quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Rodada dupla de peso


A reunião do Comitê de Política Monetária do FED (Federal Reserve – Banco Central norte-americano) terminou nesta quarta-feira confirmando o encerramento dos programas de estímulos monetários (Operação Twist e Quantitative Easing 3).

A decisão de política monetária era amplamente esperada pelo mercado e não surpreendeu. Entretanto, o comunicado emitido após a reunião de Comitê apresentou novidade relevante. Até o início da reunião realizada nesta semana, a autoridade monetária norte-americana avaliava que o mercado de trabalho operava em "significativa ociosidade".

Esta avaliação mudou. Agora, o Banco Central dos Estados Unidos considera que “uma série de indicadores do mercado de trabalho sugere que a subutilização dos recursos de trabalho está gradualmente diminuindo.” A mudança é importante, pois o reconhecimento da melhora no mercado de trabalho é fator de decisão fundamental para os diretores do Comitê autorizarem o início do processo de aperto monetário no futuro próximo.

Além disso, a desaceleração do crescimento na Europa não alterou a perspectiva para a política monetária nos Estados Unidos. No comunicado, o FED destaca que “continua a ver suficiente vigor subjacente na economia mais ampla para sustentar o progresso em curso em direção ao máximo emprego em um contexto de estabilidade de preço”.

A autoridade monetária reforçou, também, que a probabilidade da inflação ficar abaixo da meta diminuiu desde o começo do ano. Com aceleração da inflação e manutenção do ritmo de melhora do mercado de trabalho, a economia norte-americana segue fornecendo sinais de que o aperto monetário deve começar em meados de 2015.

Por outro lado, a famosa expressão “tempo considerável” (ou “horizonte relevante”), utilizada para caracterizar por quanto tempo o Banco Central pretende esperar para elevar a taxa básica de juros após o fim dos programas de estímulos monetários, foi mantida no comunicado emitido ao mercado na tarde desta quarta-feira, o que reforça a manutenção da postura cautelosa adotada desde março deste ano.

Mesmo sinalizando ao mercado de que segue cauteloso, o Banco Central norte-americano não está tão dovish (defensor de juros mais baixos) quanto anteriormente. O novo comunicado está mais pesado. Mais hawkish (defensor de juros mais altos). Prova disso está na votação. O único membro votante do Comitê que discordou do teor do comunicado foi Narayana Kocherlakota, presidente do FED Minneapolis, reconhecido por ter uma forte postura dovish.

No Brasil, os integrantes do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) discutiam a estratégia de política monetária a ser adotada no País no momento em que a decisão saiu nos Estados Unidos. Possivelmente surpresos com uma postura mais hawkish do FED, os integrantes do Banco Central brasileiro entenderam o recado e deram uma resposta imediata.

A taxa básica de juros no Brasil subiu 0,25 ponto percentual, para 11,25% ao ano. A decisão surpreendeu o mercado e pode provocar um choque de expectativas. O Banco Central do Brasil também está mais hawkish. Existe uma lista de motivos para justificar a alta na taxa Selic, dentre as quais pode-se destacar o novo movimento de aceleração da inflação e disparada na taxa de câmbio.

Mas, tão importante quanto apertar as condições monetárias para combater a inflação persistentemente elevada, dar uma resposta imediata ao mercado pode prevenir novos choques na taxa de câmbio, possível fruto de uma fuga de captais ou acentuação do atual movimento de aversão ao risco. O FED surpreendeu nesta quarta-feira, provocando aumento nos prêmios de risco dos títulos da dívida soberana norte-americana. O Banco Central brasileiro não pensou duas vezes, vai combater a inflação e a melhora nos prêmios de risco norte-americanos. Um olho no IPCA e outro no FED, pelo menos deve ser assim até arrumarem a casa.

Ao final da reunião, o Copom emitiu o seguinte comunicado: "Para o Comitê, desde sua última reunião, entre outros fatores, a intensificação dos ajustes de preços relativos na economia tornou o balanço de riscos para a inflação menos favorável. À vista disso, o Comitê considerou oportuno ajustar as condições monetárias de modo a garantir, a um custo menor, a prevalência de um cenário mais benigno para a inflação em 2015 e 2016".

No mercado de capitais o índice Bovespa fechou o pregão desta quarta-feira em queda de 2,45%, refletindo a decisão do FED. A queda de hoje provoca novo distanciamento da média móvel simples de 200 períodos diária, reforçando a zona de resistência na região.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em leve baixa, mostrando um candle de indefinição para os próximos dias.


segunda-feira, 27 de outubro de 2014

O recado das urnas


Dilma Rousseff passou um tremendo sufoco, mas conseguiu levar a melhor no último domingo. A eleição mais disputada desde a redemocratização do País deixou uma grande rachadura, influenciada pela própria agressividade da campanha eleitoral. O Brasil está nitidamente dividido por linhas sociais e regionais.

