quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Música aos ouvidos do mercado


O comunicado emitido pelo Palácio do Planalto na tarde desta quinta-feira confirmou a equipe econômica amplamente especulada pelo mercado na semana passada. Joaquim Levy vai assumir o Ministério da Fazenda. Nelson Barbosa comandará o Ministério do Planejamento. Alexandre Tombini permanecerá à frente do Banco Central.

Tão importante quanto à confirmação dos nomes foi a primeira entrevista coletiva da nova equipe econômica. Levy foi muito inteligente ao anunciar, sem a menor cerimônia, que o governo perseguirá em 2015 uma meta de superávit primário de 1,2% do PIB (Produto Interno Bruto). A partir de 2016, a meta não será menor do que 2% do PIB. Ponto.

Esses números são a música que o mercado quer ouvir, pois revelam um resultado possível de ser alcançado. Não é tão (desnecessariamente) forte, e nem tão (ineficientemente) fraco. É um número “pé no chão” diante do quadro macroeconômico e da postura do governo. É um número que oferece, também, todas as condições para sustentar o grau de investimento da nota de crédito brasileira, já que apresenta condições para que, dentro do planejamento de Levy, provoque o declínio da relação dívida/PIB.

Além do superávit primário, o novo ministro da Fazenda listou outras prioridades: compromisso com a transparência, divulgação de dados tempestivos, abrangentes e detalhados das contas fiscais, redução da incerteza em relação ao setor público (em outras palavras, retomada da confiança dos empresários e consumidores, ponto extremamente relevante) e aumentar a taxa de poupança interna (neste último, ressaltando, ainda, que empresas e famílias sigam o mesmo caminho do governo).

Barbosa afirmou que trabalhará em conjunto com os demais membros da equipe econômica para fomentar o crescimento da economia, com controle rigoroso da inflação, estabilidade fiscal e geração de emprego. O novo ministro do Planejamento disse também que vai avaliar custos e benefícios de diversos programas do governo.

Já o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, foi muito duro com a inflação. Mostrou que a autoridade monetária está empenhada em provocar o recuo da inflação para o centro da meta no horizonte relevante (leia-se início de 2016). Destacou corretamente também o trabalho de elevada regulação do sistema financeiro nacional, o que de fato rende elogios ao Banco Central brasileiro no mundo inteiro.

Outro destaque importante está na sinalização direcional da política fiscal e monetária. Tombini afirmou que o fortalecimento da política fiscal por meio de um processo crível de consolidação de receitas e despesas facilitará a convergência da inflação para o centro da meta. Diferente do que acontecia no passado, as duas políticas tendem se deslocar na mesma direção daqui pra frente.

Em nenhum momento durante a entrevista dos três ministros houve indicação de manutenção da política anticíclica feita no primeiro mandato do governo Dilma. Este é outro fator de extrema relevância. A política econômica (espinha dorsal de todos os problemas dos últimos anos) vai mudar.

O primeiro passo desta mudança será o processo de reversão das inúmeras e incompreensíveis desonerações tributárias. O simples fato de acabar, gradualmente, com as desonerações, provocará aumento imediato na arrecadação do governo e amenizará o ambiente pesado no setor empresarial. Somente nos 10 meses deste ano, as desonerações tributárias somaram quase 85 bilhões de reais.

Com o fim das desonerações, microgerenciamento de gastos e o possível retorno da Cide (Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico) sobre combustíveis, Levy não terá dificuldade de alcançar a meta de superávit proposta para 2015.

Em suma, os nomes são excelentes e o discurso inicial dos ministros passou uma impressão melhor ainda. Ninguém está fora de órbita. Todos estão com os pés no chão. Querem reconquistar a credibilidade com o controle da inflação, ajuste fiscal crível e retomada do crescimento econômico.

Não há razão para justificar a tese de alguns analistas que esperavam algo a mais. Essa é a continuação de um governo que saiu vitorioso, mas que reconheceu a enorme pressão das urnas. Não é uma mudança brusca de rumo.

