sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Eurogrupo derruba máscara da esquerda radical grega


“A Grécia deixou para trás a austeridade desastrosa e acabou a troika”, disse Alexis Tsipras, líder do partido de esquerda radical grego Syriza, no seu primeiro discurso como vencedor das eleições legislativas realizadas no final do mês passado.

O pronunciamento de Tsipras, bem como as propostas do seu partido, que incluem o fim das medidas de austeridade fiscal e renegociação significativa da dívida pública do País, criou um clima de instabilidade na zona do euro, com os possíveis impactos causados pela adoção de medidas radicais na Grécia, fato que resultaria na sua expulsão do bloco.

Passado a fase de comemoração da vitória, o jovem sonhador Tsipras percorreu uma maratona na zona do euro. Conversou rapidamente com os principais líderes europeus. Nesse momento, Tsipras ainda tinha esperança de convencer a Europa aceitar as propostas de seu partido.

Tsipras deve ter levado uns belos puxões de orelha em sua maratona, pois a cada dia que passava o seu sorriso diminuía, escondendo uma angústia por dentro. A ficha estava começando a cair.

A Grécia precisa firmar um acordo com a troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) até o fim deste mês para garantir o recebimento da última parcela do programa de resgate. Para receber a nova parcela de ajuda, os gregos precisam cumprir os compromissos firmados anteriormente com a troika.

Tsipras não pode acabar com as medidas de austeridade fiscal e muito menos cortar suas relações com a troika, pois o País precisa das parcelas do pacote de ajuda para honrar seus compromissos com a sociedade e as medidas de austeridade fiscal são condições necessárias para que o dinheiro da troika continue pingando na super-endividada Grécia.

A reunião com o Eurogrupo nesta sexta-feira simbolizou a queda da máscara do partido Syriza. Esquerda radical que nada. Tudo não passava de um discurso “bonito” para vencer as eleições. Tsipras se curvou à troika. Vai ter que apresentar na próxima segunda-feira detalhes de novas reformas e medidas de cortes orçamentários para continuar recebendo ajuda financeira dos europeus por mais quatro meses.

Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo, disse no final da tarde desta sexta-feira que a Grécia se comprometeu a promover reformas estruturais mais amplas e profundas. Isso significa que o partido “radical de esquerda” prometeu aos líderes europeus ser mais austero do que o partido conservador Nova Democracia, do ex-primeiro-ministro Antonis Samaras, que ocupava o poder na Grécia até o final do mês passado.

Ao Alexis Tsipras, resta agora procurar um buraco para enterrar sua cabeça e esconder de seus eleitores iludidos. A máscara do Syriza caiu num piscar de olhos. Esse acontecimento nos faz lembrar o que foi o processo pós-eleitoral brasileiro.

No mercado de capitais, as principais bolsas de valores mundiais fecharam em alta nesta semana. A bolsa de Frankfurt, na Alemanha, renovou, mais uma vez, a máxima histórica.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones também fechou a semana registrando novo recorde de alta. Destaque para melhora na prévia do Índice Gerente de Compras, subindo para 54,3 pontos no mês de fevereiro, frente aos 53,9 pontos registrados no mês de janeiro, mostrando fortalecimento do ritmo de expansão da atividade manufatureira.


No Brasil o índice Bovespa fechou a semana em leve alta, iniciando rompimento da zona de congestão de curto prazo.
  

Bom final de semana!

7 comentários:

  1. FI, aproveitando a ocasião, eu tenho a impressão, olhando o jeito como o cenário macroeconômico brasileiro vem se desenrolando nos últimas 15 anos, que estamos indo nos tornar uma futura Grécia.É a mesma negligência, o mesmo populismo, a mesma esquerdopatia. A única coisa que ainda nos segura é a demografia, mas daqui a 30 anos, isso não vai existir mais. Então, somos a Grécia de 2045?

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    1. Estamos infinitamente longe disto, meu caro.

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    2. Olá,

      Espero que não. Entretanto, mesmo considerando a deterioração do quadro atual, o Brasil ainda está longe de se tornar uma Grécia. No que se refere à política fiscal, um dos nossos principais problemas, felizmente acordamos num momento que permite a reversão sustentada da trajetória de aumento do endividamento. Acho que o Levy vai conseguir cumprir o que prometeu e, ainda, ao contrário do que se especula, tem autonomia para fazer o que precisa ser feito. Já com relação à economia e capacidade de crescimento sustentado no médio e longo prazo, o Brasil é incomparável à Grécia. Para chegarmos ao nível da Grécia, teríamos que destruir riqueza numa velocidade de um Formula 1. Acho que nenhum político conseguiria se sustentar no poder assim. O Brasil tem potencial para fazer o caminho oposto, com o mínimo de esforço do governo. Temos um dos melhores portfólios de investimento em infraestrutura do mundo em regime democrático. Economia aberta, diversificada e mercado consumidor doméstico robusto. O Brasil é uma terra de oportunidades e o governo está agindo contra sua ideologia sob pressão das urnas.

      Abs, bons negócios

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    3. Atualmente sim, mas a pergunta procede. Talvez hoje não sejamos a grécia, mas em 2050 teremos o pior censo demográfico de todos os tempos e nossa poupança interna e capacidade de gerar riqueza será 0.Nosso sistema previdenciário enrará em colapso.

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    4. FI, se somos tão bons assim, então, porque a nossa média de crescimento, dos anos 90 pra cá, tem sido, na maioria das vezes, abaixo da dos nossos vizinhos e da média mundial?

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    5. No que se refere ao sistema previdenciário, concordo, desde que continue do jeito que está até 2050. Não tenho dúvida de que mudanças ocorrerão nos próximos anos e nas próximas décadas. O mesmo vale para a poupança interna, que hoje é muito baixa. Inclusive um dos objetivos do ministro da Fazenda é aumentar a taxa de poupança interna. Então não faz sentido projetar cenário para um período tão distante com os dados atuais. Mudanças relevantes certamente ocorrerão nesse período. O revés no censo demográfico que vamos ter no futuro já é realidade em importantes economias mundiais. Vamos ter exemplos de sobra para saber o que fazer quando o revés demográfico chegar.

      Não afirmei que somos "tão bons assim" (inclusive isso vai contra o que foi publicado no blog desde a sua existência), mas que o Brasil é uma terra de oportunidades. Tempos grande potencial para crescermos de forma satisfatória e sustentada no médio e longo prazo, basta um empurrãozinho do governo. Mesmo com o passado repleto de crises agudas e experimentos que falharam, ainda assim somos a 7 economia do mundo. Isso mostra que não se pode desprezar a força e dinamismo da nossa economia, incomparável à Grécia. Temos uma pilha de problemas para resolvermos, mas não estamos num quadro tão degradante quanto a situação da Grécia.

      Abs, bons negócios

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    6. Em 2050, vamos ter um aposentado para cada trabalhador na ativa. Hoje são 3 da ativa pra cada aposentado.

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