sexta-feira, 16 de maio de 2014

Cai a dinastia Gandhi


Sufocada por problemas semelhantes aos observados na economia brasileira, a dinastia Gandhi, dominante na política indiana desde a independência de 1947, sofreu uma derrota humilhante da oposição nas eleições realizadas nos últimos dois meses, que ainda estão na fase final de apuração dos votos. 
O atual herdeiro da família, Rahul Gandhi, disputava o cargo de primeiro-ministro pelo Partido do Congresso. O seu opositor, Narendra Modi, líder do partido nacionalista BJP (Bharatiya Janata Party – em inglês), será o novo primeiro-ministro da Índia, levando 274 das 543 cadeiras do Lok Sabha (parlamento indiano). O partido de Rahul Gandhi conquistou apenas 44 cadeiras. 
Rahul é neto de Indira Gandhi, primeira-ministra durante 15 anos, e bisneto de Jawaharlal Nehru, que liderou o país por 17 anos após lutar pela independência ao lado de Mahatma Gandhi. Não se sabia claramente o que ele pensava e como conduziria a economia caso eleito. Rahul tentou se eleger pelo sobrenome, mas a sua aparente falta de aptidão política e ausência de reformas estruturais nos últimos 20 anos (dominado pelo Partido do Congresso) fizeram a dinastia Gandhi cair de forma vergonhosa na Índia. 
Narendra Modi conquistou para o seu partido (BJP) a maior vitória dos últimos 30 anos na Índia. Não será necessário sequer formar coalizões no Lok Sabha. Modi fez uma campanha eletrizante, acusando duramente a família Gandhi de manter a Índia pobre. Em Gujarat,seu Estado de origem, Modi atropelou o Partido do Congresso com políticas pró-mercado. O Estado cresceu em média 16,6% ao ano durante o seu governo (de 2001 a 2010). 
A expectativa do mercado (e dos eleitores) é que Modi realize reformas importantes para injetar novo ânimo na economia indiana. Depois de atingir taxas de crescimento entre 8% e 10% na década passada, o PIB (Produto Interno Bruto) da Índia recuou pela metade em 2012 (4,7%) e 2013 (4,5%). Modi também prometeu limpar o rio Ganges e inaugurar o primeiro trem-bala do País. 
O novo líder indiano terá uma dura tarefa pela frente. Mas o simples fato de que está ocorrendo uma importante transição de poder na Índia foi suficiente para provocar uma disparada da bolsa de Bombay. O topo histórico foi rompido na véspera das eleições que duraram 5 semanas. A confirmação da vitória de Mondi provocou a maior valorização semanal da bolsa de Bombay nos últimos anos. 
Essa história bem que poderia se repetir no Brasil, mas infelizmente a possibilidade é muito baixa. Entretanto, o índice Bovespa segue mantendo um bom desempenho no curto prazo, influenciado pelos motivos citados na análise anterior. A bolsa brasileira fechou mais uma semana em alta, colada na máxima de curto prazo, invalidando a sinalização de reversão emitida na semana anterior. 
O mercado chinês tentou esboçar reação após se aproximar novamente da linha de suporte dos 2.000 pontos. A tentativa de reação foi rechaçada pelo mercado, mantendo a bolsa de Xangai vendida no curto prazo, levemente acima da referida linha de apoio.   

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou a semana em leve baixa, colado na região da máxima histórica, sem apresentar novidades. 

Na Alemanha, o índice DAX emitiu sinalização de topo após realizar teste na máxima histórica. Mercado segue comprado, com possibilidade de reversão na tendência de curtíssimo prazo. 

Desejo a todos vocês um ótimo final de semana!

17 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Passei um mês intenso na Índia. Não se conhece nada sobre a Índia antes de visitá-la (e se for mochilando como eu fui, a coisa é mais intensa ainda).
    É um país com tantos contrastes, com tanta mitologia (tem mais de 33 milhões de deuses), com tanta história, com tava pobreza e morte, mas com tanta vida, que um ocidental entender a Índia é uma tarefa difícil.
    Perguntaram ao Mahatma (quer dizer "grande alma"), como a Índia se mantinha unida (apesar da separação com o Paquistão, que é uma história fantástica também e pouco conhecida por nós) apesar de ter tanta etnia diferente, línguas (são dezenas de línguas oficiais), religiões (tem budismo, jainismo, silkismo, hinduismo, islamismo), e não se fragmentava. Ele respondeu que apenas um Indiano sabe o que é a Índia, e creio que ele está absolutamente correto.

