sexta-feira, 9 de maio de 2014

A função do palhaço no circo das pesquisas eleitorais


O ser humano tem dificuldade de absorver informações alternativas relevantes que distorcem de sua opinião, desejo, perspectiva e, dentro do ambiente de mercado, do seu posicionamento em ativos financeiros. Psicólogos já mostraram que a capacidade de aceitação da informação é muito maior quando não há distorções de opiniões.

A teoria descrita no parágrafo anterior justifica todo o alvoroço criado pela mídia nas últimas semanas/meses em torno das pesquisas eleitorais. Grande parte do público que lê jornal com frequência tem grande simpatia com o candidato do PSDB, Aécio Neves.

Contrariar a simpatia de seus leitores representa ameaça significativa à viabilidade do negócio. Mídia vende propaganda. E para isso, é necessário ter público. Ninguém quer espantar o seu. Pelo contrário, quanto mais agrados, melhor.

Ciente deste poderoso mecanismo de aceitação, grande parte dos jornais brasileiros utilizaram os resultados das pesquisas eleitorais para satisfazer seus leitores e, porque não, engordar o caixa com um pouco mais de sensacionalismo. A queda irrisória das intenções de voto da presidente Dilma Rousseff foi transformada num verdadeiro coro para vitória de Aécio Neves nas eleições presidenciais deste ano.

Debruçados sobre as quase 30 perguntas realizadas numa pesquisa eleitoral padrão (veja o modelo deste formulário de pesquisa feito pelo Datafolha, disponibilizado no site do TSE), jornalistas procuravam informações pontuais que favorecessem as opiniões e desejos de seus leitores fiéis.

O público gostou. E não é pra menos. O País passa realmente por uma necessidade de transição de poder. É saudável discutir política e mostrar aos menos esclarecidos como o atual governo tenta esconder seus erros exorbitantes. Mas nós, investidores e operadores de mercado, precisamos tomar muito cuidado para os desejos não influenciarem nosso preciso processo de tomada de decisão.

Isso é extremamente perigoso, pois somos vulneráveis às influências emocionais e, na maioria das vezes, são as grandes responsáveis por provocar perdas no portfólio. Hoje, os preços dos ativos financeiros embutem este desejo. A expectativa de derrota da presidente Dilma Rousseff nas eleições de outubro.

O investidor/operador pode e deve aproveitar as oscilações nos preços dos ativos, desde que de caráter puramente especulativo, de curto prazo, sustentado por estratégia técnica viável. Numa perspectiva diferente, de médio e longo prazo, o cenário continua desafiador para os investimentos, sobretudo em ações, já que os preços estão descolados dos fundamentos macroeconômicos e não há menor possibilidade de vitória da oposição nas eleições presidenciais.

Levando em consideração as atrocidades cometidas pelo atual governo nos últimos anos, o candidato de oposição, seja ele qual for, deveria apresentar, hoje, margem significativamente superior ao candidato do atual governo. Incrivelmente o que ocorre no Brasil é o inverso. Sentada sobre uma pilha de mazelas, a presidente Dilma lidera com folga as pesquisas de intenções de voto.

Quando avaliamos as perspectivas e cartas nas mangas dos candidatos, a vantagem competitiva da presidente Dilma é ainda maior. Os dois principais candidatos de oposição avançaram pouco em relação à forte disparada dos preços dos alimentos (evento altamente impopular). O que em tese seria um prato cheio para o PSDB e PSB, acabou se tornando numa sobremesa por conta da casa.

Isso mostra uma oposição perdida/apagada no Brasil, sem muito o que fazer, além de gastar sola de sapato e torcer por um pingo de consciência da população. Já a presidente Dilma tem ao seu lado o melhor marqueteiro do Brasil, mais minutos de campanha eleitoral na televisão (mostrando ser um casamento perfeito) e uma infinidade de cartuchos prontos para serem queimados.

