sexta-feira, 6 de junho de 2014

A mágica da amostra


A pesquisa Datafolha divulgada na manhã desta sexta-feira, contratada pelo jornal Folha de São Paulo, provocou um grande alvoroço no mercado financeiro nacional. A bolsa que operava vendida até ontem abriu comprada nesta sexta-feira sem a realização de nenhum negócio, consequência da abertura em GAP, na máxima do dia.

Os vendedores sumiram da praça da noite para o dia. Investidores/operadores interessados em comprar papéis na bolsa brasileira foram obrigados a subirem significativamente suas respectivas ofertas. Este quadro foi altamente influenciado pela divulgação da pesquisa Datafolha, realizada entre os dias 03 e 05 de junho, que apontou queda das intenções de voto da presidente Dilma Rousseff para 34%.

O resultado é bem diferente do que foi apurado pela pesquisa Ibope, realizada entre os dias 15 e 19 de maio, divulgada no dia 22/05/2014. Segundo o Ibope, a presidente Dilma tem 40% das intenções de voto.

A diferença das intenções de voto da pesquisa Ibope para a pesquisa Datafolha é relativamente expressiva para um curto período de tempo marcado pela ausência de notícias de forte impacto popular, tanto na área política, quanto na área econômica. Logo, a credibilidade dos números tende a ser questionada.

A resposta deste questionamento foi omitida pela mídia, mas pode ser encontrada através de uma pesquisa detalhada no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Há uma diferença gritante nos dados da amostra utilizados na última pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha que diverge, inclusive, de sua própria pesquisa anterior, realizada nos dias 07 e 08 de maio, inviabilizando, também, a comparação dos dados coletados pelo próprio Instituto.

Ao invés de entrevistar 2.880 eleitores em 176 municípios (ou 2.630 eleitores em 162 municípios), como vinha fazendo nas últimas pesquisas, o Datafolha agora entrevistou 4.340 eleitores em 207 municípios, sendo que, deste total, 2.030 eleitores foram entrevistados somente no estado de São Paulo. Isso significa que a amostra está claramente desproporcionalizada, com foco na opinião dos eleitores de um único Estado e não do País inteiro.

É justamente na região Sudeste que a presidente Dilma Rousseff tem menos intenções de voto. Segundo o próprio Datafolha, Dilma tem 26% e aparece em situação de empate técnico com Aécio, que tem 25% das intenções de voto na região. Campos tem apenas 4%.

Está explicado, portanto, o motivo responsável pela divergência com os dados apresentados pelo Instituto Ibope (coletados com as devidas proporções de cada Estado/região) e queda expressiva das intenções de voto da presidente Dilma Rousseff.

Entretanto, não foi explicado pelo contratente (Jornal Folha de São Paulo) a opção pela mudança significativa na metodologia de coleta dos dados, com foco na opinião dos eleitores paulistas. Impressiona, também, a falta de destaque deste importante detalhe nas matérias dos principais jornais.

Lamentavelmente a informação não foi repassada de maneira adequada, fato que pode prejudicar a formação de opinião, processo de tomada de decisão e, ainda, favorecer o interesse de quem a fornece.

Novamente especulou-se no mercado financeiro a possibilidade de vitória da oposição na eleição presidencial deste ano. Curioso constatar que, não obstante, no fechamento do pregão anterior, houve forte manifestação de força compradora, provocando redução no percentual de queda do índice. A pesquisa Datafolha foi divulgada na manhã desta sexta-feira, minutos antes da abertura do mercado.

O movimento desta sexta-feira alterou todo o quadro técnico do índice Bovespa. A tendência de baixa foi revertida com formação de fundo na região dos 51k. Entretanto, perde-se qualidade na sinalização técnica, por conta das informações disponibilizadas ao público, aparentemente cuidadosamente trabalhadas.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou mais uma semana em alta, renovando a máxima histórica. Mercado em tendência de alta de curto, médio e longo prazo.