Restabelecer a conexão entre essas linhas será a primeira e importante tarefa a ser executada pela presidente. Não será uma tarefa difícil. Os ânimos tendem a esfriar nas próximas semanas com término da campanha. Basta o governo fazer a sua parte: calibrar o discurso e atender parte das demandas que surgiram do outro lado da linha.

O pronunciamento da presidente Dilma Rousseff realizado ontem após a confirmação de sua vitória é o primeiro indicativo de que o governo entendeu o recado das urnas. Sem o apoio da classe média cada vez mais exigente, o seu partido não terá a menor chance de permanecer no poder em 2018.

Não há outra forma de atender as demandas do outro lado da linha sem, primeiro, executar alguns ajustes. A política fiscal está sufocada. Será necessário reverter a trajetória de crescimento significativo do déficit nominal. Para isso, basta nomear um ministro da Fazenda de postura pró-mercado. Será o suficiente para implementar alguns pequenos ajustes na política fiscal, recuperar parte da confiança perdida e atrair os investimentos.

Joga a favor o fato de o governo estar pressionado pelas agências de classificações de risco. Todas as três principais agências deixaram bem claro que o rating brasileiro poderá ceder no próximo ano em caso de manutenção da atual e ineficiente política econômica, fiscal e monetária. Cobra-se também o mínimo de transparência nas contas públicas, com menos manobras contábeis e mais superávit primário.

Dilma precisa se reaproximar dos empresários. Com o retorno dos investimentos, o País volta a crescer, abrindo nova margem de manobra para o governo atender algumas demandas da classe média na metade final deste segundo mandato. Mas não adianta agendar reuniões sem a presença da credibilidade no contive. E novamente as atenções se voltam às mudanças na condução da política econômica.

Por este motivo o mercado aguarda com tremenda ansiedade a nomeação do novo ministro da Fazenda. Quase tudo que precisa ser feito com urgência nos próximos meses partirá do ministério da Fazenda.

Por outro lado, mudanças na condução da política monetária são pouco prováveis. A inflação tende a permanecer perigosamente elevada, próxima à margem de tolerância (6,5%), que, na prática, é a meta que está sendo perseguida. O governo não se incomoda com os 6,5%, desde que a taxa de desemprego permaneça artificialmente baixa. Descobriram que esta conta fecha com a estabilidade da popularidade.

É plausível afirmar, através do histórico dos últimos anos, que as declarações dos líderes do governo não são nada confiáveis. As atitudes foram, muitas vezes, totalmente divergentes das afirmativas. Mas até então havia a mentalidade de que as eleições de 2014 seriam bem tranquilas. O marqueteiro do PT chegou a afirmar que Dilma seria eleita no primeiro turno, pois disputaria as eleições contra “anões”.  Quase perdeu no segundo turno.

O lado positivo desta eleição mais disputada desde a redemocratização do País é justamente o fato de que o futuro do poder não está mais, confortavelmente, nas mãos do PT. Com a oposição fortalecida, inclusive no Congresso, o sufoco de 2014 poderá se transformar numa derrota humilhante em 2018 com a “prata da casa”.

Para não correr este risco, o governo petista vai ter que falar menos mentiras e fazer mais verdades. A urna deu o seu recado. Se a ficha não cair, os dias do PT no poder estarão contados.

No mercado financeiro doméstico a segunda-feira amanheceu conturbada. Investidores/operadores desmontaram posições desesperadamente, à espera de um circuit breaker antecipando pela mídia e analistas de mercado. Não chegou nem perto disso, “talvez” porque estavam errados desde quando as pesquisas começaram a ser divulgadas. O mercado entrou em recuperação gradual logo após a abertura do pregão.

O índice Bovespa fechou em baixa de 2,77%, aos 50.5k, após testar a região dos 48.7k no primeiro minuto da abertura dos negócios. O dólar chegou a disparar para R$ 2,56, mas fechou o dia aos R$ 2,52. Os juros futuros também abriram em forte alta, mas cederam para abaixo da mínima de sexta-feira na curva mais curta. Na curva mais longa, fecharam levemente acima do preço de sexta-feira.

Apesar da recuperação, o índice permanece dentro da tendência de baixa iniciada na região dos 62.3k. O mercado nacional já eliminou boa parte do descasamento dos preços em relação ao quadro macroeconômico desafiador (interno e externo) constatado nos meses anteriores.