Bastou a presidente pegar um cartucho e dar três tiros seguidos para reverter a pequena trajetória de queda das suas intenções de voto. Nas vésperas do Dia do Trabalhador, Dilma Rousseff fez um pronunciamento em cadeia de rádio e televisão para avisar que corrigiu a tabela do Imposto de Renda em 4,5%, elevou em 10% os benefícios do Bolsa Família (recebidos por 36 milhões de brasileiros) e assumiu o compromisso de continuar a política de valorização do salário-mínimo.

A pesquisa IstoÉ/Sensus, realizada entre os dias 22 e 25 de abril, anterior ao discurso do Dia do Trabalhador, mostrou Dilma Rousseff com 35% das intenções de voto e Aécio Neves em segundo colocado com 23,7%. A pesquisa divulgada hoje pelo Datafolha, feita nos dias 7 e 8 deste mês, posterior ao discurso do Dia do Trabalhador, mostrou Dilma com 37% das intenções de voto e Aécio com 20%.

Estas duas pesquisas mostram como é fácil enrolar o povo brasileiro. Basta abrir a carteira. Esta importante variável, entre tantas outras, é propositalmente desconsiderada por aqueles que precisam agradar o público ou vender um sonho nas matérias dos jornais.

Você pode se iludir com a derrota do seu candidato nas eleições presidenciais. Mas não deixe que esta perda emocional se transforme numa perda financeira. Quem se propôs a entrar no mercado precisa manter os pés no chão para sobreviver. Meu viés político é claro, mas o meu compromisso maior é com a transparência e imparcialidade. Precisamos trabalhar com as perspectivas mais prováveis e elas nos remetem a mais quatro anos de governo Dilma Rousseff.

Piada repetida perde a graça. Não espere o espetáculo acabar para jogar tomates no palhaço.

No mercado de capitais o índice Dow Jones fechou a semana em leve alta, ainda próximo da máxima histórica. Apesar das tentativas frustradas de rompimento, segue trabalhando dentro de uma tendência de alta de curto, médio e longo prazo.


Na Alemanha o índice DAX também fechou a semana em leve alta, realizando movimento idêntico ao mercado norte-americano, sem apresentar novidades.


Na índia houve movimentação relevante. A bolsa de Bombay disparou novamente, finalizando o movimento corretivo de curtíssimo prazo. A máxima história foi renovada com a liquidação de posições vendidas abertas nas semanas anteriores. Demonstração de mercado forte, em tendência de alta de curto, médio e longo prazo.
  
  
Já a bolsa de Xangai, na China, fechou em queda pela quarta semana consecutiva, colada na importante linha de suporte psicológico dos 2.000 pontos. Mercado vendido no curto, médio e longo prazo.


No Brasil o índice Bovespa fechou a semana em leve alta, mantendo-se dentro da tendência de alta de curto prazo. Entretanto, a sinalização do candle sugere topo na região dos 54.3k, exatamente no ponto por onde passa a LTB intermediária dos 69k.


Desejo a todos vocês um ótimo final de semana!

42 comentários:

  1. Não concordo que a vitória da Dilma seja tão garantida assim, mas também não dá para soltar fogos de artifícios por causa de uma pesquisa eleitoral.

    Creio que vai depender muito da habilidade da oposição de se mostrar melhor do que a Dilma. Qualquer sinal que eles são piores que a Dilma, serão mais 4 anos de PT.

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    1. Garantido não é. Aliás, nada é garantido rs.. Mas a possibilidade de reeleição da presidente Dilma é significativamente maior do que a possibilidade de vitória de algum candidato da oposição. Sim. Mas as vezes fico pensando, depois de tudo o que aconteceu nesses últimos 3 anos e meio de governo Dilma, o que será que ela precisa fazer para perder votos? Cancelar a Copa do Mundo e acabar com o feriado do Carnaval.

      Abs, bom sábado!

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  2. Sim o maior problema do brasil é o povo, se não querem mudar é que ta bom pra eles, mas quem quer se desenvolver e enriquecer vai dar um jeito de ganhar dinheiro mesmo sendo pesadamente tributado, as pessoas que mais sofrem são justamente as que mantém o PT no poder, o governo dá o bolsa família e aumento do salario mínimo mas ele também dá uma inflação que devagar vai corroendo o "benefício" deixando o ignorante achar que "os empresários opressores aumentam os preços para enriquecer as custas de seu suor" enquanto isso o educado financeiramente vai comprando uns titulos do tesouro aqui outros ali, algumas ações, e vai pelo menos recuperando uma parte do seu "dinheiro confiscado", já o pobre coitado, nunca mais vai ver a cor do seu dinheiro.

