sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Sell-off atinge todas as praças financeiras do planeta


Influenciado pelo noticiário predominantemente negativo dos mercados emergentes, um significativo movimento de vendas de ativos, ou simplesmente sell-off, atingiu as principais bolsas de valores mundiais durante este mês de janeiro.

Os mercados das praças desenvolvidas acompanharam a pancadaria observada nas praças emergentes por conta de seus respectivos elevados níveis de sobrecompra. Estava faltando um bom motivo para motivar investidores/operadores de Wall Street a embolsarem pelo menos parte dos volumosos lucros conquistados nos últimos meses/anos.

O índice Dow Jones despencou 5,3% em janeiro, marcando o seu pior desempenho mensal desde maio de 2012. O marubozu de baixa confirmou topo na região dos 16.6k e sinaliza que novas quedas poderão surgir nos próximos meses.


O índice S&P500 caiu 3,6% em janeiro, também marcando o seu pior desempenho mensal desde maio de 2012. Em situação técnica semelhante, o índice poderá retornar para dentro do seu antigo canal de alta, iniciado em março de 2009. Não há regiões de suporte relevante até a linha dos 1.5k (antigo topo histórico).


As bolsas também despencaram na Europa, encerrando o mês de janeiro com a maior perda mensal desde junho do ano passado. Na Alemanha, o índice DAX confirmou topo na região dos 9.8k e poderá retornar para a região dos 8.5k nos próximos meses.


Na Inglaterra, o índice FTSE confirmou topo na região da máxima histórica e poderá retornar para a LTA, iniciada em março de 2009, nos próximos meses.
  
  
Até mesmo a bolsa de Tóquio, no Japão, movida pelos estímulos monetários do BoJ (Banco Central do país) fechou o mês de janeiro em forte queda, repercutindo o sell-off nas principais praças financeiras mundiais. Mercado sobrecomprado e com bastante espaço para manter o movimento de realizações de lucros nos próximos meses.


Na China a bolsa de Xangai fechou o mês em queda, colada na principal linha de suporte de curto e médio prazo na região dos 2k. Mercado permanece vendido em prazos curtos e longos, sem perspectiva positiva para o médio e longo prazo.


Na Índia a bolsa de Bombay fechou o mês de janeiro marcando topo na região da máxima histórica, ameaçando a linha de suporte dos 20.2k. A perda deste patamar de sustentação jogará o índice para testar a LTA de 2009.


A bolsa do México também despencou no mês de janeiro, ameaçando rompimento da importante LTA de 2009.


No Brasil o índice Bovespa cedeu 7,5% no mês de janeiro, iniciando rompimento da LTA de 2002. O terceiro mês consecutivo de queda, representado por um candle de força relevante, mostra aumento de força da tendência de baixa iniciada na região dos 56.7k, deixando o mercado nacional vulnerável aos movimentos de pânico nos próximos meses.


Repiques podem surgir nas próximas semanas, mas a sinalização observada nos gráficos sugere manutenção do movimento corretivo nos próximos meses em todas as praças financeiras mundiais.

Bom final de semana a todos vocês e até segunda!

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

FED corta mais 10 bilhões


Numa decisão unânime, os diretores do Comitê de Política Monetária do FED (Federal Reserve - Banco Central dos Estados Unidos) decidiram, nesta quarta-feira, realizar mais um corte de 10 bilhões de dólares em seus programas de estímulos monetários.

A partir de fevereiro, a autoridade monetária vai comprar 30 bilhões de dólares em títulos do Tesouro norte-americano (mais conhecida como Operação Twist) e 35 bilhões de dólares em ativos hipotecários (mais conhecida como quantitative easing 3), totalizando, portanto, uma descarga de 65 bilhões de dólares na economia e no mercado financeiro.

A decisão não surpreendeu. O novo corte de 10 bilhões de dólares era amplamente esperado pelo mercado. O Banco Central reconheceu nesta reunião que "a atividade econômica ganhou fôlego nos trimestres recentes", fato que reforça a expectativa do mercado quanto ao aumento do ritmo de fortalecimento da economia norte-americana.

Além disso, o Comitê decidiu manter a promessa de manter os juros próximos de zero por um período de tempo suficientemente prolongado após a taxa de desemprego norte-americana cair abaixo de 6,5%. Atualmente o desemprego nos Estados Unidos atinge 6,7% da população economicamente ativa. Vale ressaltar que a promessa está condicionada à permanência da taxa de inflação, atualmente em 1,5%, abaixo da meta de 2% do Banco Central.

A ausência de surpresas e/ou informações novas/relevantes nesta reunião do FED remete as atenções dos investidores e operadores aos mercados emergentes. Na noite desta terça-feira, o Banco Central da Turquia subiu abruptamente a taxa para empréstimos de sete dias, de 4,5% para 10,0%, que agora passou a ser a principal linha para oferecer liquidez ao mercado. A taxa de concessão de empréstimos no overnight, que antes era o referencial, saltou de 7,5% para 12,0%.

O mercado acordou nesta quarta-feira com otimismo, reagindo à decisão surpreendente na Turquia. Mas a calmaria durou pouco. O clima de tensão voltou a predominar nas principais praças financeiras mundiais após o Banco Central da África do Sul também elevar inesperadamente a taxa básica de juros em 0,5 ponto porcentual, para 5,5%.

