quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Enfim uma boa notícia


O PIB (Produto Interno Bruto) de 2013, divulgado hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) surpreendeu até o governo federal. O crescimento de 2,3% da economia brasileira no ano passado está longe de ser o ideal, ou perto do que poderia ser o nosso potencial caso as reformas estruturais tivessem sido implementadas no passado, mas pelo menos colaborou para reduzir, em partes, o clima de pessimismo e aliviar o nível de tensão no mercado, ambos consideravelmente elevados.

O desempenho da economia brasileira ficou abaixo da média mundial, mais uma vez. A última estimativa feita pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) apontava para um crescimento médio global de 3% em 2013. Entretanto, o PIB brasileiro do ano passado superou o de países como os Estados Unidos (1,9%), Reino Unido (1,9%), África do Sul (1,9%), Japão (1,6%), Rússia (1,3%) e México (1,1%).

Dentro deste resultado de 2,3% podemos destacar dois pontos importantes: (i) o crescimento de 0,7% no quarto trimestre de 2013 derrubou a tese de recessão técnica defendida por alguns analistas, eliminando, parcialmente, portanto, certo clima de pessimismo exagerado no mercado; (ii) os investimentos cresceram 0,3% no último trimestre do ano passado, surpreendendo positivamente boa parte dos economistas que projetavam retração. No acumulado de 2013 os investimentos subiram 6,3%.

Apreciar o crescimento das taxas de investimentos num ambiente cercado de incertezas é um sinal positivo que não deve ser desconsiderado. No entanto, é necessário entender que boa parte deste crescimento foi impulsionado pelas políticas de incentivo ao crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Faltou o empurrão do investimento privado, ainda bastante retraído.

Por este motivo o PIB de 2013 acabou sendo uma boa notícia. A sinalização de retomada gradual da economia brasileira, surpreendendo expectativas, juntamente com o programa de concessões na área de infraestrutura, reduzirá o clima de pessimismo atualmente elevado e criará condições para os empresários desengavetarem alguns projetos, destravando o tão importante investimento privado, com impactos perceptíveis no médio e longo prazo.

O crescimento da economia brasileira será cada vez mais dependente dos investimentos, atualmente em 18,4% do PIB, número ainda considerado baixo. Além do esgotamento do ritmo de expansão observado no mercado varejista, a contribuição da agropecuária ao PIB brasileiro será menor, ao menos neste ano, por conta da estiagem que atinge boa parte dos estados brasileiros.

Entretanto, deve-se ressaltar que ainda há um descasamento muito grande entre os discursos do governo e as atitudes (ou falta delas) direcionadas a fomentar o crescimento sustentado da indústria. Este descasamento pode e deve ser reduzido frente à impossibilidade de aumento da taxa de crescimento dos setores de consumo e agronegócio. Não há outro caminho disponível para o crescimento do PIB que não passe pela via do setor produtivo.

No mercado de capitais o índice Bovespa reagiu positivamente aos números divulgados hoje pelo IBGE. Com uma alta de 2,16%, o Ibovespa reforçou a região de suporte na faixa dos 46.1k e rompeu uma LTB formada a partir do topo da zona de congestão de curtíssimo prazo. A formação técnica criou condições para um novo teste na linha dos 48.7k.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones subiu 0,46%, eliminando a sinalização de indecisão emitida nos últimos dias, colado na linha de resistência de curtíssimo prazo (16.3k). A superação deste patamar abrirá espaço para o índice retornar à máxima histórica.


A presidente do FED, Janet Yellen, disse hoje que a autoridade monetária está em alerta para ter certeza de que os sinais recentes de fraqueza na economia dos Estados Unidos devem-se às condições climáticas adversas e não a sinais fundamentais de desaceleração.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Taxa Selic retorna ao patamar Dilma


Confirmando as indicações constatadas nas duas últimas atas de reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), a autoridade monetária brasileira reduziu nesta quarta-feira o ritmo de aperto monetário ao elevar a taxa Selic em 0,25 p.p.

Na ata de reunião dos dias 14 e 15 de janeiro de 2014 o Banco Central havia utilizado o termo “tem se mostrado ligeiramente acima daquela que se antecipava”, referindo-se a elevada variação dos índices de preço, no parágrafo que justificou o aumento de 0,5 p.p. naquela data. Para reforçar a demonstração de que este aumento foi um caso à parte (projetava-se 0,25 p.p. na mesa), o Banco Central trocou a expressão “nesse contexto” para “dessa forma”, no trecho onde os diretores entendem ser “apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso”, corroborando para uma decisão de momento (curto prazo, como resposta ao nível psicológico atingido pelo IPCA de dezembro).

A desaceleração da inflação de dezembro para janeiro e a queda de curto prazo observada nas taxas de juros futuros (mostrando certa tranquilidade/conformidade no ambiente de negócio) abriram espaço para o Banco Central reduzir o ritmo de aperto monetário sem causar estresse imediato no mercado, embora as condições técnicas impedem uma postura menos rigorosa por parte da autoridade monetária.