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    1. Exato. A melhor maneira de beneficiar as classes menos favorecidas é promover o crescimento econômico e sustentado.

      Abs, bom sábado!

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  3. Texto brilhante, FI ! Fundamental para voltar à realidade...
    Só me permita discordar quanto às "motivações" da imprensa. Acho que é uma maneira de tentar conscientizar / acordar o leitor para a possibilidade de mudança e não um forma de "agradá-lo".
    Mas, política à parte... O que vc pensa dos Fundos Imobiliários, neste momento ? Podem ser uma opção menos arriscada ? Ou vc sugere apenas os movimentos especulativos na RV e grande posição em RF ? Obrigada e parabéns pelo blog ! Flavia

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    1. Obrigado Flavia!
      Sim, fundos imobiliários são uma boa opção, até mesmo para diversificar o portfólio. Mas tal como ocorre nas ações e títulos de renda fixa, é muito importante realizar as compras nos momentos ideais (estresse nos preços). No início deste ano tivemos uma boa oportunidade, algumas cotas caíram muito e promoções pipocaram no mês de fevereiro. Hoje o patamar de preço está razoável. Nem muito caro e nem muito barato.

      Abs, bom sábado!

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    2. FI,
      Um belo artigo como sempre. Eu apenas creio que os riscos eleitorais para o governo não são tão pequenos, na minha opinião é claro. Temos uma copa do mundo aí, um monte de protesto específico pipocando (os contra a copa, os sem-teto, a PF dizendo que vai parar, um monte de servidor público falando a mesma coisa, etc), e ninguém sabe ao certo o que vai acontecer.
      O que a Dilma fez com o discurso é simplesmente dizer que não irá medir esforços para a reeleição, independente do que isso possa ocasionar ao Brasil (e francamente, se fosse o PSDB no poder, não creio que iria ser diferente).
      O problema, como já tinha comentado aqui, é saber se a Presidente irá fazer pelo menos alguns ajustes, caso seja reeleita. Tudo que o Brasil precisa: reforma tributária, discutir seriamente a questão dos subsídios (BNDES), reforma política, questão previdenciária, etc, não vai ocorrer, mas a dúvida é saber se algum ajuste vai ser feito.
      Se continuarem com o mesmo mais 4 anos, talvez em 2019 nossa situação seja à la década de 90. Concorda FI ou acredita que é um pouco pessimista?

      Flávia, a resposta do FI sobre FII foi certeira. Apenas creio que FII é um tipo de ativo que você pode fazer aportes regulares, aliás essa é a melhor maneira se não tem tanto tempo e conhecimento de mercado como um Finanças Inteligentes. Ainda creio que os yields são bem interessantes de alguns fundos sólidos, mas realmente em fevereiro a promoção, para quem acompanha mais de perto, foi muito grande. Quem sabe não se repita de novo? Estou torcendo.

      Convido a conhecer o meu blog, bem como o blog do Tetzner que trata especificamente sobre FII (desculpe pela propaganda aqui no seu site FI!)

      Abraço!

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    3. Se a Dilma vencer, estas reformas não ocorrerão. Se o PSDB vencer, farão a reforma, passarão 4 anos com o país em crise e o PT volta mais forte que nunca em 2018 pra destruir o que o PSDB organizou. É assim que o PT funciona, igual gafanhoto.

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    4. É uma probabilidade. Também acreditava nisso. Mas o PSDB não é bobo, e percebeu, depois de 12 anos alijado do poder, que vai ter que jogar o jogo. Tanto é verdade que o PSDB já disse que apoia a renovação da regra de reajuste do SM. O Aécio quando perguntado se calou sobre a proposta do fim do fator previdenciário. Para mim nenhum político irá enfrentar os temas verdadeiramente espinhosos, e as reformas serão parciais.

