. Parabéns à Marcia Quintslr, Denise Britz e aos 18 coordenadores e gerentes do IBGE. Reações como esta servem de alerta à sociedade e podem até mesmo inibir a ofensiva ideológica do governo.

No mercado de capitais o índice Bovespa fechou a quarta semana consecutiva em alta. Entretanto, a sinalização do candle mostra formação de pavio superior relevante pela segunda semana consecutiva, sinalizando esgotamento na arrancada iniciada na região dos 44.9k. O mercado já trabalha dentro de um movimento corretivo de curtíssimo prazo, com topo formado na região dos 53.4k. O movimento é ainda modesto e só deve ganhar força com a perda do patamar psicológico dos 50k.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou a semana com um marubozu de baixa, rompendo a linha central de bollinger. A sinalização sugere continuação do movimento corretivo nos próximos pregões.


Na Alemanha o índice DAX também fechou a semana com um marubozu de baixa, perdendo a linha central de bollinger. Mercado em correção, podendo retornar à linha de suporte dos 8.9k.
  
  
Na Índia a bolsa de Bombay fechou a semana em alta, ignorando à sinalização do candle anterior, mantendo a forte arrancada observada desde o rompimento da máxima histórica.


Na China a bolsa de Xangai também subiu, contrariando os indicadores de desaceleração do crescimento e sinalização de que governo não adotará novas medidas de estímulo no curto prazo. O índice conseguiu recuperar a linha central de bollinger, distanciando-se da importante zona de suporte na região dos 2.000 pontos.


A todos vocês um ótimo final de semana!

16 comentários:

  1. ALMIRANTE-X
    O Brasil merece ser estuprado pelos PTralhas e seus associados (máfia), pois percebe-se uma série de movimentos dos ocupantes do poder com vistas a implantar no país o socialismo clientelista e paternalista já abandonado no resto do mundo, salvo na Venezuela e Cuba - e o povo ignorante nada faz pois está comprado por alguns trocados. Pelo bem da verdade diríamos que o que se busca é compartilhar a miséria e não a riqueza. Pobres de todos nós se não houver alternância no poder nestas próximas eleições, pois a coisa só vai piorar. E não pensem que as coisas não possam ficar piores., basta ver a Argentina e a Venezuela. Primeiro foram as maracutaias contábeis e fiscais, agora são as interferências nos institutos de pesquisa, e o próximo passo será o de calar a mídia em geral.
    Vamos dar um basta nisso, e pelo voto - e se não for possível, será pelas manifestações nas ruas e outros meios necessários para manter a democracia e o mínimo possível de corrupção.

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    1. HAHAHHA ALMIRANTE, SE O SR FOSSE ALMIRANTE MESMO NÃO FALARIA EM ALTERNANCIA DE PODER E SABERIA QUE POLITICO É TUDO FARINHA DO MESMO SACO, E O SEU VOTO SERÁ NOVAMENTE JOGADO LIXO... HAHAHHA ISSO SE NÃO ESTIVER GANHANDO 150 REAIS PARA VOTAR

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    2. Caro anônimo, é pelo voto sim que vamos melhorando o cenário. Com sua linha de pensamento sua saída é o aeroporto. Escolhas nem sempre são ideais, mas se escolhermos as menos ruins, vamos manter a democracia, como bem colocou o Almirante-x.

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    3. Democracia, parafraseando José Saramargo:

      Tudo se discute neste mundo, menos uma única coisa que não se discute... não se discute a Democracia. A Democracia está aí como se fosse uma espécie de santa de altar de quem já não se espera milagres, mas que está aí como uma referência, uma referência: a Democracia. E não se repara que a Democracia em que vivemos é uma Democracia seqüestrada, condicionada, amputada... porque o poder do cidadão, o poder de cada um de nós limita-se, na esfera política, repito, na esfera política, a tirar um governo de que não gosta e a pôr outro de que talvez venha a gostar. Nada mais. Mas as grandes decisões são tomadas numa outra esfera e todos sabemos qual é. As grandes organizações financeiras internacionais, os FMIs, as organizações mundiais de comércio, os bancos mundiais, a OCDE, tudo isso... nenhum desses organismos é democrático. E, portanto, como é que podemos continuar a falar de Democracia se aqueles que efetivamente governam o mundo não são elegidos, eleitos democraticamente pelo povo? Quem é que escolhe os representantes dos países nessas organizações? Os respectivos povos? Não! Donde está então a Democracia?

      José Saramago

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    4. Estamos sofrendo um grave crise política!
      Esse modelo representativo é falho, pois temos uma falsa sensação de que ao votar estamos no controle. Seja quem for que ganhar as eleições, tem interesses escusos e obscuros, e de todos esses interesses, o povo não faz parte deles.

      Para confirmar isso, é só olharmos para os números abusivos e pornográficos do financiamento das campanhas eleitorais no Brasil.

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  2. Samana passada o IPEA. Nesta, o IBGE. Há 3 anos, a Petrobrás e a Eletrobras... É o PT aparelhando todo o Estado em busca do unipartidarismo. Ou mudamos o comando em outubro ou seremos a mais nova república bolivariana da Amércia do sul.