Destaque para a reunião do Banco Central a ser realizada nos próximos dias 28 e 29 de outubro. Não se espera alterações na política monetária, mas sim uma indicação de aperto monetário adicional para as próximas reuniões, em resposta ao deslocamento do câmbio e ressurgimento do movimento de aceleração da inflação.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em leve alta, mantendo o movimento de recuperação iniciado na região dos 15.8k, sem apresentar novidade. A reunião do Comitê de Política Monetária do FED (Federal Reserve - Banco Central norte-americano) iniciará amanhã, com expectativa de confirmação da total interrupção dos programas de estímulos monetários na quarta-feira, após o término da reunião. Por outro lado, espera-se manutenção da postura cautelosa adotada desde março deste ano, sem perspectiva de alterar a garantia de juro zero.


quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Atualização do quadro macroeconômico


Alguns participantes do mercado respiraram aliviados com os números do gigante asiático. A perda do ritmo de expansão da economia chinesa foi menor do que os analistas esperavam. Entretanto, os indicadores não são positivos, principalmente às economias altamente dependentes da força compradora de commodities existente na China. O clima de pessimismo no mercado estava um pouco exagerado, influenciado pela bateria de indicadores decepcionantes das últimas semanas, o que acabou pesando para baixo as projeções dos analistas.

O PIB (Produto Interno Bruto) de 7,3% do terceiro trimestre deste ano, sobre o mesmo período do ano anterior, mostrou que a China cresceu no ritmo mais fraco desde o primeiro trimestre de 2009 (período onde as economias foram afetadas pela crise financeira mundial).

O primeiro-ministro, Li Kegiang, já afirmou algumas vezes este ano que vai tolerar crescimento ligeiramente abaixo da meta (7,5%). Portanto, a desaceleração do crescimento chinês não foi tão forte a ponto de forçar a implementação de novas medidas de estímulo monetário por parte do Banco Popular (Banco Central chinês) e nem tão fraca a ponto de abrir novas janelas para o governo avançar com mais rapidez no processo de transição do modelo econômico, mais voltado ao consumo e menos às exportações e investimentos.

A prévia do Índice Gerente de Compras da China endossa a manutenção da posição do governo. O índice avançou de 50,2% em setembro para 50,4% neste mês, mostrando pequena aceleração no ritmo de crescimento do setor manufatureiro chinês, apesar de ainda mostrar fragilidade. A inflação ao produtor caiu para mínima de sete meses influenciada pela desaceleração do crescimento das encomendas, tanto internas, quanto externas.

Nos Estados Unidos, a prévia do Índice Gerente de Compras caiu de 57,5 pontos registrados em setembro para 56,2 pontos neste mês, menor patamar desde julho deste ano. A redução expressiva do ritmo de crescimento favorece a postura cautelosa adotada pelo FED (Federal Reserve – Banco Central norte-americano) e confirma as recentes preocupações quanto à perda do ritmo de crescimento das principais economias mundiais levantadas por economistas de renomadas instituições.

Na zona do euro, a prévia do Índice Gerente de Compras subiu de 52 pontos em setembro para 52,2 pontos em outubro. O indicador medido pelo Instituto Markit, em parceria com o banco HSBC, veio fora da curva, já que o lento ritmo de crescimento na região está comprovadamente desacelerando.

O estudo mostra que as empresas da zona do euro tiveram que cortar preços pelo trigésimo primeiro mês (a taxa mais forte em quase cinco anos) para conseguirem sustentar o faturamento, levantando novas preocupações das autoridades com a deflação. Além disso, o relatório mostra que o otimismo dos empresários sobre o futuro caiu para o menor nível em mais de um ano, o que sugere deterioração nos indicadores para os próximos meses.

No Japão, a demanda interna permanece fraca, forçando o governo reduzir sua avaliação econômica pelo segundo mês consecutivo. A produção também cedeu, acompanhando a queda do índice de confiança do setor de serviços medida pelo Banco Central. O escritório de Gabinete japonês afirmava nos meses anteriores que a fraqueza econômica estava limitada a apenas alguns setores. Esta avaliação mudou para: “a economia japonesa está em recuperação moderada, mas recentemente pode se ver fraqueza”.

A recente sinalização de perda do ritmo de crescimento constatado nos principais players globais chegou num momento desfavorável às economias desarrumadas, tal como a brasileira. Sem margem de manobra, negligenciada pela baixa qualidade de gestão do atual governo, a economia brasileira sofre com inaceitável acúmulo de graves problemas estruturais que se somarão ao ambiente internacional desafiador.

Enquanto a mídia e os analistas se prendem às pesquisas eleitorais para justificar o desempenho dos ativos domésticos, eventos extremamente relevantes e de elevado impacto no mercado e na economia nacional passam despercebido pelos investidores. As estratégias de política monetária dos principais banqueiros centrais mundiais e os deslocamentos dos ativos-referência no mercado global (tais como dólar e prêmio de risco da Treasury de 10 anos) foram amplamente levantadas neste espaço nos últimos trimestres.

Entretanto, recentemente surgiu uma terceira grande força sobre a economia, bem como os preços dos ativos brasileiros. O mercado de commodities colapsou, num movimento semelhante ao pânico de 2008. O índice Global de Commodities CRB Jefferies Reuters saiu da máxima do último ano no final do mês de agosto para a mínima de 2012 neste mês de outubro.


