segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Importações chinesas decepcionam mercado


A Administração Geral de Alfândegas informou nesta segunda-feira que as importações chinesas despencaram 6,7% no mês de novembro, na comparação com o mesmo período do ano anterior. As exportações subiram 4,7%.

Os números causaram uma grande decepção no mercado. Esperava-se aumento de 8,2% nas exportações e avanço de 3,9% nas importações, o que ainda assim já mostrava desaceleração sobre o mês de outubro.

A forte contração das importações chinesas pegou o mercado de surpresa. É o desempenho mais fraco desde a crise de 2008 (sem considerar a volatilidade provocada pelo Ano Novo Lunar, principal feriado no País). Consequentemente, os dados divulgados hoje alimentaram especulações de que o gigante asiático está enfrentando uma desaceleração mais forte do que o prognóstico que se tinha até ontem.

Por outro lado, os números aumentam a pressão para o governo chinês fazer mais e estimular o crescimento, principalmente no que se refere ao avanço nas medidas de estímulos monetários. O ciclo se iniciou no dia 21 de novembro.

Líderes do Partido Comunista chinês vão se reunir amanhã para discutir as estratégias a serem implementadas no próximo ano. Correm boatos no mercado de que alguns conselheiros influentes estão recomendando corte da meta de crescimento para 7% em 2015. As taxas de juros, meta de inflação e compulsório também podem ser reduzidas no primeiro trimestre do próximo ano.

Outro dado negativo vindo da Ásia reforçou o clima de aversão ao risco no mercado. Dados revisados do PIB (Produto Interno Bruto) japonês mostraram que a economia contraiu 0,5% no terceiro trimestre deste ano, na comparação com o segundo trimestre de 2014, superior à preliminar de 0,4%. Os números confirmaram recessão mais forte do que se esperava na economia japonesa. A expectativa do mercado era de contração de apenas 0,1% no PIB do terceiro trimestre.

Na Europa, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou a nota de crédito da Itália de BBB para BBB- (mesma nota do Brasil), devido ao fraco crescimento e baixa competitividade da indústria. Segundo a S&P, esses fatores prejudicam a sustentabilidade da dívida pública italiana.

A nova bateria de indicadores negativos atingiu em cheio as principais praças financeiras mundiais, com destaque aos países que apresentam maior vulnerabilidade (que é o caso do Brasil). Não apenas pela forte exposição ao mercado de commodities, mas, principalmente, pelo grande acúmulo de problemas domésticos nos últimos anos.

O Ibovespa tombou 3,3%, mostrando novamente um marubozu de baixa (sinalizando aumento da pressão vendedora, que já era dominante), aproximando-se da região de suporte fragilizada dos 48.8k.



Nos Estados Unidos o índice Dow Jones formou resistência na região psicológica dos 18k, após uma arrancada ininterrupta de mais de 2.000 pontos nos últimos 2 meses. Mercado sobrecomprado, trabalhando movimento natural de alívio.


13 comentários:

  1. FI, não temos lideres temos saqueadores. Nosso País está falindo?

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  2. E olha que a Dilma nem assumiu ainda, rs.

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  3. Do ponto de vista financeiro, não. A situação fiscal não é confortável, mas está longe de um default. Ainda temos combustível pra pegar o próximo retorno, e parece que o Levy conduzirá esta nova rota. Mas por outro lado existem outros pontos preocupantes que estão incomodando e muito. No que se refere à confiança, capacidade de gerenciamento dos recursos públicos, ética, ambiente de negócios e até mesmo a matriz energética (será que teria energia suficiente caso o crescimento esse ano fosse da ordem de 3%?), o Pais parece que está, sim, quebrando. Difícil encontrar uma nação no mundo com tantas oportunidades e recursos para crescer e se desenvolver de forma sustentável no médio e longo prazo, mas que não fez praticamente nada para aproveitar estes "benefícios" que muitos, por sinal, sonhariam em ter, porém fazem melhor do que nós com bem menos.

    Abs a todos e bons negócios

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  4. Olá FI,

    Nesse ambiente turbulento, está cada vez mais difícil saber onde colocar o dinheiro. Recebi, como muitos devem ter recebido, o décimo-terceiro salário há alguns dias e estou sem saber como investi-lo com o objetivo de retornos a longo prazo. A SELIC finalmente está num patamar decente outra vez, então pelo menos existe a opção de uma LFT ou CDB. O restante do Tesouro Direto está à beira do precipício, como muito bem colocado por você há algum tempo atrás, apenas esperando a alta dos juros americanos. Na bolsa, pelo menos eu fico com a sensação que não chegamos no fundo do poço ainda -- há muito o que se descobrir sobre as falcatruas na Petrobras, e se bobear, em outras estatais também, sem falar no crescimento nulo ou negativo desse ano que deve até piorar no ano que vem. FIIs, prefiro não mexer agora devido ao meu temor de bolha imobiliária, mas de resto os yields parecem estar bons. Também tenho pensado em um fundo cambial ou mini-contrato de dólar, pois imagino que o câmbio deve disparar por uma combinação de fatores internos é externos. Mas francamente isso me soa especulativo demais, considerando meus objetivos de retorno a longo prazo.

