quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Atualização do quadro macroeconômico


Alguns participantes do mercado respiraram aliviados com os números do gigante asiático. A perda do ritmo de expansão da economia chinesa foi menor do que os analistas esperavam. Entretanto, os indicadores não são positivos, principalmente às economias altamente dependentes da força compradora de commodities existente na China. O clima de pessimismo no mercado estava um pouco exagerado, influenciado pela bateria de indicadores decepcionantes das últimas semanas, o que acabou pesando para baixo as projeções dos analistas.

O PIB (Produto Interno Bruto) de 7,3% do terceiro trimestre deste ano, sobre o mesmo período do ano anterior, mostrou que a China cresceu no ritmo mais fraco desde o primeiro trimestre de 2009 (período onde as economias foram afetadas pela crise financeira mundial).

O primeiro-ministro, Li Kegiang, já afirmou algumas vezes este ano que vai tolerar crescimento ligeiramente abaixo da meta (7,5%). Portanto, a desaceleração do crescimento chinês não foi tão forte a ponto de forçar a implementação de novas medidas de estímulo monetário por parte do Banco Popular (Banco Central chinês) e nem tão fraca a ponto de abrir novas janelas para o governo avançar com mais rapidez no processo de transição do modelo econômico, mais voltado ao consumo e menos às exportações e investimentos.

A prévia do Índice Gerente de Compras da China endossa a manutenção da posição do governo. O índice avançou de 50,2% em setembro para 50,4% neste mês, mostrando pequena aceleração no ritmo de crescimento do setor manufatureiro chinês, apesar de ainda mostrar fragilidade. A inflação ao produtor caiu para mínima de sete meses influenciada pela desaceleração do crescimento das encomendas, tanto internas, quanto externas.

Nos Estados Unidos, a prévia do Índice Gerente de Compras caiu de 57,5 pontos registrados em setembro para 56,2 pontos neste mês, menor patamar desde julho deste ano. A redução expressiva do ritmo de crescimento favorece a postura cautelosa adotada pelo FED (Federal Reserve – Banco Central norte-americano) e confirma as recentes preocupações quanto à perda do ritmo de crescimento das principais economias mundiais levantadas por economistas de renomadas instituições.

Na zona do euro, a prévia do Índice Gerente de Compras subiu de 52 pontos em setembro para 52,2 pontos em outubro. O indicador medido pelo Instituto Markit, em parceria com o banco HSBC, veio fora da curva, já que o lento ritmo de crescimento na região está comprovadamente desacelerando.

O estudo mostra que as empresas da zona do euro tiveram que cortar preços pelo trigésimo primeiro mês (a taxa mais forte em quase cinco anos) para conseguirem sustentar o faturamento, levantando novas preocupações das autoridades com a deflação. Além disso, o relatório mostra que o otimismo dos empresários sobre o futuro caiu para o menor nível em mais de um ano, o que sugere deterioração nos indicadores para os próximos meses.

No Japão, a demanda interna permanece fraca, forçando o governo reduzir sua avaliação econômica pelo segundo mês consecutivo. A produção também cedeu, acompanhando a queda do índice de confiança do setor de serviços medida pelo Banco Central. O escritório de Gabinete japonês afirmava nos meses anteriores que a fraqueza econômica estava limitada a apenas alguns setores. Esta avaliação mudou para: “a economia japonesa está em recuperação moderada, mas recentemente pode se ver fraqueza”.

A recente sinalização de perda do ritmo de crescimento constatado nos principais players globais chegou num momento desfavorável às economias desarrumadas, tal como a brasileira. Sem margem de manobra, negligenciada pela baixa qualidade de gestão do atual governo, a economia brasileira sofre com inaceitável acúmulo de graves problemas estruturais que se somarão ao ambiente internacional desafiador.

Enquanto a mídia e os analistas se prendem às pesquisas eleitorais para justificar o desempenho dos ativos domésticos, eventos extremamente relevantes e de elevado impacto no mercado e na economia nacional passam despercebido pelos investidores. As estratégias de política monetária dos principais banqueiros centrais mundiais e os deslocamentos dos ativos-referência no mercado global (tais como dólar e prêmio de risco da Treasury de 10 anos) foram amplamente levantadas neste espaço nos últimos trimestres.