Quadro semelhante observado nos principais mercados europeus. O índice DAX, na Alemanha, também renovou a máxima histórica.
  
  
Na Índia a bolsa de Bombay fechou a semana em forte alta, recuperando o prejuízo da semana anterior, voltando a atingir a pontuação mais elevada de sua história.


Na China a bolsa de Xangai fechou a semana em baixa, congestionada no curto prazo, sem apresentar novidades.


Desejo a todos vocês um ótimo final de semana!

PS: Logo abaixo, segue análise da última ata do Copom, divulgada na quinta-feira.

30 comentários:

  1. FI,

    É bom termos uma fonte confiável de leitura. Bom post. Quero ver o que vai acontecer com o mercado / bolsa quando a ficha cair e a Dilma for reeleita...

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    1. Concordo 100%. Não comento muito pois estou na trilha do aprendizado, e o FI é um ótimo site independente, com ótimas analises macros-econômicas e politicas.

      Sucesso !



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  2. O fato de haver mais entrevistados em SP não significa necessariamente que as intenções de voto no estado tenham mais peso que o resto do país. Da mesma forma que dizer que a Dilma tem 34% de intenções de voto não é a mesma coisa que dizer que dos 4.340 eleitores entrevistados 34% vão escolher a atual presidenta. Isso porque qualquer instituto de pesquisa sério vai multiplicar o índice de cada colégio eleitoral por sua representatividade no cenário nacional. Alterar o número de entrevistados para mais, mesmo que não respeitando a proporcionalidade populacional de cada estado, vai apenas trazer diferenças nas margens de erro da pesquisa.

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  3. Prezado,

    Você insinua que a amostra usada foi viesada. Acho que você não é estatístico para sustentar essa argumentação num debate técnico sobre teoria da amostragem probabilística.

    O comentário do Major acima fornece uma informação técnica de ponderação que evitaria que se trabalhasse com uma amostra viesada. E por que o Datafolha decidiu aumentar as entrevistas para o Estado de SP? Para ter também uma amostra representativa para as intenções de voto no Estado de SP, que deverá ser anunciadas nos próximos dias. Isso é justificado porque o mercado principal da Folha (a entidade que contratou a pesquisa junto ao Datafolha) é neste estado.

    Simples, assim. E não porque o Datafolha ou a Folha estejam do lado da oposição ou estejam tentando influenciar a Bolsa para ganhar na especulação ou mais alguma teoria conspiratória.

    O Datafolha é um instituto sério. Entre Datafolha e Ibope fico com os números do Datafolha.

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    1. Não precisa ser estatístico.... é só ver, a eleição é nacional e não do estado. Se a folha quer fazer algo estadual, que faça só com SP e não pule pro nacional, né.

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    2. Existe uma coisa na vida chamada custos, que algumas pessoas parecem que desconsideram. Se uma pesquisa vai a campo, por que não pesquisar as intenções de voto nacional e estadual. Separar as duas pesquisas elevaria os custos e não seria eficiente.

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    3. As vezes dá um desânimo tremendo discutir assuntos técnicos com algumas pessoas. O anônimo das 10:19 é um desses casos.

      Não deve sequer ter formação em área de exatas, mas pra dar uma opinião tão simplória quanto essas é o primeiro a levantar o braço.

      Meu Deus, como está difícil conversar tecnicamente sobre um assunto. Sempre aparece um desconhecido pra vomitar duas frases e sair cantando vitória, desprezando toda uma técnica desenvolvida por décadas, as vezes séculos...

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    4. O resultado disso tudo é uma pesquisa mal feita e mal representada. Por isso há tanta confusão nestes índices do Brasil em pesquisas feitas quase ao mesmo tempo. A propósito, não solto a franga como você.

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  4. O que afetaria o resultado como você quis demonstrar seria a PONDERAÇÃO VICIADA dos dados colhidos, colocando um peso desproporcional ao estado de São Paulo, vis-a-vis o seu tamanho relativo no eleitorado nacional. Aumentar o numero de dados da amostra paulista apenas aumenta a confiabilidade do resultado no estado, estreitando sua margem de erro.