Com a decisão desta quarta-feira, a taxa básica de juros subiu para 10,75% ao ano, atingindo o mesmo patamar observado na posse da presidente Dilma. A diferença é que hoje a inflação está significativamente mais pressionada e as expectativas futuras dos agentes extremamente corroídas, cenário fruto da redução desembestada dos juros iniciada em 2011 que, por sua vez, provocou um desequilíbrio econômico sem precedentes.

Ao final da reunião, o Banco Central emitiu o seguinte comunicado:Dando prosseguimento ao processo de ajuste da taxa básica de juros, iniciado na reunião de abril de 2013, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic em 0,25 p.p., para 10,75% a.a., sem viés.”

O comunicado é praticamente o mesmo emitido na reunião anterior dos dias 14 e 15 de janeiro (“Dando prosseguimento ao processo de ajuste da taxa básica de juros, iniciado na reunião de abril de 2013, o Copom decidiu por unanimidade, neste momento, elevar a taxa Selic em 0,5 p. p., para 10,5% ao ano, sem viés”). A única diferença é que a expressão “neste momento” foi retirada, confirmando que a elevação de 0,5 p.p. em janeiro foi um caso à parte.

A partir da avaliação deste pequeno trecho, subentende-se que haverá uma nova elevação de 0,25 p.p. da taxa Selic na próxima reunião do Copom a ser realizada nos dias 1 e 2 de abril, ainda sem sinalização de interrupção do atual ciclo de aperto monetário.

No mercado de capitais o índice Bovespa cedeu 0,25% nesta quarta-feira pressionado pelo papel da Petrobras, que atingiu o menor nível de fechamento desde novembro de 2005. O balanço do quarto trimestre divulgado ontem à noite, camuflado pela contabilidade de hedge e benefícios fiscais, não agradou o mercado.

Entretanto, a movimentação do índice não alterou o padrão observado nos últimos dias. O mercado permanece travado, oscilando dentro da faixa de congestão de curtíssimo prazo.


Destaque para a sugestão de saída do ministro da Fazenda, Guido Mantega, feita pelo jornal Financial Times, num eventual segundo mandato da presidente Dilma. O descontentamento com a equipe econômica do governo é generalizado e a troca por um novo ministro, preferencialmente pró-mercado, ajudaria o País a retomar parte da credibilidade perdida nos últimos anos. A substituição provavelmente irá acontecer, mas ainda não é possível constatar nomes pró-mercado cotados para assumir o cargo na Fazenda.

Nos Estados Unidos tivemos mais um dia de pregão insignificante. O índice Dow Jones fechou perto da estabilidade, mantendo a análise dos últimos dias, emitindo mais um sinal de indecisão de curtíssimo prazo.


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Copom sem Tombini


O primeiro dia de reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil) começou nesta terça-feira sem a presença do presidente da instituição, Alexandre Tombini.

Os chefes de departamento do Banco Central apresentaram a análise rotineira da conjuntura doméstica, com as novas projeções para inflação, nível de atividade econômica, finanças públicas, economia internacional, mercado de câmbio, mercado monetário e reservas internacionais.

O diretor de Assuntos Internacionais e de Regulação do Banco Central, Luiz Awazu Pereira, com poder de voto no Copom, também não participou da reunião desta terça-feira. A ausência destes dois importantes membros formadores da política monetária brasileira foi justificada pela presença dos mesmos na reunião bimestral de presidentes de bancos centrais do BIS (Banco de Compensações Internacionais), realizada na última segunda-feira (24) em Sydney, na Austrália.

Levando em consideração a aparente falta de soberania do Banco Central brasileiro, a presença destes dois importantes diretores na reunião bimestral do BIS deve ser mais produtiva do que discutir política monetária brasileira de “braços atados”.

O BIS é considerado o Banco Central dos bancos centrais. É onde os diretores das principais autoridades monetárias mundiais se reúnem de portas fechadas, sem a presença de suas respectivas lideranças políticas, para discutirem estratégias, experiências e, ou mesmo, traçar planos de cooperação entre as instituições a fim de promover a estabilidade financeira mundial.

Tombini e Pereira participarão somente da reunião desta próxima quarta-feira para carimbar o novo patamar da taxa Selic. Conforme constatado nas duas últimas atas do Copom, percebe-se que Banco Central continua propenso a reduzir o ritmo de aperto monetário (de 0,5 p.p. para 0,25 p.p.), mas a degradação do quadro doméstico atrasou a redução deste ritmo, que pode começar amanhã.

No mercado de capitais o índice Bovespa cedeu 1,43% nesta terça-feira, confirmando o ressurgimento da força vendedora. Esta suspeita pode ser observada nas formações técnicas dos últimos dias 21 e 24 de fevereiro. Entretanto, o movimento de baixa não altera o cenário de curtíssimo prazo, onde a bolsa permanece trabalhando dentro de uma zona de congestão entre os 46.1k e 48.7k.


Colaborou para o tombo desta terça-feira a queda do preço do minério de ferro na China, além da desaceleração da concessão de crédito no setor imobiliário chinês, fato que pode reduzir a demanda por aço.

Nos Estados Unidos o índice de confiança do consumidor da Conference Board caiu de 79,4 pontos em janeiro para 78,1 pontos em fevereiro, ainda refletindo os efeitos adversos das condições climáticas. O pregão na bolsa de Nova York foi irrelevante, mantendo a análise dos últimos dias.


