quarta-feira, 11 de junho de 2014

Desapontamento do Banco Mundial aumenta com mercados emergentes


O Banco Mundial revisou para baixo suas projeções de crescimento aos mercados emergentes na noite da última terça-feira. A estimativa para média do PIB (Produto Interno Bruto) dos países emergentes este ano caiu de 5,3% para 4,8%.

Segundo os economistas da instituição, os países emergentes terão um crescimento econômico mais decepcionante do que o previsto anteriormente e não estarão a salvo da volatilidade financeira (consequência da normalização das condições monetárias nos países desenvolvidos). A crise na Ucrânia, a mudança do modelo econômico na China e os problemas políticos em países como Brasil e Turquia foram os principais fatores que pesaram na reavaliação negativa do banco.

O quadro pode, inclusive, se deteriorar ainda mais. No relatório, o Banco Mundial ressalta que “é provável que ocorram novos episódios de volatilidade quando os investidores especularem com o calendário e o alcance das mudanças na política econômica dos países ricos.”

Uma espécie de amostra deste movimento ocorreu na segunda metade do ano passado. Players de mercado retiraram repentinamente seus recursos das praças emergentes e provocaram desvalorização significativa em diversas classes de ativos.

O Banco Mundial recomendou aos países emergentes aproveitarem a janela de oportunidade (clima de otimismo elevado no mercado) para reduzirem seus respectivos déficits em conta corrente, criando mecanismos para absorver choques futuros.

Entretanto, a tarefa para o Brasil é justificadamente mais extensa, já que há bastante tempo não fazemos o dever de casa. Precisamos dissolver parte da perigosa combinação de inflação elevada, crescimento baixo, déficit em conta corrente e descumprimento das metas de superávit primário. Até o momento, nenhuma ação do governo esta sendo direcionada a este fim.

A projeção de crescimento do Banco Mundial para o PIB brasileiro despencou de 2,4% para 1,5% este ano. As reformas estruturais continuam sendo cobradas nos relatórios e sustentariam uma taxa de crescimento melhor. O governo, por outro lado, segue ignorando-as.

No mercado de capitais, o índice Bovespa fechou em alta pelo quarto pregão consecutivo, refletindo mais um rali mundial observado em ativos de risco de diversas praças financeiras. Bolsa na máxima do ano, juros e câmbio próximos da mínima do ano mostram o apetite voraz dos investidores/operadores pelos ativos de risco, em busca de prêmios mais elevados até a (pré) fase de normalização das condições monetárias nas economias desenvolvidas.


Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones fechou o pregão em queda de 0,60%, formando topo de curtíssimo prazo no patamar psicológico dos 17k. Mercado pode retornar a linha de suporte dos 16.7k nos próximos pregões sem comprometer a tendência de alta, inclusive de prazos mais curtos.

10 comentários:

  1. FI, quando será a pré -fase de normalização nos EUA?

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    1. Nem os banqueiros centrais sabem rs... Estão discutindo nas reuniões de Comitê ainda como e quando fazer. Mas por enquanto pode-se estimar algo em meados do primeiro trimestre de 2015 na Inglaterra. Nos Estados Unidos, na passagem do primeiro para o segundo trimestre do ano que vem. O período "pré" seria, então, no final de 2014.

      Abs, bons negócios

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  2. FI,

    Acompanhei ano passado o desmonte impressionante de posições na renda fixa daqui. Quanto a bolsa, você acha que pode causar um estrago ainda maior? Não tenho ideia do volume estrangeiro atualmente na bolsa, nem a estima de quanto poderia sair. Agradeço.

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    1. Opa, tudo bom? Não há como projetar intensidade do estrago, tanto no mercado de renda fixa, quanto no mercado de renda variável, pois depende de muitas variáveis, onde algumas delas são, hoje, desconhecidas. O que temos é uma possibilidade relevante de estresse nos preços dos ativos de diferentes classes. O investidor/operador deve estar preparado para isso. E mesmo não desconsiderar a hipótese remota de passarmos por esta fase com relativa tranquilidade no mercado financeiro (apesar de ser uma possibilidade muito baixa, o mercado pode surpreender).

      Com relação ao volume de capital estrangeiro na bolsa, você pode acompanhar pelo Dados da Bolsa. Segue o link: http://www.dadosdabolsa.com/Fluxo%20Bovespa
      Está na máxima histórica, bem acima do antigo TH de 2007.

      Abs, bons investimentos

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  3. FI

    Uma coisa me intrigou:
    Em 9 de junho você disse, em resposta a comentário sobre seu post de 6 de junho de 2014 (A mágica da amostra), que "A metodologia do Ibovespa não permite GAPs".
    Como explicar que no dia 10 de junho o IBOVESPA fechou em 54.604 (que também foi o máximo do dia), e no dia seguinte, 11 de junho, abriu a 54.676 (que também foi o mínimo do dia)?

    Dia 10jun2014 11jun2014
    Abertura 54.273 54.676
    Mínimo 53.959 54.676
    Máximo 54.604 55.283
    Fech. 54.604 55.102

    Fonte: BDI da BOVESPA (BM&F)

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  4. http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/06/1471587-para-grandes-investidores-pais-nao-tera-bom-retorno.shtml

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  5. Caro FI, o FED reduziu a compra de títulos conforme já era esperado. As notícias que vi na internet também dizem que o FED deverá elevar a taxa de juros em 2015, apesar da redução da expectativa de crescimento do PIB americano para 2014. Pergunto: alguma justificativa para a alta do Ibovespa hoje? Um abraço!

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