Não há razão, também, para duvidar da autonomia “concedida” à Levy. Ninguém em sã consciência aceitaria abandonar um cargo de elevado prestígio numa das maiores instituições financeiras do País para trabalhar como ministro, recebendo um salário bem menor, e ainda sob o risco de arruinar sua reputação no mercado. Levy terá o espaço que precisa para fazer o seu trabalho no Ministério da Fazenda.

O índice Bovespa fechou o pregão em baixa de 0,68% pressionado pelo mercado de commodities. O barril de petróleo do Brent atingiu o menor nível desde 2010, depois que produtores liderados pela Arábia Saudita venceram a discussão na Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) para manter a produção inalterada.

A queda desta quinta-feira não alterou o quadro técnico do índice Bovespa. Mercado em correção de curtíssimo prazo, retestando a antiga resistência dos 54.6k, sem afetar a tendência de alta de curto prazo.


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Brasil entra em novo rali


Semana histórica para o mercado financeiro nacional. O dólar despencou. A bolsa disparou. Os juros futuros derreteram. Movimento de euforia generalizada. O impressionante desempenho dos ativos brasileiros é justificado por uma bateria de notícias e especulações positivas ao mercado.

Tudo começou na última quarta-feira quando a ata do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) mostrou discussões relevantes que não saíram no comunicado emitido ao final da reunião de Comitê no mês passado. O documento desta semana revelou que, na verdade, a autoridade monetária norte-americana continua “dovish” e tende a manter sua postura cautelosa por um bom tempo.

O conteúdo presente da ata do FED manteve a janela de oportunidade aberta para investidores/operadores especularem em ativos de risco, o que, de fato, proporciona condições para dar novo impulso aos ativos com retornos apetitosos em mercados emergentes.

O clima mais positivo criado pela ata do FED foi reforçado nesta sexta-feira pelo tom mais firme do presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mario Draghi. “Estamos dispostos a reavaliar a importância, o ritmo e a composição de nossas compras se for necessário para reforçar nosso mandato... e sem demora". Draghi ainda afirmou que “é essencial aproximar a inflação ao seu objetivo”.

O objetivo do BCE é manter a inflação ancorada na meta de 2%. Mas o aumento de preços na zona do euro está estancado a um nível muito fraco há bastante tempo. Em outubro, a inflação acumulada dos últimos 12 meses atingiu 0,4%.

As advertências mais firmes de Mario Draghi sobre a inflação baixa e disposição em reavaliar os estímulos são fortes indicativos de que o BCE deverá aumentar os programas de afrouxamento monetário na próxima reunião de Comitê a ser realizada no mês de dezembro.

Surfando a mesma onda “dovish” do FED e BCE, o Banco Popular da China surpreendeu os mercados nesta sexta-feira ao reduzir a taxa dos depósitos a um ano em 0,25 p.p., para 2,75%. A taxa de empréstimos a um ano sofreu corte de 0,40 p.p., para 5,6%. O Banco Central chinês também permitirá que os bancos paguem aos depositantes 1,2 vez a taxa de referência, acima de 1,1 vez anteriormente.

Essa é a primeira vez em mais de dois anos que o Banco Popular anuncia corte na taxa básica de juros. A prévia do Índice Gerentes de Compras sacramentou a decisão do Banco Central chinês. Segundo estudo do Instituto Markit, em parceria com o banco HSBC, a prévia do Índice Gerente de Compras do setor manufatureiro recuou para 50 pontos no mês de novembro, ante os 50,4 pontos registrados no mês de outubro.

O resultado de novembro é o mais baixo em seis meses e revelou que o mercado de trabalho está enfraquecendo. Além disso, as pressões sobre os preços estão fracas, o mercado imobiliário está desacelerando e a demanda interna precisa crescer mais para atender a capacidade de oferta. O PIB (Produto Interno Bruto) da China no terceiro trimestre recuou para 7,3%, nível mais baixo desde o primeiro trimestre de 2009.