      Abraço!

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    5. Boa noite pessoal,

      Ótimas discussões. Dentro da minha avaliação não é possível fazer a tão necessária reforma tributária no Brasil. A janela de oportunidade foi criada na década passada, quando a economia estava nos trilhos, crescendo de maneira minimamente sustentável e, principalmente, beneficiada pelo super ciclo de alta das commodities. Os fundamentos domésticos sustentariam as reformas, caso fossem efetuadas. Mas como não fizemos nada, perdemos a oportunidade. Agora só resta sentar e chorar. Outra oportunidade como esta dificilmente vai aparecer nos próximos 10 anos.

      Quanto à previdência e salário mínimo, parece que ninguém está disposto a meter o dedo na ferida. Em matéria de reformas, não há muita diferença entre PT e PSDB. Também duvido muito que o partido tucano vá se queimar, numa improvável vitória este ano, após apanhar por tantos anos do PT, para entregar o jogo em 2018. A diferença é que o PSDB se propõe a fazer ajustes na política fiscal, monetária e redução do elevado intervencionismo Estatal. Pelo menos é isso que se espera. Já o PT, daria continuidade ao modelo.

      Abs, boa semana a todos!

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  4. Mais uma dúvida, FI... Em texto anterior, vc se refere à recomendação do Deutsche Bank para diminuir exposição em títulos da divida soberana brasileira. Vc poderia explicar o pq dessa recomendação ? Para nós, micro-investidores, seria o caso de evitar aplicações em tesouro direto ? Muito obrigada novamente... Flavia.

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    1. Faço minhas as palavras e a pergunta do anônimo!

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    2. Sim. Assino em baixo na recomendação do Deutsche Bank. No momento não há oportunidade de compra em títulos do Tesouro Nacional, a não ser que você compre LFTs (são carta branca, pois funcionam como um CDB/LCI pós-fixado). Em se tratando de taxa de juros futura (ou seja, LTN e NTNB), o mercado está fechado para compra. Quando surge alguma oportunidade costumo alertar aqui no blog, tal como ocorreu no ano passado. Provavelmente o mercado abrirá uma nova janela de oportunidade nos próximos 12/15 meses (ou seja, haverá um novo período de pânico nos preços) com o início do aperto monetário nos Estados Unidos e na Inglaterra, além, é claro, dos ingredientes domésticos mais do que suficientes para provocar uma nova elevação nas taxas de juros futuras.

      Abs, bom final de semana a todos!

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    3. Muito obrigada pelas respostas, FI !
      Boa semana, bons investimentos...

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  5. Colegas, realizar algum tipo de operação baseado em notícias não condiz com o profissionalismo exigido para operar o mercado de capitais. Decisões de aplicações na bolsa devem ser tomadas levando-se em consideração a análise técnica e fundamentalista e macroeconomia como um todo e com bom manejo de risco. Não acredito em uma estratégia vencedora baseada em notícias


    tomadas após baseado em Análise técnica, apesar de estudar também a parte de Macroeconomia.

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  6. Texto Brilhante FI !! Parabéns !! precisamos manter o pé atras e o sangue frio nesse "Rally Eleitoral"

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  7. "Não há menor possibilidade de vitória da oposição nas eleições presidenciais". Tomo a liberdade de duvidar. 35% é minoria e isso aí não vai subir mais porque a Dona Dilma não tem mais dinheiro na carteira para cooptar a classe média, que está furibunda com ela. E o cenário é de deterioração em todas as frentes - inflação, escândalos, inadimplência, energia, água... Aqui na minha rua, nem mais o vigia nordestino vota nela (diz que vai anular).

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    1. Anular o voto é jogar a favor de quem está na frente.
      Se está realmente insatisfeito, tem que procurar outra alternativa dentre as apresentadas.

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    2. A última pesquisa divulgada mostrou a Dilma com 37% das intenções de voto entre todos os candidatos, inclusive os de partidos pequenos. É maioria significativa. Mesmo se fosse 35% ou 30% ainda seria uma vantagem muito alta, levando em consideração o histórico de governo. Mostra que a população, mesmo insatisfeita, como de costume, pois não há e dificilmente terá saúde/educação/transporte de qualidade, prefere insistir na Dilma do que apostar num outro candidato.

