sexta-feira, 30 de maio de 2014

Equação da ineficiência


O clima pesado, predominante no mercado nacional desde o início da semana passada, azedou de vez nesta sexta-feira. Depois de ver o governo tirando mais um coelho da cartola para atingir sua meta de superávit primário no primeiro quadriênio de 2014, a sapatada comeu solta no mercado após o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgar novamente um número medíocre de crescimento.

Se já estava difícil engolir um aumento de 716,4% de aportes de dividendos das empresas estatais no caixa do governo, o que dirá o novo vexame de 0,2% do PIB (Produto Interno Bruto) no primeiro trimestre deste ano.

A junção destas duas contas forma a equação da ineficiência. Mesmo desonerando setores, administrando tributos de produtos importados, injetando crédito no sistema via bancos públicos (tanto para clientes PJs, quanto para clientes PFs), represando preços, controlando o câmbio e incentivando o consumo, o governo não consegue, sequer, provocar um soluço de crescimento na economia. A reposta desta equação revela que as políticas econômica, fiscal e monetária são conduzidas da maneira mais errática possível.

O vexame do PIB só não foi maior porque o consumo do governo aumentou 0,7% no primeiro trimestre de 2014, frente ao quarto trimestre de 2013. Na comparação com o primeiro trimestre de 2013, o consumo do governo subiu 3,4%.

A indústria encolheu pelo terceiro trimestre seguido, o consumo das famílias recuou 0,1% frente ao último trimestre de 2013, as exportações caíram 3,3% e os níveis de confiança dos empresários e consumidores estão baixos. Como se não bastasse, a Formação Bruta de Capital Fixo (ou taxa de investimento) cedeu pelo terceiro trimestre consecutivo mesmo com os “investimentos” realizados para a Copa do Mundo.

Com isso, a Formação Bruta de Capital Fixo despencou para vergonhosos 17,7% do PIB no trimestre passado. Este é o pior resultado registrado para o primeiro trimestre desde 2009, quando a economia sofria os reflexos gerados pela crise do subprime.

Os números também confirmam que o País está preso numa perigosa espiral semelhante ao quadro de estagflação (retração da atividade econômica combinada com índices elevados de inflação). A inflação no Brasil subiu 2,17% no primeiro trimestre deste ano, enquanto o PIB avançou apenas 0,2%. Isso significa que para crescer 0,1%, a economia teve que se inflacionar em 1,08%. Ou seja, a taxa de inflação cresce cerca de 10 vezes mais do que a taxa de crescimento. Não é uma situação desconfortável, mas sim alarmente.

Entretanto, para o governo federal, parece que está tudo bem no nosso quintal. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, continua jogando a culpa na economia internacional para justificar o baixo desempenho da economia brasileira, mesmo quando os números mostram que estamos crescendo bem abaixo da média da América Latina, dos BRICs e do mundo inteiro.

Mantega também culpou a seca, que não fala. E se falasse, mostraria que o setor agropecuário cresceu 3,6% no primeiro trimestre deste ano, comparando-se com o quarto trimestre de 2013. Culpou a volatilidade cambial, como se o governo não interferisse diariamente no mercado de câmbio, administrando cuidadosamente a taxa. Culpou o aumento da inflação, estimulada pelas próprias políticas do governo.

A sensação de ignorância é tão elevada que, ao apresentar suas desculpas, o governo está, na verdade, criticando a si próprio. Eis a fonte da equação da ineficiência.

Com o tombo de 1,91% desta sexta-feira, o índice Bovespa encerrou a semana em baixa, mostrando mais um candle relevante para manutenção do movimento corretivo. A linha de sustentação dos 52k foi rompida com demonstração de força, detonando um pivot de baixa no gráfico horário. Não há zonas de suporte relevantes para segurar o movimento descendente, apenas a região psicológica dos 50k.


No gráfico mensal, o índice Bovespa soltou a segunda sinalização de esgotamento da tendência de alta iniciada na região dos 44.9k. Mais um candle de pavio longo superior relevante respeitando a média móvel simples de 20 períodos. Sinaliza maior probabilidade de manutenção do movimento descendente, estendendo-se para os próximos meses.


Bom final de semana a todos vocês!

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Mais um coelho tirado da cartola


O Tesouro Nacional informou nesta quinta-feira que o governo central, composto pelo governo federal, Banco Central e Previdência, registrou superávit primário de 16,597 bilhões de reais em abril. Nos quatro primeiros meses do ano, o superávit atingiu 29,660 bilhões de reais, acima da meta estipulada de 28 bilhões de reais para o período.

À primeira vista os números são excelentes. O governo federal superou as expectativas dos analistas e conseguiu entregar um resultado acima da meta. Mas ao analisarmos os fatores responsáveis pelo bom resultado no quadrimestre encontramos, lamentavelmente, mais um coelho tirado descaradamente da cartola: os dividendos.

O caixa do governo foi reforçado com dividendos de 2,340 bilhões de reais em abril. A Petrobras, velha salvadora dos problemas de gestão governo federal, foi chamada novamente para tapar mais um buraco. Depositou a “bagatela” de 2,012 bilhões de reais no caixa do governo mês passado. A Caixa transferiu outros 15,6 milhões de reais para ajudar fechar a “meta” do mês.