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  5. Finanças,

    Seu blog é muito bom e suas análises em geral muito corretas. Mas nesse caso você está completamente errado e falando besteira. O Datafolha entrevistou o dobro de pessoas nessa pesquisa, sendo metade em SP, porque além da pesquisa presidencial o instituto também fez uma pesquisa para governador do estado de SP simultaneamente. Para ter confiabilidade a pesquisa para governador precisava ter esses dois mil e poucos entrevistados e assim foi feito. Para a pesquisa presidencial não significa que o peso do estado de SP seja de 50%, como pode parecer, pois obviamente o instituto calibrou a quantidade de entrevistados no Estado de SP para a proporção de pessoas que o estado de SP representa. Ou seja, foram entrevistados 4340 pessoas no Brasil, sendo 2030 em SP e 2310 de outros estados. O voto dessas 2030 pessoas de SP foram corrigidos para o peso de SP na população do país para que a pesquisa nacional totalize os mesmos 2880 entrevistados de todas as pesquisas.

    Se um erro crasso desses fosse tomado o instituto perderia completamente a credibilidade e teria que fechar. Tem formas muito mais simples e menos visível de manipular uma pesquisa eleitoral.

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    1. mesmo porque, nesse ano, e até agora, somente o IPEA reserva-se no direito de cometer erros absurdos como aquele da pesquisa do estupro

      o negócio é ficar de olhos abertos porque muitas pesquisas irão rolar, e com certeza haverá algum tipo de deslize

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  6. Ate parece que a bolsa subiu pq teve pesquisa eleitoral.
    os juros la fora so caem, e ainda bem que venho comprando pelo tesouro direto desde janeiro..
    o fi avisava que os juros iam explodir, que o timing nao era bom,etc..resultado quem esperou a crise, perdeu taxa de juris de 13,20% ate 2023 ou 7% *ipca ate 2035...
    juros baixos no mundo todo e bom pra bolsa, brasil vai se beneficiar disso e em 2015 vamos voltar a crescer forte

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    1. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
      vou fingir que não li isso

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    2. Infelizmente petistas descobriram aqui pois estão com medo e começaram seus comentários típicos

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    3. po guetao, pelo jeito você manja demais, pois o seu comentário dá a entender que quando entra dinheiro no tesouro direto, faz com que a bolsa suba!

      po cara, mas você é bão mesmo, hein?


      PS: qual moeda OFICIAL será a do brasil no longínquo ano de 2035?

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    4. Crescimento forte em 2015 ?! É piada ?!

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    5. pro brasil crescer forte em 2015, aécio presidente

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    6. Não, para o Brasil crescer será necessária:
      1) Vitória do Aécio;
      2) Profunda e desesperadora recessão, humilhando a população imbecil, gravando isso no DNA bananense;
      3) Após o grande e necessário trauma, enfim crescimento sustentável a partir da segunda metade da próxima década.

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  7. FI

    Até agora você atribuía as altas e baixas da Bolsa apenas a conveniências do capital estrangeiro, visando especulação de curto prazo.
    Com este post você começa a aceitar que as pesquisas eleitorais também têm a sua contribuição.
    De fato, em março e abril Dilma caía (nas pesquisas) e a Bolsa subia, em maio Dilma subiu e a Bolsa começou a cair e, agora, Dilma torna a descer e a Bolsa a subir. Mera coincidência, pode-se dizer, mas que coincidência...
    Você está pensando em rever sua posição que as subidas e descidas anteriores da Bolsa não tiveram eflúvios eleitorais?

    Outra coisa:
    Você diz, logo no começo de seu post, que a bolsa abriu em GAP. Há GAP no Ibovespa?

    Ramses

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    1. Discordo.
      Entendo que o FI sempre deixou claro que as pesquisas eleitorais originam danos positivos e negativos na bolsa, mas de curto prazo.

