terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Banco Central altera mensagem de política monetária


O Relatório de Inflação do Banco Central divulgado hoje alterou a mensagem de política monetária constatada na última ata do Copom.

Na ata divulgada no dia 11 de dezembro, o Banco Central afirmava que “considerando os efeitos cumulativos e defasados da política monetária, entre outros fatores, o Comitê avalia que o esforço adicional de política monetária tende a ser implementado com parcimônia.”

Este trecho foi totalmente removido e deu lugar a uma nova afirmativa: “o Comitê irá fazer o que for necessário para que no próximo ano a inflação entre em longo período de declínio, que a levará à meta de 4,5% em 2016.”

A mensagem é mais firme e sinaliza possibilidade relevante de continuação do ritmo de aperto monetário em 0,50 p.p., ao contrário do que sinalizava a última ata do Copom.

As projeções do Banco Central para a taxa inflação subiram para 6,4% em 2014, 6,1% em 2015 e 5,0% em 2016. No Relatório de Inflação do terceiro trimestre de 2014 (publicado no mês de setembro), o Banco Central estimava inflação de 6,3% em 2014 e 5,8% em 2015. As estimativas foram calculadas levando em consideração a manutenção da taxa de câmbio em R$ 2,55 e taxa Selic em 11,75% durante todo o horizonte de projeções.

não havia espaço para utilização de uma postura parcimoniosa antes da última reunião de política monetária. Com a piora nas projeções de inflação, mostrando IPCA bem distante do centro da meta nos próximos 12 meses, pelo menos, o Banco Central não teve outra opção. Voltou atrás e eliminou sua indicação de postura parcimoniosa antes mesmo de ser implementada na prática.

Este novo trecho apresentado no Relatório de Inflação é mais firme. Sinaliza comprometimento com a “nova meta” a ser perseguida: inflação em 4,5% ao ano até o fim de 2016. Tarefa difícil, devido ao processo, em curso, de realinhamento dos preços domésticos em relação aos internacionais (efeito câmbio) e realinhamento dos preços administrados em relação aos livres (alta de 6,2% estimada para 2015), ambos citados no documento. Duas poderosas fontes de pressões inflacionárias já confirmadas para o próximo ano, que exigirão certa distância de uma postura parcimoniosa da autoridade monetária.

No mercado de capitais o índice Bovespa segue mantendo o movimento de recuperação sem apresentar novidades. A superação dos 48.7k abriu espaço para continuação do movimento ascendente iniciado na região aleatória dos 45.8k, levemente acima da importante linha de suporte dos 44.9k.


Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones fechou em alta pelo quinto pregão consecutivo, renovando a máxima histórica, sem apresentar novidades.
  

Feliz Natal a todos e um ótimo Ano Novo!

12 comentários:

  1. Sempre acompanho suas análises, parabéns pela clareza e responsabilidade de relatar

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  2. FI,

    Feliz Natal para vc.

    Contamos com seus resumos em 2015.

    Abs.

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  3. Bem como estávamos prevendo - um equívoco da última ATA.
    Vamos esperar o próximo aperto e trabalhar da melhor forma possível com esses juros elevados.
    Grande abraço FI, que tenha ótimas festas e que continue sempre com essas excelentes analises.

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  4. FI, grato pelos seus textos. Sinto falta que não são mais frequentes. Sua visão sobre os acontecimentos financeiros sempre me acrescenta algo.
    Um grande ano novo para você e sua família.
    Abraço!

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    1. Obrigado!
      Desejo o mesmo para você e toda família.

      A propósito, muito bom o seu post sobre Gabriel Medina e a filosofia de um esporte que proporciona contato com a natureza, respeito às pessoas (tanto profissionais, quanto amadores) ao meio ambiente e, ainda, elevado estado de espírito.

      Abs,

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  5. FI, vc aposta em 1% numa cacetada só???

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    1. Não vejo essa necessidade no momento, já que o Banco Central sinalizou no Relatório de Inflação pretensão de manter o ritmo de 0,5 p.p. nas próximas reuniões. É uma ação preventiva, mas não pode perder o ritmo ou mesmo se limitar ao curtíssimo prazo.

      Abs, Feliz 2015!

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