Vale ressaltar que a decisão sobre as taxas de juros na China vem após a surpresa do BoJ (Banco Central do Japão) na reunião de Comitê encerrada no 31 de outubro, marcada pelo aumento inesperado do já elevado volume dos programas de compras de ativos em bolsa e títulos da dívida soberana.

A sinalização de manutenção (ou aumento) da artilharia monetária dos principais banqueiros centrais mundiais impulsionou fortemente os preços dos ativos no mundo inteiro.

No Brasil não foi diferente. Além do arsenal positivo dos banqueiros centrais, o mercado nacional foi brindado com a fortificação dos boatos em torno dos nomes que integrarão a nova equipe econômica do governo Dilma.

Fontes de diferentes origens estão relevando os mesmos nomes, indicando que boa parte da equipe já está definida. Os boatos mostram que Joaquim Levy, ex-secretário do Tesouro Nacional e atual diretor-superintendente do Bradesco Asset Mangement, deve assumir o ministério da Fazenda. Levy é conhecido como um formulador de políticas ortodoxas e pró-mercado, tem credibilidade semelhante ao Trabuco (atual presidente do Bradesco, que, segundo boatos, recusou o convite, pois deve ocupar o cargo do Lázaro Brandão na presidência do Conselho do Bradesco).

Nelson Barbosa, ex-secretário-executivo da Fazenda, deve assumir o ministério do Planejamento. Barbosa pediu demissão em meados de 2014 por supostos desentendimentos com o ministro Guido Mantega. Isso por si só já é um bom sinal.

Outra mudança positiva deve acontecer no Tesouro Nacional. O atual diretor de Administração do Banco Central, Altamir Lopes, deve ser o novo secretário do Tesouro, ocupando a cadeira que hoje é do Arno Augustin (conhecido no mercado como grande maquiador das contas do governo). Lopes é funcionário de carreira do Banco Central, de formação bastante técnica. Trabalhou de maneira próxima a Levy quando era chefe do Departamento Econômico da autoridade monetária. O atual presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, deve continuar no cargo.

São profissionais altamente qualificados, de postura pró-mercado. Suas reputações valem mais do que um cargo importante no governo. Portanto, estima-se que o trabalho a ser executado nos próximos quatro anos será desenvolvido forma diferente daquele amplamente conhecido nos últimos três anos e meio. Em outras palavras, o intervencionismo do governo nas pastas deve a ser bem menor.

O mercado aprovou os nomes com razão e, mais do que isso, enxerga a necessidade de ajustes no ano que vem. Não há outra opção sobre a mesa. Com tantas notícias e especulações positivas, o índice Bovespa fechou a semana em forte alta, revertendo a tendência de curto prazo.


Mercado segue comprado para as próximas semanas. A superação da resistência tripla formada pela média móvel simples de 200 períodos semanal, linha central de bollinger e LTB dos 62.3k abrirá espaço para fortalecimento da tendência de alta de curto.

Bom final de semana!

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Ata do FED revela discussões relevantes que não saíram no comunicado


O comunicado do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) emitido no dia 29 de outubro de 2014, após a reunião de Comitê, havia surpreendido o mercado ao mostrar uma postura mais "hawkish".

Até o dia 28 de outubro a autoridade monetária norte-americana avaliava que o mercado de trabalho operava em "significativa ociosidade". Esta avaliação mudou. O Banco Central dos Estados Unidos passou a considerar que “uma série de indicadores do mercado de trabalho sugere que a subutilização dos recursos de trabalho está gradualmente diminuindo.” A mudança é importante, pois o reconhecimento da melhora no mercado de trabalho é fator de decisão fundamental para os diretores do Comitê autorizarem o início do processo de aperto monetário no futuro.

Mas a ata divulgada hoje mostrou o “segredo” que não estava no comunicado emitido no final do mês passado. Muitos membros do FED disseram na reunião que a autoridade monetária precisa ficar mais atenta aos sinais de um declínio nas expectativas para a inflação. A queda dos preços das commodities e revisões para baixo nas perspectivas ao crescimento de importantes economias mundiais pode ter influenciado a discussão desta nova preocupação entre os diretores do Comitê de Política Monetária.