      Na simulação sem os candidatos de partidos pequenos, Dilma abocanha 41% das intenções de voto. Aécio apenas 22%. Eduardo Campos 14%. Brancos/nulos somam 16%. Não souberem responder apenas 7%. Isso mostra que para o Aécio vencer, teria que pegar todos os votos de Eduardo Campos e quase todos os votos brancos/nulos no segundo turno. Possibilidade altamente improvável.

      Dinheiro na carteira o governo tem de sobra. A carga tributária é elevada, renova recordes históricos a cada ano, e não há menor preocupação em fazer superávit primário. Para o próximo mês o governo já confirmou que irá fazer o anúncio da terceira fase do programa Minha Casa Minha Vida, com perspectiva de oferecer crédito subsidiado para construção de 3 milhões de novas moradias. Poderia chutar que uma parte deste programa vai ser destinado à classe média.

      Abs, bom final de semana a todos!

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  8. Parabéns pelo texto FI. Mais uma vez somos agraciados com idéias consistentes que tenta trazer os iniciantes e os que ainda não entenderam que as atual situação econômica do Brasil é inconsistente com essa alta. Mais uma vez, constatamos que o mercado é irracional. Mas quanto às eleições me preocupo por demais com o que possa vir pela frente. Sinceramente, peço a Deus pela derrota do PT. Já começamos a sentir uma queda de desempenho no comércio e na indústria. A Dilma avisou que ano que vem não haverá aperto monetário. O que será de nós? É realmente muito preocupante, muito. vamos torcer pra que o melhor aconteça.

    Luiz

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    1. Obrigado Luiz.
      Pelas últimas declarações da presidente Dilma, 2015 será um ano de mais do mesmo. O governo continuará adotando medidas heterodoxas para controlar a inflação, inclusive administrando a estratégia de represamento de preços (soltando alguma coisa e segurando outra), fiscal expansionista, intervenção Estatal elevada, política econômica sem muitas alterações. Mas evitar o aperto monetário será difícil. Só mesmo maquiando índices, tal como ocorre descaradamente na Argentina.

      Abs, bom sábado!

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  9. Muito lúcida a sua análise, como de costume, inclusive quanto a probabilidade significativamente maior de Dilma ser reeleita. O que me faz pensar que a melhor aposta é não ter ações ou aplicações financeiras no Brasil, enquanto a corja do PT estiver no poder. Gostaria de saber sua opinião sobre aplicação em ações no exterior. Sim, sei que a crise atinge a todos, mas o que me preocupa é a mentalidade do brasileiro, que me induz a acreditar que o Brasil jamais sairá do atoleiro. Obrigado.

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    1. Obrigado Westmoraes.
      Seria ótimo se tivéssemos mais ferramentas para operar ativos no exterior, tal como ocorre nos mercados desenvolvidos. Vale a pena, pois o riso macro é muito menor. Mas infelizmente não temos opções, a não ser fazer o trabalho manual (abrir conta no exterior) ou procurar as poucas opções de fundos que investem em ações no mercado externo. Ideal mesmo seria o mercado brasileiro oferecer ETFs dos principais índices mundiais, desde Wall Street até o mercado asiático. Muitas oportunidades surgiram nesses mercados nos últimos 3/4 anos, fruto das injeções monetárias nos Estados Unidos, Europa e Japão. Já a partir de 2015 o quadro deve começar a mudar com a desalavancagem do sistema. Ainda vamos estudar muito esse assunto por aqui.

      Abs, bom final de semana!

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  10. Sempre bom passar por aqui.
    Parabéns pela exposição de idéias!

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  11. Discordo de sua posição.

    A situação da Dilma e do PT não é confortável e o risco de derrota nas eleições presidenciais é considerável.