A impressionante queda vertical dos últimos 30 dias pode eliminar o efeito da valorização do dólar no lucro das empresas exportadoras e aumentar a vulnerabilidade da economia brasileira, altamente dependente do mercado de commodities para crescer e atrair dólares.

Causa preocupação adicional verificar que a inflação brasileira não tem reagido à expressiva queda nos preços das commodities. Pelo contrário, pode-se constatar nas últimas medições do IBGE preocupante aceleração da inflação.

O resumo da ópera é um verdadeiro lamaçal de problemas domésticos potencializados por cada choque externo. Precisamos de ajustes urgentes nas estratégias das políticas econômica,fiscal e monetária, num momento delicado de mudanças globais importantes a frente, que vão desde a normalização das condições monetárias nos Estados Unidos e Inglaterra, passando pelo risco de deflação na zona do euro, dificuldade de retomada do crescimento no Japão e mudanças no modelo econômico chinês.

O índice Bovespa fechou o pregão desta quinta-feira detonando mais um pivot de baixa, na mesma região por onde passa a média móvel simples de 200 períodos diária, mostrando candle de força relevante. O quadro técnico alimenta a força da tendência de baixa iniciada na região dos 62.3k. Abaixo do patamar psicológico dos 50.000 pontos as zonas de suporte são inexpressivas.
  

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em alta de 1,32%, superando levemente a média móvel simples de 200 períodos diária, ainda trabalhando dentro de um movimento de alívio.


Finalizo a análise de hoje com a notícia de que Dias Toffoli, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitora), irá convocar os institutos de pesquisa para fazer uma avaliação sobre os números apresentados ao longo da campanha eleitoral. Segundo o presidente do TSE, os erros não são poucos e nem pontuais.

Esses erros, segundo Toffoli, alteram rumos de campanhas, podem mudar o voto de eleitores e influenciam a bolsa de valores.

Portanto, esqueçam as pesquisas. Votem conscientes. Boa eleição a todos!

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Austeridade falhou na Europa


A recente intensificação das políticas de estímulos monetários por parte do BCE (Banco Central Europeu) não deixa dúvida de que as medidas de austeridade fiscal, impostas pela troika (comissão composta pelos líderes da União Europeia, Fundo Monetário Internacional e do próprio Banco Central Europeu), tanto para “reorganizar” (leia-se cortar) os orçamentos dos governos europeus, quanto para ajudar Países à beira do colapso, falharam na Europa.

Até pouco tempo atrás havia sensação de que o antídoto adotado pela troika estava realmente funcionado. Apesar das altas taxas de desemprego, as economias do bloco experimentaram redução do superávit primário e certa recuperação do crescimento, embora anêmica. No mercado financeiro, as fortes intervenções do BCE “resolveram” (adiaram) o problema da dívida soberana. Os governos voltaram respirar aliviados, podendo rolar dívidas a taxas de juros mais baixas. Mas tudo isso teve um preço: austeridade na veia.

A recente deterioração dos indicadores econômicos demonstra que os cortes orçamentários agressivos impostos pela troika impediram a recuperação econômica da zona do euro. De um crescimento anêmico condicionado à inflação extremamente baixa e elevadas taxas de desemprego, a Europa prepara-se para mergulhar numa nova recessão com a manutenção das preocupantes condicionantes inflacionárias e do mercado de trabalho. O novo quadro que se desenha na Europa é mais grave do que aquele constatado há cerca de três anos atrás e pode arrastar o bloco para uma década perdida.

Não é por acaso que se nota mudança radical no discurso do FMI (Fundo Monetário Internacional). De uma forte imposição a austeridade fiscal, a instituição, agora, recomenda o oposto: que os chefes de Estados passem a gastar mais. O BCE, que solidariamente tem feito esforço para estimular o crescimento, reclama que está fazendo um trabalho árduo e precisa da ajuda dos governos.

Acontece que não há margem de manobra para grande parte dos governos europeus. Os países que receberam ajuda estão ainda mais endividados e não podem fazer nada. Alguns possuem dívidas impagáveis, como é o caso da Grécia. Os países que experimentaram períodos de recessão ou baixas taxas de crescimento estão arrecadando menos e, portanto, seguem com as mãos atadas. Já os poucos países que degustaram taxas melhores de crescimento nos últimos anos e/ou apresentam folga no orçamento, como a Alemanha, não querem estender a mão amiga para o bloco.

Para complicar, os estímulos monetários adotados pelo BCE na Europa mostram-se menos eficazes do que os estímulos monetários implementados pelo FED (Federal Reserve) nos Estados Unidos. Isso ocorre devido a suspeita de que o rombo no sistema financeiro europeu é muito maior do que o rombo no sistema financeiro norte-americano, provocando menor repasse do crédito à economia.