O documento também mostrou que alguns participantes afirmaram que o crescimento econômico no médio prazo pode ser mais lento do que o esperado atualmente caso as condições econômicas e a situação financeira no exterior se deteriorem de forma significativa.

Houve discussões entre os membros do Comitê com relação à manutenção da expressão “tempo considerável”, utilizada para caracterizar por quanto tempo o Banco Central pretende esperar para elevar a taxa básica de juros após o fim dos programas de estímulos monetários. Mas a ata não revelou nenhuma sinalização de mudança desta expressão para a próxima reunião a ser realizada no mês de dezembro.

Preocupações com a manutenção da inflação doméstica abaixo da meta de 2%, crescimento econômico global enfraquecido e discussões que não resultaram na mudança do termo “tempo considerável” mostram que, na verdade, o FED continua “dovish” e tende a manter sua postura cautelosa por um bom tempo. A novidade presente no comunicado emitido no dia 29 de outubro acabou emitindo um falso sinal ao mercado.

No Japão, o Banco Central decidiu manter sua promessa de aumentar a base monetária ao ritmo anual de 80 trilhões de ienes (cerca de 683 bilhões dólares) através da compra de títulos do governo e ativos de risco na bolsa de Tóquio. No mês passado, o Banco Central expandiu o seu programa de estímulo, admitindo que o crescimento econômico e a inflação não aceleraram tanto quanto o esperado.

Já o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, disse que vai convocar eleições antecipadas para se firmar no poder, aproveitando o momento em que ainda possui popularidade para se reeleger. Abe quer manter suas políticas econômicas e adiar um impopular aumento do imposto sobre as vendas.

terceira maior economia do planeta encolheu inesperadamente no terceiro trimestre deste ano, impactada pelo primeiro aumento de impostos sobre as vendas (de 5% para 8%). O segundo aumento (para 10%) está programado para ser implementado no mês de outubro de 2015, mas Abe quer postergá-lo por 18 meses. O primeiro-ministro japonês está convicto de que conseguirá por fim à deflação com uma mistura de política monetária ultraexpansionista, gastos e reformas.

Na Europa, o presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mario Draghi, disse que os programas de estímulos da autoridade monetária estão ganhando força, mas caso os esforços atuais não sejam suficientes para acelerar a recuperação da economia da zona do euro, o Banco Central irá fazer mais. Draghi espera uma recuperação modesta do crescimento no próximo ano e em 2016, sustentada pela política monetária do BCE e reformas em alguns países da zona do euro.

Na Inglaterra, a ata Comitê de Política Monetária do Banco Central britânico mostrou que sete membros votantes justificaram a manutenção da taxa básica de juros no recorde de baixa de 0,5% devido às fracas perspectivas para a inflação. Apenas dois membros discordaram da política monetária.

Entretanto, houve certa divergência de opiniões entre os membros que votaram a favor da política monetária. Alguns acham que o crescimento econômico pode suavizar mais do que o previsto e a inflação pode ficar abaixo da meta por mais tempo, o que deixaria a economia britânica vulnerável a choques se a taxa básica de juros subisse no curto prazo. Outros acham que a capacidade ociosa da economia pode ser eliminada mais rapidamente do que as previsões mais recentes, fato que alimentaria pressões inflacionárias, o que exigiria atuação do Banco Central.

Na China, os preços médios de novas moradias nas 70 maiores cidades do País cederam 2,6% em outubro ante o ano passado. Em comparação com o mês anterior, os preços de moradia caíram 0,8%, registrando a sexta queda mensal seguida.