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Sensação com a Europa sustenta o ânimo no mercado financeiro


Não é por acaso que o presidente do Banco Central do Brasil, Alexandre Tombini, tem esboçado um discurso bastante otimista nas últimos dias. O câmbio parou de subir com o maior fluxo de entrada de dólares nas últimas semanas, a bolsa parou de cair, a curva dos juros futuros cedeu, o CDS brasileiro caiu (credit default swaps, mais conhecido como risco Brasil, título que mede a probabilidade de calote dos títulos da dívida emitida por empresas e governo) e o ambiente está relativamente tranquilo no mercado financeiro. Nem parece que as praças emergentes foram duramente golpeadas no mês passado.

Vale ressaltar que a nova meta vergonhosa de superávit primário fixada em 1,9% do PIB (Produto Interno Bruto) pouco tem a ver com a retomada do ânimo dos investidores. O governo continua cometendo os mesmos erros do passado e dificilmente conseguirá alcançar o número prometido este mês no fechamento de 2014, simplesmente porque as despesas continuam crescendo num ritmo significativamente superior ao das receitas.

Tombini concluiu que a avaliação dos investidores com relação ao Brasil mudou para melhor nas últimas semanas, mas na verdade o que está acontecendo aqui não passa de um respingo de otimismo frente à nova sensação observada nos mercados desenvolvidos, especialmente nas praças europeias.

As bolsas de valores na Europa estão respondendo às medidas de austeridade fiscal e reformas adotadas nos últimos anos. Os governos fizeram os seus devidos deveres de casa, sob imensa pressão do mercado, é verdade, mas agora as empresas estão mais eficientes, lucrativas e faturando mais com o ressurgimento da demanda interna e externa.

A confiança do consumidor na zona do euro está subindo e os países estão começando a colher benefícios oriundos das reformas implementadas no passado, fato que pode ser constatado na retomada do crescimento do PIB e melhora na perspectiva para os ratings das principais economias do bloco. A agência de classificação de risco Moody's, por exemplo, elevou o rating da Espanha nesta segunda-feira para Baa2, sob perspectiva positiva. A confiança empresarial também está em alta. Na Alemanha, o índice subiu esse mês para o maior nível desde julho de 2011.

Este ambiente positivo provoca, inevitavelmente, uma melhora na perspectiva para o valuation das empresas, atraindo investidores a comprarem ações. Esta nova onda de compras na Europa jogou a bolsa de Paris para o nível mais elevado dos últimos 5 anos, superando um importante patamar de resistência.


A bolsa de Londres, em forte rally neste mês, voltou a encostar na máxima histórica, com boas possibilidades de rompimento nos próximas dias/semanas.


Na Alemanha, o índice DAX recuperou quase todas as perdas registradas no mês passado e está próximo de renovar a máxima histórica, mais uma vez.


A sensação na Europa impediu que Wall Street continuasse caindo neste mês de fevereiro, onde os principais índices já recuperaram mais de 50% das perdas registradas no mês passado.


Já os mercados emergentes não subiram tanto nas últimas semanas, mas pelo menos receberam um respingo do otimismo provocado pelo rally na Europa, fato que permitiu a interrupção, a princípio temporária, da forte onda vendedora observada no mês passado.

A bolsa do México trabalha dentro de uma zona de congestão de curto prazo, sustentando-se acima da importante linha de suporte na região dos 250 pontos.
  
  
A bolsa da Índia também trabalha dentro de uma zona de congestão de curto prazo, ainda na tentativa de rompimento da máxima histórica, sustentada pela média móvel simples de 200 períodos diária.


O mercado chinês subiu dentro de suas limitações na primeira quinzena do mês de fevereiro, mas já devolveu boa parte dos ganhos conquistados, mantendo a tendência de baixa de curto, médio e longo prazo.


No Brasil o índice Bovespa segue trabalhando dentro de uma congestão de curtíssimo prazo, sustentada pelo fundo duplo formado na região dos 46.1k. Nos últimos dois pregões pode-se notar o ressurgimento, ainda tímido, da força vendedora localizada na região da linha central de bollinger, devido à proximidade com a LTB dos 56.7k. Não há definição de tendência para o curtíssimo prazo. No curto prazo, a tendência de baixa ainda prevalece dominante.


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Aperto monetário entra na agenda do FED


Os membros do Comitê de Política Monetária do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos), começaram a discutir pela primeira vez, na reunião realizada no mês de janeiro deste ano, sobre quando seria apropriado elevar a Federal Funds Rate (taxa básica de juros) após o maior período de afrouxamento monetário da história.

A ala mais hawkish do FED, formada por economistas defensores de juros mais altos, ganhou um ligeiro reforço neste ano entre os diretores regionais com poder de voto. Apesar de continuarem representando uma minoria dentro do Comitê, a ata do FED divulgada hoje revelou que estes membros conseguiram colocar na agenda do Banco Central norte-americano discussões mais concretas com relação ao timming do aperto monetário.

Estes diretores levantaram a possibilidade de elevar a Federal Funds Rate antes do esperado, sob a justificativa de garantir que a inflação continue baixa nos próximos anos. Este “simples” apontamento na ata provoca impacto nos mercados.