    Alguns pontos a considerar:
    a) Dilma está o tempo todo na mídia (TV, rádio, jornal, internet etc). Tempo muito maior que qualquer candidato da oposição;
    b) Os candidatos Aécio e Campos são desconhecidos pela maior parte do eleitorado, enquanto Dilma é conhecida por 99% do eleitores (Fonte: Datafolha);
    c) Dilma tem uma aprovação em torno de 34% de seu governo e em trajetória descendente. Nenhum candidato (presidente, governador e prefeito) foi reeleito com menos de 34% de aprovação;
    d) Foi desonesto intelectualmente da sua parte comparar os números de duas pesquisas (Sensus e Datafolha) feitas em períodos diferentes e metodologias distintas. Não é assim que se faz. Compara-se uma pesquisa com ela própria.
    e) Segundo o Datafolha, que pesquisou no dia 07/05 e 08/05, portanto depois do anúncio das "bondades" de Dilma (aumento no bolsa-família, salário-mínimo e isenção do IR), ela oscilou um ponto percentual para baixo (de 38 para 37), evidentemente ainda dentro da margem de erro. Estatisticamente, diz-se, portanto, que o anúncio não pareceu ter tido efeito sobre as intenções de voto, ao contrário do que você sugere, quando compara os números da pesquisa Sensus com o Datafolha.
    f) Existe ainda o possível "efeito Copa" sobre as intenções de Dilma. Manifestações de rua, confusão, a Copa mais cara de todos os tempos com os estádios superfaturados, cobertura disso tudo pela imprensa internacional criticando o País, a possível derrota da seleção, que é uma das favoritas, mas torneio curto e com pressão enorme da torcida, pode perder para Argentina, Espanha, Alemanha ou alguma outra seleção. Quem recairá a responsabilidade e culpa disso tudo? Dilma, Lula e o PT, que armaram este circo todo.
    Em resumo: a situação da Dilma não é tranquila. Que deve ter 2o turno, ninguém nega. E a derrota é possível. Pode reverter? Sim, é claro. Terá tempo na TV e os cofres do governo para distribuir "bondades" para segmentos do eleitorado. Mas, apesar disso, a oposição tem real chance de vencer.
    Sds

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    1. Dos pontos que você destacou, as letras a) e b) são favoráveis à Dilma. Quanto mais exposição na mídia e mais conhecido pela população, melhor para o candidato.

      Concordo com a letra c). Mas é a mesma pessoa que conseguiu chegar aos 79% de aprovação. Esse indicador oscila muito. Observe que pouco mais de dois meses após as manifestações em massa do ano passado, a aprovação do governo voltou a subir. Bastou um discurso populista na TV e anunciar o programa Mais Médicos, que não chega nem perto de resolver o grave problema da saúde no Brasil.

      É possível comparar números de pesquisas diferentes, desde que dando devida atenção à pergunta efetuada ao entrevistado. Não há diferença de metodologia, por exemplo, para a pergunta de intenção de voto com a mesma margem de erro. Neste caso você pode comparar a pergunta específica (e não todos os dados levantados pelas demais perguntas da pesquisa) que foi feita pelo Sensus e Datafolha, pois são idênticas. A pesquisa do Datafolha que mostrou Dilma com 38% das intenções de voto foi feita nos dias 02 e 03 de abril, ou seja, praticamente um mês antes do discurso do Dia do Trabalhador. O cenário era outro, inclusive inflacionário (refletia o processo de forte deterioração nos preços dos alimentos). Já a pesquisa do Sensus foi feita entre os 22 e 25 de abril, cerca de uma semana antes do discurso do Dia do Trabalhador, e mostrou a presidente Dilma com 35% das intenções de voto. Como a nova pesquisa do Datafolha, feita nos dias 7 e 8 deste mês, cerca de uma semana depois do discurso do Dia do Trabalhador, mostrou Dilma com 37% das intenções de voto, pode-se notar claramente a mudança em função das medidas anunciadas neste discurso.

