quinta-feira, 8 de maio de 2014

Mercados sinalizam reversão


Embora a agenda macroeconômica do dia tenha sido positiva, as principais bolsas de valores mundiais emitiram sinalizações importantes de reversões nesta quinta-feira.

Logo no início da manhã, os diretores de política monetária do BCE (Banco Central Europeu) decidiram manter a taxa básica de juros em 0,25% ao ano na zona do euro. A decisão surpreendeu parte dos analistas que esperavam corte de 0,25 p.p. Mas assim que terminou a reunião, o presidente do BCE, Mario Draghi, avisou que o Banco Central pode considerar novas medidas de política monetária na próxima reunião a ser realizada no mês junho.

Isso significa que a autoridade monetária quer ter certeza na decisão a ser tomada (novo corte de 0,25 p.p.), mas para isso precisa aguardar a publicação das projeções econômicas atualizadas feita pela própria equipe técnica do BCE.

A decisão de prorrogar o corte da taxa básica de juros é, também, uma maneira de responder aos grandes bancos e instituições de renome, incluindo o FMI (Fundo Monetário Internacional) e OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que estavam pressionando o BCE a adotar medidas de estímulo monetário.

A estratégia é inteligente para colocar ordem na casa e no mercado. O BCE é uma instituição independente e de elevada credibilidade. Não deve agir sob pressão de ninguém. As decisões de política monetária são competência única e exclusiva dos diretores da instituição.

O BoE (Bank of England - Banco Central britânico) também decidiu manter a taxa básica de juros na mínima recorde (0,5 p.p.). O comitê não fez nenhuma declaração nesta quinta-feira. A instituição deverá anunciar um novo conjunto de previsões econômicas trimestrais na próxima quarta-feira, quando o presidente do Banco Central britânico, Mark Carney, dará entrevista à imprensa.

O grande destaque da agenda macroeconômica do dia ficou por conta da balança comercial chinesa. As exportações subiram 0,9% em abril ante o ano anterior, após queda de 6,6% em março. As importações cresceram 0,8% ante o ano anterior, após uma queda de 11,3% em março. O superávit comercial subiu para 18,5 bilhões de dólares, mais que o dobro do superávit de 7,7 bilhões de dólares de março.

A melhora no resultado da balança comercial chinesa foi puxada pelo aumento das encomendas dos Estados Unidos e União Europeia. Estes números oferecem suporte à estabilização do ritmo de crescimento na faixa dos 7,5% (meta do governo).

Mesmo com os dados positivos da China e forte expectativa de novos estímulos monetários na Europa, o índice Dow Jones não conseguiu deslanchar nesta quinta-feira. O pregão começou animado, mas ao atingir novamente o topo histórico as operações vendedoras começaram a surgir com volume considerável em Wall Street.


Este movimento provocou a formação de uma estrela cadente clássica, sinalizando reversão na tendência de alta de curtíssimo prazo.

No Brasil o índice Bovespa também emitiu uma sinalização de topo e possível reversão na zona de resistência dos 54.3k. Caso o ponto de pullback dos 53.4k (atuando neste momento como suporte) seja perdido, os preços podem retornar para LTA dos 44.9k, acelerando o movimento corretivo.


O mercado de commodities também cedeu. O barril de petróleo do tipo light caiu para 100,27 dólares. Já o minério com teor de 62% de ferro (referência), atingiu 103,70 dólares por tonelada, atingindo o mesmo valor de 25 de setembro de 2012.

O índice de commodities CRB Jefferies/Reuters, referência mundial, cedeu para a mínima do mês de maio, trabalhando um movimento corretivo de curtíssimo prazo após a forte arrancada constatada no início deste ano. Índice caminha para fechar em baixa pela terceira semana consecutiva, fato que ainda não ocorreu este ano.


