sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Pânico na Treasury


As vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos), a Treasury de 10 anos (título público do Tesouro norte-americano), referência no mercado da dívida soberana global, entrou em pânico no mercado, passando a preocupar seriamente os diretores do Comitê que se reúnem na próxima semana.

A agressividade do atual movimento é semelhante ao evento ocorrido na segunda metade do ano passado, quando Ben Bernanke, o então presidente do FED, antecipou ao mercado que o tapering (redução do volume dos programas de estímulos monetários) estava a caminho. A estratégia de Bernanke havia falhado, pois, a intenção, com o aviso antecipado, era a de acalmar o mercado.  Mas acabou acontecendo o inverso. Como seria o tapering? Qual intensidade? Quando exatamente? Dúvidas que o FED não poderia responder naquele momento, responsáveis por provocarem abalos em todas as praças financeiras mundiais, principalmente em países emergentes.

Cerca de um ano após o primeiro tremor, o mercado é novamente impactado. Desta vez por um estudo realizado por pesquisadores da unidade regional do FED de São Francisco, no qual os desconhecidos economistas Jens Christensen e Simon Kwan concluíram que a baixa volatilidade nos mercados financeiros pode sinalizar que investidores/operadores estão (ou estavam) subestimando a velocidade com que o FED possa elevar a taxa básica de juros.  Ou seja, o mercado parece (ou parecia) esperar uma política monetária mais acomodatícia do que a sugerida pelo próprio FED no Sumário das Projeções Econômicas.

Outras autoridades do FED estavam mostrando certo desconforto com a volatilidade excessivamente baixa constatada nos meses anteriores. A Treasury de 10 anos chegou a perder o patamar de 2,40% em duas oportunidades somente nos últimos 30 dias, nível incompatível com as projeções de aperto monetário nos Estados Unidos.


Conforme podemos observar no gráfico acima, apenas nas últimas duas semanas a Treasury de 10 anos acumula desvalorização de 12%. A taxa de juros saltou de 2,34% para 2,62%. A velocidade deste movimento mostra que os investidores/operadores estão correndo para acertar, desesperadamente, seus respectivos portfólios, o que leva, consequentemente, ao desmonte de posições em ativos de risco (principalmente em praças emergentes). O movimento agressivo preocupa os diretores do FED, pois o deslocamento dos juros futuros neste ritmo não é saudável, pode brecar a recuperação econômica dos Estados Unidos e detonar uma nova crise no mercado.

O pânico na Treasury surge justamente no momento em que os indicadores econômicos mostram melhora no processo de retomada da economia norte-americana, fato que provoca aumento das discussões, no mercado e dentro do Banco Central, quanto ao início do ciclo de aperto monetário. O mercado vai esperar uma sinalização do FED na semana que vem quanto à estratégia de política monetária para o próximo ano. Entretanto, com o clima de tensão elevado, a janela para apresentação de um novo comunicado, menos expansionista, está fechada. O Banco Central deve, provavelmente, tentar acalmar o mercado, na tentativa de ganhar mais tempo ou uma nova janela de oportunidade.

O movimento de valorização do dólar frente a uma cesta de moedas globais foi acentuado pelo deslocamento da Treasury. No gráfico abaixo podemos observar que o rali se intensificou no final do mês de agosto, o que também causa preocupação dentro do FED, já que os produtos norte-americanos ficam menos competitivos no mercado externo.


A situação do câmbio no Brasil é diferenciada devido às ininterruptas intervenções do Banco Central no mercado, que manteve o dólar oscilando nos últimos cinco meses dentro de uma banda preferencial bastante visível no gráfico abaixo.
  
  
O Banco Central fez o que pode para brecar os avanços do dólar. Mas parece que boa parte deste trabalho ficou em vão. A intensificação do rali do dólar mundo afora rompeu com extrema facilidade a barreira informal utilizada pelo Banco Central no câmbio brasileiro. Mas como a ferramenta cambial continua sendo (muito) utilizada para combater a inflação, o Banco Central pode acabar entrando num ciclo vicioso de intervenções, em volumes cada vez mais elevados, aumentando a nossa vulnerabilidade à medida que as reservas vão sendo consumidas.

O índice Bovespa foi duramente impactado esta semana com o aumento da tensão no mercado, refletindo o deslocamento da Treasury e da cesta de moedas globais. O marubozu de baixa iniciou rompimento da média móvel simples de 200 períodos semanal, recentemente superada, o que pode caracterizar bull trap em cima da média mais popular do mercado, acompanhada de perto pelos gestores. A zona região de suporte está localizada na região dos 55.5k e poderá ser testada nas próximas semanas, já que o movimento corretivo está ganhando força.


Destaque para o forte movimento corretivo no mercado de commodities, o que, de fato, alimenta a pressão vendedora nos principais ativos da bolsa brasileira.


Desejo a todos vocês um ótimo final de semana!

5 comentários:

  1. FI,

    Ainda sobre a maioria dos analistas relacionar apenas a questão da eleição no Brasil como fator principal para a queda, seria certo afirmar que a nossa bolsa sempre acompanha o movimento internacional (ou na maioria das vezes) ? Qual é o costume?

    Até que ponto uma reeleição da Dilma poderia empurrar o índice para baixo?

    Agradeço.

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    1. Olá,

      Não existe receita de bolo. Não acompanha necessariamente um determinado índice-referência, tal como Dow Jones, S&P500, Nikkei, Bombay, Xangai, índice de mercados emergentes, índice de commodities, etc. É importante entender o contexto em torno destes mercados, estudar as fontes dos impactos e fazer a conexão com o nosso. Estas fontes costumam ser as mesmas e o fluxo se movimenta de maneira bem parecida nas praças financeiras.

      Sua última pergunta é impossível de responder rs... E não existe ninguém capaz de respondê-la. Pode nem ir para baixo. Não existe certeza no mercado. Na verdade pouco importa para onde o mercado vai. O investidor/operador precisa apenas ter uma estratégia e estar preparado para ambos os cenários.

      Abs, boa semana!

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  2. quero MESMO ver se vão ter coragem de subir os juros enquanto a europa cai de cabeça no QE

    minha opinião permanece a mesma, que se houver um aumento de juros, será mínimo e temporário, pra logo depois voltarem com o rabo entre as pernas

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    1. O QE europeu é suave, contudo as praças mundiais estão com o forévis piscando não por causa da zuropa, mas sim do FED, pô!
      Aguarde o vigoroso inverno!

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