O esfriamento do mercado imobiliário está contribuindo para a redução do consumo de commodities na China. A desaceleração econômica e elevada oferta (tanto nos portos, quanto nos produtores domésticos), derrubou o preço do o minério de ferro para 70 dólares a tonelada nesta quarta-feira, menor nível desde junho de 2009. O barril de petróleo do tipo light (negociado nos Estados Unidos) e do tipo brent (negociado na Inglaterra) também seguem em tendência de baixa, atingindo mínimas dos últimos anos.

A desaceleração na China atingiu o grupo siderúrgico Shanxi Haixin Iron and Steel (um dos maiores do País), que entrou com pedido de proteção judicial contra falência nesta semana. O preço do vergalhão usado na construção civil chinesa caiu cerca de um terço somente este ano.

A bolsa brasileira fechou em forte alta nesta quarta-feira, confirmando formação de fundo ascendente na região dos 50.9k. Movimento técnico relevante. Esta é a primeira formação de fundo ascendente desde a tendência de baixa iniciada na região dos 62.3k, fato que proporciona condições para o índice retestar o último topo descendente na região dos 54.6k. Em caso de superação, haverá sinalização de reversão da tendência de baixa para tendência de alta de curto prazo.


As declarações do diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, durante apresentação do boletim regional nesta última terça-feira em Florianópolis, contribuíram para retomada do otimismo no mercado nacional. Hamilton disse que “o Copom não será complacente com a inflação. Se necessário for, no momento certo, o comitê poderá recalibrar sua ação de política monetária de modo a garantir a prevalência de um cenário benigno para a inflação nos próximos anos.”

A afirmativa não só confirmou a perspectiva de manutenção da política de aperto monetário nas próximas reuniões do Copom, como também abriu possibilidade de intensificação do ritmo de aperto monetário (passando de ajustes de 0,25 p.p. para 0,50 p.p.). As curvas dos contratos de juros futuros com vencimentos pós-2015 cederam fortemente após as declarações do diretor de Política Econômica do Banco Central, já que o maior rigor com a inflação no curto prazo tende a jogar o IPCA para o centro da meta até 2016 (que parece ser o “novo” objetivo do Banco Central), fato que abrirá espaço, portanto, para futura redução da taxa básica de juros.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Governo brasileiro desafia as agências de rating


As três principais agências de classificação de risco (Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch) deixaram bem claro durante todo este ano que o processo de revisão no rating brasileiro leva em forte consideração a nova gestão das políticas econômica, fiscal e monetária a serem implementadas a partir de 2015, independente do vencedor das eleições presidenciais.

Não há mais espaço para contabilidade criativa, pedaladas, desonerações incompreensíveis e ineficientes, inflação persistentemente elevada e baixo crescimento. O dever de casa precisa ser feito para o Brasil não perder o grau de investimento.

Entretanto, ao invés de mostrar um voto de comprometimento com as difíceis tarefas a serem executadas a partir do ano que vem, o governo resolveu aproveitar o período de fim de festa fiscal (onde, teoricamente, não está sob vigilância) e acabar de vez com a folclórica meta de superávit primário. Agora, não há sequer esforço para maquiar os números, tamanho o rombo que se criou.

O governo acredita que a possibilidade de corte no rating só vale a partir de 2015. Mas propor mudança na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) para aumentar o abatimento da “meta de superávit primário” é uma brincadeira de alto risco. Perde credibilidade, aumenta a desconfiança e deixa o mercado mais enfurecido.

É preciso mostrar seriedade com as contas públicas desde já. Não é porque 2014 está perdido que se pode fazer qualquer coisa, inclusive mudar a lei ao seu favor. A decisão sobre o rating brasileiro vai sair em 2015, mas já enviamos mais um sinal negativo às agências de risco antes mesmo de começar o ano.

No mercado financeiro doméstico as taxas de juros futuros aproximaram-se da máxima do ano e o dólar atingiu níveis registrados em 2005, aos R$ 2,59. A bolsa de valores cedeu 2,14%, sentindo a pressão da média móvel simples de 200 períodos diária.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou mais um pregão renovando a máxima histórica, sem apresentar novidades.


