sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Brasil entra em novo rali


Semana histórica para o mercado financeiro nacional. O dólar despencou. A bolsa disparou. Os juros futuros derreteram. Movimento de euforia generalizada. O impressionante desempenho dos ativos brasileiros é justificado por uma bateria de notícias e especulações positivas ao mercado.

Tudo começou na última quarta-feira quando a ata do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) mostrou discussões relevantes que não saíram no comunicado emitido ao final da reunião de Comitê no mês passado. O documento desta semana revelou que, na verdade, a autoridade monetária norte-americana continua “dovish” e tende a manter sua postura cautelosa por um bom tempo.

O conteúdo presente da ata do FED manteve a janela de oportunidade aberta para investidores/operadores especularem em ativos de risco, o que, de fato, proporciona condições para dar novo impulso aos ativos com retornos apetitosos em mercados emergentes.

O clima mais positivo criado pela ata do FED foi reforçado nesta sexta-feira pelo tom mais firme do presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mario Draghi. “Estamos dispostos a reavaliar a importância, o ritmo e a composição de nossas compras se for necessário para reforçar nosso mandato... e sem demora". Draghi ainda afirmou que “é essencial aproximar a inflação ao seu objetivo”.

O objetivo do BCE é manter a inflação ancorada na meta de 2%. Mas o aumento de preços na zona do euro está estancado a um nível muito fraco há bastante tempo. Em outubro, a inflação acumulada dos últimos 12 meses atingiu 0,4%.

As advertências mais firmes de Mario Draghi sobre a inflação baixa e disposição em reavaliar os estímulos são fortes indicativos de que o BCE deverá aumentar os programas de afrouxamento monetário na próxima reunião de Comitê a ser realizada no mês de dezembro.

Surfando a mesma onda “dovish” do FED e BCE, o Banco Popular da China surpreendeu os mercados nesta sexta-feira ao reduzir a taxa dos depósitos a um ano em 0,25 p.p., para 2,75%. A taxa de empréstimos a um ano sofreu corte de 0,40 p.p., para 5,6%. O Banco Central chinês também permitirá que os bancos paguem aos depositantes 1,2 vez a taxa de referência, acima de 1,1 vez anteriormente.

Essa é a primeira vez em mais de dois anos que o Banco Popular anuncia corte na taxa básica de juros. A prévia do Índice Gerentes de Compras sacramentou a decisão do Banco Central chinês. Segundo estudo do Instituto Markit, em parceria com o banco HSBC, a prévia do Índice Gerente de Compras do setor manufatureiro recuou para 50 pontos no mês de novembro, ante os 50,4 pontos registrados no mês de outubro.

O resultado de novembro é o mais baixo em seis meses e revelou que o mercado de trabalho está enfraquecendo. Além disso, as pressões sobre os preços estão fracas, o mercado imobiliário está desacelerando e a demanda interna precisa crescer mais para atender a capacidade de oferta. O PIB (Produto Interno Bruto) da China no terceiro trimestre recuou para 7,3%, nível mais baixo desde o primeiro trimestre de 2009.

Vale ressaltar que a decisão sobre as taxas de juros na China vem após a surpresa do BoJ (Banco Central do Japão) na reunião de Comitê encerrada no 31 de outubro, marcada pelo aumento inesperado do já elevado volume dos programas de compras de ativos em bolsa e títulos da dívida soberana.

A sinalização de manutenção (ou aumento) da artilharia monetária dos principais banqueiros centrais mundiais impulsionou fortemente os preços dos ativos no mundo inteiro.

No Brasil não foi diferente. Além do arsenal positivo dos banqueiros centrais, o mercado nacional foi brindado com a fortificação dos boatos em torno dos nomes que integrarão a nova equipe econômica do governo Dilma.

Fontes de diferentes origens estão relevando os mesmos nomes, indicando que boa parte da equipe já está definida. Os boatos mostram que Joaquim Levy, ex-secretário do Tesouro Nacional e atual diretor-superintendente do Bradesco Asset Mangement, deve assumir o ministério da Fazenda. Levy é conhecido como um formulador de políticas ortodoxas e pró-mercado, tem credibilidade semelhante ao Trabuco (atual presidente do Bradesco, que, segundo boatos, recusou o convite, pois deve ocupar o cargo do Lázaro Brandão na presidência do Conselho do Bradesco).

Nelson Barbosa, ex-secretário-executivo da Fazenda, deve assumir o ministério do Planejamento. Barbosa pediu demissão em meados de 2014 por supostos desentendimentos com o ministro Guido Mantega. Isso por si só já é um bom sinal.

Outra mudança positiva deve acontecer no Tesouro Nacional. O atual diretor de Administração do Banco Central, Altamir Lopes, deve ser o novo secretário do Tesouro, ocupando a cadeira que hoje é do Arno Augustin (conhecido no mercado como grande maquiador das contas do governo). Lopes é funcionário de carreira do Banco Central, de formação bastante técnica. Trabalhou de maneira próxima a Levy quando era chefe do Departamento Econômico da autoridade monetária. O atual presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, deve continuar no cargo.

São profissionais altamente qualificados, de postura pró-mercado. Suas reputações valem mais do que um cargo importante no governo. Portanto, estima-se que o trabalho a ser executado nos próximos quatro anos será desenvolvido forma diferente daquele amplamente conhecido nos últimos três anos e meio. Em outras palavras, o intervencionismo do governo nas pastas deve a ser bem menor.