Nos quatro primeiros meses do ano, o governo acumula saldo de 8,231 bilhões de reais somente com os dividendos recebidos das empresas estatais. O valor é muito acima do resultado registrado no mesmo período de 2013 (1,008 bilhão de reais), o que representa um aumento impressionante de 716,4%.

O que aconteceu com as empresas estatais neste primeiro quadriênio de 2014 para aportarem 716,4% a mais de dividendos no caixa do governo? O governo não responde essa pergunta, mesmo porque não existe uma resposta, apenas demonstra ao mercado financeiro que tirou mais um coelho da cartola. A política fiscal permanece expansionista, sem a menor preocupação de redução de gastos.

A reação do mercado não poderia ser diferente. O índice Bovespa cedeu 0,76%, voltando a encostar na linha de suporte dos 52k. Mercado segue vendido no curtíssimo prazo, com possibilidade de aceleração do movimento corretivo caso a referida linha seja perdida nos próximos pregões.


Mas o grande prejuízo do dia aconteceu fora do ambiente do mercado financeiro. O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, anunciou que deixará o cargo e se aposentará no final de próximo mês. Barbosa não detalhou os motivos que o levaram a decidir se aposentar da Corte.

Nos Estados Unidos, o Departamento do Comércio revisou o PIB (Produto Interno Bruto) do País no primeiro trimestre deste ano para contração de 1%. Este foi o pior desempenho registrado desde o primeiro trimestre de 2011, altamente influenciado pelas condições climáticas extremamente adversas que atingiram o País no início deste ano.
  

Entretanto, indicadores econômicos mais recentes mostram que a atividade se recuperou rapidamente nos meses seguintes. O índice Dow Jones subiu 0,39%, mantendo a tendência de alta, sem apresentar novidades.

Ainda no quadro externo, o grande destaque do dia ficou por conta de mais um movimento estratégico importante do presidente russo, Vladimir Putin. Ele assinou um tratado com o Cazaquistão e com a Belarus nesta quinta-feira para criar um amplo bloco comercial entre os países. Mais um ponto para o estrategista russo.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Agora é com a torcida


O Banco Central cumpriu o que indicou na última ata de reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) divulgada no dia 10 de abril. Mesmo diante de uma inflação persistentemente elevada, a taxa Selic permaneceu inalterada na reunião de Comitê realizada nesta quarta-feira, fato que marcou o encerrando o ciclo de aperto monetário iniciado em abril de 2013.

Há 15 dias de abertura da Copa do Mundo, o Banco Central decidiu entrar no clima e começar a torcer. A bandeira é brasileira, mas a torcida é para a inflação ceder em meio às expectativas deterioradas dos agentes econômicos.

A “meta” que se observa na prática (6,50%) corre sério risco de ser superada no meio deste ano e no fechamento de 2014. Mas fazer a famosa cartinha se desculpando para a sociedade brasileira não será um problema para um governo reeleito e muito menos para Alexandre Tombini, cotado para assumir a cadeira no Ministério da Fazenda.

Após longa reunião teatral, o Copom divulgou o seguinte comunicado à imprensa: “Avaliando a evolução do cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, neste momento, manter a taxa Selic em 11,00% a.a., sem viés.”

O comunicado é bem diferente daquele divulgado após a reuniãodos dias 1 e 2 de abril. No mês passado, o Banco Central afirmou que iria “monitorar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária.”

A princípio, isso significa que o Banco Central avaliou... avaliou... avaliou...  e decidiu manter a taxa básica de juros em 11% ao ano. Por isso a reunião foi tão demorada. Embora todos já sabiam qual seria o resultado, é sempre bom fazer um jogo de cena.

Mas quais são os fundamentos presentes na “perspectiva de inflação” ressaltada no comunicado de hoje para justificar a manutenção da taxa Selic? Por um acaso as projeções da autoridade monetária apontam para uma inflação aproximando-se do centro “teórico” da meta (4,5%)? Não. Nem no longo prazo.

Conforme projeções divulgadas no último Relatório Trimestral de Inflação, o Banco Central estima uma inflação de 6,1% no fechamento deste ano. O ano de 2015 abre com uma estimativa de inflação perigosamente elevada de 6,0%. É esperado um recuo de apenas 0,5 p.p. até o encerramento de 2015. No primeiro trimestre de 2016, a projeção para a inflação encontra-se em 5,4%.

Conclui-se, portanto, que o Banco Central caiu na contrariedade. A equipe técnica projeta uma inflação persistentemente elevada, distante do centro da meta no horizonte relevante, mas os formuladores de política monetária entendem que as perspectivas não são ruins e, por isso, optaram pela manutenção da taxa básica de juros.

A sensação de falta de segurança na avaliação do Banco Central pode ser notada pela presença da expressão “neste momento” no comunicado emitido agora pouco. Entende-se que o momento de reavaliação da política monetária já está marcado para o final deste ano, após as eleições presidenciais.

