quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Governo brasileiro desafia as agências de rating


As três principais agências de classificação de risco (Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch) deixaram bem claro durante todo este ano que o processo de revisão no rating brasileiro leva em forte consideração a nova gestão das políticas econômica, fiscal e monetária a serem implementadas a partir de 2015, independente do vencedor das eleições presidenciais.

Não há mais espaço para contabilidade criativa, pedaladas, desonerações incompreensíveis e ineficientes, inflação persistentemente elevada e baixo crescimento. O dever de casa precisa ser feito para o Brasil não perder o grau de investimento.

Entretanto, ao invés de mostrar um voto de comprometimento com as difíceis tarefas a serem executadas a partir do ano que vem, o governo resolveu aproveitar o período de fim de festa fiscal (onde, teoricamente, não está sob vigilância) e acabar de vez com a folclórica meta de superávit primário. Agora, não há sequer esforço para maquiar os números, tamanho o rombo que se criou.

O governo acredita que a possibilidade de corte no rating só vale a partir de 2015. Mas propor mudança na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) para aumentar o abatimento da “meta de superávit primário” é uma brincadeira de alto risco. Perde credibilidade, aumenta a desconfiança e deixa o mercado mais enfurecido.

É preciso mostrar seriedade com as contas públicas desde já. Não é porque 2014 está perdido que se pode fazer qualquer coisa, inclusive mudar a lei ao seu favor. A decisão sobre o rating brasileiro vai sair em 2015, mas já enviamos mais um sinal negativo às agências de risco antes mesmo de começar o ano.

No mercado financeiro doméstico as taxas de juros futuros aproximaram-se da máxima do ano e o dólar atingiu níveis registrados em 2005, aos R$ 2,59. A bolsa de valores cedeu 2,14%, sentindo a pressão da média móvel simples de 200 períodos diária.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou mais um pregão renovando a máxima histórica, sem apresentar novidades.


10 comentários:

  1. FI,

    Talvez este seja o rompimento mesmo com o mercado (e suas agências). É como se eles não existissem.

    Notar que ao que tudo indica, o Meireles vai ficar de fora e vai ser algo bem à la Dilma. Estamos cada vez mais nos aproximando do Bolivarianismo. Não vai acabar bem. Vamos ver até quando a complacência do mercado vai tolerar isto.

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    1. Vamos dar tempo ao tempo. Na minha avaliação, Tombini, Barbosa ou Meirelles na Fazenda é sinalização de mudança na política econômica e fiscal. Barbosa saiu da Fazenda por desentendimentos com o Mantega (isso é ótimo) e Tombini é profissional gabaritado com uma mancha na sua carreira ao permitir suposta intervenção da Dilma no Banco Central. Duvido que ele aceitaria ter mais uma grande mancha em sua reputação ao assumir a Fazenda sob os comandos da Dilma.

      Entre os três cotados, Meirelles seria uma boa. Mas de qualquer forma a mudança é positiva. Sai o Mantega para entrar algo muito melhor. Vamos aguardar.

      Abs, bons negócios

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  2. Essa medida, se aprovada, será a cereja no bolo para as agências rebaixarem nossa nota. Não se tolera cheque em branco para governo. Perderemos o grau de investimento e o dólar vai disparar, já to comprando os meus rsrsr

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    1. Não é fator de decisão, mas seria como começar 2015 com o pé esquerdo.

      Abs, bons investimentos

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  3. Na verdade, o título deveria ser "Governo desafia o bom senso, a inteligência, a sensatez, a humildade e a responsabilidade".

    Combina melhor com a personalidade da nossa grande presidente.

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  4. Há algum estudo ou parâmetro que quantifique a perda (ou ganho) de rating e a % que se deverá pagar a mais (ou a menos) de juros tendo em vista essa variação do rating?
    Por exemplo: um título passa de A- para BBB+. Quantos % a mais de juros seria o justo (ou o esperado) que o título deveria passar a pagar em razão da queda de um grau de rating?

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    1. Não. Seria muito simples negociar juros futuros assim. As variáveis são várias e o rating é apenas uma delas.

      Abs, bons investimentos

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  5. Tudo bem, concordo com a pilantragem do governo.
    Mas a vigência da LDO é de um ano, né? Eles mudaram a meta da lei atual, mas a estipulação de metas é exigência da lei de Responsabilidade Fiscal e esta se mantém intacta.
    A alteração da LDO não foi pra enganar mercado, mas para salvar o governo das penalidades da LRF......
    Enfim, o que quero dizer é que o governo reconheceu que fez cagada, ta pedindo penico pro congresso.....
    Isso tudo não significa que ano que vem eles não tem que reforçar o controle dos gastos e aumetar o superavit.
    Não da pra voltar no tempo, e o rombo desse ano ficará para a histório.
    Cabe a nós fiscalizar e pegar no pé.
    Abraços,
    pepe

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    1. Alteração da lei está muito longe de ser uma demonstração de reconhecimento do erro. É uma fuga para não assumir as consequências.

      Abs, bons negócios

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