terça-feira, 20 de maio de 2014

Plosser joga lenha na fogueira


O clima de aversão ao risco reapareceu nas principais praças financeiras mundiais, abatendo principalmente os mercados que mais se valorizaram nos últimos meses. O clima azedou em Wall Street quando o presidente do Federal Reserve de Nova York, William Dudley, e o presidente do Federal Reserve de Filadélfia, Charles Plosser, tocaram num tema extremamente delicado para o mercado: o aperto monetário nos Estados Unidos.

Não se tocava neste assunto desde meados do mês de março, quando a presidente do FED (Federal Reserve – Banco Central norte-americano), Janet Yellen, acalmou o mercado projetando indiretamente alta dos juros a partir do segundo trimestre de 2015.

Com a redução da taxa de desemprego e sinalização de (leve) aumento das pressões inflacionárias nos Estados Unidos, William Dudley voltou a tocar neste tema delicado no seu discurso realizado nesta terça-feira. Entretanto, o presidente do Federal Reserve de Nova York apenas reforçou o que a chair do FED havia adiantado ao mercado dois meses atrás: o aperto monetário pode acontecer “algum tempo depois” (leia-se seis meses) do fim do programa de estímulos monetários. O ritmo de aperto monetário será relativamente lento e depende do desempenho econômico, bem como das condições financeiras.

Mas Charles Plosser jogou lenha na fogueira. O presidente do Federal Reserve de Filadélfia também discursou hoje e afirmou que, caso a inflação caminhe para a meta de 2% e o mercado de trabalho melhore no País, o FED deverá se preparar para ajustar a política de maneira apropriada. Plosser completou dizendo que o aperto monetário pode começar antes do esperado.

As declarações do presidente do Federal Reserve de Filadélfia acabaram com a calmaria e clima de otimismo nos mercados. Os investidores/operadores que estavam tranquilos posicionados em ativos de risco de países emergentes foram surpreendidos pelo discurso de Plosser, contrariando o que disse a chair do FED, fato que colaborou para intensificação do movimento de realização de lucros.

Tanto Dudley quanto Plosser possuem direito a voto no Comitê de Política Monetária do FED. Contudo, muitos no mercado desconhecem que Charles Plosser tem uma postura mais hawkish (intolerante com a inflação e defensor de juros mais altos) dentro do FED e sua opinião não é endossada pela maioria dos membros votantes.

Esta não é a primeira vez que Plosser derruba os mercados com seus pronunciamentos. No mês de maio do ano passado, o presidente do Federal Reserve de Filadélfia provocou uma onda de vendas nos mercados financeiros ao dizer que o FED deveria reduzir o volume dos programas de estímulos monetários em sua próxima reunião, prevista para junho daquele ano. Entretanto, o tapering só começou no mês de janeiro de 2014.

O índice Bovespa despencou 1,85% nesta terça-feira, perdendo o patamar de sustentação dos 53k e linha central de bollinger. Esta é a primeira vez, desde a épica arrancada dos 44.9k, que a linha central de bollinger é perdida. O candle de força relevante, apoiado pelo volume financeiro dos negócios, reforça a sinalização de venda no mercado nacional.  A tendência de baixa de curtíssimo prazo ganhou força e a tendência de alta de curto prazo, iniciada nos 44.9k, está ameaçada.


A explicação encontrada pela mídia brasileira para justificar o movimento de queda da bolsa está nas pesquisas eleitorais que nem foram divulgadas. Conforme demonstramos em outras ocasiões, estas análises são infundamentadas.

Mas hoje “o indicador do ridículo” renovou a máxima histórica.  O índice Bovespa chegou a subir 0,92% na parte da manhã, sob a justificativa (da mídia) de que a próxima pesquisa eleitoral apontaria nova queda das intenções de voto da presidente Dilma Rousseff.

Na parte da tarde a bolsa virou rapidamente e passou a ceder forte, sob a justificativa (novamente da mídia) de que os investidores agora acham que a próxima pesquisa eleitoral mostrará avanço das intenções de voto da presidente Dilma Rousseff. Ou seja, para a mídia, o mercado mudou de ideia de uma hora pra outra e somente as pesquisas eleitorais exercem influência sobre a trajetória de preços. Isso mostra a precariedade das análises presentes nos principais veículos de comunicação do mercado financeiro.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones cedeu 0,83%, realizando teste na LTA dos 15.3k. Mercado norte-americano trabalha vendido no curtíssimo prazo, sem sinalização de fundo ou reversão.


8 comentários:

  1. FI,

    Tá difícil assim, não tem para onde correr. Dilma reeleita e aumento dos juros nos EUA, rs.

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    1. Tem as montanhas.
      Brincadeira rsrs....

      Abs, bos negócios!

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  2. No INDFUT os estrangeiros, que respondem por 50% do IBOV, aproveitaram para aumentar fortemente suas posições compradas; No dólar eles mantém-se levemente negativos no curto prazo, sem buscar proteção adicional.

    Somados aos 9 bi de R$ em aportes à vista até 16/Maio, parece que a tendência de alta no IBOV deve se manter...

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    1. Exato PB. Bem observado. Resta saber se a estratégia permanece a mesma (comprados no índice para especular) ou se mudaram a estratégia, já que daqui pra frente o caminho é mais difícil/limitado (socam venda à vista e compram futuros para se protegerem).

      Abs, bons trades!

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    2. FI,

      Essa estratégia mujito bem lembrada de vender à vista, usando o Índice para se proteger, teria obrigatoriamente que deixar rastros com saídas registradas pelos estrangeiros da Bovespa, ainda que com dois dias de atraso, concorda ?

      Obrigado,

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    3. Concordo PB. A não ser que eles utilizem as corretoras nacionais para fazer isso rsrs... Fazendo a transferência de custódia, por exemplo. Os estrangeiros tem algumas artimanhas.

      Abs, bons trades

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