No mercado de capitais o índice Bovespa subiu 0,89% nesta quarta-feira, sustentado pelas ações dos grandes bancos, que reagiram ao adiamento do julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre as perdas da poupança geradas por planos econômicos das décadas de 1980 e 1990.

O movimento natural de alívio surgiu após o índice testar a região de suporte dos 52k. Mercado ainda segue na corretiva de curtíssimo prazo. Para invalidar este movimento, os preços precisam romper a LTB curta e recuperar a região dos 53.3k.


Na agenda doméstica, destaque para queda de 5,1% do ICI (Índice de Confiança da Indústria), além do recuo de 5,7% do ICS (Índice de Confiança de Serviços). Ambos os índices registraram as maiores variações negativas desde dezembro de 2008, reforçando o atual quadro de deterioração econômica.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o dia em baixa de 0,25%, após registrar quatro altas consecutivas. Mercado permanece comprado, sem apresentar novidades.


terça-feira, 27 de maio de 2014

Aversão ao risco toma conta das praças emergentes


O pregão desta terça-feira ficou marcado pelas vendas generalizadas em ativos de países emergentes. O movimento é influenciado pela contínua melhora dos indicadores econômicos norte-americanos, superando, inclusive, as expectativas do mercado.

O quadro de melhora acima do esperado na economia do País pode provocar alterações no calendário do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) para iniciar a fase crítica de aperto monetário, atualmente prevista para meados do segundo/terceiro trimestre de 2014.

Por este motivo, parte da onda de capital especulativo que tomou conta das praças emergentes nos últimos meses está iniciando o seu caminho de volta para ativos mais seguros em praças desenvolvidas.

O Ibovespa voltou a encostar na faixa dos 52k, aumentando a possibilidade de acionar um pivot de baixa no gráfico diário, agregando ainda mais a pressão vendedora no curtíssimo prazo. Este quadro poderá provocar o fim da tendência de alta de curto prazo iniciada nos 44.9k.


Nas outras duas pontas (câmbio e juros) os ativos também mostram sinalização de inversão na trajetória de curto prazo.

Destaque negativo para agenda doméstica nesta terça-feira ficou por conta de mais uma possibilidade de adiamento do importante julgamento sobre a legalidade de planos econômicos que vigoraram no País entre o fim da década de 1980 e início dos anos de 1990.

O STF (Supremo Tribunal Federal) continua sofrendo forte pressão das principais instituições financeiras do País, além do governo federal e do próprio Banco Central. Impressiona o fato de estas instituições mostrarem cálculos de indenizações gigantescas, totalmente fora da realidade.

O Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), que defende poupadores no processo, projeta indenização máxima de 8,4 bilhões de reais. O que, segundo Marilena Lazzarini, coordenadora do Instituto, são valores absolutamente ridículos, se comparados aos números do governo e dos bancos.

Na Europa, destaque para o novo panorama político que emergiu das eleições parlamentares realizadas na semana passada. As cadeiras dos partidos de extrema direita e contra a União Europeia aumentaram em vários países do bloco, incluindo França e Grã-Bretanha. Este novo quadro político poderá dificultar a manutenção das políticas de austeridade fiscal e inviabilizar os avanços na integração europeia.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou em alta pelo quarto pregão consecutivo, voltando-se aproximar da máxima histórica.


sexta-feira, 23 de maio de 2014

Fechamento da semana


Tivemos mais uma semana positiva para quase todas as principais praças financeiras mundiais. Nos Estados Unidos, as correções de curtíssimo prazo não conseguem ganhar força. O índice Dow Jones fechou mais uma semana em alta, colado na máxima histórica.


O índice S&P500 também segue colado na máxima histórica, com o maior fechamento da história, aos 1.900 pontos. Mercado demonstrando força, operando acima do canal de alta iniciado em 2009. 5 anos e 2 meses de bull market, acumulando valorização de quase 190%.


Na Alemanha o índice DAX também fechou a semana em alta, colado na máxima histórica. Mercado permanece dentro de uma forte tendência primária de alta, com valorização de quase 180% desde o mês de março de 2009.


Na Inglaterra a bolsa de Londres fechou a semana em leve baixa, após ameaçar rompimento da máxima histórica. Alívio natural dos preços. Mercado em tendência de alta de curto, médio e longo prazo.


Na Índia a bolsa de Bombay segue mantendo o forte rali que surgiu após o rompimento da máxima histórica. Mercado com um novo governo e perspectivas positivas. 

  
A bolsa do México subiu pela segunda semana consecutiva, distanciando-se da importante media móvel simples de 200 períodos (principal linha de suporte de curto e médio prazo). Caso a LTB dos 332 pontos seja rompida na próxima semana, o mercado criará condições para finalizar a congestão de curto prazo.


Na China a bolsa de Xangai fechou a semana em leve alta, mantendo-se acima da região de suporte dos 2.000 pontos. Mercado permanece congestionado no curto prazo e sem perspectivas de reversão na tendência de baixa de médio e longo prazo.


No Brasil o índice Bovespa cedeu na semana, mostrando candle de força relevante. Esta é a primeira vez que surge um candle semanal de baixa expressivo desde o início da arrancada dos 44.9k. Ponto de resistência confirmado na LTB dos 69k. Mercado em correção no curtíssimo prazo, sem sinalização de reversão.


