quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

“Totozinho” no acelerador


A reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) terminou agora pouco atendendo as expectativas do mercado. A taxa básica de juros subiu 0,50 p.p., para 11,75% ao ano. O Banco Central intensificou o aperto monetário, confirmando o discurso mais duro com relação à inflação feito pelo presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, na semana passada.

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton, também sinalizou, em meados de novembro, que a instituição poderia intensificar o ritmo de aperto monetário. Hamilton havia afirmado que “o Copom não será complacente com a inflação. Se necessário for, no momento certo, o comitê poderá recalibrar sua ação de política monetária de modo a garantir a prevalência de um cenário benigno para a inflação nos próximos anos."

Entretanto, o comunicado emitido após a reunião de Comitê foi polêmico. Segue abaixo:

“O Copom decidiu, por unanimidade, intensificar, neste momento, o ajuste da taxa Selic e elevá-la em 0,50 p.p., para 11,75% a.a., sem viés.

Considerando os efeitos cumulativos e defasados da política monetária, entre outros fatores, o Comitê avalia que o esforço adicional de política monetária tende a ser implementado com parcimônia.”

No primeiro parágrafo pode-se notar a presença da expressão “neste momento”, com destaque entre as vírgulas, com objetivo de frisar que a intensificação do aperto monetário é temporária e, muito provavelmente, o ritmo deverá ceder para aumento de 0,25 p.p. na próxima reunião de Comitê.

No segundo parágrafo o Banco Central utilizou a palavra parcimônia para reforçar a sinalização da expressão “neste momento” presente no parágrafo anterior.

Em outras palavras, o comunicado mostra que o Banco Central deu apenas um “totozinho” no acelerador do automóvel. A intenção não é correr, mas sim fazer barulho.

O barulho é necessário para manter a estratégia, em curso, de reconquista da confiança do mercado na política monetária. Juros mais elevados criam choques de credibilidade e, além disso, sinalizam um Banco Central diferente no segundo mandato da presidente Dilma. Mostram uma autoridade monetária mais comprometida com a política de metas de inflação.

No mercado de capitais o índice Bovespa fechou o pregão em alta de 1,37%, trabalhando um movimento de alívio após as seguidas quedas registradas desde a formação da nova resistência na região dos 57.4k.


O respiro desta quarta-feira ainda é insuficiente para reverter a tendência de baixa iniciada na semana passada. Destaque para agenda pesada desta semana (tanto interna, quanto externa) com alto potencial de impacto sobre os preços nos próximos pregões.

Na Europa, as principais praças financeiras fecharam mais um pregão em alta. Há grande expectativa no mercado quanto à reunião do BCE (Banco Central Europeu) que termina amanhã. Espera-se anúncio de mais estímulos, em resposta à manutenção da deterioração dos indicadores econômicos na zona do euro.

Já os principais índices de Wall Street renovaram, mais uma vez, suas respectivas máximas históricas, mantendo inalterada a tendência de alta de curto, médio e longo prazo sem apresentar novidades.


6 comentários:

  1. FI, pode ser que o bacen esteja esperando quais medidas de fato a fazenda vai conseguir fazer para saber ate aonde a alta da selic vai. Esse cenario brasileiro esta a cada dia mais complicado. Bom post

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    1. Concordo. Existe uma forte sinalização de que a política fiscal vai se deslocar na mesma direção da política monetária. A confirmação deste quadro será ótimo para o Banco Central.

      Abs, bom final de semana

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  2. O BC só fez isso como cortina de fumaça para o que foi feito no plenário! Foi so para minimizar o impacto no mercado!

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    1. Acho que o Banco Central está tentando recuperar sua credibilidade, pois cumprir a meta com o fiscal atuando na contra mão, e com uma política econômica totalmente desregulada, é uma missão praticamente impossível. O último ciclo de aperto monetário mostrou significativa ineficiência. A taxa Selic subiu 3,75 p.p. e a inflação sequer esboçou trajetória de recuo. Isso mostra que existe um componente importante causador da inflação pelo lado da oferta e, neste caso, não adianta subir muito a taxa Selic, mas sim trabalhar para melhorar o ambiente de negócio no País. Provavelmente este ciclo de aperto monetário adicional iniciado na reunião de outubro vai causar impacto muito pequeno na inflação. Entretanto, manter a taxa Selic em dois dígitos é importante para encarar os períodos de turbulência externa à frente. O rublo já sucumbiu (Putin não contava com isso). Lembrando que a Rússia sofre com as sanções, mas houve peso dos problemas internos, que são semelhantes aos nossos. Então acho que o objetivo implícito do Banco Central neste ciclo de aperto monetário é conseguir encontrar o patamar de juros necessário para segurar o capital aqui no processo (que tende a ser longo) de regularização das condições monetárias nos Estados Unidos e Inglaterra, inicialmente.

      Abs, bom final de semana

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  3. FI, para você, ao final do 1º semestre de 2015, em quanto estará a SELIC e o dólar?

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    1. Não tenho a menor ideia rs... E acho que nem o Tombini e o Levy não se arriscariam a dar um número, pois até a primeira metade de 2015 teremos eventos de grande relevância com potencial de impacto nas principais praças financeiras mundiais. E neste período estaremos passando, também, por reavaliação no rating (que, na minha avaliação, tende a ser mantido), crescimento baixo, inflação doméstica pressionada, preços de commodities achatados, câmbio estressado, dívidas soberanas mais voláteis e sabe-se lá quais surpresas irão aparecer naquela gaveta do ministério da Fazenda rs... Ingredientes demais para um mercado que precisa se preparar para redução da liquidez global.

      Abs, bom final de semana

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