Embora a atuação do BCE, juntamente com o retorno dos superávits primários, tenha tranquilizado o mercado nos últimos anos, permitindo, inclusive, renovação de máximas históricas em índices acionários e significativa redução dos prêmios de risco (alguns mais baixos do que o prêmio pago pelo título de 10 anos do Tesouro norte-americano, considerado, portanto, uma aberração), a combinação de bancos travados e governos de mãos atadas acabaram fortalecendo o problema criado pelas políticas de austeridade fiscal. Baixa arrecadação, desemprego de dois dígitos, inflação quase nula e recessão à vista. O que seria uma solução para a Europa está se tornando num problema ainda maior, agora difícil de resolver.

A troika foi muito afoita na imposição das duras medidas de austeridade e otimista demais na perspectiva de retomada do comércio global. A força e a rapidez com que as medidas foram tomadas inviabilizaram o processo de recuperação econômica. Já as exportações, que permitiram um respiro do bloco nos últimos dois anos (sendo a Alemanha, país com a melhor balança comercial do mundo, a grande beneficiada), minguaram. Bastou uma recaída no comércio internacional para a Europa render-se de joelhos no chão.

A falta de coordenação entre as políticas fiscal e monetária dentro da zona do euro (algo semelhante ao que ocorre no Brasil, mas de maneira invertida) também está brecando o crescimento e reduzindo as esperanças de uma solução definitiva para impedir o agravamento da crise no bloco europeu. Enquanto o BCE pisa no acelerador (medidas de estímulo), os governos pisam no freio (austeridade fiscal) sob pressão dos alemães, e ninguém se entende na união monetária.

Não restam dúvidas de que o BCE pisará com mais força no acelerador. O quadro se deteriorou rapidamente. Mas é necessário haver esforço coordenado na Europa para que a política monetária mais agressiva seja bem sucedida. Isso é, precisa ser respaldada pela flexibilização do orçamento na Alemanha, reformas na França e Itália e políticas fiscais menos austeras nos demais países.

Entretanto, líderes da zona do euro parecem longe de chegarem num entendimento. Os alemães detestam flexibilização fiscal e o partido da chanceler Angela Merkel não quer perder o apoio do povo. As reformas para desburocratizar a economia francesa e italiana, e flexibilizar as regras trabalhistas, são impopulares e só seriam tomadas em último caso. Já a redução da austeridade nos demais países é bastante limitada pela ausência de margem de manobra, além de ser um incentivo ao desagrado dos alemães.

Sem uma coordenação entre as políticas (fiscal e monetária) e melhor entendimento entre os chefes de Estado, a zona do euro poderá entrar num longo período de inflação muito baixa, desemprego elevado e crescimento medíocre.

Os indicadores europeus deterioram-se de tal forma que já se especula dentro do FED a possibilidade de prorrogar o aperto monetário previsto para meados de 2015. O continente europeu representa quase 1/3 da economia global e os impactos de uma estagnação do bloco afetaria inevitavelmente o mundo inteiro. Além disso, a significativa piora dos indicadores europeus provoca natural fuga de capitais para ativos mais seguros nos Estados Unidos.

Estes dois motivos citados no parágrafo anterior são responsáveis pela rápida (e impressionante) valorização da Treasury de 10 anos nos últimos dias.

Os rendimentos dos demais títulos da dívida soberana (incluindo de países emergentes, tal como o Brasil), não seguiram o movimento da Treasury, já que o clima de aversão ao risco toma conta das principais praças financeiras globais. O capital busca segurança/proteção que só o governo norte-americano pode oferecer através de sua moeda ou dos títulos de sua dívida soberana.

A taxa de juros da Treasury de 10 anos perdeu o patamar psicológico de 2%, atingindo a mínima de 1,86% na manhã desta quarta-feira, aproximando-se do nível que antecedeu o primeiro anúncio antecipado do tapering pelo então chair do FED, Ben Bernanke, no ano passado (responsável, na época, por provocar uma forte disparada dos juros, rumo aos 3%). No final do pregão, a valorização perdeu força e a Treasury fechou aos 2,15%.


O índice Dow Jones fechou em baixa pelo quinto pregão consecutivo. Atingiu a região dos 15.9k muito rapidamente nesta quarta-feira e conseguiu recuperar-se parcialmente na parte da tarde, mostrando alívio que pode ser estendido para os próximos pregões, devido à sobrevenda elevada. Os principais índices da bolsa de Nova York trabalham dentro da mais forte correção deste ano. Ambos perderam recentemente a média móvel simples de 200 períodos diária.


No Brasil o índice Bovespa caiu 3,24%. O doji de ontem, juntamente o forte candle de baixa de hoje, confirmou a formação do terceiro topo descendente da tendência de baixa iniciada na região dos 62.3k. Destaque para sequência de pavios longos superiores, revelando insistência da força vendedora na região dos 58.9k. 