    Apenas para pontuar, o grande Ghandi (um dos seres humanos iluminados que caminhou pela terra no século passado) não está relacionado com a família Ghandi que ficou tanto tempo no poder na Índia.

    Grande Abraço FI (bacana ter comentado sobre a Índia!).

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    1. Gandhi liderou quase 1 milhão de pessoas à morte, pois insistiu na ideia de que a Índia estava preparada para se tornar independente, conquanto houvesse importantes e dissonantes vozes que alertavam para a falta de unidade do povo indiano.

      Compare Gandhi com Krishnamurti ou Sri Ramana Maharshi que você verá a diferença entre o que são seres iluminados.

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    2. Olá, colega!
      Deve estar se referindo a crise que culminou na criação do Paquistão, não?
      Bom, eu estou longe de ser especialista em história da Índia, mas ele tinha um sonho de uma Índia unida. Infelizmente, talvez você esteja correto, a população não estivesse preparada.
      Interessante ressaltar que havia milhões de Hindus nos territórios que viriam a ser o Paquistão (inclusive a antiga bengala oriental que atualmente é Bangladesh), bem como muçulmanos na Índia. Aliás, hoje em dia eu creio que há mais de 200 milhões de muçulmanos na Índia.
      Se você acha que um líder que pregava a simplicidade e a não-violência de forma autêntica, que pregava a existência de uma Índia, bem como um mundo, harmônico (quando perguntaram qual era a religião dele, ele disse que era muçulmano, hindu, budista, etc), é responsável pelo fato de seres humanos queimarem vagões com outros seres humanos dentro por causa de uma crença religiosa diferente, é um direito seu. Entretanto, não concordo.

      Não conheço essas pessoas que você mencionei, mas tentarei conhecer pelo menos um pouco. Olha, eu acho que a existência de pessoas iluminadas não é um concurso de quem chega primeiro, eu creio que é como o amor, quanto mais melhor. Ah, e a comparação é uma faceta típica da nossa cultura ocidental cristã-aristotélica, não necessariamente de uma sociedade como a Indiana. Isso que é interessante em viajar, pois não é apenas diferença de costumes, roupas, etc, mas às vezes uma diferença fundamental de como olhar a vida, e por isso, pelo menos para mim, foi muito difícil dizer o que a Índia era.

      Abraço!

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    3. Olá de novo,
      O Krishnamurti eu conhecia, já tinha visto alguns vídeos dele, e gostei bastante.
      O Sri Ramana Maharshi não.
      Ambos parecem seres humanos bem interessantes.

      "Afirmo que a Verdade é uma terra sem caminho. O homem não pode atingi-la por intermédio de nenhuma organização, de nenhum credo (…) Tem de encontrá-la através do espelho do relacionamento, através da compreensão dos conteúdos da sua própria mente, através da observação. (…)" Krishnamurti

      A expressão "auto-realização", nos diz Ramana Maharshi, é apenas um eufemismo para "remoção da ignorância". Nada há para ser adquirido; há, apenas, ignorância a ser removida. Somos a própria vida, o Ser Infinito, a fonte de todas as coisas.
      Sri Ramana Maharshi

      "A verdade reside em todo coração humano, e cada um deve procurar por ela lá, e ser guiado pela verdade assim que a veja. Mas ninguém tem o direito de forçar os outros a agirem de acordo com sua própria visão da verdade." Mahatma Gandhi.

      Para mim parece três bons conselhos, e muito parecidos. Já existiram muito Budas na história da humanidade, e devemos torcer para que existam muitos outros, para que talvez nós mesmos sejamos capazes de nos tornar Buda um dia, quem sabe.

      Abraço!

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    4. Alma, não se trata de alienação cristã-aristotélica. Osho, o grande charlatão indiano, também pregava o amor. Analise, porém, sua história. Dono de 72 Rolls-Royce. Provavelmente, não deve ter compreendido uma linha dos ensinamentos daqueles que o precederam (refiro-me aos indefectíveis). Vivenciar o que se prega é algo totalmente diverso. É muito útil servir-se de nossas concepções ocidentais para tentar exercer um pouco de discernimento e incredulidade, em vez de ser guiado por cegos que nos levarão ao abismo. Krishnamurti e Ramana recusaram discípulos. Não queriam ser uma espécie de personalidade por meio da qual pudessem supostamente atingir a verdade, pois esta depende de caminhar sozinho e tornar-se. Vivekananda influenciou fortemente Gandhi. É de observar o quanto Gandhi aplicou os ensinamentos de seu mestre.