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    2. Ramses,

      O que estimulou a entrada de capital estrangeiro no Brasil não foram as pesquisas eleitorais. Mesmo porque as intenções de voto oscilaram bastante neste últimos três meses. Pelo Ibope, por exemplo, Dilma está hoje com quase o mesmo percentual de intenções de voto do que as pesquisas realizadas 3 meses atrás. Ou seja, na prática, o quadro político não mudou nada. O cenário continua o mesmo: possibilidade maior de reeleição da presidente Dilma.

      É claro que, inevitavelmente, notícias de impacto (tal como esta diferença grande das intenções de voto do Ibope para o Datafolha) afetam a bolsa de valores, principalmente em períodos bem curtos. Foi o que aconteceu na passagem de quinta para sexta-feira. Já nas semanas anteriores foi a vez das commodities exercerem pressão relevante na bolsa brasileira, e por aí vai... No curtíssimo prazo o mercado é sujeito à influência de diversas fontes. Mas a base que sustentou a forte entrada de capital estrangeiro no Brasil desde o mês de março não tem relação direta com as pesquisas eleitorais, mas sim com o discurso de Janet Yellen, que eliminou as dúvidas do mercado quanto ao timming do aperto monetário. Desde então, mercados emergentes no mundo inteiro (e não somente o Brasil) receberam fortes entradas de capital especulativo.

      Abs, boa semana a todos!

      PS: A metodologia do Ibovespa não permite GAPs. Entretanto, o mercado abriu em GAP, como pode ser notado através dos preços dos ativos ou derivativos.

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  8. Tudo o que for feito para tirar os PTralhas do poder é válido.

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  9. Tem muito troll nos comments...

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  10. Boa tarde pessoal!

    Muito bom os comentários com relação à polêmica encontrada no processo de coleta das amostras. Levando em consideração que a intenção de voto dos 2.030 eleitores de São Paulo foram corretamente corrigidas para não desproporcionalizar o peso do Estado na escolha do presidente, podemos presumir que o cálculo do Datafolha está correto. Ainda assim, não justifica a omissão dessas informações importantes, ou melhor organização na apresentação dos números, nas matérias dos jornais. Por isso toda essa confusão rs... Entretanto, permanece a significativa diferença das intenções de voto apuradas pela pesquisa Ibope em relação à pesquisa Datafolha (notar que não estamos comparando as pesquisas como um todo, apenas a pergunta de intenção de voto à presidência da República, com mesma margem de erro - 2% - e mesma confiabilidade - 95%). Divergência de 6 pontos percentuais é expressiva para um curto período de tempo marcado pela ausência de notícias de forte impacto popular, tanto na área política, quanto na área econômica. Isso mostra que tem alguém fazendo conta errada. Não resta outra opção a não ser aguardar os números das próximas pesquisas eleitorais.

    Abs a todos e boa semana!

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  11. FI

    Este tema de pesquisas é importante. Os mais fortes interesses em jogo no Brasil hoje dependem bastante das pesquisas: 1 - Milhoes em jogo no mercado, a mercê destes números, os quais não tenho certeza se são consideradas informações privilegiadas e se existe devido controle ao seu vazamento 2- Impacto no próprio resultado das eleições. São razões suficientes para alguem querer manipular estes dados. Se não me falha a memória, nas ultimas eleições presidenciais a diferença entre o boca de urna e o resultado real foi muito grande, trazendo duvidas quanto a qualidade das pesquisas. Parabéns pelo post e por levantar a discussão. Qualquer contribuição sua ou de foristas daqui em diante, com relaçao a qual pesquisa tem mais credibilidade, serão muito bem vindas.

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  12. Como diria o locutor, taí o que vocês queriam (penúltimo parágrafo):

    http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/06/1467307-em-sao-paulo-tanto-aecio-quanto-campos-derrotariam-dilma.shtml

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  13. Acho que as empresas em geral estão muito caras no curto e médio prazo, aguardando o IBOV cair ainda para poder entrar comprado! A economia vai mal, não tem muito sentido essa alta toda, há muita expectativa embutida nesses preços...

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