Entretanto, a maioria dos membros votantes acredita que não é apropriado apertar a política monetária antes de 2015, postura que está em linha com as últimas projeções para a taxa de desemprego e inflação divulgadas no mês de dezembro do ano passado.

O índice Dow Jones fechou o pregão desta quarta-feira em baixa de 0,56%, formando topo descendente na região dos 16.2k, refletindo o apontamento de aperto monetário na ata do FED.


No Brasil o índice Bovespa subiu 1,18% após testar e respeitar a linha de suporte na região dos 46.1k, formando, a princípio, um fundo duplo. Lisa Schineller, analista da agência de classificação de risco Standard & Poor’s, disse hoje que o Brasil não deve perder o grau de investimento nos próximos anos, já que o nosso rating está sob ameaça de descer “apenas” um degrau, de BBB para BBB-, nível mais baixo do patamar considerado grau de investimento. Esta informação não é uma novidade, mas ajudou animar o mercado nacional, contribuindo para formação de fundo duplo (a princípio temporário) no Ibovespa.


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Acredite se quiser


A Administração Geral das Alfândegas informou nesta quarta-feira que as exportações chinesas subiram 10,6% no mês de janeiro deste ano, enquanto as importações saltaram 10%.

Os números causaram uma grande surpresa no mercado, pois esperava-se um aumento de apenas 0,1% nas exportações. Além disso, houve uma significativa distorção com os números do Índice Gerente de Compras, medidos por uma entidade privada, no qual apontaram para uma desaceleração da atividade industrial no mês de janeiro.

Os dados do governo chinês também estão desencontrados com os números de seus principais parceiros comerciais regionais, tais como Taiwan e Coreia do Sul, que registraram exportações muito fracas no mês de janeiro deste ano.

A conta da Administração Geral das Alfândegas parece difícil de fechar e reascenderam especulações quanto à veracidade dos dados divulgados. O histórico do governo chinês não também não colabora. Em outras ocasiões ocorreram oscilações incomuns nos dados de comércio como forma de impulsionar o superfaturamento, numa tentativa de disfarçar os fluxos de capital.

O mercado encarou os dados do gigante asiático com bastante ceticismo. Pela queda observada nas principais praças financeiras mundiais, pode-se concluir que a maioria dos investidores/operadores optou por não acreditar nas informações fornecidas pela Administração Geral das Alfândegas.

O mercado brasileiro, grande exportador de commodities para a China, cedeu 0,51% nesta quarta-feira, marcando um pregão de pouca relevância, apesar do vencimento do índice futuro. Índice permanece em tendência de alta de curtíssimo prazo, com uma barreira importante (LTB dos 56.7k) a ser testada nos próximos pregões.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones cedeu 0,19%, sem apresentar novidades, mantendo a mesma análise dos últimos pregões.
  

Destaque para o Congresso que aprovou uma lei que estende por mais um ano a capacidade do governo federal de contrair dívida. Desta vez não houve o teatro observado nos últimos três anos. O aumento do endividamento do governo foi aprovado sem condições atreladas.

Na Europa o BoE (Banco Central da Inglaterra) divulgou seu relatório trimestral de estimativas econômicas. A projeção de crescimento em 2014 subiu para 3,4%, ante os 2,8% do último relatório. Já a inflação permanecerá perto de 2% nos próximos dois anos. O banco central britânico ainda indicou que a taxa básica de juros pode subir no segundo trimestre de 2015, mas destacou que o ciclo de aperto monetário será gradual e que o nível máximo da taxa básica de juros deverá ficar bem abaixo da média de 5% verificada antes da crise financeira.


Na Coréia do Sul, o Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros em 2,5% ao ano pelo nono mês consecutivo. O País não foi afetado pelo choque ocorrido nos mercados emergentes nas últimas semanas, já que o governo tem feito o seu dever de casa há muitos anos. A projeção de crescimento para economia da Coréia do Sul é de 3,8% neste ano e de 4,0% em 2015.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Mrs. Dovish


Adotando uma linguagem mais clara e objetiva do que as próprias atas de reuniões do Fomc (Comitê de Política Monetária do Banco Central norte-americano), a nova presidente do FED (Federal Reserve), Janet Yellen, mostrou por que é reconhecida pelo mercado como um dos membros mais dovish (forte defensora dos juros baixos) do FED.

Em seu primeiro discurso como chair do FED, Yellen descartou qualquer mudança na direção da política monetária norte-americana e reforçou a visão de Ben Bernanke (seu antecessor), de que embora a economia esteja ganhando força o suficiente para suportar uma redução dos estímulos monetários, as taxas de juros devem permanecer baixas para impulsionar o crescimento econômico ainda mais.

No entanto, a nova presidente do FED foi mais além, mostrando uma postura mais dovish que a do próprio Bernanke. O relatório do Departamento de Trabalho dos Estados Unidos informou na última sexta-feira que a taxa de desemprego recuou para 6,6%, o menor nível dos últimos 5 anos, aproximando-se do patamar de 6,5% definido pela autoridade monetária para começar a planejar o aumento da Federal Funds Rate (taxa básica de juros dos Estados Unidos). Mas Janet Yellen disse que a recuperação do mercado de trabalho está longe de ser completa.