Cabe ressaltar a importância de distinguir os efeitos provocados pela nova crise da zona do euro e a deterioração dos fundamentos econômicos brasileiros, especialmente nos últimos quatro anos. Logo no início do governo Dilma pode-se constatar as primeiras falhas na condução da política econômica. Além de não tomar ações para resolver os graves problemas estruturais, a insistência no modelo errático acelerou o processo de degradação da economia, aumentou as intervenções desastrosas do Estado, reduziu os níveis de confiança e dos investimentos e provocou o deslocamento da inflação para a margem de tolerância (6,5%), que parece ser a “nova meta” a ser perseguida pela desacreditada política monetária do Banco Central.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Está difícil convencer os alemães


O FMI (Fundo Monetário Internacional), Estados Unidos e outros membros do G20 (grupo que representa as principais potências industriais e em desenvolvimento – 85% da produção econômica mundial) têm repetidamente convocado a Alemanha a usar seu espaço de manobra para elevar os gastos e sustentar o crescimento.

As cobranças surgiram com mais peso nas reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial. Jack Lew, secretário do Tesouro norte-americano, pediu aos líderes mundiais com posições orçamentárias fortes a fazer mais pelo crescimento e sustentar a demanda global. Chefes de finanças do G20 também se reúnem nesta sexta-feira e estão preparados para pressionar os alemães.

As exportações, encomendas e produção da indústria alemã sofreram as maiores quedas desde o auge da crise financeira global, sinalizando possibilidade relevante de recessão, o que pode arrastar a zona do euro para a deflação, com o agravamento do quadro de baixas taxas crescimento e inflação.

Mas os alemães estão relutantes. A chanceler Angela Merkel disse a jornalistas que a demanda interna no País ainda é forte e que, no geral, a Alemanha está em boa condição. O ministro das Finanças, Wolfgang Schauble, afirmou que seria loucura colocar em risco o saneamento das finanças públicas com políticas de estímulo que, de qualquer forma, não forneceriam grande coisa, na sua avaliação. O presidente do Banco Central, Jens Weidmann, considerou que os investimentos públicos alemães podem aumentar, mas alertou contra a tentação de abandonar o objetivo de equilíbrio orçamentário.

Sem a ajuda dos alemães, pouco pode ser feito de imediato para impulsionar o crescimento na região, já que outros governos da zona do euro estão paralisados por excessivas dívidas e déficits fiscais. Nesta sexta-feira, a agência de classificação de risco Standard & Poor's reduziu a perspectiva do rating da França, de estável para negativa, citando diminuição do espaço fiscal do governo diante das limitações da economia. Diante deste cenário, novamente o BCE (Banco Central Europeu) será pressionado a criar mais medidas de estímulos monetários na tentativa de reverter a trajetória de deterioração dos indicadores econômicos na zona do euro.

No mercado de capitais, os principais índices acionários fecharam a semana em baixa. Quedas relevantes na Europa e nos Estados Unidos. O índice S&P500 encostou na média móvel simples de 200 períodos diária mostrando candle de força relevante, o que aumenta a possibilidade de rompimento. Desde meados de 2012 o índice não tocava nesta referida média.


A bolsa do México devolveu quase todos os ganhos acumulados no rali dos meses anteriores, voltando a se aproximar da média móvel simples de 200 períodos semanal, principal ponto de apoio dos últimos dois anos.


No Brasil, o índice Bovespa despencou 3,42% nesta sexta-feira, mas ainda assim conseguiu fechar a semana em leve alta, devido à euforia constatada no início desta semana frente aos resultados do primeiro turno. Entretanto, o pavio longo do candle semanal, mostrando resistência da média móvel simples de 200 períodos, corrobora para manutenção da pressão vendedora nas próximas semanas.


Destaque para o debate entre Armínio Fraga e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, exibido na GloboNews nesta última quinta-feira. Aos que ainda não assistiram, segue o link do vídeo.
  
Bom final de semana a todos!

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Desafios macroeconômicos aumentam


A emocionante arrancada do candidato do PSDB, Aécio Neves, na reta final do primeiro turno, contrariando todas as pesquisas eleitorais, diga-se de passagem, provocou um movimento de euforia no mercado financeiro brasileiro no início desta semana. Com 33,6% dos votos válidos, Aécio Neves atropelou a candidata do PSB, Marina Silva (que ficou apenas com 21,3% dos votos válidos), garantindo sua passagem para o segundo turno.

