segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Atividade industrial surpreende em países emergentes


Indicadores que medem o nível da atividade industrial nos países emergentes mostraram uma surpresa positiva no mês de julho, superando expectativas do mercado, inclusive em países que passam por dificuldades, das mais diversas possíveis.

A grande surpresa veio, mais uma vez, do gigante asiático. As indústrias chinesas registraram, no mês de julho, o crescimento mais forte dos últimos 18 meses. O Índice Gerente de Compras do Instituto Markit, calculado em parceria com o Banco HSBC, saltou para 51,7 pontos, superior aos 50,7 pontos registrados no mês de junho. O indicador do Instituto Markit saiu em linha com a medição do governo chinês, que também avançou para 51,7 pontos no mês passado, confirmando o processo de retomada do crescimento.

Na Índia, o Índice Gerente de Compras disparou para 53 pontos no mês de junho, superior aos 51,5 pontos registrados no mês de junho. Esta é a máxima dos últimos 17 meses e reforça o processo de retomada da atividade manufatureira, após a primeira contração atingida em meados de 2013 (isso não ocorria desde 2008).

Até mesmo a atividade manufatureira da Rússia, pressionada nos meses anteriores pelos reflexos causados pela crise ucraniana, conseguiu reagir no mês passado ao atingir os 51 pontos, bem superior aos 49,1 pontos registrados no mês de junho.

Entretanto, no Brasil, o Índice Gerente de Compras não atingiu o nível que mostra expansão da atividade manufatureira (acima de 50 pontos), devido ao excesso de pessimismo na economia doméstica, tanto dos empresários, quanto dos consumidores, fruto das especulações exageradas em torno dos impactos que “seriam” causados pelo candidato vencedor das eleições presidenciais deste ano e, também, pelo choque direto da desaceleração da economia argentina e paralisação de horas/dias de trabalho em função da Copa do Mundo.

Ainda assim, o Índice Gerente de Compras brasileiro conseguiu reduzir o ritmo de contração na passagem do mês de junho para o mês de julho, ao subir dos 48,7 pontos para 49,1 pontos, conforme podemos observar no gráfico abaixo.  Levando em consideração todos os argumentos citados no parágrafo anterior, a redução do ritmo de contração chega a surpreender. Entretanto, numa visão mais ampla, pode-se notar claramente estagnação da atividade industrial, sempre buscando aproximação da marca de 50 pontos com certa frequência em todos os anos do mandato da presidente Dilma Rousseff, este sim refletindo a deterioração dos fundamentos da economia brasileira.

Na Europa, o Índice Gerente de Compras manteve-se estável aos 51,8 pontos, mostrando que o ritmo de expansão da atividade manufatureira nos países da zona do euro permanece moderado. A continuação do aumento no ritmo de expansão da indústria europeia está sendo barrada pela escalada da crise na Ucrânia.

Já nos Estados Unidos, o Índice Gerente de Compras caiu para 55,8 pontos no mês de julho, após atingir os 57,3 pontos no mês anterior. Apesar da desaceleração na expansão da atividade industrial, o ritmo de crescimento continua bom.

O fator principal que explica essa queda da atividade manufatureira norte-americana e consequente retomada/aceleração da expansão da atividade industrial nos demais países (especialmente emergentes) é fruto da oscilação do dólar frente a uma cesta de moedas globais.


Conforme podemos observar no gráfico acima, o dólar registrou forte valorização no mês passado, alcançando a máxima deste ano, o que de fato encareceu os produtos industrializados norte-americanos, melhorando, em partes, à atratividade dos produtos oferecidos pelas demais praças industriais. Este quadro, juntamente com a retomada econômica dos Estados Unidos, é extremamente benéfico aos mercados emergentes.

A análise para as principais bolsas de mercados emergentes continua a mesma. Players globais continuam surfando a onda do clareamento do calendário do FED (Federal Reserve – Banco Central norte-americano) e sinalização de cautela antes das importantes decisões de política monetária que serão tomadas nos próximos 10 meses. No Brasil, o índice Bovespa sinalizou novo fundo ascendente na região dos 55.3k (antiga resistência e ponto de pivot), não oferecendo perigo à tendência de alta iniciada na região dos 44.9k.


Destaque para correções mais acentuadas nos principais mercados europeus, refletindo, principalmente, o agravamento das tensões geopolíticas na Ucrânia. Na Alemanha, o índice DAX perdeu a média móvel simples de 200 períodos diária, acelerando o movimento corretivo de curtíssimo prazo.


Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones trabalha dentro de um movimento corretivo relativamente agressivo de curtíssimo prazo, mas ainda insuficiente para causar reversões nas tendências principais de alta. A média móvel simples de 200 períodos diárias pode atuar como divisor de águas no curto prazo.


7 comentários:

  1. FI,

    A respeito da atividade industrial, voce acha que o preço das siderurgicas (CSNA3, USIM5, GGBR4) ainda estão esticados ? Ainda ha muito para cair ou já teriam chegado a um patamar ideal? Agradeço.

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    1. Olá,

      Há um bom tempo não está sendo viável fazer valuation no Brasil. O ambiente é muito desfavorável, sob diversos aspectos (intervenção estatal elevada, economia fraca, baixa confiança e credibilidade, câmbio se deslocando para o lado preferencial do governo, custos de produção e do capital elevados, inflação alta, etc). Se já está sendo difícil para as equipes dos fundos montarem carteiras defensivas, imagina para o investidor individual montar uma carteira semelhante para bater o benchmark no longo prazo. Missão quase impossível rsrs.. É bem mais interessante focar no gerenciamento da alocação, utilizando fundos/ETFs para renda variável, priorizando entradas em momentos favoráveis.

      Abs, bons investimentos

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  2. Vou começar a divulgar meus investimentos também http://investidorconvicto.blogspot.com.br/

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  3. FI.

    Andei lendo que ao identificar em que fase do ciclo econômico estamos podemos aproveitar o movimento das ações de setores que são beneficiados ou prejudicados pelo momento que a economia está.
    Isso tem fundamento, ou seja, se estivermos passando por um período de recessão tem como identificar boas empresas em um setor que está sendo prejudicado apenas por um momento do ciclo?

    Obrigado.

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    1. Boa tarde Sandro,

      Isso é apenas uma (pequena) parte do que precisa ser analisado. Isoladamente não tem fundamento. Se fosse verdade, teríamos dificuldade em encontrar economistas trabalhando no mercado rs... Selecionar ações é muito mais complexo do que apenas fazer o diagnóstico da economia, verificar se o quadro é favorável ou não à empresa e/ou se o negócio está sendo impactado no curto prazo apenas pelo viés econômico (na maioria dos casos existem outras razões que só são possíveis de identificar através de uma sondagem bem mais profunda).

      Abs, bons investimentos

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