Destaque na agenda desta sexta-feira para o déficit recorde de 8,3 bilhões de reais nas transações correntes do mês de abril, mostrando, mais uma vez, a complexidade do quadro doméstico em elevado ritmo de deterioração.

Ótimo final de semana a todos vocês e até segunda!

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Atividade industrial melhora consideravelmente


As prévias dos Índices Gerentes de Compras divulgadas hoje pelo Instituto Markit, em parceria com o banco HSBC, mostraram melhora considerável na atividade industrial das principais economias mundiais.

O setor industrial norte-americano expandiu-se no ritmo mais rápido desde fevereiro de 2011 ao atingir os 56,2 pontos na prévia do mês de maio, superior ao indicador já considerado elevado de 55,4 pontos registrados no mês de abril. O resultado superou as expectativas dos economistas, que giravam em torno de 55,5 pontos.

Na China outra surpresa positiva. A prévia do Índice Gerente de Compras disparou para 49,7 pontos em maio, bem acima da leitura final de abril (48,1 pontos). O resultado superou de longe as expectativas dos analistas, que giravam em torno de 48,1 pontos.

O indicador mostra que o setor manufatureiro chinês ainda está em contração. Entretanto, este ritmo reduziu significativamente e hoje está quase nulo. Esta é a melhor performance da indústria chinesa nos últimos cinco meses. Todos os subíndices de produção, demanda externa e doméstica melhoraram substancialmente em maio, indo acima da marca de 50 pontos. As novas encomendas de exportação, uma medida de demanda externa, mostraram a maior virada. O índice avançou 3,4 pontos, para 52,7, nível que não era visto em quase três anos e meio.

Os indicadores revelam claramente estabilização no ritmo de crescimento econômico chinês, que vinha numa trajetória descendente e relativamente agressiva desde o início deste ano. Os números garantem espaço para manutenção do importante programa de transição do modelo econômico.

Na Europa, o setor manufatureiro segue mantendo um bom ritmo de expansão, estabilizando-se na faixa dos 54 pontos, no melhor período de crescimento dos últimos três anos. A prévia do Índice Gerente de Compras da zona do euro caiu para 53,9 pontos no mês de maio, ante os 54 pontos registrados no mês de abril.

No Brasil, destaque para divulgação estratégica da pesquisa Ibope em pleno horário de pregão. Mas, antes de chegar aos resultados de hoje, vamos relembrar os números eleitorais dos últimos 30 dias.

A antepenúltima pesquisa eleitoral, feita pela IstoÉ/Sensus, realizada entre os dias 22 e 25 de abril, anterior ao discurso do Dia do Trabalhador, mostrou Dilma Rousseff com 35% das intenções de voto e Aécio Neves em segundo colocado com 23,7%. A penúltima pesquisa eleitoral, divulgada pelo Datafolha no dia 09/05/2014, feita nos dias 7 e 8 deste mês, posterior ao discurso do Dia do Trabalhador, mostrou Dilma com 37% das intenções de voto e Aécio com 20%.

Já a pesquisa Ibope divulgada hoje, realizada entre os dias 15 e 19 de maio, mostrou Dilma com 40% das intenções de voto. Ou seja, a presidente Dilma subiu 3 pontos percentuais desde o dia 09/05/2014 e 5 pontos percentuais desde o dia 25/04/2014. Alta considerável. Enquanto isso, o principal candidato de oposição, Aécio Neves, permanece com míseros 20% das intenções de voto.

As pesquisas eleitorais mostram o que acontece quando o político abre a carteira e vai à televisão. Garante vantagem significativa na campanha eleitoral ao partido dominante no poder e com maior número de alianças (mais tempo para desenvolver marketing político na TV).

Mais uma vez derrubou-se o mito de que a valorização dos ativos na bolsa está relacionada às pesquisas eleitorais. Dilma aumentou sua vantagem sobre o segundo colocado e mesmo assim o Ibovespa subiu 1,15%, os juros futuros recuaram para mínima dos últimos cinco meses e o dólar permanece estacionado em R$ 2,21, mostrando apetite dos investidores por ativos brasileiros, mesmo com os preços esticados.

Com a alta desta quinta-feira, o índice Bovespa formou piso na região aleatória dos 52.1k, aliviando as vendas dominantes nos últimos 5 pregões. Entretanto, para invalidar o movimento corretivo de curtíssimo prazo, a resistência dos 53k precisa ser superada de maneira convincente.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em leve alta de 0,06%, levemente acima da linha central de bollinger, sem apresentar novidades.


quarta-feira, 21 de maio de 2014

STJ aumenta possível conta a ser paga pelos bancos


O STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu no final da tarde desta quarta-feira em favor dos poupadores no caso sobre perdas geradas por planos econômicos das décadas de 1980 e 1990.

Foram julgados os recursos do Banco do Brasil e HSBC para discutir o momento da incidência dos juros em ações coletivas ganhas pelo Idec (Instituto Nacional de Defesa do Consumidor).

