segunda-feira, 19 de maio de 2014

Banco Central do Brasil x FED


Diretores de dois bancos centrais trocaram farpas nesta segunda-feira. De um lado, a maior e mais respeitada autoridade monetária do planeta. Do outro, a desmantelada autoridade monetária brasileira, carente de confiança e independência.

Tudo começou quando o presidente do Federal Reserve de Dallas, Richard Fisher, criticou o Brasil durante um painel de discussão com o presidente do Federal Reserve de São Francisco, John Williams. Fisher afirmou que o Brasil desperdiçou uma enorme oportunidade criada pelas políticas de relaxamento monetário do FED (Federal Reserve – Banco Central norte-americano).

A justificativa do presidente do Federal Reserve de Dallas é bastante prudente e amplamente conhecida pelos investidores que acompanham o cenário macroeconômico. Ele afirma que o Brasil usou o dinheiro para ampliar o consumo e, por isso, terá tempos difíceis pela frente (referindo-se ao processo de normalização das condições monetárias). Fisher já havia ressaltado anteriormente que países como México e Polônia, que usaram o dinheiro barato das políticas de afrouxamento monetário para reestruturar suas economias, vão se sair bem no processo de normalização.

Cabe ressaltar que o governo brasileiro criticou duramente as políticas do FED, BCE (Banco Central Europeu) e BoJ (Banco Central do Japão) nos últimos anos. O País adotou, inclusive, medidas para se proteger contra o “tsunami monetário”, “guerra cambial”, entre tantos outros apelidos/desculpas utilizados (as) para justificar o desempenho medíocre da nossa economia.

Luiz Awazu Pereira, diretor de Assuntos Internacionais e de Regulação do Banco Central do Brasil, rebateu as críticas do presidente do Federal Reserve de Dallas. Pereira disse que faltam dados mais detalhados para que Fisher possa julgar como o Brasil utilizou as condições de relaxamento monetário dos Estados Unidos.

Mas a verdade é que esses dados existem, endossam a análise de Fisher e podem ser encontrados nos próprios documentos da autoridade monetária brasileira. A resposta do diretor de Assuntos Internacionais e de Regulação do Banco Central do Brasil é vergonhosa.

Pereira ainda acrescentou que o País “manteve estabilidade de preços e financeira em um período complexo, registrou entradas importantes de investimento direto estrangeiro, derrubou a taxa de desemprego e nossos indicadores sociais apresentaram melhora substancial”.

A inflação brasileira, mesmo represada, oscila no teto da margem de tolerância, bem distante do objetivo a ser perseguido pelo Banco Central (4,5%). A taxa de desemprego ainda é calculada por um indicador defasado, que mostra a situação do mercado de trabalho apenas nas principais capitais do País (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador).

Pode-se notar que a resposta de Pereira é contraditória e assemelha-se aos argumentos apresentados pelos seus colegas de trabalho no Palácio do Planalto. Causa certa preocupação verificar que o discurso ensaiado está sendo utilizado até pelos diretores de política monetária.

No mercado de capitais o índice Bovespa caiu 1,15% nesta segunda-feira, rompendo a LTA dos 44.9k. Mercado trabalha vendido no curtíssimo prazo. Entretanto, para as vendas ganharem força, será necessário perder os 53k, acionando um pivot de baixa.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones subiu 0,12%, mostrando um movimento de alívio ao se aproximar da LTA dos 15.3k.


11 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  2. FI, bom artigo como sempre.
    Permita-me apenas um aparte. Concordo que a nova pesquisa de desemprego do IBGE faz muito mais sentido, e ela mostra um desemprego maior.
    Entretanto, essa série é nova. Logo, em padrões históricos o padrão de desemprego realmente está muito baixo no país.

    No mais concordo com tudo.
    Abraço!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Para quem acha que o desemprego está baixo:
      http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1832

      Excluir
    2. Esse também é importante http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1471

      Excluir
    3. O desemprego está tão baixo quanto no fim do período FHC: 11%. É o que o DIEESE informa, usando uma metodologia correta de cálculo.

      Excluir
    4. Olá, colega. Grato pela indicação de artigos. Sabia que a taxa de desemprego estava relacionada também às pessoas que simplesmente desistiam de procurar empregos. Entretanto, como presente no gráfico do próprio artigo, mesmo com esse efeito, o desemprego declinou.

      Anonimo, procurei e não achei. Poderia postar algum lugar que aponte que a mesma pesquisa, com a mesma forma de coleta de dados, aponta um desemprego idêntico em 2002 e 2014?

      Abraço!

      Excluir
    5. Realmente a taxa de desemprego declinou, caso contrário não estaria tão difícil contratar mão-de-obra, principalmente em funções básicas. Mas o índice está bem acima da PME defasada. Nos moldes da Pnad Contínua, a taxa de desemprego no Brasil é de 7,1%. Outro ponto de extrema relevância está na desistência de uma parcela considerável da população na procura por emprego. Os programas sociais do governo são essenciais, mas acabam incentivando a pessoa não procurar emprego, sendo que, na verdade, o incentivo deveria ser o oposto. Isso contribuiu bastante para queda dos índices de desemprego.

      Abs a todos e bons negócios

      Excluir
  3. Por que os idiotas úteis que aparelharam o Estado nunca assumem seus erros?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Boa pergunta rs... Creio que para se manterem no poder.

      Abs, bons investimentos

      Excluir