Gill Marcus, presidente do Banco Central sul-africano, disse que as recuperações econômicas nos Estados Unidos e no Reino Unido não mostram que a crise financeira global chegou ao fim. Na verdade, segundo Marcus, a crise financeira global está entrando numa nova fase, criando novos desafios para as economias emergentes. O presidente do Banco Central ainda disse que a depreciação do câmbio sul-africano vai elevar significativamente o risco para a perspectiva de inflação, mesmo num quadro de demanda interna mais fraca.

A declaração do presidente do Banco Central da África do Sul fortalece o discurso de outros importantes banqueiros centrais de países emergentes (principalmente os mais vulneráveis) nos últimos dias, incluindo o Brasil. Pode-se observar uma certa semelhança nos problemas que estas economias estão enfrentando, que pouco tem a ver com o tapering (redução gradual no volume dos programas de estímulos monetários) nos Estados Unidos.

Os países que estão sofrendo com uma depreciação maior na taxa de câmbio apresentam taxas de inflação elevadas, deterioração das contas públicas e déficits em transações correntes. A inflação, em especial, é um problema crônico, pois enfraquece o valor dos ativos e desanima os investidores, alimentando a fuga de capitais.

José Vinals, diretor do Departamento de Mercados e Capitais Financeiros do FMI (Fundo Monetário Internacional) disse que os Bancos Centrais dos países emergentes devem combater urgentemente a inflação, mas para isso é necessário que essas instituições desfrutem de uma independência não observada hoje em algumas praças.

Vinals também pediu às nações emergentes que cuidem do endividamento excessivo. O governo brasileiro, como de costume, segue ignorando os inúmeros alertas recebidos nos últimos meses/anos. Nesta quarta-feira o Tesouro Nacional divulgou mais um dado preocupante. A dívida pública federal fechou 2013 em 2,12 trilhões de reais. O número é um novo recorde histórico e representa uma alta de 5,72% frente ao ano anterior. Como o governo parece continuar achando que dinheiro dá em árvore, a meta para a dívida este ano foi definida entre 2,17 trilhões a 2,32 trilhões de reais.

No mercado de capitais o índice Bovespa fechou o pregão desta quarta-feira em baixa de 0,59%, mostrando uma reação após testar a linha de suporte na região dos 49.2k. Embora sobrevendido, mercado ainda em tendência de baixa, na tentativa de engatar um movimento de repique de curtíssimo prazo.


Destaque para o Bank of America Merril Lynch, que emitiu um relatório colocando o mercado de ações brasileiro como um piores do mundo, devido ao baixo potencial de valorização nos preços dos ativos.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones cedeu 1,19%, colado na linha de suporte dos 15.7k. A perda deste importante patamar de sustentação poderá jogar o índice para testar a média móvel simples de 200 períodos diária.


terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Banco Central da Turquia cede à pressão dos mercados


Seis dias após a realização da última reunião de Comitê, o Banco Central da Turquia voltou a se reunir hoje, nesta terça-feira, em caráter emergencial para tentar frear o pânico no mercado local.

A decisão de política monetária do último dia 22 de janeiro gerou um aumento significativo do clima de pessimismo e provocou uma fuga de capitais da praça turca. O Banco Central optou por não subir sua taxa básica de juros em meio às pressões políticas. A medida impopular (aperto monetário) afetaria ainda mais a imagem do governo, já bastante deteriorada devido aos casos de corrupção.

O imobilismo do Banco Central (manutenção da política monetária) frente à disparada da inflação local causou uma disparada do dólar contra a lira turca, forçando sua própria intervenção no mercado de câmbio pela primeira vez nos últimos dois anos. Não gerou resultado. O movimento de depreciação da moeda turca continuou nos dias seguintes, forçando a marcação de uma nova reunião de Comitê, em caráter emergencial (fora do calendário).

Muito provavelmente a taxa básica de juros será elevada nesta terça-feira, na tentativa desesperadora de se frear o fluxo de saída de capitais através do aumento de atratividade dos ativos turcos. Por conta do caráter emergencial, o aumento da taxa básica de juros deverá ser superior ao que se podia esperar na reunião da semana passada, quando a autoridade monetária acabou não fazendo nada.

Numa única tacada o Banco Central da Turquia poderá subir a taxa básica de juros em dois pontos percentuais ou mais. Aumentos emergenciais são normalmente abruptos devido à necessidade de se causar impacto relevante no mercado, restaurando parte da confiança dos investidores/operadores.

O Banco Central da Turquia cedeu à pressão dos mercados. Outros banqueiros centrais de países emergentes podem acabar fazendo o mesmo caso permaneçam relutantes em subirem seus respectivos prêmios de risco (leia-se taxa de juros) frente aos desafios internos e/ou normalização das condições monetárias nos países desenvolvidos.

Observando os acontecimentos recentes no mercado turco, os diretores do Comitê de Política Monetária do Banco Central da Índia decidiram elevar nesta terça-feira a taxa básica de juros para 8% ao ano. O aperto monetário não era esperado pelo mercado. Além de combater a inflação local, também elevada, a medida visa minimizar o risco de fuga de capitais da praça indiana. Em seu comunicado, a autoridade monetária destacou o risco potencial de contágio no mercado financeiro.