A Corte do tribunal decidiu que o juro vale a partir da data da citação para conhecimento da ação civil pública. Os bancos defendiam que só deveria valer após o julgamento da causa, quando o devedor fosse citado e obrigado a pagar. Por este entendimento, os juros devem ser pagos desde a década de 1990 e não a partir do ingresso de cada poupador na ação.

Esta importante diferença aumenta a conta a ser paga pelos bancos caso o STF (Supremo Tribunal Federal) decida contra a legalidade dos planos econômicos, cujo julgamento está previsto para ser retomado no dia 28/05/2014. Ou seja, se o STF decidir a favor dos poupadores, a decisão do STJ pode (deve) balizar o valor a ser pago pelas instituições financeiras.

Erasto Villa-Verde, subprocurador geral do Banco Central, destacou mais cedo que o impacto de uma decisão favorável aos poupadores poderia variar de 23 bilhões a 341 bilhões de reais. O valor máximo da indenização calculada por Villa-Verde é superior ao patrimônio líquido somado do Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Caixa e Santander Brasil, fato que provocaria a quebra do sistema financeiro nacional. Trata-se, portanto, de uma possibilidade altamente improvável e perfeitamente descartável.

A possível quantia a ser paga pelos bancos deve ser girar em torno do piso mínimo estipulado pelo subprocurador do Banco Central. Ainda assim, a autoridade monetária frisou que deve estudar uma forma de parcelar essa conta caso as instituições financeiras percam no STF.

O tombo dos bancos no final do pregão prejudicou o desempenho do índice Bovespa que fechou o dia em baixa de 0,31%, mantendo o movimento corretivo de curtíssimo prazo sem apresentar novidades.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones avançou 0,97%, desenhando uma formação de fundo na LTA dos 15.3k. O mercado reagiu positivamente à ata da última reunião do FED (Federal Reserve – Banco Central norte-americano). O documento mostrou que a autoridade monetária discutiu um eventual aperto monetário, mas não tomou decisão sobre quais ferramentas utilizar. 


O Banco Central norte-americano apresentou diversos cenários para elevar a taxa de juros, mas ressaltou que o debate é apenas um planejamento prudente e não um sinal de que o aumento da taxa é iminente, contrariando as declarações de Plosser.

Na Inglaterra, a ata do Banco Central britânico mostrou que alguns diretores acham que os motivos para elevar a taxa básica de juros estão se tornando mais fortes, já que a recuperação econômica está acelerada na Grã-Bretanha.

O Banco Central do Japão também está mais otimista. Em comunicado emitido após a reunião de política monetária desta quarta-feira, a autoridade monetária retirou menção ao País estar em deflação e reduziu ainda mais as expectativas de que oferecerá mais estímulos monetários no futuro próximo.

Em Xangai, na China, o presidente russo, Vladimir Putin, e o primeiro ministro chinês, Xi Jinping, assinaram um megacontrato de 400 bilhões de dólares para o fornecimento de gás russo ao gigante asiático. O volume financeiro impressiona e mostra mais um trunfo político de Vladimir Putin frente ao ocidente.

O mundo conheceu hoje o grand finale da estratégia russa. Com os conflitos na Ucrância, Putin conseguiu elevar os preços de suas commodities. Invocou o espírito nacionalista dos russos que habitam a Ucrânia. Provocou desestabilização num País agora governado por políticos pró-ocidente. Ganhou de presente a Crimeia (região estratégica importante), que caiu no seu colo. E com as tensões na Europa, conseguiu apressar o fechamento de um acordo bilionário que começou a ser arquitetado cerca de 10 anos atrás.

Com 400 bilhões de dólares na mesa russa, os europeus não tem muito o que fazer, a não ser abaixar a cabeça para Vladimir Putin. Assim que o contrato foi divulgado à imprensa, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, enviou uma carta a Putin pedindo que ele mantenha o fornecimento de gás à Europa. A Gazprom (empresa de energia russa, fornecedora do gás) avisou que vai cortar o fornecimento de gás à Ucrânia a partir de 3 de junho, caso não seja paga com antecedência a fatura correspondente a esse mês, de cerca de 1,6 bilhão de dólares. 

Já os Estados Unidos, terão que engolir suas sanções e descascar o abacaxi do caos político e econômico que tomou conta da Ucrânia. E ainda, torcer muito para que o boleto de 1,6 bilhão de dólares não seja encaminhado ao gabinete do gabinete de Obama.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Plosser joga lenha na fogueira


O clima de aversão ao risco reapareceu nas principais praças financeiras mundiais, abatendo principalmente os mercados que mais se valorizaram nos últimos meses. O clima azedou em Wall Street quando o presidente do Federal Reserve de Nova York, William Dudley, e o presidente do Federal Reserve de Filadélfia, Charles Plosser, tocaram num tema extremamente delicado para o mercado: o aperto monetário nos Estados Unidos.

Não se tocava neste assunto desde meados do mês de março, quando a presidente do FED (Federal Reserve – Banco Central norte-americano), Janet Yellen, acalmou o mercado projetando indiretamente alta dos juros a partir do segundo trimestre de 2015.