Entretanto, recentemente surgiu uma terceira grande força sobre a economia, bem como os preços dos ativos brasileiros. O mercado de commodities colapsou, num movimento semelhante ao pânico de 2008. O índice Global de Commodities CRB Jefferies Reuters saiu da máxima do último ano no final do mês de agosto para a mínima de 2012 neste mês de outubro.


A impressionante queda vertical dos últimos 30 dias pode eliminar o efeito da valorização do dólar no lucro das empresas exportadoras e aumentar a vulnerabilidade da economia brasileira, altamente dependente do mercado de commodities para crescer e atrair dólares.

Causa preocupação adicional verificar que a inflação brasileira não tem reagido à expressiva queda nos preços das commodities. Pelo contrário, pode-se constatar nas últimas medições do IBGE preocupante aceleração da inflação.

O resumo da ópera é um verdadeiro lamaçal de problemas domésticos potencializados por cada choque externo. Precisamos de ajustes urgentes nas estratégias das políticas econômica,fiscal e monetária, num momento delicado de mudanças globais importantes a frente, que vão desde a normalização das condições monetárias nos Estados Unidos e Inglaterra, passando pelo risco de deflação na zona do euro, dificuldade de retomada do crescimento no Japão e mudanças no modelo econômico chinês.

O índice Bovespa fechou o pregão desta quinta-feira detonando mais um pivot de baixa, na mesma região por onde passa a média móvel simples de 200 períodos diária, mostrando candle de força relevante. O quadro técnico alimenta a força da tendência de baixa iniciada na região dos 62.3k. Abaixo do patamar psicológico dos 50.000 pontos as zonas de suporte são inexpressivas.
  

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em alta de 1,32%, superando levemente a média móvel simples de 200 períodos diária, ainda trabalhando dentro de um movimento de alívio.


Finalizo a análise de hoje com a notícia de que Dias Toffoli, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitora), irá convocar os institutos de pesquisa para fazer uma avaliação sobre os números apresentados ao longo da campanha eleitoral. Segundo o presidente do TSE, os erros não são poucos e nem pontuais.

Esses erros, segundo Toffoli, alteram rumos de campanhas, podem mudar o voto de eleitores e influenciam a bolsa de valores.

Portanto, esqueçam as pesquisas. Votem conscientes. Boa eleição a todos!

12 comentários:

  1. PARABÉNS. MUITO BOA ANÁLISE!!!!!!!1 MELHORA A CADA DIA QUE PASSA!!!!

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  2. Realmente os post aqui estão cada vez mais interessantes. parabéns.

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  3. Talvez o Toffoli devesse se comportar apenas como um ministro do TSE, e não botar o dedo aonde não deve.

    Os institutos devem ser livres para dar o resultado e conviver com a credibilidade do seu próprio trabalho. Quem conhece a origem do Toffoli não vê isso com bons olhos.

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    1. Levando em consideração a influência destes números sobre o voto dos eleitores, deve haver sim uma atitude do TSE. No que se refere à bolsa de valores, é competência da CVM investigar.

      Abs, boa semana

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  4. Fi. Não deu. Tragédia a vista.

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    1. Triste. Vamos continuar pagando conta atrás de conta. E as prestações do carnê tendem a perder de vista. O que mais me preocupa é o longo prazo. Os choques de curto prazo, provocados pelos acertos pontuais que o governo precisa fazer, são irrelevantes perto do que pode estar se desenhando para 2018.

      Abs, boa semana

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  5. dilma foi endossada pela população para dar continuidade a tudo que vem fazendo, portanto é só esperar mais do mesmo

    aos que tem qualquer nesga de esperança em mudar alguma coisa, lembrem-se, tudo não passou de promessa de campanha

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    1. Mais do mesmo com acertos pontuais. Se o PT repetir exatamente a mesma política do primeiro mandato da presidente Dilma, o Lula não terá a menor chance de se eleger em 2018.

      Abs, boa semana

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  6. Prezado FI, o que você acha da informação contida nesse link: "http://www.infomoney.com.br/onde-investir/renda-fixa/noticia/3659174/surgiu-uma-grande-oportunidade-renda-fixa-com-reeleicao-dilma-rousseff"

    Parabéns pelo trabalho!

    Abraços e bons investimentos!

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    1. Primeiro: procure focar sua leitura em agências de notícias voltadas pra economia ou mercado financeiro e não em portais do tipo Infomoney. Segundo: descarte o texto toda vez em que o autor afirmar o que vai acontecer no futuro.

      Abs, boa semana

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