quinta-feira, 12 de março de 2015

12,75% ao ano não é suficiente


A ata do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) divulgada nesta quinta-feira mostrou piora no quadro inflacionário para este ano. Puxada pela alta do dólar e realinhamento dos preços administrados, o Banco Central reconheceu que a inflação tende a continuar subindo no curto prazo e permanecer elevada em 2015.

Essa nova avaliação é bem diferente daquela apresentada na ata do mês de janeiro deste ano. Até então, o Banco Central afirmava que “a inflação tende a permanecer elevada em 2015, porém, ainda este ano entra em longo período de declínio”.

Para 2016, a perspectiva também mudou. O Banco Central assegurava no próximo ano a convergência da inflação para a meta de 4,5%. Agora, a autoridade monetária tem vistas a assegurar, ao longo do próximo ano, a convergência da inflação para a meta de 4,5%.

A avaliação de que a inflação permanecerá elevada em 2015 e o acréscimo da expressão “ao longo do próximo ano” demonstra que surgiram novas dificuldades para o Banco Central atingir seus objetivos previamente traçados para acalmar o mercado nos últimos meses. São fortes indicativos de impossibilidade na interrupção do atual ciclo de aperto monetário.

O cenário de referência foi traçado com a taxa de câmbio em R$ 2,85 e taxa Selic em 12,25% em todo o horizonte de projeções. Além da defasagem do câmbio em relação à cotação atual, a inflação de 2015 aumentou em relação ao valor considerado na reunião anterior. Para 2016, a projeção diminuiu, mas ainda encontra-se acima da meta de 4,5%.

Mais uma vez, logo no início do ano, o Banco Central volta a reconhecer cenário de inflação persistentemente elevada, sinalizando que vai passar longe do alvo (4,5%). A promessa de convergência para a meta vai sendo prorrogada novamente para o ano seguinte. Parece um filme repetido que não tem fim.

Permanece o risco de retroalimentação do clima de desconfiança e pessimismo entre os agentes. O País inteiro aguarda com extrema ansiedade o dia em que poderá vislumbrar a taxa de inflação em convergência para o centro da meta.

Até o momento o Banco Central tem demonstrado que está comprometido a entregar este resultado, mas, para isso, será necessário manter o ciclo de aperto monetário. Não tem refresco. A inflação não dá trégua, portanto, a autoridade monetária precisa continuar respondendo. Esse é o preço que se paga pelos erros cometidos no passado.

No mercado de capitais o índice Bovespa encerrou o pregão desta quinta-feira mostrando candle de pavio superior relevante, sinalizando falta de fôlego para manter o movimento de alívio nos preços iniciado no pregão da última quarta-feira. Bolsa segue na corretiva de curtíssimo prazo, enquanto juros futuros e dólar permanecem trabalhando em tendência de alta. Quadro segue inalterado.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em forte alta, formando piso na região dos 17.6k.


4 comentários:

  1. Repetindo o que eu disse outro dia. O BACEN ERRA com a política de GRADUALISMO. Deveria ter dado duas porradas fortes nos juros. Se tivesse elevado a 13% e depois auns 15%, não haveria esta desconfiança toda.

    Com o aumento de meio em meio, aquele que pretende tomar crédito vai ao banco e toma, porque SABE QUE NO MÊS QUE VEM O CRÉDITO ESTARÁ MAIS CARO. Com duas pancadas de surpresa o cabra não faz isso. Isso é básico pra quem estuda um pouco de economia comportamental. O governo aumentando de meio em meio está incentivando o indivíduo a se endividar agora porque amanhã estará mais caro.

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  2. FI,

    Seria possível afirmar que a crise de confiança somada a situação dos EUA nos levará ao precipício tal como estivemos no passado? Vejo nossa taxa de juros em torno de 15% novamente, dólar bem alto, rebaixamento do brasil, fuga do capital estrangeiro. Parece que tudo vai se repetir.

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    1. Acho que os Estados Unidos são menos problema e mais solução para o Brasil, do ponto de vista econômico. Felizmente temos hoje uma mente pensante no Planalto, creio que o Levy já deve ter recomendado a presidente fazer reaproximação com os Estados Unidos. Pelo menos temos alguns sinais de que a postura infeliz adotada no passado está mudando. Pegar carona na retomada do crescimento econômico norte-americano não é uma má ideia, depende mais da vontade do governo. As empresas estão prontas pra fazer negócio. E parece que essa vontade está mais visível agora. Vamos acompanhar. Rebaixamento em um degrau pela Moody's ou Fitch é possível no curto prazo, o que não muda nada, pois ainda assim o Brasil seria considerado grau de investimento. O problema é a S&P rebaixar em um degrau e/ou a Moody's e Fitch rebaixarem em dois degraus. Isso é improvável. Estamos trabalhando para fazer o oposto: manter o grau de investimento. O dólar segue em tendência de alta, movimento global. Não há como fugir, apesar de no curto prazo estar bem esticado. Já o risco da fuga de capital estrangeiro por enquanto está bem contornado pela taxa de juros. Mas não podemos relaxar nesse ponto.

      Abs, bons negócios

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