segunda-feira, 5 de maio de 2014

Contração perde força na China


A trajetória de contração da atividade industrial chinesa parece ter atingido um ponto de equilíbrio no curto prazo. O Índice Gerente de Compras divulgado nesta segunda-feira continuou mostrando desaceleração do setor manufatureiro, mas subiu 0,1 ponto em relação à medicação do mês de março.

A prévia para o mês de abril estava um pouco mais otimista aos 48,3 pontos. O resultado final caiu para 48,1 pontos, mas ainda assim conseguiu manter-se levemente acima dos 48 pontos registrados no mês de março. Embora o setor continue em contração, os números sinalizam estabilização no ritmo de crescimento econômico chinês, que vinha numa trajetória descendente e relativamente agressiva desde o início deste ano.


Esta mudança na curva do Índice Gerente de Compras não indica futura aceleração da atividade, fato que poderia jogar o PIB (Produto Interno Bruto) acima da meta dos 7,5%, mas garante espaço para manutenção do programa de transição do modelo econômico.

Os mercados abriram a semana pressionados pela delicada situação geopolítica no leste da Ucrânica. Mas a pressão vendedora durou pouco tempo, já que as bolsas estão fortalecidas com os fluxos de capitais positivos. Este último, provocado pelo desaparecimento das incertezas com relação ao timming do aperto monetário nos Estados Unidos.

O índice Dow Jones fechou o pregão em leve alta, mostrando boa recuperação intraday após testar a linha central de bollinger. Mercado permanece comprado no curto, médio e longo prazo.


No Brasil o índice Bovespa ensaiou um movimento corretivo durante o pregão, mas deslanchou no final da tarde, fechando o dia com uma alta de 0,88%. Mercado ainda segue impulsionado pelo recente e importante rompimento da faixa de resistência localizada na região dos 52.5k.
  

A resistência localizada na faixa dos 53.4k (enfraquecida pela superação dos 52.5k) começou a ser rompida nesta segunda-feira. Acima desta região, o mercado acionará o primeiro pivot de alta desde o início da épica arrancada dos 44.9k. Este movimento fortalecerá ainda mais a tendência de alta de curto prazo. Entretanto, o descompasso da bolsa com os fundamentos da economia brasileira também aumentará.

Na agenda doméstica, destaque para o relatório da Moody’s sobre as contas externas brasileiras. Segundo a agência de classificação de risco, a vulnerabilidade do Brasil à redução do fluxo de entrada de capital é moderada, assim como o risco derivado da ampliação do déficit em conta corrente. A forte entrada de capital especulativo verificada nos meses anteriores contribuiu significativamente para uma avaliação não tão pessimista.

4 comentários:

  1. Esse relatório da Moody's foi meio estranho. Quero ver quando bater ai a desalavancagem do sistema e o capital sumir. Aí ninguém cobre o rombo das contas externas.

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    1. Sim, é um relatório que conta mais com os acontecimentos do passado do que as perspectivas para os próximos 12/15 meses. O fluxo de entrada de capital especulativo foi crucial para avaliação deles.

      Abs, bons negócios

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  2. O que você acha dessa 'explicação' sobre essa subida do iBov em desacordo com os índices macroeconômicos? http://www.infomoney.com.br/mercados/acoes-e-indices/noticia/3312396/nao-foi-pela-dilma-gestor-americano-explica-que-mais-ressuscitou

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    1. Ele acertou com relação ao fator político. Na minha avaliação a alta do índice Bovespa não tem relação direta com as pesquisas eleitorais, mas sim pelo desaparecimento das incertezas com relação ao timming do aperto monetário nos Estados Unidos. A primeira entrevista da Yellen, como presidente do FED, após a reunião de política monetária realizada no mês de março, deixou o mercado muito mais tranquilo com uma data provável no calendário. Isso abriu espaço para o capital se movimentar no curto prazo, sem a preocupação de ser pego pelo fator surpresa.

      Mas com relação ao mercado brasileiro (e emergentes), discordo totalmente da análise dele. Mas é compreensível, já que o fundo dele só pode aplicar em ações brasileiras. Portanto, perde-se a imparcialidade. Pra ele, não é interessante ver o mercado em correção, já que o fundo só ganha em períodos de bull market.

      Abs, bons investimentos

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