      Krishnamurti aparece no adendo do zeitgeist que você costuma recomendar. Escute bem as palavras dele. E fim ao culto a personalidade. O indivíduo é quem tem de libertar-se (o próprio Bob Marley cantava "abra seus olhos e olhe internamente"). Enfim, não empunhemos espadas para uma mútua conversão a credos defendidos por qualquer um de nós dois, pois é possível que não reste ninguém após a batalha.

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    5. Olá, colega!
      Claro, não disse que era "alienação" cristã-aristotélica. Disse apenas que era diferente, uma forma de ver a vida diversa. Não se trata de melhor ou pior. A Índia, por exemplo, possui facetas que eu não gosto. Minha companheira, sendo mulher, sofreu bastante lá, algo que aqui no ocidente atual seria inconcebível.

      Concordo plenamente que devemos vivenciar o que se diz. Meu pai sempre repetia para minha quando era criança uma frase atribuída a Jesus de que: "O exemplo é a maior pregação".

      Concordo plenamente. Depois de ler Carl Sagan na adolescência, eu percebi que argumento de autoridade é o pior que existe, tanto que nem é admitido no método científico. Assim, não me importa se foi W. Buffet que disse algo em finanças, ou se foi Gandhi que disse algo sobre compaixão, o que é dito deve fazer sentido para mim, não simplesmente por que foi dito por uma pessoa conhecida por algo.

      Também concordo, colega. Aliás, nunca foi intenção minha empunhar espada, muito pelo contrário, e pelo visto concordamos em muitas coisas. Não vou me alongar mais, afinal esse aqui é o espaço do FI, e acho que me "empolguei" um pouco com a Índia.

      Mals aí FI! :)

      Abraço!

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    6. Interessante o post do FI e maravilhosos teus comentários, Soulsurfer. Luz e flores no ambiente às vezes árido da economia...
      Abs. Flávia.

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    7. Que beleza ver estes comentários. Pra começar bem a semana.
      Parabéns a todos!

      Abs, boa semana!

      PS: soulsurfer, nada disso. "Sintam-se em casa". O blog é de todos nós. A riqueza dele está nos comentários e não nos posts.

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  3. FI,

    Como você vê a bolsa brasileira hoje? Sei que ela não está tão descontada, mas há ativos que estão com P/L atraente (exemplo BBAS3). Há pouco tempo ele chegou a 3,5. Você acha que numa queda forte da bolsa, isso ainda pode ficar mais descontado?

    A escolha de ações do índice anda bem difícil. Obrigado!

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    1. Vejo a bolsa começando a ficar salgada. Você consegue encontrar alguns papéis descontados no mercado, mas são descontos justificáveis. BBAS3, por exemplo, tende sempre a apresentar um desconto maior em relação ao Itaú ou Bradesco, por conta da interferência do Estado na gestão do banco. O risco para o investidor é maior e o mercado, portanto, exige o desconto. Numa queda forte do índice, o papel certamente seria afetado. Normalmente as blue chips andam em bloco, pois são muito usadas em operações de curto prazo pelos players de mercado.

      Abs, boa semana!

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  4. Coisa mais linda este gráfico da bolsa indiana. Bem que poder-se-ia repetir no Brasil.
    Agora acompanhemos se o novo ministro conseguirá fazer as reformas necessárias e organizar a infraestrutura do pais. Se isto acontecer, é capaz da Índia ultrapassar os chineses.

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    1. Acho difícil OBond, mas se a Índia fizer as reformas terá condições de voltar a crescer os seus 8% ao ano.

      Abs, boa semana!

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  5. FI,

    Você sabe informar onde é possível ter informações sobre a demanda de aço mundial ? De preferência também algum gráfico que mostre o desempenho da commodity? Muito obrigado!

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    1. Boa tarde, tudo bom?

      Acompanho tudo pela Reuters mesmo (http://br.reuters.com/). Já os gráficos você encontra no Index Mundi (http://www.indexmundi.com/) e no Stockarhts também (http://stockcharts.com/). Só não me recordo agora o código do minério de ferro no stockcharts.

      Abs, bons negócios

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