O recuo da taxa de desemprego para 6,6% em janeiro deste ano foi influenciado pelas condições climáticas extremamente adversas no período e, também, pelo número considerável de trabalhadores desempregados norte-americanos que desistiram de procurar por emprego nos últimos meses. Provavelmente por conta destes fatores, a nova chair do FED considera que a taxa de desemprego permanece em níveis bem acima daqueles que os integrantes do Comitê pensam ser consistentes com a meta de emprego pleno. Segundo ela, o mercado de trabalho ainda enfrenta muitos desafios.

Em seguida, Janet Yellen reforçou o trecho mais importante da última ata do Fomc, no qual a autoridade monetária compromete-se em manter a Federal Funds Rate perto de zero bastante tempo depois de a taxa de desemprego ficar abaixo de 6,5%, desde que a inflação permaneça relativamente baixa.

O primeiro discurso da nova chair do FED realizado na Câmara dos Deputados foi mais convincente do que a própria ata de reunião do Fomc e sinalizou que a “Mrs. Dovish” não tem a menor pressa em subir a Federal Funds Rate. O Banco Central norte-americano vai continuar alimentando o mercado com juros baixos por um longo período até que a economia do País volte a atingir o status de pleno emprego.

As projeções do FED para a taxa de desemprego giram em torno de 6,3% a 6,6% em 2014, entre 5,8% a 6,1% em 2015 e entre 5,3% a 5,8% em 2016. Já as estimativas para inflação estão abaixo da meta de 2% até 2016. O Banco Central só vai agir para conter a inflação quando (e se) o índice superar o centro da meta (2,0%) em 0,5 p.p. Ou seja, caso a inflação chegue em 2,5%, a autoridade monetária deverá apertar a economia subindo os juros, independente da situação do mercado de trabalho. Levando em consideração as projeções do FED, a taxa de desemprego atingirá a marca psicológica dos 6,5% somente em 2015. A utilização da expressão “bastante tempo depois”, para sinalizar um aumento da Federal Funds Rate pelo gatilho da taxa de desemprego, acabou com a hipótese de aperto monetário nos Estados Unidos antes de 2015 ou mesmo 2016. Isso significa que o sistema permanecerá altamente alavancado por um bom tempo.

O mercado reagiu rapidamente ao discurso de Janet Yellen. As bolsas de valores subiram forte pela expectativa realimentada de manutenção da alavancagem do sistema nos próximos meses/anos.

Na Europa, a bolsa de Londres fechou o pregão desta terça-feira em alta de 1,23%. Em Frankfurt, o índice DAX disparou 2,03%. A bolsa de Paris subiu 1,09%. Milão avançou 1,04% e Madri ganhou 1,09%.

Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street também avançavam com força próximo ao fechamento dos negócios, mantendo o movimento de recuperação iniciado na semana passada. Após retomar a média móvel simples de 200 períodos diária, o índice Dow Jones encontrou forças para superar a importante linha de resistência na região dos 15.7k. Não há resistências relevantes pela frente, apenas a máxima histórica.


No Brasil, o índice Bovespa fechou o pregão em alta de 1,58%, realimentando a tendência de alta de curtíssimo prazo. Mercado atualmente comprado aproximando-se da LTB dos 56.7k, apresentando melhores condições de rompimento desde a formação da referida linha de tendência no mês de outubro. A superação desta barreira pode reforçar a tendência de curtíssimo prazo, estendendo-a para o curto prazo.



Vale ressaltar que a atual reversão do mercado não representa um indicativo de melhora no ambiente doméstico. O próprio FED considera o Brasil como fonte de vulnerabilidade econômica e financeira significativa. A reversão é puramente técnica e pode ser perfeitamente aproveitada com o devido manejo de risco.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Bovespa vira e aciona repique


Pegando alguns operadores de surpresa, o índice Bovespa virou a mão nesta quinta-feira após conseguir superar a barreira localizada na região dos 47.2k. A recuperação desta antiga linha de suporte, até hoje à tarde atuando como resistência, forçou a liquidação das posições vendidas de curtíssimo prazo, abrindo espaço para força compradora levantar os preços com certa facilidade.

Este movimento provocou o acionamento de um pivot de alta no gráfico horário, conforme podemos observar logo abaixo, com um candle de força relevante, abrindo espaço para o índice testar as linhas de resistências mais acima.


O movimento foi causado por fatores puramente técnicos e não contou com a ajuda/respaldo dos indicadores macroeconômicos, já que não houve surpresas positivas na agenda desta quinta-feira.

Na Europa, o BCE (Banco Central Europeu) decidiu manter a taxa básica de juros em 0,25% ao ano, contrariando a expectativa de alguns economistas que esperavam um novo corte na taxa de juros ou anúncio de novos estímulos monetários. A inflação extremamente baixa na zona do euro tem gerado preocupações de alguns analistas com relação à deflação, fato que ameaçaria seriamente o movimento de recuperação das economias europeias.

Mario Draghi, presidente do BCE, disse que os integrantes do Comitê de Política Monetária preferiram esperar mais um pouco antes de agir novamente. Em sua avaliação não há risco de deflação na zona do euro. Draghi destacou que a recuperação econômica do bloco ainda é frágil e desigual.

