sábado, 1 de novembro de 2014

Surpresas positivas sustentam recuperação dos mercados


Novidade relevante no comunicado do FED (Federal Reserve – Banco Central norte-americano), surpresa positiva na política monetária do Banco Central do Brasil e aumento inesperado das políticas de afrouxamento monetário no BoJ (Banco Central do Japão). Os banqueiros centrais roubaram a cena do mercado de capitais nesta semana, proporcionando continuação do movimento de recuperação constatado no final do mês de outubro.

Na última sexta-feira o Comitê de Política Monetária do BoJ surpreendeu os mercados ao decidir, por 5 votos a favor e 4 contra, aumentar o ritmo de expansão da base monetária para cerca de 80 trilhões de ienes (cerca de 726 bilhões de dólares) por ano. Anteriormente, o Banco Central japonês tinha como meta (já considerada arrojada) um aumento anual de 60 trilhões a 70 trilhões de ienes.

O Comitê decidiu, também, elevar as compras de dívida do governo em cerca de 30 trilhões de ienes, além de ampliar a duração média do prazo em que detém a dívida pública para cerca de 10 anos.

A decisão foi respaldada na revisão do PIB (Produto Interno Bruto) de 1% para 0,5% no ano fiscal atual, que se encerra em março de 2015. A perspectiva para inflação também foi reduzida de 1,3% para 1,2%.

O aumento da base monetária japonesa reforçou o clima positivo nas principais praças financeiras mundiais, influenciando fechamentos nas máximas dos últimos dias.

O índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, fechou a semana iniciando rompimento da máxima dos últimos dois anos. Mercado segue trabalhando forte reversão da tendência de baixa de longo prazo, estimulado pelas ações agressivas do BoJ.


Na China a bolsa de Xangai fechou a semana em forte alta, trabalhando rompimento da importante média móvel simples de 200 períodos semanal, após conseguir superar o canal de baixa de longo prazo no mês de setembro. O marubozu de alta alimenta o movimento de recuperação da bolsa, com boa possibilidade de rompimento da máxima de 2013 nas próximas semanas.


Na Índia a bolsa de Bombay renovou mais uma vez a máxima história mostrando candle de força relevante. Em apenas duas semanas o principal índice da bolsa indiana recuperou toda a perda acumulada do mês anterior. Mercado em pleno rali.


A bolsa do México fechou em forte alta pela segunda semana consecutiva, após testar e respeitar, novamente, a média móvel simples de 200 períodos semanal.


No Brasil o índice Bovespa fechou a semana mostrando forte recuperação, em linha com as demais praças emergentes. O pavio longo inferior relevante mostra formação de fundo na região dos 48.9k.
  
  
Na Europa, o índice DAX fechou a terceira semana consecutiva em forte alta, após testar e respeitar a linha de suporte localizada na região dos 8.5k.


A bolsa de Londres encerrou a semana com um importante marubozu de alta, mostrando reação após testar e respeitar a média móvel simples de 200 períodos semanal.


Movimento semelhante ocorreu na bolsa de Paris. Mercado segue em forte ritmo de recuperação.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones renovou a máxima história mostrando candle de força relevante.


A mesma situação pode ser constatada no índice S&P500. Em apenas duas semanas os principais índices da bolsa de Nova York conseguiram recuperar toda a perca acumulada no mês anterior e renovar máximas históricas.


Bom final de semana!

12 comentários:

  1. É impessão minha ou a bolsa do Brasil segue de perto a bolsa da China?
    Abraço

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    1. Não, pois não é a única. Xangai é uma das inúmeras referências para nós. O mais importante é notar o direcional do fluxo em mercados emergentes.

      Abs, bons negócios

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  2. FI,num clima de forte alta dos indices,as commodities não acompanharam as subidas,ok tudo bem. Os Indices tem subido por conta da forte injecção de capital e juros baixos.

    Agora num crescimento saudavel,das economias,as commodities de uma forma quase geral, deveriam estar aumentando e não caindo,certo ou errado?