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Taxa Selic continuará subindo


A ata do Copom (Comitê de Política Monetária) divulgada nesta quinta-feira mostrou de forma bastante simples e objetiva que a taxa básica de juros continuará subindo nas próximas reuniões de Comitê.

Até a reunião do mês de setembro deste ano, podia-se constatar a presença de argumentos otimistas no documento. Entretanto, a ata desta última reunião de Comitê, realizada nos dias 28 e 29 de outubro, está bem mais “pesada” (ou hawkish). O otimismo, portanto, sumiu.

Os diretores de Copom decidiram retirar da ata a afirmativa de que o “Comitê avalia que os efeitos da elevação da taxa Selic sobre a inflação, em parte, ainda estão por se materializar”. Isso significa que os impactos da elevação da taxa básica de juros, de 7% para 11%, já chegaram, em totalidade, na economia.

O parágrafo abaixo também foi totalmente retirado da ata:

“Apesar de a inflação ainda se encontrar elevada, o Copom pondera que pressões inflacionárias ora presentes na economia – a exemplo das decorrentes dos processos de realinhamentos de preços citados anteriormente e de ganhos salariais incompatíveis com ganhos de produtividade – tendem a arrefecer ou, até mesmo, a se esgotarem ao longo do horizonte relevante para a política monetária. Em prazos mais curtos, some-se a isso o deslocamento do hiato do produto para o campo desinflacionário. Nesse contexto, é plausível afirmar que, mantidas as condições monetárias – isto é, levando em conta estratégia que não contempla redução do instrumento de política monetária –, a inflação tende a entrar em trajetória de convergência para a meta nos trimestres finais do horizonte de projeção.”

Saiu um parágrafo “dovish” e entrou um parágrafo “hawkish”:

“Diante do quadro acima exposto, o Copom considera que, desde sua última reunião, entre outros fatores, a intensificação dos supracitados ajustes de preços relativos na economia tornou o balanço de riscos para a inflação menos favorável. Parte de seus membros argumentou que incertezas ainda cercam a magnitude e a persistência desses ajustes e, por isso, posicionou-se a favor de que, neste momento, as condições monetárias permanecessem inalteradas. No entanto, a maioria dos membros do Copom considerou oportuno ajustar, de imediato, as condições monetárias, de modo a garantir, a um custo menor, a prevalência de um cenário mais benigno para a inflação em 2015 e 2016.”

As estimativas para a inflação dentro do novo cenário de referência (taxa de câmbio em R$ 2,50 e taxa Selic em 11% ao ano durante todo o horizonte de projeção) pioraram em 2014 e 2015. Para 2016, o documento apenas destaca que a inflação entra em trajetória de convergência, mas ainda acima da meta de 4,5%. O atual cenário de referência é bem diferente do anterior, projetado com taxa de câmbio em R$ 2,25 e taxa Selic em 11% ao ano.

Após apresentação das justificativas responsáveis pela definição da política monetária na reunião de Comitê, a ata mostra uma importante dica de orientação sobre o futuro da taxa básica de juros. A palavra “especialmente” foi acrescentada no trecho abaixo:

“O Copom destaca que, em momentos como o atual, a política monetária deve se manter (especialmente) vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação, como o observado nos últimos doze meses, persistam no horizonte relevante para a política monetária.”

Este é o mesmo trecho que encerrava as atas no último ciclo de aperto monetário, responsável por elevar a taxa Selic de 7% para 11%. Quando os diretores de Comitê decidiram encerrar o ciclo de aperto monetário no mês de abril, mantendo a taxa básica de juros inalterada, enquanto avaliavam os impactos na economia, a palavra “especialmente” não aparecia mais no trecho final dos documentos emitidos.

Portanto, a ata do Banco Central confirma o início de um novo ciclo de aperto monetário, a princípio não tão longo e nem tão forte quanto o anterior, já que há expectativa de suavizar o elevado (e insustentável) nível de expansão da política fiscal. A eficácia tende a aumentar com as duas políticas deslocando-se para a mesma direção.