Alexandre Tombini, presidente do Banco Central do Brasil, disse em entrevista ao Financial Times que “a elevação das taxas de juros em mercados desenvolvidos atuaria como um aspirador de pó sugando o dinheiro dos mercados emergentes e exigindo taxas de juros domésticas mais altas”.

Esta foi a primeira vez que o presidente do Banco Central do Brasil comenta sobre o que chamo de bull market das taxa sde juros globais. As declarações de Tombini reforçaram a mensagem (também nova) presente na última ata de reunião do Copom, onde o Banco Central considera elevado o risco à estabilidade financeira global provocado pelos “derivados de mudanças na inclinação da curva de juros em importantes economias maduras”.

Isso mostra que, ao menos por enquanto, não existe meta nem teto para a taxa Selic, daqui pra frente, bastante dependente das condições macroeconômicas.

No mercado de capitais o índice Bovespa abriu o pregão desta terça-feira em forte alta, influenciado por uma possível resposta positiva na Turquia, fruto da marcação da reunião extraordinária do Banco Central. Mas como o clima ainda está pesado, o movimento não encontrou força de sustentação durante o pregão e foi barrado pelo ponto de pivot (caracterizando pullback) na região dos 48.4k.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones trabalha um movimento de repique natural após se aproximar da importante linha de suporte localizada na região dos 15.7k. O mercado segue atento à reunião de Comitê do FED (Banco Central norte-americano), que termina na quarta-feira.


sábado, 25 de janeiro de 2014

Discurso bonito e promessa de campanha não engana investidor


Quem chega atrasado à sala de aula, perde o melhor lugar. Quem chega atrasado à estação de ônibus/trem, viaja em pé. Quem chega atrasado ao teatro, senta nos fundos. Quem chega atrasado à entrevista, perde o emprego. Quem chega atrasado à reunião, perde o negócio. E quem chega atrasado em Davos, perde o que? Credibilidade.

A presidente Dilma Rousseff chegou três anos atrasada em Davos, na Suíça. Subestimou a importância do maior Fórum Econômico Mundial em 2011, 2012 e 2013. Durante estes três anos a presidente optou por atacar as políticas econômicas dos países desenvolvidos, destratar os investidores e culpar o mercado pelo nosso fracasso. Atitude de mau perdedor.

A inclusão do Brasil no “seleto” grupo das economias mais vulneráveis do planeta não passa de uma consequência da alta ineficiência administrativa do atual governo. A culpa é toda nossa por continuarmos proporcionando um péssimo ambiente de negócios, infraestrutura deficitária, excesso de burocracia, carga tributária elevada, baixo nível de educação, inflação persistentemente elevada e distante do centro da meta (4,5%), crescimento medíocre (abaixo da média de países emergentes e da média do PIB global), rápida deterioração da política fiscal, insistência em estratégias equivocadas de política econômica e crescente perda de confiança e credibilidade entre investidores, empresários, instituições e agências de rating.

Dilma rebateu críticas direcionadas aos mercados emergentes e tentou vender o Brasil aos investidores e empresários nervosos/insatisfeitos com a situação do nosso cenário interno. Mas com a credibilidade baixa e uma pilha de sujeira de baixo do nosso tapete, o Fórum Econômico Mundial não tem muito a oferecer. Discurso bonito e promessa de campanha não engana investidor. Vamos ganhar um até logo e um tapinha nas costas. “Se pretende angariar alguns dólares, faça uma parte do seu dever de casa e esteja aqui no ano que vem.”

Curiosamente, enquanto a presidente discursava no Fórum Econômico Mundial, acontecia uma tempestade nos mercados financeiros, atingindo principalmente as praças emergentes mais vulneráveis. As moedas locais se depreciaram rapidamente nos últimos dias, os Yields (taxas de juros) dos títulos da dívida soberana dispararam e as ações despencaram na bolsa, mostrando que alguns investidores estão pulando fora dos mercados mais sensíveis ao tapering (redução gradual no volume dos programas de estímulos monetários) nos Estados Unidos e a perda do ritmo de crescimento na China.

Este último merece atenção especial. O dado preliminar do Índice Gerente de Compras recuou de 50,5 pontos em dezembro para 49,6 pontos em janeiro, revelando a primeira contração dos últimos seis meses. O indicador mostrou que o setor manufatureiro chinês está sim sofrendo impacto do aumento dos custos da mão de obra no país e das flutuações cambiais (que tornam seus produtos menos competitivos no exterior). Em 2013, o yuan se valorizou 7% em relação ao dólar.

Esses dados aumentaram o desconforto dos investidores com o Brasil. O receio é de que uma desaceleração na China possa criar ainda mais problemas aos países que fornecem matérias-primas para o gigante asiático.

O déficit de 81,37 bilhões de dólares na conta corrente brasileira em 2013 (maior rombo em mais de seis décadas) mostra que o capital está fazendo as malas, fugindo para outras praças menos vulneráveis. O CDS brasileiro (credit default swaps, mais conhecido como risco Brasil, título que mede a probabilidade de calote dos títulos da dívida emitida por empresas e governo) praticamente dobrou em 12 meses, passando de 108 em janeiro do ano passado para 193 neste mês.

Esses novos números causam grande preocupação. Com o fluxo de saída de dólares superando o fluxo de entrada, a depreciação da taxa de câmbio continuará aumentando, pressionando ainda mais a inflação doméstica persistentemente elevada. Já a forte elevação do nosso CDS anula o efeito de atratividade dos ativos brasileiros provocado pela subida da taxa Selic. Mesmo oferecendo um rendimento melhor, os títulos da dívida soberana não são capazes de atrair mais capital para o Brasil, já que o risco tem aumentado numa proporção superior ao retorno dos ativos.