Com a redução da taxa de desemprego e sinalização de (leve) aumento das pressões inflacionárias nos Estados Unidos, William Dudley voltou a tocar neste tema delicado no seu discurso realizado nesta terça-feira. Entretanto, o presidente do Federal Reserve de Nova York apenas reforçou o que a chair do FED havia adiantado ao mercado dois meses atrás: o aperto monetário pode acontecer “algum tempo depois” (leia-se seis meses) do fim do programa de estímulos monetários. O ritmo de aperto monetário será relativamente lento e depende do desempenho econômico, bem como das condições financeiras.

Mas Charles Plosser jogou lenha na fogueira. O presidente do Federal Reserve de Filadélfia também discursou hoje e afirmou que, caso a inflação caminhe para a meta de 2% e o mercado de trabalho melhore no País, o FED deverá se preparar para ajustar a política de maneira apropriada. Plosser completou dizendo que o aperto monetário pode começar antes do esperado.

As declarações do presidente do Federal Reserve de Filadélfia acabaram com a calmaria e clima de otimismo nos mercados. Os investidores/operadores que estavam tranquilos posicionados em ativos de risco de países emergentes foram surpreendidos pelo discurso de Plosser, contrariando o que disse a chair do FED, fato que colaborou para intensificação do movimento de realização de lucros.

Tanto Dudley quanto Plosser possuem direito a voto no Comitê de Política Monetária do FED. Contudo, muitos no mercado desconhecem que Charles Plosser tem uma postura mais hawkish (intolerante com a inflação e defensor de juros mais altos) dentro do FED e sua opinião não é endossada pela maioria dos membros votantes.

Esta não é a primeira vez que Plosser derruba os mercados com seus pronunciamentos. No mês de maio do ano passado, o presidente do Federal Reserve de Filadélfia provocou uma onda de vendas nos mercados financeiros ao dizer que o FED deveria reduzir o volume dos programas de estímulos monetários em sua próxima reunião, prevista para junho daquele ano. Entretanto, o tapering só começou no mês de janeiro de 2014.

O índice Bovespa despencou 1,85% nesta terça-feira, perdendo o patamar de sustentação dos 53k e linha central de bollinger. Esta é a primeira vez, desde a épica arrancada dos 44.9k, que a linha central de bollinger é perdida. O candle de força relevante, apoiado pelo volume financeiro dos negócios, reforça a sinalização de venda no mercado nacional.  A tendência de baixa de curtíssimo prazo ganhou força e a tendência de alta de curto prazo, iniciada nos 44.9k, está ameaçada.


A explicação encontrada pela mídia brasileira para justificar o movimento de queda da bolsa está nas pesquisas eleitorais que nem foram divulgadas. Conforme demonstramos em outras ocasiões, estas análises são infundamentadas.

Mas hoje “o indicador do ridículo” renovou a máxima histórica.  O índice Bovespa chegou a subir 0,92% na parte da manhã, sob a justificativa (da mídia) de que a próxima pesquisa eleitoral apontaria nova queda das intenções de voto da presidente Dilma Rousseff.

Na parte da tarde a bolsa virou rapidamente e passou a ceder forte, sob a justificativa (novamente da mídia) de que os investidores agora acham que a próxima pesquisa eleitoral mostrará avanço das intenções de voto da presidente Dilma Rousseff. Ou seja, para a mídia, o mercado mudou de ideia de uma hora pra outra e somente as pesquisas eleitorais exercem influência sobre a trajetória de preços. Isso mostra a precariedade das análises presentes nos principais veículos de comunicação do mercado financeiro.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones cedeu 0,83%, realizando teste na LTA dos 15.3k. Mercado norte-americano trabalha vendido no curtíssimo prazo, sem sinalização de fundo ou reversão.


segunda-feira, 19 de maio de 2014

Banco Central do Brasil x FED


Diretores de dois bancos centrais trocaram farpas nesta segunda-feira. De um lado, a maior e mais respeitada autoridade monetária do planeta. Do outro, a desmantelada autoridade monetária brasileira, carente de confiança e independência.

Tudo começou quando o presidente do Federal Reserve de Dallas, Richard Fisher, criticou o Brasil durante um painel de discussão com o presidente do Federal Reserve de São Francisco, John Williams. Fisher afirmou que o Brasil desperdiçou uma enorme oportunidade criada pelas políticas de relaxamento monetário do FED (Federal Reserve – Banco Central norte-americano).

A justificativa do presidente do Federal Reserve de Dallas é bastante prudente e amplamente conhecida pelos investidores que acompanham o cenário macroeconômico. Ele afirma que o Brasil usou o dinheiro para ampliar o consumo e, por isso, terá tempos difíceis pela frente (referindo-se ao processo de normalização das condições monetárias). Fisher já havia ressaltado anteriormente que países como México e Polônia, que usaram o dinheiro barato das políticas de afrouxamento monetário para reestruturar suas economias, vão se sair bem no processo de normalização.

Cabe ressaltar que o governo brasileiro criticou duramente as políticas do FED, BCE (Banco Central Europeu) e BoJ (Banco Central do Japão) nos últimos anos. O País adotou, inclusive, medidas para se proteger contra o “tsunami monetário”, “guerra cambial”, entre tantos outros apelidos/desculpas utilizados (as) para justificar o desempenho medíocre da nossa economia.