Na Inglaterra, o BoE (Bank of England - Banco Central inglês) também decidiu manter inalterada sua política monetária, com a taxa básica de juros estacionada em 0,5% ao ano. O programa de compra de ativos de 375 bilhões de libras também foi mantido. Entretanto, a economia britânica apresentou um forte e surpreendente movimento de recuperação em 2013, aumentando as chances de um aumento das taxas de juros no final deste ano. A expectativa é que a autoridade monetária britânica mostre alguma indicação de mudança na política monetária no relatório a ser apresentado na próxima quarta-feira.

A bolsa de Londres fechou em alta de 1,55%. Frankfurt subiu 1,54%. Paris avançou 1,71%. Milão disparou 2,28%. Todas as praças acionaram repiques técnicos.

Nos Estados Unidos o índice S&P500 avançou 1,24%. Nasdaq subiu 1,14%. O índice Dow Jones fechou o pregão em alta de 1,22%, retomando a média móvel simples de 200 períodos diária após soltar uma sinalização de indecisão no último pregão. Mercado em repique de alta com espaço para testar a linha de resistência na região dos 15.7k.


Amanhã será divulgado o payroll, o principal indicador de desemprego acompanhado pelo FED (Federal Reserve - Banco Central norte-americano) e com alto potencial de impacto sobre as expectativas dos operadores de mercado. Deve-se destacar que os números serão, provavelmente, afetados pelo inverno rigoroso que atinge a maior parte do País.

No Brasil o índice Bovespa fechou o pregão em alta de 2,39%, confirmando fundo na região dos 46.1k. Com a alta desta quinta-feira o Ibovespa entrou em tendência de alta de curtíssimo prazo, abrindo oportunidades para posicionamentos curtos na ponta compradora. Importante ressaltar que esta pernada de alta pode não ser tão duradora quanto às demais, por conta do cenário macro ainda complexo e, até o momento, não ameaça a tendência de baixa iniciada na região dos 56.7k.


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

As notas da cigarra e da formiga


Uma terrível dor de cotovelo atingiu os integrantes do governo brasileiro e da equipe econômica na tarde desta quarta-feira. A agência de classificação de risco Moody’s elevou o rating do México de Baa1 para A3, com perspectiva estável, mostrando, mais uma vez, que os governos que se comprometem em fazer suas respectivas tarefas de casa são reconhecidos pelo mercado com uma nota justa.

A decisão foi motivada pelas reformas estruturais implementadas pelo governo mexicano no ano passado, importantes para fortalecerem as perspectivas de crescimento e os fundamentos fiscais do país. Além do pacote de reformas, a Moody's destacou a melhora nas perspectivas econômicas e fiscais de médio prazo do México, que por sua vez aumentam o potencial de crescimento do país.

O perfil do México está agora alinhado com os demais países emergentes que também alcançaram a categoria A, distanciando-se cada vez mais do grupo de economias problemáticas e decepcionantes.

Na medida em que o mercado se aproxima da fase crítica de redução da maior oferta de crédito barato da história, as agências de classificações de risco fazem o trabalho de separar o joio do trigo, presenteando as economias que fizeram o trabalho da formiga e penalizando as economias que fizeram o trabalho da cigarra.

Infelizmente o Brasil fez o trabalho da cigarra mais folgada do mundo. Entre o grupo de países emergentes apelidados pelo mercado de "Cinco Frágeis" (Brasil, África do Sul, Índia, Indonésia e Turquia), o Brasil foi o que mais tomou empréstimos externos e ainda assim conseguiu a façanha de apresentar resultados medíocres nos últimos anos (vide inflação persistentemente elevada e crescimento ridiculamente baixo).

O total de empréstimos externos tomado por bancos e empresas no Brasil saltou 66,4% desde junho de 2008, equivalente a 76,8 bilhões de dólares. Neste mesmo período o crédito interno também subiu significativamente, com um aumento de cerca de 70% em dólar.

Com a iminente desalavancagem do sistema financeiro, a ser puxada pelos banqueiros centrais das economias desenvolvidas nos próximos anos, o Brasil acabou se colocando numa situação extremamente delicada. A cigarra brasileira se entupiu de dólares debaixo da sombra e água fresca e “não sabia” que precisaria devolvê-los algum dia. Como estes dólares foram queimados, ou seja, não resultaram em aumento de produtividade, mas sim no aumento do consumo, a devolução das verdinhas será dolorosa e poderá ser acompanhada de certos sacrifícios, hoje menosprezados pelo governo federal.

A classificação de risco da cigarra brasileira está dois graus abaixo da classificação da formiga mexicana. Esta diferença (separação do joio e do trigo) poderá aumentar ainda mais nos próximos meses, já que sofremos uma séria e justa ameaça de rebaixamento.

No mercado de capitais o índice Bovespa fechou o pregão desta quarta-feira em queda de 0,72%, devolvendo parte dos ganhos acumulados no pregão anterior. A antiga linha de suporte, agora resistência, da região dos 47.2k travou a tentativa de repique ensaiada no pregão de terça-feira.