Não vai ser fácil reverter esta perigosa espiral. Davos não vai resolver o problema do Brasil que chegou atrasado. Precisamos atrair investimentos, falando menos e trabalhando mais. Lamentavelmente o governo continua insistindo em falar demais, adotando discursos fora da realidade, e fazer de menos.

No mercado de capitais o índice Bovespa fechou em baixa pela quarta semana consecutiva, levemente abaixo de sua principal região de sustentação de curto e médio prazo, formada pela LTA de 2002 e suporte dos 48k.


Repiques de curtíssimo prazo poderão surgir nos próximos pregões por conta da elevação dos níveis de sobrevenda, mas a tendência de baixa iniciada na região dos 56.7k está ganhando força com a abertura das bandas de bollinger. São pequenas as possibilidades de fundo e reversão nesta região dos 48k.

O mercado mexicano, que também apresenta vulnerabilidades, embora em menor grau, fechou a semana em queda aproximando-se de sua principal linha de suporte de curto e médio prazo na região dos 250 pontos, coincidindo com a passagem da média móvel simples de 200 períodos semanal.


Já os ativos indianos não foram afetados pela tempestade nos mercados financeiros. A Bolsa de Bombay fechou em alta pela segunda semana consecutiva, impulsionada por fatores técnicos, trabalhando o rompimento de sua máxima histórica.


O mesmo aconteceu com a bolsa de Xangai que conseguiu subir forte na semana, impulsionada pela importante linha de suporte na região dos 2.000 pontos.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones cedeu forte na semana, confirmando topo na região dos 16.6k. A importante região de suporte na casa dos 15.6k deverá ser testada nos próximos pregões, onde o seu rompimento poderá prolongar a tendência de baixa de curtíssimo prazo.
  
  
Na Alemanha o índice DAX também cedeu forte na semana, confirmando topo na região dos 9.8k. Mercado bastante sobrevendido e com espaço de sobra para manutenção do movimento corretivo de curtíssimo prazo, podendo se estender para prazos maiores sem afetar a tendência de alta de médio e longo prazo.


A bolsa de Londres despencou nesta semana após uma nova tentativa de superação da máxima histórica. A sinalização de venda poderá jogar o índice de volta à LTA de 2009.


Bom descanso a todos e até segunda!

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Avaliação da ata do Copom


A ata do Copom divulgada hoje não mostrou novidades relevantes quanto à estratégia de política monetária a ser exercida no curto prazo. O Banco Central continua propenso a reduzir o atual ritmo de aperto monetário, de 0,5 p.p. para 0,25 p.p. Por outro lado os diretores do Copom (Comitê de Política Monetária) realizaram alterações significativas (à política monetária) para o cenário econômico interno e externo.

O primeiro e grande destaque do Banco Central refere-se ao que chamo de bull market das taxas de juros a nível global, destacado na Análise e Projeções para 2014, realizada no dia 20 de dezembro de 2013. Pela primeira vez o Copom mencionou na ata que “os derivados de mudanças na inclinação da curva de juros em importantes economias maduras” constituem riscos elevados para a estabilidade financeira global.

O tema foi colocado de forma sutil a fim de se evitar impactos antecipados de curto prazo no mercado financeiro. O reconhecimento na mudança da inclinação da curva de juros por parte da autoridade monetária constitui o primeiro indicativo de que a taxa Selic deverá acompanhar a nova inclinação da curva, como se podia esperar, praticamente antecipando a possibilidade de ocorrência de novos ciclos de aperto monetário no médio prazo.

Ratificando sua tese para a curva de juros, os membros do Comitê estão mais otimistas com a recuperação da economia global. As perspectivas para atividade econômica mundial foram alteradas de moderada para “mais intensa”. Com uma retomada mais forte do crescimento, a inflação global, atualmente muito baixa, voltará a subir, provocando uma resposta (aperto) dos banqueiros centrais.

No vigésimo primeiro parágrafo da ata o Banco Central incluiu alterações relevantes às variáveis que afetam a demanda doméstica, criando, portanto, mecanismos para justificar uma redução no ritmo de aperto monetário nos próximos meses. Anteriormente os membros do Comitê projetavam ritmo de atividade doméstica “mais intenso”. Esta avaliação mudou para “relativamente estável em comparação a 2013”, pois o Banco Central identificou mudanças na composição da demanda e da oferta agregada.

“Para o Comitê, entretanto, delineia-se ambiente em que o consumo tenderia a continuar em crescimento, porém, em ritmo mais moderado do que o observado em anos recentes; e os investimentos ganhariam impulso. No que se refere ao componente externo da demanda agregada, o cenário de maior crescimento global, combinado com a depreciação do real, milita no sentido de torná-lo mais favorável ao crescimento da economia brasileira. Pelo lado da oferta, o Comitê avalia que emergem perspectivas mais favoráveis à competitividade da indústria e da agropecuária e que, no horizonte relevante para a política monetária, o setor de serviços tenderia a crescer a taxas menores do que as registradas em anos recentes. É plausível afirmar que esses desenvolvimentos – somados a avanços em termos de qualificação da mão de obra – traduzir-se-ão numa alocação mais eficiente dos fatores de produção da economia e em ganhos de produtividade”.

