segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O tombo do medo


A semana começou com o noticiário externo nada positivo. Logo no início da manhã, a agência de classificação de risco Moody’s rebaixou o rating do Japão em um degrau, de Aa3 para A1 (cinco níveis acima da nota mínima para grau de investimento) e manteve a perspectiva estável.

Daqui a duas semanas haverá eleição antecipada no País, onde o atual primeiro-ministro, Shinzo Abe, busca a reeleição para conseguir implementar suas políticas de estímulo econômico e adiar um aumento do imposto sobre vendas. A Moody’s alegou que essas medidas dificultarão o Japão de alcançar sua meta de equilibrar o orçamento até 2020.

O rebaixamento do Japão acelerou a procura por ativos mais seguros nas principais praças financeiras mundiais. Dólar contra cesta de moedas globais segue trabalhando próximo da máxima do ano e a taxa de juros do título de 10 anos do Tesouro norte-americano voltou a encostar na mínima do ano.

As commodities também foram penalizadas com indicadores mostrando desaceleração da atividade manufatureira na zona do euro. O Índice Gerente de Compras despencou para 50,1 pontos no mês de novembro, nível mais baixo desde junho de 2013. Na China, o Índice Gerente de Compras caiu de 50,4 pontos em outubro para 50 pontos em novembro, nível mais baixo dos últimos seis meses.

Dados da balança comercial brasileira divulgados hoje confirmam nossa vulnerabilidade. O déficit de 2,350 bilhões de dólares em novembro é o pior resultado da história para o mês e o maior déficit mensal em 2014. No acumulado deste ano, o déficit da balança comercial saltou para 4,221 bilhões de dólares, o pior resultado para o período de janeiro a novembro desde 1998 (ano que antecedeu o super ciclo de alta das commodities).

Além do quadro externo negativo, o mercado interno foi duramente abatido por especulações em torno da volta da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), possível implementação de tributação de dividendos e extinção de JCP (Juros Sobre Capital Próprio).

São três propostas absurdas. O governo não precisa voltar com a CPMF para conseguir reequilibrar as contas, mas infelizmente o seu retorno parece estar ganhando força nos bastidores. A tributação dos dividendos e extinção do JCP é um projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados. A proposta é polêmica, barra na questão da dupla tributação, mas ainda assim preocupa todos os empresários e investidores no Brasil.

O índice Bovespa tombou 4,47%, sinalizando total desaprovação do mercado frente às especulações citadas nos dois parágrafos anteriores. O marubozu desta segunda-feira mostra intensificação da força vendedora no curtíssimo prazo, ameaçando a tendência de alta de curto prazo iniciada na região dos 48.8k.


Ainda nesta segunda-feira, a Presidência da República informou em nota a nomeação do senador Armando Monteiro Neto para ocupar o cargo no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Monteiro disse em entrevista coletiva que as grandes empresas do País devem buscar alternativas ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) como fonte de captação de recursos para investimentos e defendeu reformas microeconômicas para melhorar o ambiente tributário e regulatório.

O novo ministro também defendeu a renovação do parque fabril brasileiro, um novo arranjo institucional que estimule a inovação e o estabelecimento de metas claras para medir o avanço da competitividade no País. São propostas excelentes e, talvez, otimistas demais. Difícil vislumbrar margem de manobra para que todas elas sejam implementadas.

6 comentários:

  1. Será que vai sobrar algo até 2018? hueheuehue

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    1. O Brasil mostrou nos últimos 12 anos ser bastante resiliente, tanto é que aguentou até uma "organização criminosa" dentro do próprio Planalto, como disse o Senador Aécio... Mas, um dia tudo desaba!

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    2. Acho que não. Sai um, entra outros dois. A única forma de diminuir a corrupção (acabar é impossível) é reduzir o tamanho do Estado.

      Abs, bons negócios a todos

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  2. FI, em relação ao TD, o que acha das LTNs com vencimento em 01/01/2017 e 01/01/2018?

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    1. Melhor focar na LTN 2017. Ficar atento à curva de juros futuros, que está muito volátil. Nas disparadas das últimas semanas/meses tem apresentado oportunidades de compras parciais.

      Abs, bons negócios

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    2. Grato. Mas onde obtenho a curva de juros futuros devidamente plotada?

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