quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Paciência continua sendo o melhor caminho para o FED


A ata do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) divulgada nesta quarta-feira revelou preocupação dos integrantes do Comitê com a possibilidade de que a elevação precipitada dos juros jogue “água fria" sobre a recuperação econômica norte-americana.

A discussão centralizou-se na manutenção ou retirada do termo “paciente”, utilizado para orientar o mercado sobre a aproximação do processo de aperto monetário. Na entrevista coletiva concedida no mês de dezembro do ano passado, a chair do FED, Janet Yellen, disse que ser "paciente" significa que o Banco Central não elevará a taxa básica de juros pelo menos nas próximas duas reuniões.

Ao optarem pela manutenção do termo “paciente” nos comunicados da autoridade monetária, os membros votantes do Comitê confirmaram a dica fornecida pela chair no final do ano passado e também mostraram receio em alterar precocemente as expectativas do mercado quanto ao timming do aperto monetário.

O momento para subir a taxa básica de juros está próximo, mas ainda não chegou. Caso a maioria dos integrantes do Comitê optasse, na última reunião realizada nos dias 27 e 28 de janeiro, por retirar o termo “paciente” dos comunicados da autoridade monetária, o mercado poderia ser duramente impactado pela precificação de juros mais elevados num curto espaço de tempo, fato que poderia provocar choques relevantes nos preços dos ativos.

Apesar de classificarem o mercado de trabalho norte-americano como forte, os membros votantes do FED sinalizaram que o balanço de riscos (inclui fraqueza da inflação doméstica, dólar fortalecido frente às demais moedas, tensões geopolíticas no cenário internacional, entre outros) ainda exige manutenção da taxa básica de juros na mínima histórica por um período mais longo.

Entretanto, a maioria dos integrantes do Comitê espera aumentar a taxa básica de juros neste ano. A próxima reunião de política monetária será realizada nos dias 17 e 18 de março, onde novamente será discutida entre os membros a manutenção ou retirada do termo “paciente” nos comunicados do FED. A ata sugere que a maioria ainda votará pela manutenção do termo na próxima reunião.

A reação do mercado foi imediata. A taxa de juros da Treasury de 10 anos (título público do Tesouro norte-americano, referência no mercado global da dívida soberana) recuou nesta quarta-feira para 2,07%. É o primeiro alívio desde a arrancada iniciada em 1,68%, no começo deste mês.


No quadro doméstico, destaque para o discurso do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, em apresentação a investidores nos Estados Unidos. Levy (re) afirmou que está deixando para trás as tão criticadas medidas anticíclicas (marca do antigo ministro da Fazenda) e mostrou confiança no seu objetivo inicial de colocar a casa em ordem. As palavras seguem em linha com as atitudes tomadas, diferentemente do que ocorria no passado.

A bolsa de valores brasileira fechou em alta pelo terceiro pregão consecutivo, iniciando rompimento ascendente da zona de congestão de curto prazo. Movimento relevante que pode resultar no nascimento de uma nova tendência de alta.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones aproximou-se da segunda linha de resistência da zona de congestão de curto prazo, com boa possibilidade de rompimento ascendente. A resistência da zona de congestão do índice S&P500 foi levemente superada nesta semana.


6 comentários:

  1. Se o Fed não aumentar as taxas de juros neste ano ele ficará totalmente desmoralizado e tido como instituição mentirosa e refenzinha de um mercado mimado e ávido por lucros infinitos e juros sempre no zero.
    Ou mudam este ano e param de frescura ou a tese do mises sairá vencedora e teremos danos muito maiores, via inflação desenfreada, em até 02 anos.
    Que parem de comunismo, a correção é necessária.

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    1. Desde o QE1 falam em inflação desenfreada nos Estados Unidos. Aconteceu o inverso. Desmoralizados estão os economistas que erraram feio nesses últimos 5/6 anos. E não foram poucos. O FED derrubou teses de muitos, deu uma aula em tempo real. Evitou um colapso sem precedentes no sistema financeiro, reergueu a economia e hoje está se aproximando dos objetivos traçados há 5/6 anos: máximo emprego e estabilidade de preços. Não fosse a competência do FED o mundo ainda estaria numa grave crise econômica e social. O ciclo de aperto monetário provavelmente começará neste ano, não porque o FED quer, mas porque a economia está se deslocando numa velocidade que exigirá aumento gradual da taxa básica de juros. Se esse processo perder força, ou mesmo se reverter (improvável), obviamente o Banco Central não terá motivo para subir juros desnecessariamente. Até o momento não surgiram sinais de perda de força no processo de retomada econômica.

      Abs, bons negócios

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    2. Não concordo que o Fed acertou interamente, nem que errou inteiramente, entrentanto essa política dele está originando muitas bolhas e não só nos EUA, na realidade houve exportação de inflação para vários outros países.... pode ser perigoso...
      De qualquer forma entendo como temerário essas intervenções do Fed em ameaçar ou não tirar palavras, tudo para acalmar um mercado que reclama por algo infinito.
      E é justamente devido a economia estar evoluindo de forma progressiva é que não deveriam intervir com palavras bonitas a cada chorinho do mercado.
      Infelizmente essa política de 5 anos pode não ser sustentável, as vezes precisamos de uma profunda correção para um crescimento de fato sustentável.
      Essas ondas demasiadamente positivas e demasiadamente negativas são todas originadas por eles.

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    3. O FED fez o que tinha que fazer. Era isso ou assumir uma catástrofe econômica sem precedentes. O preço do estouro destas bolhas é significativamente menor comparado ao preço que estaríamos pagando até hoje, caso não houvessem intervenções dos Bancos Centrais após o estouro da crise do subprime. Tanto é que a bolha das commodities já estourou, e o impacto no mercado foi relativamente pequeno, sequer foi comentado pela mídia menos especializada.

      Abs, bom final de semana

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  2. Por que política anti cíclica é criticada quando praticada no Brasil mas elogiada quando praticada pelos EUA?

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    1. A política fiscal nos Estados Unidos é contracionista e não anticíclica.


      Abs, bom final de semana

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