    Enfim, você teria algo a comentar a respeito para mim e outros leitores investindo para uma aposentadoria várias décadas adiante? Já deixo de antemão meu agradecimento e meus parabéns pela altíssima qualidade dos textos.

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  5. FI e Swine One: poderia linkar o post que tratou deste tema (ou, pelo menos, indicar a data do post): "O restante do Tesouro Direto está à beira do precipício, como muito bem colocado por você há algum tempo atrás, apenas esperando a alta dos juros americanos"?
    Grato,

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  6. Anônimo: http://www.financasinteligentes.com/2013/12/analise-e-projecoes-para-2014.html

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  7. Olá,

    Não diria que a Selic está num patamar descente, mas sim indecente, muito em função dos erros cometidos nos últimos anos. O trabalho de redução da taxa básica de juros a um dígito, de forma sustentável, começou no início da década passada. Os juros precisam ceder com a inflação na meta e crescimento perto do potencial, mas a gestão estabanada do primeiro mandato do governo Dilma colocou em risco todo esse trabalho/esforço de mais de uma década. Taxa de juros em dois dígitos beneficia o investidor, que deve aproveitá-la neste ambiente adverso, mas prejudica a economia. Em outras palavras, aproveitar significa encher o prato no pós-fixado, pois o almoço é grátis. Não deixa de ser uma posição defensiva relevante, pois o investidor ganharia mais com o crescimento sustentável da economia (e seus fundamentos positivos) do que com os juros altos. Além disso, é muito importante você aproveitar esse momento de almoço grátis para, também, trabalhar na construção do seu sistema operacional. Saber o que comprar (pré-fixado, câmbio e bolsa), quando comprar e quanto comprar. Saber como fazer a leitura correta do quadro macroeconômico, deixando de lado a imparcialidade de muitos analistas e sensacionalismo da mídia, para conseguir gerenciar e maximizar o retorno do seu portfólio e aproveitar eventuais oportunidades que o mercado volta e meia oferece. É um trabalho bem longo, mas extremamente essencial. Já com relação a essa sua afirmativa, "o Tesouro Direto está à beira do precipício", achei muito forte rsrs. Desculpe, mas não é essa a mensagem que deixei no texto. Inclusive o Tesouro Direto abriu boas oportunidades neste ano e em 2013 para fixar taxa no curto prazo. Já nos títulos de longo prazo a situação é diferente, em função da normalização das condições monetárias nos Estados Unidos e Inglaterra, inicialmente. De certa forma é um ambiente obscuro até para os banqueiros centrais nos próximos anos, pois nunca antes na história houve uma desalavancagem do sistema tão forte quanto a que precisam fazer. E não será algo que se faça "da noite para o dia", a primeira fase pode ser um trabalho de meia década.

    Abs e bons negócios a todos

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  8. SwingOne: grato pelo link.
    FI: bem, como você aventou em sua resposta, indago-lhe: para você, qual seria o momento interessante para começar a comprar pré-fixado? (óbvio que a resposta teórica seria "quando a SELIC parasse de subir e a situação do FED estivesse mais clara". Só que, aí, eu, você e todo o resto do mundo também tcomprariam pré e as taxas destes despencariam...A pergunta, pois, é mais sob o ponto de vista prático mesmo, você enquanto operador, feeling, etc).

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    1. Boa pergunta, porque a resposta não passa longe o óbvio que você colocou. Normalmente, no final dos ciclos de aperto monetário, os exageros na precificação dos preços já sumiram. O melhor momento para comprar pré-fixado é, portanto, nos exageros do mercado. Quando o clima de pessimismo é bastante alto. Isso pode acontecer tanto por fatores internos (aperto monetário, por exemplo) quanto por fatores externos (política monetária nos Estados Unidos, choques no mercado da dívida soberana na Europa, entre outros).

      Abs, bom final de semana

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    2. Correção:

      a resposta passa longe do óbvio* (desconsiderar o não)

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  9. FI,

    Em uma crise braba que está pintando acontecer, caso o índice replique o piso de 31mil de2008, seria certo pensar que várias ações estariam descontadíssimas ? Vejo algumas atualmente com P/VPA em torno de 4, mas outras boas empresas tem essa relação bastante descontada (abaixo de 1). É possível imaginar que elas cheguem a patamares bem baixos, do tipo 0,15 no caso, por exemplo, de alguns bancos ?!? Agradeço.

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    1. Olá,

      Não necessariamente. Essas pechinchas são raras, costumam surgir apenas nos períodos de crash. Acontece que a pontuação da bolsa não é fator determinante para detectar se o mercado está em pechincha ou não. O índice pode voltar lentamente para os 40k, por exemplo, sem apresentar uma correção aguda, respaldado pela deterioração gradual dos fundamentos das empresas (em função da taxa de juros mais alta, ambiente de negócios desfavorável, inflação pressionada, etc). Neste caso não haveria descasamento da parte técnica com a parte fundamentalista.

      Abs, bom final de semana

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    2. FI,

      Isto significa que, por exemplo, podemos ter o índice caindo a 31 mil pontos com alguns P/VPA permanecendo em patamares próximos aos atuais, exemplo BB a 0,8 ou 0,6 ? Obrigado.

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