sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Novidades no quadro macroeconômico


Semana importante marcada pelas primeiras reuniões regionais de banqueiros centrais após o importante encontro realizado na cidade de Jackson Hole, no estado norte-americano de Wyoming.

Mario Draghi fez o BCE (Banco Central Europeu) cumprir o que havia indicado em Jackson Hole. Nesta semana, a autoridade monetária da zona do euro cortou a taxa básica de juros de 0,15% para 0,05% ao ano e, ainda, aumentou o pedágio cobrado aos bancos que deixarem mais dinheiro parado nos cofres do BCE. A partir de agora, a taxa de juros overnight sobre depósitos dos bancos no BCE passou para -0,20% ao ano.

Após a reunião de Comitê, Draghi disse em entrevista à imprensa que há riscos cercando a perspectiva econômica para a zona do euro e, por isso, o BCE resolveu agir. As novas projeções econômicas da autoridade monetária europeia estimam um crescimento mais lento neste ano, de apenas 0,9%. A previsão para inflação (atualmente em 0,3% no acumulado dos últimos 12 meses), foi cortada para 0,6% no fechamento deste ano, bem abaixo da meta de 2% a ser perseguida.

O presidente do BCE demonstrou, também, que a porta está aberta para novas injeções monetárias no sistema, caso seja necessário. O principal gatilho seria o descolamento da taxa de inflação. Caso o referido índice permaneça muito baixo da meta por muito tempo, o BCE poderá agir com mais estímulos monetários.

Já o Banco Central do Japão resolveu manter seu agressivo programa de estímulos monetários, sem apresentar novidades. Haruhiko Kuroda, presidente da autoridade monetária japonesa, disse que as exportações e a produção estão mostrando movimentos fracos, mas as condições de trabalho e renda estão melhorando de forma estável. De maneira geral, o Banco Central do Japão enxerga continuação no ritmo (ainda lento) de recuperação econômica, mantendo o difícil objetivo de sair da deflação no próximo ano fiscal.

O Banco Central britânico manteve a taxa básica de juros inalterada, aos 0,50%, na reunião de Comitê desta semana. Entretanto, o mercado terá que esperar quase duas semanas para descobrir se mais alguma autoridade votou a favor da elevação dos juros, depois que dois entre os nove membros votantes do Comitê tiveram votos dissidentes na última reunião realizada no mês de agosto. Espera-se cautela por parte da autoridade monetária, já que o principal mercado de exportação do Reino Unido (União Europeia) segue estagnado e vulnerável à crise geopolítica na Ucrânia.

No Brasil, o Banco Central manteve a taxa básica de juros em 11% esta semana e sinalizou que não pretende mexer na política monetária tão cedo, ao retirar do comunicado emitido ao final da reunião o trecho “neste momento”. Informações relevantes poderão aparecer na ata a ser divulgada na próxima semana.

O mês de agosto marcou a reversão da trajetória de desinflação constatada nos últimos meses. O IPCA deste mês registrou inflação de 0,25%. No acumulado dos últimos 12 meses a inflação continua perigosamente encostada no teto da meta, aos 6,51%, o que vem minando a confiança dos investidores, empresários e consumidores.

Já o FED (Federal Reserve – Banco Central norte-americano) ganhou mais um motivo para manter sua estratégia extremamente cautelosa na condução da política monetária. O payroll divulgado nesta sexta-feira revelou que foram criados apenas 142 mil postos de trabalho nos Estados Unidos durante o mês de agosto, bem abaixo das expectativas de 225 mil novas vagas.

Os membros do Comitê não vão olhar, obviamente, para apenas o resultado de um mês do mercado de trabalho, principalmente por estar fora da curva e desconectado com os demais indicadores econômicos. O Índice Gerente de Compras, por exemplo, calculado pelo Instituto Markit, em parceria com o Banco HSBC, subiu para 57,9 pontos no mês de agosto, ante os 55,8 pontos registrados no mês de julho, mostrando aumento no ritmo de expansão da atividade industrial. Mas o número fraco do mercado de trabalho serve como voto de confiança do mercado para continuar apoiando a postura cautelosa do FED.

A próxima reunião do FED, a ser realizada nos dias 16 e 17 deste mês, é muito importante, pois Yellen deverá conceder entrevista coletiva à imprensa após o anúncio da decisão de política monetária, tal como aconteceu no mês de março deste ano. Muitas vezes o discurso do (a) presidente do FED acaba sendo mais importante do que o comunicado emitido após a reunião, tanto para reforçar a postura de política monetária, quanto para sinalizar estratégia a ser perseguida no médio prazo. Neste mesmo dia (17/09/2014) haverá, também, divulgação da taxa básica de inflação acompanhada pelo Banco Central norte-americano, hoje encostada no centro da meta de 2%.

Espera-se manutenção da postura cautelosa adotada pelo FED. Yellen não deverá mudar o seu tom adotado na entrevista do mês de março. A possibilidade de aperto monetário deve permanecer inalterada, para ocorrer em meados de 2015.


Bom final de semana a todos!

7 comentários:

  1. FI,

    Com esta manutenção das condições atuais por mais tempo não geraria, por parte dos bacens (principalmente FED) uma necessidade de aumentar a taxa de juros de maneira mais intensa no futuro?

    Agradeço.

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    1. Juros subindo de forma mais agressiva nos Estados Unidos seria motivado pelo deslocamento ascendente agressivo da inflação local, fruto de um aquecimento acelerado na economia e, consequentemente, no mercado de trabalho. Essa possibilidade é baixa. Mais provável que o aperto monetário seja conduzido de forma gradual.

      Abs, bons negócios

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  2. Os bancos centrais mundias estão nos levando a um buraco sem fundo. Tudo pra eles gira em torno de "injetar liquidez", como se fosse a receita derradeira de solução de todos os problemas. Para o problema causado pelos juros baixos ao redor do mundo, a solução destes idiotas foi manter os juros baixos e injetar dinheiro, pasmem!

    Espero que venha uma crise suficiente pra destruir a teoria keynesiana.

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  3. Keynes dizia que a oferta gerava sua própria demanda ou era o contrario, pois o governo acreditou que a demanda gerava sua própria oferta e deu no que deu.
    Conforme alguns economistas já haviam previsto a liquidez internacional vai durar por mais tempo. Devido principalmente a demora da recuperação europeia. Com isso quem acreditava que em 2014 haveria aumento das taxas de juros errou completamente. Talvez nem em 2015 teremos aumento de juros, com isso os mercados acionários continuaram a bater recordes e o dólar ficará por mais tempo desvalorizado, em resumo a tempestade perfeita não se confirmou e quem acreditou perdeu.

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    1. Por enquanto, mas imaginar que ela não virá me parece um erro.

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  4. A tempestade seria perfeita se não houvesse preparo para a mesma. Como já pode se estar preparado, não vai ser tão perfeita assim.

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