terça-feira, 6 de maio de 2014

Quadro técnico nocauteia cenário macroeconômico


Impulsionado pela entrada de capital especulativo dos investidores estrangeiros, o índice Bovespa fechou mais um pregão em alta nesta terça-feira, superando a barreira de resistência localizada na região dos 53.4k. O movimento confirmou o acionamento do primeiro pivot de alta desde o início da épica arrancada iniciada na região dos 44.9k.


O rompimento do pivot reforça o mercado comprador na Bovespa e agrega força para as ações continuarem subindo por motivos técnicos, distorcendo-se dos fundamentos domésticos, alimentando a tendência de alta de curto prazo. A próxima resistência é fraca e está localizada na faixa dos 54.3k. Provavelmente será rompida com a manutenção da tendência de alta de curto prazo.

Novamente a agenda macroeconômica do dia foi extremamente negativa. O famoso relatório de Perspectivas da Economia Global feito pelos analistas da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) reduziu novamente as projeções para o crescimento da economia brasileira em 2014 e 2015. A estimativa para a expansão do PIB (Produto Interno Bruto) caiu de 2,2% para 1,8% este ano. Para 2015, a projeção foi reduzida de 2,5% para 2,2%.

A projeção para o crescimento da economia brasileira está significativamente abaixo da expansão de 3,5% esperada para os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) este ano. Para 2015, a OCDE estima que os BRICS devem crescer 4%.

A economia brasileira também vai crescer menos que a média dos países-membros da OCDE neste ano e também em 2015. Vamos perder feio também para a média de crescimento global. De acordo com os analistas da OCDE, a economia mundial deverá crescer 3,4% em 2014 e 3,9% no próximo ano.

Pode-se notar claramente que o Brasil continua desconectado do processo de recuperação da economia global, devido ao acúmulo de inúmeras adversidades domésticas levantadas insistentemente nos últimos anos. Além disso, a ausência de acordos comerciais dificulta bastante o trabalho para as empresas brasileiras tentarem pegar carona no ciclo de retomada da economia global.

A importante visita de Estado aos Estados Unidos, cancelada desenfreadamente pela presidente Dilma no ano passado, custou caro para empresas brasileiras que pretendiam estreitar laços com o maior e melhor mercado consumidor do planeta. Optou-se, por outro lado, avançar em parcerias comerciais com os nossos vizinhos quebrados venezuelanos e argentinos. Mercados que vão de mal a pior.

Somente no mês de abril, as vendas ao consumidor argentino caíram 7,5%, segundo dados da Confederação Argentina da Média Empresa. O comércio de automotores despencou 35% no mês passado. Como não existe outro comprador no mundo para “carroças 1.0” fabricadas no Brasil, os pátios das montadoras continuam lotados. Esta é mais uma sinalização de que a atividade brasileira perderá força no segundo trimestre deste ano.

O cenário doméstico desafiador foi captado corretamente pelo Deutsche Bank. O principal banco alemão emitiu um relatório nesta terça-feira recomendando os seus clientes a reduzirem exposição em títulos da dívida soberana brasileira. No documento, os analistas do Deutsche citam que há um clima de otimismo demasiado no mercado em relação à perspectiva de melhora nos fundamentos macroeconômicos do Brasil. O banco trabalha com o cenário de reeleição da presidente Dilma Rousseff, com forte apelo populista na fase de campanha, fato manterá o segundo mandato de Dilma Rousseff semelhante ao primeiro.

Ainda no Brasil, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, participou do evento que celebra os 55 anos da Câmara Brasil-Israel de Comércio e Indústria. Em seu discurso, Tombini reforçou o conteúdo da última ata do Copom, sinalizando interrupção do ciclo de aperto monetário.

Na China, o Banco Central do País ratificou no relatório de implementação de política monetária do primeiro trimestre que vai manter sua política monetária estável com ajustes finos nos momentos certos, apenas para ajudar a estabilizar o crescimento econômico.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones cedeu 0,78% nesta terça-feira, retornando para linha central de bollinger, ameaçando rompimento. Mercado pressionado pelo tombo de 18% das ações do Twitter e 4,1% dos papéis da AIG.


5 comentários:

  1. Autentico cenario para um crash do IBOV...
    Enquanto os restantes mercados são um autentico PUMP and DUMP

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  2. Como o colega acima disse, este movimento técnico, quando encerrado, será sucedido por uma forte queda, assim que o racional do mercado voltar a funcionar.

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  3. é isso ai,a unica coisa que sobe aqui é os indices,os ativos de risco continuam enterrados ate ao tutano,quem quiser que se acautele,isto é tudo uma maneira de apanhar patinhos de todas as cores...

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  4. é so observar...em cada 100 acçoes sobe 1 10 nao sai do memo sitio e 89 estao sempre caindo!!!!

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  5. preciso abrir o olho e começar a pedir esses negocios emprestados pra mandar elas pro fundo dos inferno

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