    Já passou da hora de retirar estes idiotas do poder!

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  3. FI.

    Mercados de Pascoa costumam ser de queda,junto com isso previsões de um mais fraco Q1 que as previsoes de analistas devido tambem ao clima.
    Mas eu diria que ainda não seja a altura mais adequada para estar no mercado como vendedor,mas sim de aproveitar as quedas.

    Dow Jones muito hipotese de visitar 15,600 e na pior das hipoteses visitar tambem 14.500.

    Quanto ao IBOV não faço a minima ideia.Apartida parece que tem subido por especulações e incentivos tecnicos.

    Alguma ideia sobre o assunto





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    1. Wall Street passando por uma correção rotineira de curto prazo. Movimento perfeitamente normal, apesar da ausência de ações descontadas na bolsa de Nova York, as perspectivas continuam muito boas. Diferente daqui, onde as ações hoje são negociadas dentro de um preço razoável, porém as perspectivas são ruins.

      Desde quando Dow Jones e S&P500 começaram a subir forte em 2009 surgiram analistas na mídia dizendo que haveria um double dip. Na queda forte de 4 semanas em 2011 falaram que a bolha estava estourando. No rompimento da máxima história em 2013 falaram que o mercado estava caro e sobrecomprado e, por isso, um novo crash atingiria Wall Street. Isso é só o que eu lembro de cabeça no momento. Muitas asneiras foram jogadas no mercado nestes últimos 4/5 anos. Erraram todas. E porque erraram? Todas estas pessoas estavam tentando enxergar o futuro na bola de cristal. Taparam seus olhos. Tentaram complicar o que era bastante simples: enxergar e operar dentro da tendência. No médio e longo prazo, a tendência permanece altista nos Estados Unidos. Em algum momento ela será revertida, pode ser na fase de desalavancagem do sistema financeiro, num estouro de uma crise de crédito na China, ou por qualquer outro motivo. Para o investidor/operador, este motivo pouco importa, o importante é estar preparado para mudar de lado quando o momento chegar.

      Abs, boa semana a todos!

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    2. Concordo,com tudo isso que vc falou,e me lembro desses negocios todos atê de tempestades perfeitas...
      Por isso mesmo é que eu agora tento pensar o maximo possivel por mim mesmo.
      E o que eu acho mesmo é que os mercados EUA vao mesmo ter uma forte correção,alias o Dow Jones ja tem um DOUBLE TOP em 31 Dezembro e 2 Abril e tem se mostrado um pouco cêtico quando se aproxima desses valores.Mas ainda acredito que se passar em breve essa barreira vai ir mais alto ate talvez em Outubro que costuma haver uma boa correção e apartir dai ainda podera haver outra subida. Mas apartir dai se nao for antes(eis a questão que todos iremos saber,mas só depois de acontecer)quanto a mim vai de facto haver uma forte correção mas nada de crash penso eu.

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    3. Alias eu acho isso porque ainda ha muitos setores que tem muito para dar inclusive do Aço,Aluminio,Transporte maritimo,e solar e outros

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  4. Oi FI.
    Economista famoso, membro da mesa de um programa importante no domingo a noite, afirma que os preços das ações em NY estão descolados da realidade. Segundo ele, salvo engano, 70% acima do preço justo calculado por ele. As piores seriam as da tecnologia, redes sociais, etc.
    O estouro dessa bolha poderia causar turbulência semelhante a de 2008....e o Brasil nessa cenário, como fica?
    Abraço

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    1. Está se referindo ao Ricardo Amorim no Manhattan Connection? Ele abusa demais da bola de cristal. No final de 2009, por exemplo, disse que a bolsa brasileira superaria ou chegaria perto dos 100k no próximo ano. Não passou nem perto. Ninguém consegue prever o que vai acontecer no mercado.

      De fato, a bolsa de Nova York está relativamente cara, mas as perspectivas não são ruins. Não chega perto do que poderia ser definido como uma exuberância irracional (Alan Greenspan). Há um excesso de preço que pode ser corrigido nos próximos anos. O problema é que o mercado ficará vulnerável à choques relevantes, pois a elevação da taxa básica de juros nos Estados Unidos vai fazer o trabalho de desalavancagem do sistema financeiro, juntamente com a retomada da inflação. Como o período de afrouxamento monetário foi o maior e mais volumoso da história, há uma certa imprevisibilidade e/ou desconhecimento de postura mais adequada por parte da autoridade monetária na fase da desalavancagem, e, portanto, o stress no mercado tende a ser maior.

      Abs, bons investimentos

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    2. PS: Movimentos relevantes em Wall Street afetam mercados no mundo inteiro, incluindo o Brasil. Numa eventual queda expressiva das ações norte-americanas, a bolsa brasileira tende a acompanhar o movimento. Inevitavelmente o mercado de renda fixa também será afetado (movimento, que, por sinal, já começou), pelo reposicionamento dos prêmios de risco das Treasuries.

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    3. Era ele sim a quem me referia. hehehe
      Obrigado pela resposta, como sempre muito ponderada.

      Abraços e boa sorte para nós, especialmente os pequenos.
      Pepe

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