terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Yellen prepara o mercado para mudança no comunicado do FED


O discurso da chair do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos), Janet Yellen, no Comitê Bancário do Senado, realizado nesta terça-feira, revelou o grau de cautela adotado pela autoridade monetária norte-americana quanto à orientação futura de política monetária.

Yellen adiantou que o Banco Central vai, provavelmente, agir nos próximos meses para, primeiramente, remover a famosa palavra "paciente" dos comunicados. Este termo é utilizado para orientar o mercado sobre a aproximação do processo de aperto monetário.

Entretanto, a chair do FED frisou que os investidores/operadores não devem interpretar a mudança no comunicado como um sinal de que o Banco Central está comprometido com o aumento dos juros em qualquer reunião. Quando a palavra “paciente" desaparecer dos comunicados, significará que a autoridade monetária vai apenas ter flexibilidade para agir conforme os indicadores econômicos aproximem das metas previamente estabelecidas. Yellen ainda afirmou que a modificação da orientação futura não deve ser vista como uma indicação de que o FED vai, necessariamente, aumentar os juros nas em duas reuniões.

Traduzindo para linguagem do mercado, Yellen quer mostrar que não há motivos para os investidores/operadores se preocuparem quando a palavra “paciente” sumir dos comunicados do FED (poderia resultar numa reação exagerada, com forte impacto nos preços dos ativos). Será uma sinalização de que o aperto monetário está próximo, mas não iminente.

De olho na forte arrancada dos juros futuros ocorrida nas últimas semanas, Yellen adotou um discurso no Senado norte-americano para amenizar o nervosismo do mercado. O rendimento da Treasury de 10 anos (título público do Tesouro norte-americano) recuou para 1,99% nesta terça-feira. É o maior alívio registrado desde o início do movimento altista.


A jogada da Yellen revela que o FED quer que o inevitável movimento ascendente do rendimento da Treasury seja menos traumático possível, ou seja, altas graduais no médio e longo prazo.

O recuo no rendimento da Treasury influenciou a correção nas taxas dos títulos soberanos dos demais países, incluindo o Brasil. O otimismo também atingiu o mercado de câmbio, em correção, e a bolsa de valores, em movimento ascendente.

O índice Bovespa fechou o pregão em alta de 1,16%, distanciando-se da linha de resistência da antiga zona de congestão. Mercado em tendência de alta de curto prazo.


No início da noite, a agência de classificação de risco Moody's rebaixou o rating da Petrobras para lixo (ou grau especulativo), citando pressão de liquidez no curto prazo e perspectiva de que a empresa pode levar mais tempo do que o esperado anteriormente para reduzir sua alavancagem. A perspectiva segue negativa, o que significa que novos rebaixamentos podem ocorrer.

A notícia é negativa para a empresa, com potencial de exercer pressão no custo para captação de recursos no mercado. Apesar de a Petrobras não ter obrigação de quitar antecipadamente sua dívida por conta da perda do grau de investimento (conforme nota divulgada pela empresa), o quadro pode se agravar caso uma segunda agência de classificação de risco rebaixe a Petrobras para lixo, seguindo os passos da Moody’s.

O risco é relevante. A agência de classificação de risco S&P atribui grau de investimento à Petrobras, em perspectiva positiva. Já a agência de classificação de risco Fitch atribui grau de investimento à Petrobras, porém em perspectiva negativa.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou mais um pregão em alta, renovando a máxima histórica.


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