O trecho citado no parágrafo anterior é novo, ou seja, não estava presente nas últimas atas de reuniões do Copom. Entende-se que pela avaliação do Banco Central, o crescimento mais moderado do consumo, a retomada dos investimentos e do crescimento (puxado pelo cenário externo), criarão condições para o arrefecimento dos índices de preços. Mas o Comitê ressaltou na ata que a “velocidade de materialização das mudanças acima citadas e dos ganhos delas decorrentes depende do fortalecimento da confiança de firmas e famílias”.

O grande problema está justamente no processo de retomada da confiança (normalmente longo), não destacado na ata, já que o governo continua atuando na ponta contrária, provocando, cada vez mais, deterioração na percepção das instituições, investidores, empresários e consumidores.

Outra alteração sutil pode ser observada na avaliação da política fiscal. Anteriormente o Comitê enxergava “condições para que, no horizonte relevante para a política monetária, o balanço do setor público se desloque para a zona de neutralidade”. O trecho entre aspas foi mantido, porém não mais sobre uma avaliação do ponto de vista do Comitê, mas sim por uma variável presente no cálculo do cenário central traçado para a inflação. Esta é uma forma de isentar a opinião dos membros quanto ao rumo da política fiscal, que parece ser contrária à variável fiscal presente no cálculo da inflação.

Na prática, não faz o menor sentido retirar a menção ao Comitê sobre o rumo da política fiscal, notadamente expansionista, transferindo-a para o cálculo do cenário central para a inflação. Os responsáveis pelos manejos das variáveis presentes no cálculo da inflação são justamente os membros do Comitê. Ou será que alguém “de fora” está sugerindo a classificação de neutralidade na importante variável fiscal para o cálculo da inflação?

Ainda com relação à polêmica fiscal, o Banco Central acrescentou o seguinte trecho ao final do parágrafo: “Importa destacar, também, que a geração de superavit primários em patamares próximos à média dos gerados em anos mais recentes contribuiria para diminuir o custo de financiamento da dívida pública, com repercussões favoráveis sobre o custo de capital de modo geral, o que estimularia o investimento privado no médio e no longo prazo”.

Esta avaliação é controversa e perigosa, pois a geração de superávit primários nos anos anteriores foi alcançada com o uso de artifícios contábeis/receitas extras e não, necessariamente, por uma consequência da economia de gastos. Por este motivo o endividamento do governo aumentou, tal como o custo para captação de recursos/rolagem da dívida no mercado (vide alta expressiva dos bônus exigidos pelos investidores), o que desestimula o investimento privado.

Com relação ao mercado de trabalho, o Banco Central mostrou uma avaliação menos pessimista ao acrescentar que a concessão de reajuste para o salário mínimo este ano não foi tão expressiva quanto nos anos anteriores e que nos últimos trimestres as variações reais de salários foram mais condizentes com as estimativas de ganhos de produtividade do trabalho. Este é mais um indicativo que reforça a possibilidade de redução no ritmo de aperto monetário na próxima reunião do Copom.

O Banco Central utilizou o termo “tem se mostrado ligeiramente acima daquela que se antecipava”, referindo-se a elevada variação dos índices de preço, no parágrafo que justifica o aumento de 0,5 p.p. nesta reunião dos dias 14 e 15 de janeiro. Para reforçar a demonstração de que este aumento foi um caso à parte (projetava-se 0,25 p.p. na mesa), o Banco Central trocou a expressão “nesse contexto” para “dessa forma”, no trecho onde os diretores entendem ser “apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso”, corroborando para uma decisão de momento (curto prazo, como resposta ao nível psicológico atingido pelo IPCA de dezembro).

Estes indícios comprovam que o Banco Central trabalha realmente com a intenção de reduzir o ritmo de aperto monetário (de 0,5 p.p. para 0,25 p.p.) demonstrada pela primeira vez na ata da reunião dos dias 26 e 27 de novembro do ano passado com o acréscimo do trecho “ao mesmo tempo, o Comitê pondera que a transmissão dos efeitos das ações de política monetária para a inflação ocorre com defasagens” na parte da ata que delibera as variáveis importantes que influenciarão as decisões futuras de política monetária. O start deste novo ciclo sofreu apenas um pequeno atraso.

Vale ressaltar que as novas projeções para inflação de 2014, traçadas neste mês de janeiro a partir do novo cenário de referência (manutenção da taxa de câmbio em R$ 2,40 e da taxa Selic em 10,00% ao ano em todo o horizonte relevante), aumentaram em relação ao valor considerado na última reunião. Para 2015 a projeção continua acima da meta, mas os diretores do Comitê optaram por não informar ao mercado se houve aumento ou redução em relação ao último número divulgado no Relatório Trimestral de Inflação. Neste documento, a inflação já estava batendo nos 5,6% em 2014 e 5,4% em 2015.

Por fim, deve-se destacar que as projeções foram calculadas levando em consideração, durante todo o ano de 2014, a estabilidade nos preços da gasolina e do gás de bujão, elevação de 7,5% na tarifa residencial de eletricidade, estabilidade da tarifa de telefonia fixa e projeção de reajuste para o conjunto de preços administrados em 4,5%.