O mercado aprovou os nomes com razão e, mais do que isso, enxerga a necessidade de ajustes no ano que vem. Não há outra opção sobre a mesa. Com tantas notícias e especulações positivas, o índice Bovespa fechou a semana em forte alta, revertendo a tendência de curto prazo.


Mercado segue comprado para as próximas semanas. A superação da resistência tripla formada pela média móvel simples de 200 períodos semanal, linha central de bollinger e LTB dos 62.3k abrirá espaço para fortalecimento da tendência de alta de curto.

Bom final de semana!

15 comentários:

  1. Parabéns pela analise.
    Espero, assim como você, que realmente o intervencionismo do governo seja derrotado pelas reputações dos nomes cotados para o novo ciclo da equipe econômica do país.

    Bom fds!

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    1. Obrigado. Mais importante do que os nome é a sinalização de mudança de postura do governo (claro, pressionado pelas urnas). Vamos acompanhar até onde vai.

      Abs, bom sábado!

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  2. Após a euforia passar, qual a tendência dos juros futuros? Podemos esperar taxas reais de ntnb acima de 6%aa?

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    1. Acho que após a euforia a tendência é estabilizar até a próxima rodada de reuniões dos banqueiros centrais em meados de dezembro. Mas recomendo não se apegar demais ao direcional e muito menos ao target, basta estar preparado para aproveitar oportunidades dentro da sua estratégia. O resto é com o mercado rs..

      Abs, bom final de semana!

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  3. Vou dar um piteco mas que me parece bem realista. O nome do Levy surgiu por indicação, uma vez que ele não tem uma personalidade tão forte, capaz de "deter" a personalidade da Dilma. Quem acompanha ele sabe que é uma figura tímida, avessa a discussões.

    Tombini é totalmente submisso ao governo, já provou isto no passado.

    Teria sido estas escolhas tão pró-mercado ou mais uma questão de "não bater de frente" com a personalidade da presid-anta autoritária e leninista? O tempo dirá, rs.

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    1. Concordo quanto à possível indicação do Levy. Pode ter sido feita na reunião do Brandão com a Dilma. Parecia que estava quase certa a ida do Trabuco, mas o Brandão pensou mais no futuro do Bradesco. Trabuco deve assumir o lugar do Brandão na presidência do Conselho. Quanto à personalidade do Levy, não sei confirmar. Essa informação é no mínimo estranha, pela carreira que ele construiu. Considerando, ainda, o destaque que ele teve no mercado de capitais nacional e internacional.

      Já com relação ao Tombini, em partes. Acho que a relação Planalto x Banco Central sofreu desgaste em 2013. Na minha avaliação a política monetária cometeu um grande erro até o final de 2012. No início de 2013 houve uma virada. Parece que perceberam que o “experimento falhou” e que, a partir dali, seria necessário trabalhar para corrigir as distorções criadas pelas falhas cometidas no passado. Esse processo está em curso. É um ponto positivo a favor do Tombini. Não apaga a imagem negativa do passado, mas é importante para o futuro.

      No meu entendimento esses nomes são a confirmação de que o governo conseguiu fazer a leitura do que foi o processo eleitoral deste ano. Expliquei mais sobre isso neste post: “O recado das urnas” http://www.financasinteligentes.com/2014/10/o-recado-das-urnas.html

      Abs, bom sábado!

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    2. Boa FI, vamos aguardar agora e ver o caminhar da situação na próxima semana.

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  4. Belíssimo artigo.
    Meus sinceros parabéns!
    (Mas eu prefiro o Meireles dentre os nomes cotados para a fazenda)

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  5. As coisas realmente são imprevisíveis. Difícil se atrever a qualquer visão futura de mais longo prazo. O pessoal todo estava esperando dólar irreversivelmente lá em cima e ações por um bom tempo na baixa ou estabilizado na baixa há poucos dias atrás.
    Sou iniciante, mas realmente começo a entender a importância de ser fiel a estratégia estabelecida (que deve conter os diversos cenários) e colher os frutos bons ou nem tão bons sem nenhum desespero.
    Que as indicações e ações do governo possam gerar efeitos positivos, maiores que a teimosia da Dilma.

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    1. Exatamente. O mercado mostrou mais uma vez que as bolas de cristais dos analistas estavam quebradas. Você como iniciante vai perceber "quebras constantes de bolas de cristais". Por isso é importante filtrar bem as informações quem chegam a você. Ter uma estratégia eficiente é essencial. É um dos pilares de sustentação do investidor/operador no mercado. O segundo pilar, e não menos importante, é o fator psicológico. Para ambos, é necessário tempo, dedicação e experiência. Não tenha pressa em "construí-los".

      Abs, bons investimentos

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  6. Muito boa sua analise!
    Mas podemos espera uma estabilização de acima de 6%aa?

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    1. Obrigado!
      Começou a estabilizar em 5,5%. Está de bom tamanho frente ao quadro que temos.

      Abs, bons negócios

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  7. FI, ao que parece o ânimo do mercado durou pouco. Alguma razão para isso ?

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    1. Na minha avaliação os preços continuam mostrando apetite por risco. Bolsa em 55k, com trajetória ascendente no curto prazo. Dólar em R$ 2,50 com trajetória descendente no curtíssimo prazo. Contratos de juros para vencimento em 2017 pouco acima de 12% e para vencimento em 2020 abaixo de 12%. O mercado segue animado.

      Abs, bons negócios

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