Índice segue dentro da tendência de baixa de curto e curtíssimo prazo. Haverá espaço para movimentos de repique caso a barreira dos 47.2k seja superada nos próximos pregões.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones abriu o pregão desta quarta-feira em baixa, retestando a mínima dos últimos dois dias. Houve um movimento de recuperação na parte da tarde, provocando um fechamento nulo, mostrando indecisão para os próximos pregões. Mercado no aguardo dos indicadores de peso a serem divulgados nos próximos dias.


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Fly to safety


A perda de importantes patamares de sustentação dos principais índices mundiais detonou um movimento conhecido no mercado financeiro como fly to safety (voar para segurança), caracterizado pelo rápido desmonte de posições em ativos de risco no mercado de renda variável e remanejamento do capital para ativos seguros no mercado de renda fixa.

Este movimento aconteceu com o respaldo dos indicadores macroeconômicos divulgados nos últimos dois dias. O Índice Gerente de Compras da China caiu para 50,5 pontos no fechamento do mês de janeiro, ante os 51 pontos registrados em dezembro, confirmando a prévia divulgada no dia 23 de janeiro. O resultado mostra queda no ritmo de expansão da atividade industrial, indicando perda de fôlego da economia chinesa que passa por um momento importante de transição.

Já o crescimento do setor de serviços do gigante asiático desacelerou para uma mínima de cinco anos em janeiro ao atingir os 53,4 pontos. O indicador aprofundou as preocupações dos investidores com relação aos mercados emergentes, bastante dependentes da pujança econômica chinesa, que por sua vez vem mostrando sinais cada vez mais concretos de desaceleração do crescimento em 2014.

O Índice Gerente de Compras dos Estados Unidos, medido pelo Instituto Markit e banco HSBC, recuou para 53,7 pontos em janeiro deste ano, após bater nos 55,0 pontos em dezembro do ano passado. Já o índice medido pelo ISM (Instituto de Gestão de Fornecimento) caiu para 51,3 pontos no mês anterior, de 56,5 pontos no último mês do ano passado, atingindo o menor nível desde maio de 2013.


Ambos os indicadores registraram redução do ritmo de expansão da atividade industrial nos Estados Unidos, porém em diferentes intensidades basicamente por questões de metodologia de pesquisa. O mercado se apegou ao ISM para justificar o tombo nas bolsas de valores, já que a queda deste indicador foi bem mais expressiva.

O importante é que houve redução natural no ritmo de crescimento da atividade industrial, fortemente influenciada pelas condições meteorológicas extremamente adversas que dominaram o noticiário norte-americano no mês passado. A princípio, a queda de desempenho observada no mês de janeiro não se traduz numa ameaça à retomada econômica dos Estados Unidos.

Wall Street explorou o impacto psicológico causado pelos indicadores macroeconômicos para dar sequência ao movimento de correção nos preços iniciado há três semanas. A perda de uma importante região de suporte na casa dos 15.7k provocou aumento da pressão vendedora nos preços dos ativos e acabou atropelando a média móvel simples de 200 períodos diária do índice Dow Jones. Com a agressividade do movimento técnico, a tensão aumentou no mercado, provocando o fly to safety.


Prova disso é que o rendimento da Treasury de 10 anos (título público do Tesouro norte-americano) renovou a mínima histórica deste ano, ao pagar uma taxa de 2,61% ao ano nesta segunda-feira, cerca de 15% a menos do que pagava no início do mês passado.


A forte queda de curto prazo observada no rendimento da Treasury de 10 anos demonstra grande procura dos investidores por ativos de renda fixa (principalmente títulos do tesouro norte-americano) para se protegerem do aumento da volatilidade no mercado de renda variável.

Na Europa, a bolsa de Milão despencou 2,63% nesta segunda-feira.  A bolsa de Madri cedeu 1,96%. A bolsa Paris caiu 1,39%. O principal índice da bolsa de Frankfurt recuou 1,29%. O índice FTSE da bolsa de Londres caiu 1,11%.

No Brasil o índice Bovespa derreteu 3,13%, influenciado pelo rompimento do importante suporte na região dos 47.2k. A relevância do marubozu de baixa registrado nesta segunda-feira mostra que o nível de tensão no mercado nacional aumentou, deixando o ambiente sensível ao surgimento de pânico nos preços.
  

A próxima linha de suporte está localizada na região dos 44.1k, enfraquecida pelo aumento da força da tendência de baixa iniciada na região dos 56.7k. Os investidores estrangeiros estão desmontando suas posições compradas na Bovespa, em busca de maior segurança nas Treasuries. Até o dia 30 de janeiro, o saldo de investidores estrangeiros na Bovespa era negativo em 914,4 milhões de reais.

O mercado de renda fixa nacional também segue pressionado. O Tesouro Nacional realizou um leilão extraordinário de recompra de até 5 milhões de LTNs nesta segunda-feira para tentar reduzir a pressão vendedora nos títulos da dívida soberana. A operação não surtiu efeito e os títulos continuaram se desvalorizando, ou seja, os juros subiram e renovaram as máximas do ano. Amanhã haverá um novo leilão extraordinário nestes mesmos moldes.