No mercado de capitais os preços dos ativos foram afetados por mais uma onda de pessimismo provocada pela primeira contração da atividade industrial da China em seis meses. A prévia do Índice Gerente de Compras caiu de 50,5 pontos em dezembro para 49,6 pontos em janeiro, mostrando mais um escorregão da indústria chinesa.

O movimento de queda no Brasil ocorreu em maior intensidade refletindo as duras críticas direcionadas à política econômica brasileira por parte da Pimco (Pacific Investment Management Company, uma das maiores gestoras de recursos no mundo, líder no segmento de renda fixa), num relatório divulgado nesta quinta-feira.

Na semana passada mostrei que a gestora havia perdido a paciência com o Brasil ao reduzir significativamente sua exposição em ativos brasileiros (de 4,18% da carteira para 3,27%). A movimentação não aparentava ser um simples movimento de acerto de portfólio. Levando em consideração a limitação de liquidez do nosso mercado, a Pimco foi bastante agressiva ao conseguir retirar mais de 2,3 bilhões de dólares do Brasil num curto período de tempo.

No relatório divulgado hoje, Michael A. Gomez, co-responsável pela equipe de gestores do portfólio de emergentes da Pimco, avaliou que o clima para investimentos no Brasil foi caracterizado em 2013 por qualquer coisa menos "Ordem e Progresso", numa alusão à mensagem na bandeira nacional.

Segundo Gomez, “o Brasil precisa ancorar a política econômica sob uma rigorosa e crível meta de superávit primário, em vez de executar o mix atual de política fiscal expansionista, empréstimos públicos subsidiados e política monetária cada vez mais apertada”.

O executivo do alto escalão da Pimco ainda ressaltou que “a régua subiu para que as autoridades brasileiras mostrem progresso em restabelecer um mix de políticas para atrair investimentos, restaurar confiança e entregar um robusto crescimento com inflação moderada. Sem isso, a perspectiva de ordem no mercado financeiro brasileiro é menos garantida”.

Gomes recomendou aos investidores cautela com o Brasil e avalia que há ingredientes suficientes para provocar um aumento ainda maior nos prêmios de risco (vide bônus dos títulos do Tesouro). Ou seja, o governo vai ter que pagar mais caro para conseguir captar recursos no mercado.

A reação do mercado local foi imediata. Os Yields (taxas de juros) dos títulos do Tesouro nacional dispararam, superando as máximas registradas no final do ano passado. A LTN 2016 continua sendo o único título disponível viável para a estratégia de compras parciais e crescentes no mercado de renda fixa por conta do prazo. Aos investidores que seguiram a última sugestão de compra no mês de novembro, quando o Yield deste título atingiu os 12,11%, ao preço de R$ 783,45, recomenda-se aguardar a aproximação da taxa na casa dos 12,50% para uma nova compra. Aos investidores que ainda não iniciaram posicionamento parcial na LTN 2016, o momento atual é bastante favorável para tal.

  
O índice Bovespa cedeu 1,99%, devolvendo todo o ganho conquistado no dia anterior, numa tentativa de repique de curtíssimo prazo. Tendência de baixa segue inalterada.


O aumento da volatilidade nos mercados emergentes foi destaque no pregão desta quinta-feira. O Banco Central da Turquia optou por não subir sua taxa básica de juros e acabou provocando uma disparada do dólar frente à lira turca, forçando sua própria intervenção no mercado de câmbio local pela primeira vez nos últimos dois anos.

Na Argentina, o Banco Central demonstrou que a sua munição (reservas internacionais do governo, estimadas em apenas 30 bilhões de dólares) está chegando ao fim. A autoridade monetária não interferiu a favor do peso no mercado de câmbio na última quarta-feira, provocando a maior desvalorização da moeda local frente ao dólar em mais de uma década.

No final da tarde desta quinta-feira, após uma reunião de emergência, o Banco Central decidiu intervir no mercado de câmbio novamente. A medida é desesperadora e tem pouco efeito prático. O peso desvalorizou-se 17% em relação ao dólar nos últimos quatro dias, cotado a 8,01. Ainda assim, a cotação oficial do câmbio está 62,92% abaixo do preço praticado no mercado paralelo, cotado a 13 pesos.

A forte desvalorização de curto prazo é consequência de uma nova medida de saída de capital anunciada ontem pelo governo argentino, envolvendo, inclusive, restrições para compras no exterior através da internet.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jonse fechou o pregão desta quinta-feira em baixa de 1,07%, iniciando um movimento de perda de dois importantes patamares de sustentação de curto prazo (LTA dos 14.7k e linha de suporte nos 16.2k).


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

A migração do crescimento


O relatório de Perspectiva Econômica Global divulgado nesta terça-feira pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) reforçou a tese de que os países desenvolvidos serão os principais responsáveis pela retomada da economia global.

A redução dos impactos provocados pelas políticas de austeridade fiscal na Europa, superação das incertezas políticas/econômicas nos Estados Unidos, aumento da confiança no Reino Unido e os estímulos fiscais no Japão estão provocando uma nova migração do crescimento, desta vez saindo dos países emergentes em direção aos mercados desenvolvidos.

O FMI espera que a economia global apresente um crescimento de 3,7% neste ano, superior a projeção do Banco Mundial de 3,2%. Para 2015, a taxa de crescimento deve atingir os 3,9%, também superior à expectativa do Banco Mundial (3,5%).

