terça-feira, 27 de maio de 2014

Aversão ao risco toma conta das praças emergentes


O pregão desta terça-feira ficou marcado pelas vendas generalizadas em ativos de países emergentes. O movimento é influenciado pela contínua melhora dos indicadores econômicos norte-americanos, superando, inclusive, as expectativas do mercado.

O quadro de melhora acima do esperado na economia do País pode provocar alterações no calendário do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) para iniciar a fase crítica de aperto monetário, atualmente prevista para meados do segundo/terceiro trimestre de 2014.

Por este motivo, parte da onda de capital especulativo que tomou conta das praças emergentes nos últimos meses está iniciando o seu caminho de volta para ativos mais seguros em praças desenvolvidas.

O Ibovespa voltou a encostar na faixa dos 52k, aumentando a possibilidade de acionar um pivot de baixa no gráfico diário, agregando ainda mais a pressão vendedora no curtíssimo prazo. Este quadro poderá provocar o fim da tendência de alta de curto prazo iniciada nos 44.9k.


Nas outras duas pontas (câmbio e juros) os ativos também mostram sinalização de inversão na trajetória de curto prazo.

Destaque negativo para agenda doméstica nesta terça-feira ficou por conta de mais uma possibilidade de adiamento do importante julgamento sobre a legalidade de planos econômicos que vigoraram no País entre o fim da década de 1980 e início dos anos de 1990.

O STF (Supremo Tribunal Federal) continua sofrendo forte pressão das principais instituições financeiras do País, além do governo federal e do próprio Banco Central. Impressiona o fato de estas instituições mostrarem cálculos de indenizações gigantescas, totalmente fora da realidade.

O Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), que defende poupadores no processo, projeta indenização máxima de 8,4 bilhões de reais. O que, segundo Marilena Lazzarini, coordenadora do Instituto, são valores absolutamente ridículos, se comparados aos números do governo e dos bancos.

Na Europa, destaque para o novo panorama político que emergiu das eleições parlamentares realizadas na semana passada. As cadeiras dos partidos de extrema direita e contra a União Europeia aumentaram em vários países do bloco, incluindo França e Grã-Bretanha. Este novo quadro político poderá dificultar a manutenção das políticas de austeridade fiscal e inviabilizar os avanços na integração europeia.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou em alta pelo quarto pregão consecutivo, voltando-se aproximar da máxima histórica.


10 comentários:

  1. FI, pela tua análise existira uma nova alta dos juros? Quando será a próxima reuniãp do copom?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Opa! Obrigado por lembrar. Esqueci de comentar sobre isso rss... Copom iniciou reunião hoje, termina amanhã com a emissão do comunicado.

      De acordo com a última ata e discurso dos diretores de política monetária, a política monetária será alterada. De aperto monetário para manutenção da taxa básica de juros em 11%.

      Abs, bons negócios

      Excluir
  2. FII,

    Seus textos sobre o mercado sempre melhoram o entendimento da economia brasileira e mundial , na sua opiniao quando o aperto monetario comecar nos EUA o brasil vai ser o pais que mais vai sofrer . O que vc que pode acontecer ?

    ass:. ArriscaTudo

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá ArriscaTudo,

      O Brasil faz parte do grupo dos 5 países mais vulneráveis. Não só por conta da normalização das condições monetárias nos países desenvolvidos, mas também por conta da deterioração do quadro doméstico e transição do modelo econômico na China. O que pode acontecer vai depender da reação dos políticos e instituições. O primeiro é o que mais me preocupa. Situação longe de ser confortável. Vamos passar por uma fase complicada de médio prazo, pelo menos. Não tem receita de bolo. Vamos ter que reagir um passo a frente dos choques de mercado.

      Abs, bons negócios

      Excluir
  3. FI,

    É possível que o clima de aversão seja mais intenso daqui pra frente, haja vista já estarmos chegando ao meio do ano e próximo a outubro (fim dos estímulos). Vamos acompanhar. Bom post.

    Miguel

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Exato Miguel. O tempo é inimigo do otimismo nos preços dos ativos de risco em países emergentes.

      Abs, bons investimentos

      Excluir
  4. Quando os EUA começarem a subir a FFR, ou até antes disso, parte do dinheiro sairá daqui para lá. Você acha que se Aécio saísse vitorioso o mercado aqui conseguiria responder diferente, ou daria na mesma?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Filipe,

      Acho que a resposta seria diferente, apenas na intensidade do movimento. Teríamos uma euforia inicial no mercado, refletindo melhores expectativas. Mas será difícil reverter o direcional de médio e longo prazo com a melhora nos prêmios de risco dos países desenvolvidos. O prêmio aqui teria que subir também a fim de se evitar uma possível fuga de capitais.

      Abs, bons negócios

      Excluir