      Concordo com a letra f). Principalmente com relação ao possível "efeito Copa". Mas não com relação às manifestações. Certamente irão surgir, mas em pequeno volume. Aliás, houve manifestações em todos os países que realizaram a Copa do Mundo. Aqui não vai ser diferente. Manifestações de massa dificilmente irão acontecer. Brasileiro fanático por futebol não vai deixar de ver a copa para protestar na rua. Manifestações pequenas são frequentes, ocorrem quase todas as semanas nas grandes capitais. O impacto na imagem do governo é quase insignificante. Já com relação ao possível vexame da seleção brasileira na Copa, pode acabar afetando sim o governo. Mas o impacto é de curto prazo. A Copa será realizada em junho, as eleições em outubro. O governo vai ter margem de manobra. E uma delas será o Minha Casa Minha Vida 3.

      Abs, bom final de semana!

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  12. Para uma visão diferente da sua, ver o que Reinaldo Azevedo diz a respeito dos números do Datafolha:

    http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/numeros-do-datafolha-acreditem-acena-com-uma-possivel-derrota-de-dilma/


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    1. Definitivamente a opinião do Reinaldo Azevedo não é a mais indicada para você ter uma visão imparcial do quadro eleitoral. Ele se debruçou sobre as quase 30 perguntas realizadas pelo Datafolha para procurar informações que favorecessem sua linha de raciocínio. Isso ele faz muito bem. Não está errado. Mas é uma análise tendenciosa. Se você ler um texto da esquerda, vai enxergar outro mundo com os mesmos números.

      O que vale, no final das contas, é a intenção de voto. É em cima deste dado que trabalhamos nossas perspectivas.

      Mas tomara que eu esteja errado, e ele certo rs...

      Abs, bom sábado

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  13. Não só concordo com sua posição, como acho que a chance do PT perder essa eleição é de 1 em mil. Só uma catástrofe. Décadas de lutas a qualquer custo, mas qualquer custo mesmo. Muito $, e olha que é muito, mas MUITO $. Aí chegaram ao objetivo que é a presidência e fizeram a lição de casa do populismo com maestria. O PT tem o eleitorado que precisa para se reeleger e ainda tem bala na agulha. Para mim já está definido e a vida continua. Política não se faz de uma hora para outra e a oposição demorou muito para se estruturar, agora... planos para 2018.

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    1. Bem observado Zé Piu,

      Política não se faz de uma hora para outra. O PSDB está perdido desde o dia que o Lula levou a melhor em 2002. Não há plano de governo sério. Apenas as mesmas propostas e promessas de sempre. Vamos ver se com o Aécio as coisas mudam, pois o Serra foi um fiasco.

      Abs, boa semana!

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  14. Mais 4 anos de PT é tempo suficiente para o golpe branco definitivo. Protejam suas economias.

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    1. Não acho que vai estourar nos próximos 4 anos. Posso estar errado. Mas ainda estamos descendo a ladeira. O caminho descendente é longo/angustiante.

      Abs, boa semana!

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  15. FI a melhor postagem de todos os tempos. Obrigado por abrir meu olho. Eu estava apostando em paixões, pior coisa que se pode fazer com o patrimônio.
    Infelizmente será mais do mesmo, a solução é reprogramar para ganhar com ela ganhando.

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    1. Obrigado amigo! Não há problema em aproveitar esta alta nos preços dos ativos. Entretanto, é importante estar preparado para sair, provavelmente no curto prazo.

      Abs, boa semana!

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  16. Também acho muito improvável uma vitória da oposição e o mercado não esta funcionando racionalmente.
    Mas, será que o processo de desalavancagem vai começar em 2015. Já tem gente apostando que não.

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    1. De acordo com as projeções do FED (inflação, crescimento e taxa de desemprego) sim. Prolongar para 2016 só mesmo com um novo escorregão da economia norte-americana, algo que nem o Banco Central espera.

      Abs, boa semana!

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  17. O presidente do Fed de Atlanta, Dennis Lockhart, também disse que espera que o banco central dos EUA tenha esgotado seu programa de compra de títulos até sua reunião de outubro ou dezembro e que a instituição comece a elevar as taxas de juros no segundo semestre do próximo ano. (12/05/14)

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  18. Bastou a presidente pegar um cartucho e dar três tiros seguidos para reverter a pequena trajetória de queda das suas intenções de voto.

    FI,Dilma não faz milagre não,se fala na giria que,pegou um cartucho e matou 3 coelho de uma vez só...

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