    Falar no excesso de oferta por si só,nãoacredito que seja essa a justificação concerteza.

    As commodities vão subir!
    Muito bem então,os mercados podem continuar a subir também.

    As commodities vão cair,ainda mais!
    Então fundamentado em quê,é que os mercados vão subir.



    ,

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    1. Com aceleração do crescimento global, as commodities tendem acompanhar, provocando valorização do preço. Mas o que está em aceleração do crescimento hoje são os Estados Unidos e Inglaterra. Já a zona do euro segue estagnada. China em desaceleração e implementando projeto de reversão do modelo econômico (consequentemente comprará menos commodities). Japão tentando se reerguer e parte dos emergentes decepcionando, como o Brasil. Por fim, aumentou a oferta de alguns segmentos importantes, como energia e minério de ferro.

      Abs, bons investimentos

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  3. Se o Japão já vinha fazendo isso antes e não deu certo, o que faz o mercado crer que desta vez dará?

    Eu acho tão idiota esta visão de que basta inflacionar o mundo que os problemas estão resolvidos...

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    1. Essa decisão do Japão é a resposta padrão dos keynesianos: se não deu certo, é porque a intervenção foi pouca. Mises neles!!

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    2. Na verdade o Japão demorou muito pra agir. Os programas foram implementados recentemente, são quase uma cópia do que os norte-americanos fizeram a partir de 2008. Deu muito certo nos Estados Unidos e Inglaterra. Deu errado na Europa, justamente por conta da implementação das políticas de austeridade fiscal (pisar no acelerador e no freio ao mesmo tempo não tem como dar certo). E no Japão ainda é muito cedo para avaliar, pois o programa é recente. Cabe ressaltar que o BoJ, e nenhum Banco Central no mundo, trabalha com "achismos" ou "chutes" presentes algumas vezes nas nossas visões simplistas e sem o respaldo de estudos técnicos de qualidade semelhante aos dos bancos centrais. Muito provavelmente o programa de estímulo monetário no Japão atingirá o objetivo do Banco Central.

      Abs, bons investimentos a todos

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  4. Prezado FI,
    primeiramente, obrigado pelas suas análises e por responder nossos comentários.
    Com a divulgação dos resultados dos bancos, com lucros expressivos estive pensando em algumas. Em 2012 o governo pressionou os bancos para reduzir o spread bancário. Porém, nessa época notei que as tarifas bancárias subiram bastante (seria uma forma de compensar). Além disso, esses dias olhei no extrato e os juros anuais estavam em torno de 180%, acima dos 160% daquela época. Posso estar enganado, mas me parece que agora eles não só cobram tarifas maiores, como estão com o mesmo percentual de spread. Faz sentido isso?
    Obrigado!

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    1. Pegando carona na pergunta, notar que o BB divulgou um resultado abaixo do esperado. Intervencionismo forçado do PT ao mandar o BB emprestar mais ?

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    2. Sim. Esse é mais um exemplo do intervencionismo estabanado do governo. Não adiantou nada fazer todo aquele estardalhaço contra o spread bancário. Tanto é que ninguém no governo toca mais no assunto. O spread bancário não reduziu, pelo contrário, aumentou. Não há como forçar a queda do spread bancário sem antes educar a população. Os bancos, obviamente, se aproveitam disso. Este quadro se repete nos demais mercados emergentes. Mas o Brasil é uma espécie de paraíso, ou uma ilha de "ignorância financeira". Brasileiro se preocupa mesmo é com novela e futebol.

      Sim, administração do BB sofre influência do governo federal. O banco, juntamente com a Caixa e BNDES, passou a emprestar muito mais, levantando dúvidas sobre a qualidade da carteira de crédito.

      Abs, bons investimentos

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  5. FI,
    com esses problemas da economia e déficit primário, você vê algum risco maior para os títulos públicos?

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    1. Não. Hoje a possibilidade de calote é quase nula. Será um problema se este quadro permanecer nos próximos 5/10 anos.

      Abs, bons negócios

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