Os 34,9 milhões de votos fisgados por Aécio Neves surpreenderam os analistas e levaram investidores a comprar ativos de risco no Brasil, acreditando num futuro melhor. Apesar do clima positivo, os números ainda jogam a favor da candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff, apoiada sobre uma base sólida de 41,6% dos votos válidos. São eleitores fiéis ao partido e que muito provavelmente não votarão no candidato do PSDB neste segundo turno. Essa é a base de votos que a presidente vêm mantendo desde as pesquisas do mês de março deste ano, com pequenas oscilações para cima e para baixo.

Isso significa que, infelizmente, a candidata do PT está mais próxima da reeleição. Boa parte dos votos válidos dos partidos menores será capturada pelo PT, devido a maior proximidade ideológica, restando pouco mais de 5% de votos para o marketing do PT fisgar entre eleitores indecisos ou que apoiavam Marina Silva no primeiro turno, e, assim, alcançar os 50% + 1. Por outro lado, se o PSDB continuar sendo o mesmo PSDB dos últimos anos, o marketing do PT pode tirar férias, já que não será necessário alcançar os 50% +1, basta ficar do jeito que está. Dilma à frente de Aécio.

Soma-se isso ao fato (historicamente comprovado) de o povo latino-americano possuir grande queda por governos populistas. O governo do PT não decepcionou o povo. Cumpriu a cartilha populista com rigor. Por fim, os resultados das eleições para governadores, senadores e deputados mostraram que o desejo de mudança, expressado nas manifestações do ano passado, não são compartilhados pela maioria da população. Prevaleceu o mais do mesmo.

No entanto, o quadro econômico está traçado. O candidato a presidente que vencer o segundo turno encontrará dificuldades relevantes pela frente que exigirão, no mínimo, alguns ajustes na política econômica, fiscal e monetária.

O processo de retomada da economia global tem decepcionado investidores e instituições renomadas. O FMI (Fundo Monetário Internacional), por exemplo, reduziu novamente sua projeção de crescimento para a economia global a 3,3% em 2014 e 3,8% em 2015. Os economistas da instituição cortaram as projeções de crescimento econômico para o ano corrente em nove das últimas 12 revisões realizadas nos três últimos anos.

O quadro externo não tem ajudado muito, mas o quadro interno é desolador. O FMI agora estima que o PIB do País vá expandir neste ano apenas 0,3%, ante 1,3% projetado em meados deste ano. Para 2015, o crescimento foi revisado de 1,4% para 0,6%. Os motivos são os grandes e velhos conhecidos problemas estruturais, cada vez mais intensificados pelas estratégias incompreensíveis das políticas econômica, fiscal e monetária.

A margem de manobra fiscal para contornar os erros grosseiros da política econômica e sustentar a máquina pública no atual nível acabou. Será necessário voltar a fazer superávit primário sem truques contábeis. A margem de tolerância da inflação foi pro espaço. Será necessário buscar o centro da meta (4,5%) para reverter as expectativas negativas dos agentes o quanto antes, afastando os sérios riscos do processo de indexação. E para retomar parte da confiança perdida nos últimos anos, destravando os investimentos, a estratégia de política econômica deverá ser alterada.

A diferença entre os ajustes a serem feitos tanto pela candidata Dilma, se eleita, quanto pelo candidato Aécio, se eleito, está na intensidade. Até o momento, estima-se que a presidente Dilma fará apenas o necessário para a corda não arrebentar, sustentando o Estado no poder. Ou seja, ajustes pequenos e pontuais. Já o candidato Aécio tem um programa mais ortodoxo para a área econômica, que, por um lado, deverá provocar impactos negativos no curto prazo, mas, por outro lado, criará todas as condições para o País alcançar o PIB potencial (leia-se 4%) e crescer de forma sustentada no médio e longo prazo.

Lamentável destaque nesta quarta-feira para nova disparada do IPCA, poucos dias após o Banco Central emitir um documento mostrando que a inflação não está mais resistente no País. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que o IPCA subiu para 0,57% em setembro. No acumulado deste ano, a inflação alcançou os 4,61%, estourando o centro da meta (4,5%) com bastante antecedência. No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação chegou aos 6,75%, distanciando-se da margem de tolerância (6,5%). Situação inadmissível. Em 2014, a inflação marcará o quinto ano consecutivo em que fechará bem distante do centro da meta.

No mercado de capitais, o índice Bovespa fechou o pregão em baixa de 0,66%, mostrando candle que caracteriza indecisão sobre o rompimento ascendente da linha central de bollinger e LTB dos 62.3k. Segue indefinido para os próximos pregões.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em alta de 1,64%, recuperando-se do tombo de ontem. O dólar forte e o crescimento global fraco devem impactar negativamente os resultados de empresas norte-americanas no terceiro e quarto trimestre deste ano. A ata do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) divulgada nesta quarta-feira confirmou a postura cautelosa da autoridade monetária. Apesar de não ser uma informação nova, o documento elevou o humor dos investidores. Ainda assim, mercado segue volátil e com risco de novas correções no curto prazo.