Embora o FMI apresente um otimismo maior em suas projeções, as duas instituições concordam na questão da migração do crescimento. As expectativas de avanço da atividade nos países emergentes são menores por conta da normalização das condições monetárias nos países desenvolvidos, que por sua vez provocará um novo aumento das taxas de juros globais.

Países emergentes são bem mais sensíveis às oscilações das taxas de juros internacionais. Com o retorno da atratividade dos ativos em países desenvolvidos, economias emergentes mais dependentes de financiamento externo (como o Brasil, por exemplo) serão mais afetadas pela menor entrada de dólares no sistema. O impacto será ainda maior aos países que abandonaram a importante agenda de reformas estruturais, relaxaram demais a política fiscal e aumentaram o endividamento (lamentavelmente como o Brasil, por exemplo).

A projeção de crescimento do FMI para o Brasil, este ano, caiu de 2,5% para 2,3%, praticamente no mesmo nível da projeção apontada pelo último relatório do Banco Mundial (2,4%). O potencial de crescimento para o PIB brasileiro é bastante limitado, amparado basicamente pelo aumento da demanda por commodities, devido aos sinais de insustentabilidade do modelo econômico.

Na ausência de drivers positivos, o índice Bovespa voltou a ceder nesta terça-feira, pelo quarto pregão consecutivo, mantendo a tendência de baixa de curto e curtíssimo prazo, aproximando-se da principal linha de apoio de curto e médio prazo na região dos 48k.


No mercado de renda fixa as taxas de juros voltaram a se aproximar das máximas registradas no final do ano passado, reagindo à maior deterioração do quadro inflacionário interno, divulgação de uma ata mais azeda do Copom (Comitê de Política Monetária) na próxima quinta-feira e perspectiva de novas reduções nos volumes dos programas de estímulos monetários do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos).

A nova composição do Comitê do Banco Central norte-americano ficará menos dovish (economistas mais tolerantes com a inflação e defensores de juros mais baixos) e mais hawkish (economistas menos intolerantes com a inflação e defensores de juros mais altos) que o de costume. Embora a presidente Janet Yellen tenha uma postura notoriamente mais dovish, a rotação anual de presidentes regionais entre os membros votantes (5 com poder de voto entre os 12 chefes regionais) incluirá dois diretores reconhecidamente hawkish pelo mercado: Charles Plosser, do FED de Filadélfia e Richard Fisher, do FED de Dallas.

Apesar da troca de cadeiras entre membros votantes ainda ser insuficiente para provocar uma mudança no curso da política monetária norte-americana, pois os diretores do conselho (7 no total) tendem a votar junto com o presidente, as discussões no FED ficarão mais acaloradas daqui pra frente com o aumento da alta mais hawkish com poder de voto.

Ainda no mercado local os papéis da Vale e siderúrgicas estão sendo afetados pela forte correção de curto prazo do preço do minério de ferro. A commoditie caiu para 123 dólares a tonelada no mercado à vista chinês, atingindo a menor cotação desde 8 de julho de 2013.

A queda do preço é um reflexo da significativa desaceleração do ritmo de compras das siderúrgicas chinesas. Isso normalmente ocorre quando o preço do minério de ferro sobe demais no curto prazo. Os players chineses “comprometem-se” em reduzir suas compras de minério de ferro no mercado, justamente para provocar uma queda no preço da commoditie. Entretanto, o preço da placa de aço também recuou na China, para 564 dólares a tonelada métrica, atingindo o menor patamar dos últimos 16 meses.

O gigante asiático fechou 2013 com um PIB de 7,7%. Os dados divulgados no último domingo mostraram enfraquecimento do avanço do investimento e da produção industrial nos últimos meses do ano passado. Esta desaceleração pode se aprofundar neste ano já que o governo está comprometido em reorganizar seu modelo de crescimento, ainda muito dependente das altas taxas de investimento.

O primeiro ministro do país, Li Keqiang, disse hoje estar comprometido em “manter a economia estável e desenvolvê-la de modo mais saudável”. Isso mostra que não há intenção do governo em promover uma aceleração do ritmo de crescimento, acima de 7,7% (ou 7,5%, meta do governo), mas sim um compromisso de reestruturação do modelo de crescimento, mais focado no consumo doméstico.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em baixa de 0,27%, mantendo-se dentro de uma zona de congestão de curtíssimo prazo entre a região dos 16.6k e 16.2k, sem apresentar novidades.


O mercado internacional não reagiu à injeção de dinheiro do Banco Popular (Banco Central da China), na tentativa de acalmar os ânimos no mercado interbancário local. O Banco Popular injetou mais de 255 bilhões de iuanes (cerca de 42 bilhões de dólares) no sistema financeiro na última segunda-feira e avisou que poderá injetar mais dinheiro nos próximos dias para evitar uma disparada das taxas referenciais no mercado interbancário.

A Shibor Rate de 1 semana (taxa do mercado interbancário chinês, considerado o melhor indicador das condições de liquidez no sistema) recuou mais de um ponto percentual num único dia, caindo de 6,59% para 5,40%.

  
A demanda por dinheiro aumentou com força nestes últimos dias por conta da aproximação do feriado do Ano Novo Lunar chinês, principal data comemorativa no País.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Maior gestor de renda fixa do mundo perdeu a paciência com o Brasil


O aumento no ritmo de deterioração do quadro doméstico observado durante todo o ano de 2013 foi a gota d’água para a Pimco (Pacific Investment Management Company, uma das maiores gestoras de recursos no mundo, líder no segmento de renda fixa) perder de vez a paciência com o Brasil.