Luiz Awazu Pereira, diretor de Assuntos Internacionais e de Regulação do Banco Central do Brasil, rebateu as críticas do presidente do Federal Reserve de Dallas. Pereira disse que faltam dados mais detalhados para que Fisher possa julgar como o Brasil utilizou as condições de relaxamento monetário dos Estados Unidos.

Mas a verdade é que esses dados existem, endossam a análise de Fisher e podem ser encontrados nos próprios documentos da autoridade monetária brasileira. A resposta do diretor de Assuntos Internacionais e de Regulação do Banco Central do Brasil é vergonhosa.

Pereira ainda acrescentou que o País “manteve estabilidade de preços e financeira em um período complexo, registrou entradas importantes de investimento direto estrangeiro, derrubou a taxa de desemprego e nossos indicadores sociais apresentaram melhora substancial”.

A inflação brasileira, mesmo represada, oscila no teto da margem de tolerância, bem distante do objetivo a ser perseguido pelo Banco Central (4,5%). A taxa de desemprego ainda é calculada por um indicador defasado, que mostra a situação do mercado de trabalho apenas nas principais capitais do País (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador).

Pode-se notar que a resposta de Pereira é contraditória e assemelha-se aos argumentos apresentados pelos seus colegas de trabalho no Palácio do Planalto. Causa certa preocupação verificar que o discurso ensaiado está sendo utilizado até pelos diretores de política monetária.

No mercado de capitais o índice Bovespa caiu 1,15% nesta segunda-feira, rompendo a LTA dos 44.9k. Mercado trabalha vendido no curtíssimo prazo. Entretanto, para as vendas ganharem força, será necessário perder os 53k, acionando um pivot de baixa.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones subiu 0,12%, mostrando um movimento de alívio ao se aproximar da LTA dos 15.3k.


sexta-feira, 16 de maio de 2014

Cai a dinastia Gandhi


Sufocada por problemas semelhantes aos observados na economia brasileira, a dinastia Gandhi, dominante na política indiana desde a independência de 1947, sofreu uma derrota humilhante da oposição nas eleições realizadas nos últimos dois meses, que ainda estão na fase final de apuração dos votos. 
O atual herdeiro da família, Rahul Gandhi, disputava o cargo de primeiro-ministro pelo Partido do Congresso. O seu opositor, Narendra Modi, líder do partido nacionalista BJP (Bharatiya Janata Party – em inglês), será o novo primeiro-ministro da Índia, levando 274 das 543 cadeiras do Lok Sabha (parlamento indiano). O partido de Rahul Gandhi conquistou apenas 44 cadeiras. 
Rahul é neto de Indira Gandhi, primeira-ministra durante 15 anos, e bisneto de Jawaharlal Nehru, que liderou o país por 17 anos após lutar pela independência ao lado de Mahatma Gandhi. Não se sabia claramente o que ele pensava e como conduziria a economia caso eleito. Rahul tentou se eleger pelo sobrenome, mas a sua aparente falta de aptidão política e ausência de reformas estruturais nos últimos 20 anos (dominado pelo Partido do Congresso) fizeram a dinastia Gandhi cair de forma vergonhosa na Índia. 
Narendra Modi conquistou para o seu partido (BJP) a maior vitória dos últimos 30 anos na Índia. Não será necessário sequer formar coalizões no Lok Sabha. Modi fez uma campanha eletrizante, acusando duramente a família Gandhi de manter a Índia pobre. Em Gujarat,seu Estado de origem, Modi atropelou o Partido do Congresso com políticas pró-mercado. O Estado cresceu em média 16,6% ao ano durante o seu governo (de 2001 a 2010). 
A expectativa do mercado (e dos eleitores) é que Modi realize reformas importantes para injetar novo ânimo na economia indiana. Depois de atingir taxas de crescimento entre 8% e 10% na década passada, o PIB (Produto Interno Bruto) da Índia recuou pela metade em 2012 (4,7%) e 2013 (4,5%). Modi também prometeu limpar o rio Ganges e inaugurar o primeiro trem-bala do País. 
O novo líder indiano terá uma dura tarefa pela frente. Mas o simples fato de que está ocorrendo uma importante transição de poder na Índia foi suficiente para provocar uma disparada da bolsa de Bombay. O topo histórico foi rompido na véspera das eleições que duraram 5 semanas. A confirmação da vitória de Mondi provocou a maior valorização semanal da bolsa de Bombay nos últimos anos. 
Essa história bem que poderia se repetir no Brasil, mas infelizmente a possibilidade é muito baixa. Entretanto, o índice Bovespa segue mantendo um bom desempenho no curto prazo, influenciado pelos motivos citados na análise anterior. A bolsa brasileira fechou mais uma semana em alta, colada na máxima de curto prazo, invalidando a sinalização de reversão emitida na semana anterior. 
O mercado chinês tentou esboçar reação após se aproximar novamente da linha de suporte dos 2.000 pontos. A tentativa de reação foi rechaçada pelo mercado, mantendo a bolsa de Xangai vendida no curto prazo, levemente acima da referida linha de apoio.   