A situação cada fez mais deteriorada do quadro doméstico limita o potencial de impacto dos leilões extraordinários do Tesouro Nacional. Hoje o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior informou que a balança comercial brasileira teve déficit de 4,057 bilhões de dólares em janeiro, o maior rombo na série histórica iniciada em 1994.

Ainda nesta segunda-feira, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse que o governo estuda novos aportes do Tesouro (ou seja, do nosso bolso) para bancar novos gastos da CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), utilizada para financiar a redução da conta de luz. Estes recursos serão repassados às distribuidoras de energia elétrica para cobrir gastos imediatos relacionados ao acionamento de termelétricas, que geram energia mais cara.

Na sexta-feira a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica informou que o preço da energia elétrica de curto prazo atingiu recorde histórico para esta semana, a 822,83 reais por megawatt-hora. Esta é mais uma conta a ser quitada por todos os brasileiros, fruto da péssima gestão do governo federal. Incompetência custa caro.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Pior superávit primário da história


O Banco Central divulgou nesta última sexta-feira os números nada agradáveis de 2013. O governo federal conseguiu surpreender negativamente mais uma vez, mesmo quando já se esperava um resultado inferior à meta estipulada, e encerrou o ano passado com o menor superávit primário (saldo positivo entre as receitas e as despesas do governo central, excluindo os gastos com os pagamentos dos juros da dívida soberana) da história.

O setor público consolidado (formado pelo governo central, estados, municípios e empresas estatais) apresentou um superávit primário de apenas 91,306 bilhões de reais em 2013, equivalente a 1,90% do PIB (Produto Interno Bruto). O resultado ficou significativamente abaixo da meta traçada pelo próprio governo.

No início do ano passado o governo se comprometeu em fazer um superávit primário de 3,1% do PIB. Porém, na metade de 2013, esta meta foi reduzida para 2,3% do PIB. E mesmo com o volume expressivo de receitas extraordinárias obtidas no final do ano passado, que não se repetirão neste e nos próximos anos, o governo não conseguiu chegar perto da meta já revisada, encerrando 2013 com o pior resultado fiscal (1,90% do PIB) da série histórica, iniciada em 2001.

Este número torna-se ainda mais azedo quando se incluem as despesas com os juros da dívida pública. O déficit nominal (resultado entre receitas e despesas, incluindo os gastos com juros e correções monetárias) registrado pelo setor público em 2013 foi de 157,550 bilhões de reais, significativamente superior ao déficit de 2012 (108,912 bilhões de reais). Isso significa que o nosso rombo aumentou de 2,48% do PIB em 2012 para 3,28 do PIB em 2013.

Os números demonstram total insustentabilidade fiscal. A manutenção do ritmo de crescimento deste rombo bilionário nos levará ao default (calote na dívida) no longo prazo. Esta tendência precisa ser revertida o quanto antes. Quanto maior o déficit nominal, maior será o retorno exigido pelo mercado para emprestar dinheiro ao governo.

Os juros da dívida soberana sobem (e continuarão subindo) naturalmente em reação à normalização das condições monetárias nos países desenvolvidos. O aumento da remuneração dos títulos do Tesouro norte-americano, por exemplo, provoca uma inevitável atração de capital, obrigando os demais países a subirem seus respectivos prêmios de risco (juros), a fim de manter a atratividade de seus ativos e impedir uma fuga em massa de capitais.

Além da reação natural, os juros da dívida soberana brasileira sobem, também, por influência da política fiscal expansionista do governo. Esta última variável pode e deve ser revertida a fim de minimizar/frear o avanço do déficit nominal. Nas últimas semanas, os retornos dos títulos pré-fixados do Tesouro Nacional ultrapassaram a barreira psicológica dos 13% ao ano. No início do ano passado, estes mesmos títulos apresentavam retornos de 8% ao ano, o que representa um aumento de pouco mais de 60% nos últimos 12 meses. Isso significa que o governo está pagando 60% a mais para conseguir rolar a mesma dívida no mercado.

Está muito claro que existe uma real necessidade de revisão da política fiscal, independente das questões políticas deste ano. Mesmo com as inúmeras manobras contábeis dos últimos anos e receitas extraordinárias (especialmente em 2013), as metas de superávit primário não estão sendo cumpridas.

O problema não está na arrecadação. Nunca se pagou tantos impostos na história deste País. O Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo alcançou a marca recorde de 1,7 trilhão de reais em impostos federais, estaduais e municipais pagos pelos brasileiros em 2013. São recursos mais do que suficientes para fazer as reformas estruturais necessárias, melhorar o atendimento dos serviços públicos, destravar os investimentos privados (reagindo à melhora do ambiente de negócio) e provocar ascensão social de maneira sustentável.

O recorde de arrecadação é acompanhado pelo recorde “informal” de desperdício de recursos, que pode ser notado a olho nu, sem a necessidade de medição de um indicador específico. Ao observarmos a péssima qualidade das estradas, escolas, hospitais, transporte público, entre tantos outros, num cenário de inflação persistentemente elevada e crescimento medíocre, podemos concluir que nunca se desperdiçou tantos recursos na história deste País.

PS: a análise de fechamento semanal dos principais índices mundiais encontra-se disponível neste link.