No mercado de capitais, o índice Bovespa encerrou o pregão desta quinta-feira em baixa de 1,98%, perdendo a média móvel simples de 200 períodos diária. O topo descendente registrado na região dos 56.7k sinaliza esgotamento do alívio verificado na semana anterior e persistência da tendência de baixa iniciada na região dos 62.3k.


Na Europa, o BCE (Banco Central Europeu), manteve a política monetária inalterada, mas reiterou que pode adotar mais instrumentos não convencionais de estímulo, se necessário.

Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones fechou mais um pregão em alta, sem apresentar novidade, mantendo a tendência de curto, médio e longo prazo.


sábado, 1 de novembro de 2014

Surpresas positivas sustentam recuperação dos mercados


Novidade relevante no comunicado do FED (Federal Reserve – Banco Central norte-americano), surpresa positiva na política monetária do Banco Central do Brasil e aumento inesperado das políticas de afrouxamento monetário no BoJ (Banco Central do Japão). Os banqueiros centrais roubaram a cena do mercado de capitais nesta semana, proporcionando continuação do movimento de recuperação constatado no final do mês de outubro.

Na última sexta-feira o Comitê de Política Monetária do BoJ surpreendeu os mercados ao decidir, por 5 votos a favor e 4 contra, aumentar o ritmo de expansão da base monetária para cerca de 80 trilhões de ienes (cerca de 726 bilhões de dólares) por ano. Anteriormente, o Banco Central japonês tinha como meta (já considerada arrojada) um aumento anual de 60 trilhões a 70 trilhões de ienes.

O Comitê decidiu, também, elevar as compras de dívida do governo em cerca de 30 trilhões de ienes, além de ampliar a duração média do prazo em que detém a dívida pública para cerca de 10 anos.

A decisão foi respaldada na revisão do PIB (Produto Interno Bruto) de 1% para 0,5% no ano fiscal atual, que se encerra em março de 2015. A perspectiva para inflação também foi reduzida de 1,3% para 1,2%.

O aumento da base monetária japonesa reforçou o clima positivo nas principais praças financeiras mundiais, influenciando fechamentos nas máximas dos últimos dias.

O índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, fechou a semana iniciando rompimento da máxima dos últimos dois anos. Mercado segue trabalhando forte reversão da tendência de baixa de longo prazo, estimulado pelas ações agressivas do BoJ.


Na China a bolsa de Xangai fechou a semana em forte alta, trabalhando rompimento da importante média móvel simples de 200 períodos semanal, após conseguir superar o canal de baixa de longo prazo no mês de setembro. O marubozu de alta alimenta o movimento de recuperação da bolsa, com boa possibilidade de rompimento da máxima de 2013 nas próximas semanas.


Na Índia a bolsa de Bombay renovou mais uma vez a máxima história mostrando candle de força relevante. Em apenas duas semanas o principal índice da bolsa indiana recuperou toda a perda acumulada do mês anterior. Mercado em pleno rali.


A bolsa do México fechou em forte alta pela segunda semana consecutiva, após testar e respeitar, novamente, a média móvel simples de 200 períodos semanal.


No Brasil o índice Bovespa fechou a semana mostrando forte recuperação, em linha com as demais praças emergentes. O pavio longo inferior relevante mostra formação de fundo na região dos 48.9k.
  
  
Na Europa, o índice DAX fechou a terceira semana consecutiva em forte alta, após testar e respeitar a linha de suporte localizada na região dos 8.5k.


A bolsa de Londres encerrou a semana com um importante marubozu de alta, mostrando reação após testar e respeitar a média móvel simples de 200 períodos semanal.


Movimento semelhante ocorreu na bolsa de Paris. Mercado segue em forte ritmo de recuperação.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones renovou a máxima história mostrando candle de força relevante.


A mesma situação pode ser constatada no índice S&P500. Em apenas duas semanas os principais índices da bolsa de Nova York conseguiram recuperar toda a perca acumulada no mês anterior e renovar máximas históricas.


Bom final de semana!