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Desemprego na mínima de seis anos carimba fim dos estímulos monetários


O Departamento de Trabalho dos Estados Unidos informou nesta sexta-feira que foram criados 248 mil postos de trabalho no mês de setembro, surpreendendo positivamente as expectativas dos analistas. A taxa de desemprego recuou para 5,9%, atingindo o menor patamar desde julho de 2008. Além disso, os dados de julho e agosto foram revisados para cima, com o acréscimo de 69 mil vagas.

A sequência de indicadores positivos continua mostrando melhora gradual no processo de retomada da economia norte-americana. Além disso, sinaliza que a economia está preparada para manter o ritmo de crescimento sem o auxílio dos importantes programas de estímulos monetários do FED (Federal Reserve – Banco Central norte-americano), que, apesar de algumas críticas, funcionaram muito bem.

Com o suporte da taxa de desemprego, muito provavelmente o mês de outubro marcará o encerramento do Quantitative Easing 3 e da Operação Twist. Na próxima reunião de Comitê a ser realizada nos dias 28 e 29 de outubro, os membros votantes do FED deverão cortar o atual volume de compras mensais (atualmente de 15 bilhões) para zero.

Entretanto, a orientação futura sobre os juros não deverá ser alterada. Desde março deste ano o FED utiliza a famosa expressão “tempo considerável” (ou “horizonte relevante”) em seus comunicados, para caracterizar por quanto tempo a autoridade monetária pretende esperar para elevar a taxa básica de juros após o fim dos programas de estímulos monetários.

A manutenção desta orientação está baseada em dois importantes pilares (i) parte da queda na taxa de desemprego foi novamente ocasionada pela desistência de algumas pessoas em procurar emprego. A fatia da população empregada ou procurando empregos caiu para 62,7%, o menor nível desde 1978; (ii) a taxa de inflação segue abaixo da meta e, recentemente, desacelerou, atingindo 1,5% em agosto (acumulado dos ultimes 12 meses), bem abaixo da meta de 2% a ser perseguida pelo FED.

O fim dos estímulos monetários não provocará alterações no excesso de liquidez observado no mercado financeiro global. O delicado processo de desalavancagem do sistema ocorrerá pelo aumento da taxa básica de juros, retomada da inflação e redução da gigantesca carteira de ativos do FED. No entanto, mesmo surfando o excesso de liquidez, o mercado tende a precificar os impactos da desalavancagem à medida que se aproxima do ciclo de aperto monetário nos Estados Unidos.

Na zona do euro, o BCE (Banco Central Europeu) vai na direção contrária. Na reunião de Comitê encerrada na última quinta-feira, o Banco Central anunciou que vai começar a comprar bônus cobertos a partir de outubro, assim como os ABS (títulos lastreados em ativos) ao longo do trimestre. A esse mecanismo, previsto por dois anos, vão se somar oito empréstimos a juros baixos e de longo prazo (TLTRO) aos bancos, até junho de 2016, com a condição de que eles ofereçam mais créditos para empresas e particulares, contribuindo para a reativação da economia da zona do euro.

Os ABS são uma opção de investimento que tem como base os empréstimos concedidos por bancos a empresas ou pessoas físicas, incluindo cartões de crédito e financiamento de veículos. Bônus cobertos são instrumentos semelhantes, porém mais seguros que os ABS, pois os ativos que os originam, tais como imóveis, estão garantidos.

Mario Draghi, presidente do BCE, afirmou que essas novas compras terão impacto considerável no balanço patrimonial do Banco Central e podem chegar até 1 trilhão de euros. O presidente do BCE ainda deixou aberta a possibilidade de usar mais instrumentos não convencionais, se necessário, para evitar o risco de inflação persistentemente muito baixa por longo período. No mês de setembro, a inflação na zona do euro recuou para 0,3% no acumulado dos últimos 12 meses, forçando uma rápida reposta por parte da autoridade monetária.

Por fim, as economias latino-americanas voltaram a entrar em destaque no contexto global devido à recente derrocada nos preços das commodities. Diretores econômicos do BM (Banco Mundial), FMI (Fundo Monetário Internacional) e do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) chamaram atenção nesta semana aos “desafios extras” a serem enfrentados pelas economias latino-americanas no próximo ano. A forte redução nos preços das matérias-primas provocará reduções nas taxas de crescimento, justamente num momento de acúmulo de desafios econômicos domésticos, tais como, infelizmente, constatados no Brasil.

O índice Bovespa subiu 1,91% nesta sexta-feira, mantendo o movimento de alívio (a princípio temporário) iniciado na última quinta-feira, após testar e respeitar a região de suporte dos 52.7k.


O índice Dow Jones fechou o pregão desta sexta-feira em forte alta, reagindo ao martelo deixado no pregão anterior, logo acima da média móvel simples de 200 períodos diária.


Boa eleição a todos!