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou a semana em leve baixa, colado na região da máxima histórica, sem apresentar novidades. 

Na Alemanha, o índice DAX emitiu sinalização de topo após realizar teste na máxima histórica. Mercado segue comprado, com possibilidade de reversão na tendência de curtíssimo prazo. 

Desejo a todos vocês um ótimo final de semana!

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Por que o mercado brasileiro está em rali?


O governo brasileiro tem aproveitado a onda de capital especulativo para justificar a “melhora gradual” do quadro doméstico, reforçar a “eficácia” da política econômica, fiscal e monetária, além de enaltecer que o País está em “sintonia com a recuperação da economia global”.

Tudo isso é balela. Diversos indicadores mostraram que o quadro doméstico está se deteriorando cada vez mais. A inflação, mesmo represada, segue persistentemente elevada, ameaçando romper o teto da meta (6,5%) mais uma vez no acumulado de 12 meses. A política fiscal permanece expansionista. Não cumprimos metas de superávit primário e ainda utilizamos diversos mecanismos para maquiar os números. A política monetária está desmantelada e sofre com a falta de independência.

Não estamos conseguindo pegar carona no processo de recuperação da economia global. Estimativas de diversas entidades respeitadas apontam que a economia brasileira vai crescer menos que a média dos países-membros da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), menos que a média dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e menos que a média de crescimento global neste ano e no ano que vem.

O ICE (indicador de clima econômico) do Brasil, divulgado hoje pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) em parceria com o instituto alemão Ifo, reforça o grau de deterioração do quadro doméstico. Conseguimos a incrível façanha de atingir o nível mais baixo desde janeiro de 1999.

O ICE do Brasil despencou 20%, partindo de 89 pontos em janeiro deste ano para 71 pontos em abril. É um patamar mais baixo, inclusive, que o de janeiro de 2009 (78 pontos), quando os mercados repercutiam o terror da crise do subprime. Na América Latina, o ICE do Brasil é vergonhosamente inferior ao da Argentina (75 pontos) e supera apenas o da virtualmente quebrada Venezuela (20 pontos, valor mínimo).

Entretanto, não se pode negar a forte entrada de capital especulativo no País constatada nos últimos meses. Isso ocorre, basicamente, por conta da oscilação das principais moedas globais (correção do real x dólar foi mais forte frente às demais moedas, devido às intervenções do Banco Central no mercado de câmbio) e, principalmente, pela coletiva de imprensa de Janet Yellen, como nova chair do FED (Federal Reserve - Banco Central norte-americano), após sua primeira reunião de política monetária. Yellen disse, indiretamente, o que todos queriam ouvir nas principais praças financeiras mundiais: quando é que os juros irão subir nos Estados Unidos?

Fim das incertezas, melhoraram as condições para o capital circular em ativos de maior risco, principalmente nos países emergentes. Os investidores, mais tranquilos, não serão surpreendidos pela desalavancagem do sistema (via aperto monetário) até o primeiro trimestre de 2015.

O gráfico da Treasury de 10 anos (título público do Tesouro norte-americano) mostra claramente a redução significativa do clima de aversão ao risco que inundou os países emergentes com capital especulativo nos últimos meses.


O Yield (taxa de juros) da Treasury de 10 anos cedeu cerca de 10% desde o discurso de Janet Yellen e atingiu nesta quarta-feira o menor patamar dos últimos seis meses, aos 2,54%.

Repercutindo a oscilação dos títulos norte-americanos e forte entrada de capital especulativo, os juros futuros brasileiros também recuaram para patamares próximos da mínima de seis meses. O pré-fixado (ou LTN do Tesouro Nacional) paga hoje um prêmio modesto de cerca de 1 p.p. sobre o pós fixado (ou LFT do Tesouro Nacional).


A forte valorização do real também atraiu fundos hedge japoneses, conhecidos como “toshins”, especialistas em operações com moedas, ações e títulos da dívida pública. Os fundos japoneses buscaram compensar o baixo rendimento do iene frente ao euro e dólar comprando real.

Estes são os pilares que sustentam o rali observado em algumas praças emergentes, especialmente o Brasil, por apresentar um bônus maior no câmbio. Não são fundamentos nem muito menos expectativas eleitorais. São fatores técnicos, de curto prazo. Entretanto, o investidor estrangeiro que entrou no Brasil para fazer carry-trade e aproveitar a valorização do real não veio pra ficar. Quer apenas aproveitar a janela de oportunidade, pegar a sua parte na dança dos ativos globais e, quando estes fatores deixarem de existir, voltar para casa na mesma velocidade.

O índice Bovespa subiu 0,94% nesta quarta-feira, conseguindo superar a linha de resistência localizada na faixa dos 54.3k, fortalecendo a tendência de alta de curto prazo iniciada na região dos 44.9k.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones recuou 0,61%, dois dias depois de superar a máxima histórica. Com a queda de hoje, houve formação de topo de curtíssimo prazo na região dos 16.7k, ainda sem trazer ameaça à tendência de alta de curto prazo.