6 comentários:

  1. Bom dia, FI! Parabéns pelo excelente trabalho, trazendo informações de qualidade a todos os visitantes do site! Será que o mercado poderá cair mais forte nos próximos dias? O nível do Ibovespa não reflete nossos fundamentos. Estou montando uma carteira de longo prazo (Buy and Hold). Não faço operações de curto prazo. Tenho a intenção de montar a carteira inicialmente com empresas boas, de baixo P/L, e com bom Dividend Yield. Minha ideia é aproveitar essas ações para gerarem um fluxo de caixa que me permita adquirir novas ações (ações de crescimento mais rápido) nos próximos anos. Estou pensando dessa forma, pois tenho a impressão de que o mercado ainda vai andar de lado por um bom tempo, devido às condições da economia no Brasil. Assim, penso que é melhor garantir esses dividendos o quanto antes, para depois aumentar o valor da carteira com eles e com novos aportes em outros papéis que paguem menos dividendos. Tenho visto comentários em outros sites e blogs de que não faz diferença comprar ação para receber dividendos, pois o valor dele é descontado da ação. Mas, para um investidor de longo prazo, penso que, se a empresa mantiver os mesmos fundamentos e lucros e dividendos distribuídos idênticos ao exercício atual, o preço tende a retornar ao mesmo patamar de antes da data ex. Caso contrário, o DY será maior em relação ao preço após a data ex, proporcionando um retorno maior. Estou certo ou é confusão minha? Um abraço!

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    1. Boa tarde amigo, tudo bom?

      Primeiro e mais importante: não é viável montar carteira nestes moldes no mercado brasileiro. As perspectivas macro não são boas e a interferência elevada do Estado na economia torna o jogo muito mais arriscado. Escolher boas empresas levando em consideração os números que temos na mão é relativamente fácil. Saber quais empresas continuarão apresentando aumento na taxa de lucro líquido nos próximos anos, dentro da sua estratégia de longo prazo, é praticamente impossível dentro do quadro atual. Se as perspectivas de crescimento, inflação e taxa de juros fossem melhores, seria mais fácil (menos difícil) montar uma carteira nestes moldes.

      Se a sua estratégia não mostrar potencial para sua carteira bater o almoço grátis do mercado (atualmente 11% ao ano via LFTs, LCIs, CDBs, fundos DI), é melhor você não fazer nada e deixar o capital em ativos que paguem o almoço grátis. Se você reforçar o seu caixa (ou seja, destinar os aportes às LCIs, CDBs, LFTs, fundos DI) terá boas condições de bater o mercado, basta estar preparado para aproveitar as oportunidades. Ou seja, realocar o seu capital nos momentos de estresse nos preços, tanto dos títulos soberanos, quanto das ações.

      Abs, bons investimentos

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    2. Ou aprenda a fazer HEDGE, mas terá que estudar o beta da sua carteira para aprender a trava-la nas quedas, e ainda por cima acertar quando essas quedas ocorrerem,minha sugestão é estudar as técnicas americanas de PRICE ACTION com autores como Al Brooks, ja que a literatura brasileira sobre investimentos e analise técnica é pobre.Com isso você ganha dinheiro nas quedas e pode comprar mais ações. Da pra operar no diário assim porem o risco é maior, se quiser bater a renda fixa no Brasil é com estudo.

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    3. Então você acha que seria mais prudente ficar em LFT até 2015/2016, ganhando com a elevação da Selic por meio do TD, enquanto a bolsa tende a derreter, e aproveitar as ofertas após o aperto monetário no exterior? Um abraço!

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  2. FI,

    Este rally eleitoral é patético.

    A eleição presidencial deste ano será definida no segundo turno, não tenho dúvida. Digo isso porque em 2010, com a economia bombando, o Serra conseguiu empurrar a eleição para frente; neste ano, com esse clima de pessimismo, com certeza no primeiro turno o PT não leva a eleição.

    Mas esta será uma eleição muito disputada e apostar dinheiro com base nisso é loucura.

    Creio que, em breve, os fundamentos da nossa economia voltarão a prevalecer na bolsa.

    abs

    Henrique

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    1. Henrique,

      Correto. Não há perspectiva de transição de poder. Este rali foi influenciado pelas declarações da presidente do FED na reunião do mês de março. Ela acabou com as incertezas quanto ao timming do aperto monetário. Isso abriu espaço para os operadores especularem nos mercados emergentes sem correr o risco de serem surpreendidos pela subida da taxa básica de juros nos Estados Unidos.

      Abs, bons negócios

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