Se já estava difícil segurar as apostas em um país que continua apresentando um péssimo ambiente de negócios, infraestrutura deficitária, excesso de burocracia, carga tributária elevada e baixo nível de educação, ficou praticamente impossível suportar os novos problemas relacionados à inflação persistentemente elevada e distante do centro da meta (4,5%), crescimento medíocre (abaixo da média de países emergentes e da média do PIB global), rápida deterioração da política fiscal, insistência em estratégias equivocadas de política econômica e crescente perda de confiança e credibilidade entre investidores, empresários, instituições e agências de rating.

O relatório do Total Return Fund (um dos principais fundos da Pimco, com patrimônio de 237 bilhões de dólares), divulgado recentemente, mostrou que a Pimco reduziu significativamente sua exposição em ativos brasileiros (de 4,18% da carteira para 3,27%). A movimentação não aparenta ser um simples movimento de acerto de portfólio. Levando em consideração a limitação de liquidez do nosso mercado, a Pimco foi bastante agressiva ao conseguir retirar mais de 2,3 bilhões de dólares do Brasil num curto período de tempo.

Rápidas realocações nas carteiras de grandes fundos de investimentos não costumam ocorrer em períodos de estabilidade e/ou manutenção mínima das expectativas/fundamentos. Este tipo de movimentação soa como um sinal de alerta ao mercado, pois mostra que um “big player”, bastante respeitado por sinal, identificou uma possibilidade de deterioração ainda maior do quadro doméstico, responsável por provocar esta redução agressiva em seu portfólio. Provavelmente uma nova variável ainda não precificada/conhecida pelo público em geral no mercado financeiro.

A Pimco perdeu a paciência com o Brasil após um longo relacionamento de pouco mais de uma década. A gestora ganhou reputação mundial ao fazer uma aposta acertada em 2002, através da compra de títulos da dívida soberana brasileira que haviam despencado nas vésperas das eleições presidenciais.

A forte desvalorização dos títulos públicos brasileiros não assustou a Pimco em 2002, mas o escorregão de 2013 sim. As perspectivas em 2002 eram favoráveis por conta da iminência de um super ciclo de valorização das commodities, respaldo das reformas estruturais relevantes realizadas no governo anterior, boas projeções de crescimento, permanência da política de combate à inflação e manutenção minimamente sustentável das contas públicas. Todos estes pilares de sustentação encontrados em 2002 não existem mais ou foram destruídos pelo governo. Esta é a primeira, e uma das principais, fontes de preocupação.

A segunda está relacionada à necessidade de normalização das condições monetárias mais rápido do que se esperava nos Estados Unidos. O plano do FED (Banco Central norte-americano) é fazer esta transição da maneira mais gradual possível, a fim de minimizar os impactos econômicos, principalmente no curto prazo (fase mais sensível da nova trajetória de crescimento). Mas se as projeções de inflação começarem a subir num ritmo acima do esperado pela autoridade monetária, a transição gradual precisará ser abortada e passará a ser abrupta, provocando choques nos mercados financeiros.

O Brasil faz parte da lista dos países que seriam mais afetados pela transição abrupta das condições monetárias norte-americanas. Embora o quadro aponte para uma possibilidade improvável de ocorrência deste evento, o risco, negligenciado pelo governo brasileiro, tem aumentado a cada dia em que surgem novas surpresas positivas nos indicadores econômicos dos Estados Unidos.

Com o crescente aumento do endividamento público e privado (lembrando que um número considerável de empresas brasileiras captaram recursos no exterior e estariam sujeitas, portanto, às variações cambiais), ausência de reformas estruturais e deterioração fiscal, a única manobra de defesa acabaria sobrando para uma elevação ainda maior da taxa básica de juros, visando frear uma fuga de capitais pelo aumento de atratividade (leia-se bônus) dos ativos brasileiros.

No mercado de capitais o índice Bovespa fechou em baixa pela terceira semana consecutiva, mantendo a tendência de queda de curto prazo sem apresentar novidades. O movimento de repique iniciado no início desta semana foi abortado na tentativa de retomada do ponto de pivot na região dos 50.2k. Neste momento houve reaparecimento da força vendedora, voltando a se mostrar superior nas horas/pregões seguintes.


Já os principais índices de Wall Street fecharam de lado pela terceira semana consecutiva, mostrando sinalização de indecisão em regiões de máximas históricas.


Na Alemanha o índice DAX fechou a semana em alta, renovando a máxima histórica. Mercado sobrecomprado, mas trabalhando dentro de uma boa tendência de alta de curto, médio e longo prazo.
  
  
Na Índia a bolsa de Bombay permanece dentro de uma congestão de curto prazo, colada no topo histórico, ainda na tentativa de rompimento. Mercado atualmente travado, mas em tendência de alta de médio e longo prazo.


Na China a bolsa de Xangai fechou a semana com uma alta inexpressiva, ainda irrelevante para provocar a invalidação da tendência de baixa de curto prazo. Mercado pressionado pela atuação do Banco Popular (Banco Central da China), que tem utilizando instrumentos para retenção de liquidez no mercado interbancário.


Bom descanso a todos e um ótimo final de semana!