segunda-feira, 9 de março de 2015

Dilma experimenta a fúria do tripé


O fato não deixa de ser curioso. Bastou o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, mostrar, na prática, que as chaves do cofre estão realmente em suas mãos para o País entrar numa crise política. Os 40 ministérios para cerca de 20 partidos da base aliada implodiram o atual modelo de presidencialismo de coalizão.

A “podridão” que gira em torno da política brasileira explodiu justamente no momento onde começaram aparecer os primeiros nomes de políticos a serem investigados num suposto escândalo de corrupção inimaginável.

Já a sociedade, irritada com o rumo da economia doméstica, perplexa com os acontecimentos no campo político e cansada de pagar algumas parcelas da conta nos últimos anos, volta a gritar.

A deterioração do ambiente político parece ter pegado o governo de surpresa, já que o cofre está fechado. Talvez a presidente Dilma tenha enxergado a possibilidade de restabelecer o tripé macroeconômico a tempo de suavizar os efeitos negativos provocados pelos experimentos realizados no seu primeiro mandato.

A verdade é que não há como fugir da conta. Não adianta correr, em algum momento ela irá te alcançar. Não é possível simplesmente apagar os erros cometidos no passado. Ou você conserta, ou você se afunda ainda mais. Como o governo demorou a agir, as consequências são inevitavelmente mais duras. O fato de a crise econômica ter contaminado o campo político mostra o endurecimento das consequências.

A primeira sinalização de que haveria consequências futuras surgiu há cerca de quatro anos atrás. O tripé macroeconômico (superávit primário, câmbio flutuante e inflação na meta) foi destruído no início do primeiro mandato do governo Dilma. As contas públicas foram maquiadas, o mercado de câmbio sofria demais com o dedo do então ministro da Fazenda e a taxa básica de juros desceu ladeira abaixo aos 7,25% ao ano.

Nada deu certo. O quadro fiscal se deteriorou rapidamente, o real se desvalorizou fortemente e a inflação disparou. No meio desse lamaçal, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro perdeu força. Não conseguia sequer ir pra frente e agora vai pra trás.

Essa á a fúria do tripé que a presidente Dilma está experimentando, com consequências que vão além do campo econômico. O baque foi tão grande, que o governo tenta reerguer o tripé da mesma forma que o desmontou: de maneira estabanada. A estratégia é soltar ao vento as amarras dos juros e do câmbio para ver no que vai dar. Acertar as contas para segurar o grau de investimento.

Falta planejamento de longo prazo. Faltam maiores esclarecimentos da nova política econômica. Falta diálogo com o Congresso, com os empresários, investidores e com a própria sociedade. O Planalto se isola (consequência de suas atitudes) e ninguém sabe qual é o plano de governo para os próximos três anos e sete meses.

A deterioração do ambiente político pressionou o índice Bovespa para baixo nesta segunda-feira. O movimento corretivo iniciado na região dos 52.5k ganhou forma e não há sinalização de reversão na tendência.


O dólar segue em rali, embora esticado no curtíssimo prazo, e os juros futuros seguem abrindo prêmio em relação à taxa básica de juros, eliminando o excesso de otimismo verificado no mês passado.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em alta de 0,78%, devolvendo parte das perdas registradas na última sexta-feira.


16 comentários:

  1. Dia 15 vamos virar o jogo! #vemprarua

    ResponderExcluir
  2. Esqueceu de salientar que, o poder judiciário está corrompido!!!!

    Falei e disse!!

    ResponderExcluir
  3. Esqueceu de salientar que, o poder judiciário está corrompido!!!!

    Falei e disse!!

    ResponderExcluir
  4. É incrível que o tripé foi violado tanto por FHC1 como por Dilma1 e ainda se discute isso ideologicamente, sem usar o raciocínio logico, por isso os erros estão sendo repetidos, mesmo que de forma diferente e grande parte da sociedade ainda não entendeu o que realmente significam para a economia essas variáveis.

    Ele, no primeiro mandato, obcecado pela inflação sob controle e pelo emprego, abandonou o superavit primário e o cambio flutuante. Ao parar de emitir moeda, o inicio do plano real se deparou com o deficit publico financiado pela divida interna, agora cada vez mais crescente. Ao ver que a inflação ocorreria da mesma forma, mantiveram o cambio fixo, 1,00 real igual a 1,00 dolar para que os importados suprissem o poder de compra da população, que era exatamente o mesmo que na época da emissão, da hiperinflação. Resultado, explosão da divida interna e externa. Inevitavelmente maxidesvalorização, socorro do FMI e volta da inflação.

    Ela, obcecada pelo emprego, abandonou o superavit primário e abaixou a Selic por decreto, apesar de deixar o cambio um pouco mais realista que FHC1. Os resultados internos são os mesmos, inflação e divida interna crescente.

    Os dois erraram e a sociedade fica discutindo quem é o melhor. Eu ainda não descobri quem é o pior e torço por um Brasil com mais educação e menos ideologia.

    Mais incrível ainda é que Dima2 está seguindo os mesmos passos que FHC2, que foi perfeito, um verdadeiro marco para a nossa economia, mas a sociedade acordou para os resultados e não para as causas e quer o impeachment.
    Ele atraiu dolares com juros altos, ela segurou a inflação com controle de preços.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Esqueça suas ideologias. analise mais profundamente e verá qual foi o pior governo.

      Excluir
    2. Ao analisarmos o contexto (são comparações com quadros macroeconômicos bem distintos e complexos), não resta menor dúvida de quem fez o melhor possível e de quem não fez nada para melhorar, e ainda destruiu o que foi construído a duras penas.

      Abs a todos e bons negócios

      Excluir
  5. FI, agradeço pelos seus esclarecimentos pois como parte da grande maioria do povo, tenho pouco conhecimento em economia e política, porém mesmo assim sinto que posso cantar, se a canoa não virar...

    ResponderExcluir
  6. FI, agradeço pelos seus esclarecimentos pois como parte da grande maioria do povo, tenho pouco conhecimento em economia e política, porém mesmo assim sinto que posso cantar, se a canoa não virar...

    ResponderExcluir
  7. FI, agradeço pelos seus esclarecimentos pois como parte da grande maioria do povo, tenho pouco conhecimento em economia e política, mais faço parte da minoria que gostaria de entender mais, pois torço para que possamos viver melhor um dia como um todo e não só para uma minoria mau caráter e corrupta porém mesmo assim sinto que estamos em uma fase em que posso cantar, se a canoa não virar...

    ResponderExcluir
  8. FI, agradeço pelos seus esclarecimentos pois como parte da grande maioria do povo, tenho pouco conhecimento em economia e política, mais faço parte da minoria que gostaria de entender mais, pois torço para que possamos viver melhor um dia como um todo e não só para uma minoria mau caráter e corrupta porém mesmo assim sinto que estamos em uma fase em que posso cantar, se a canoa não virar...

    ResponderExcluir
  9. Só acho que esqueceu de salientar que em 2002 a bolsa valia 15.000pts e o dólar 3,80. De 2002 até 2015 chegou a valer 74.000pts e agora está em 49.000. E o dólar em R$ 3,15.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É..... Realmente o país está muiiiiiiito bom!!! Viva a Dilma, viva o bolivarismo.... E segue o bom e velho pão e circo!!!!

      Quem defende a corja ou é ignorante ou está lucrando com a baderna que este país se transformou nos últimos 12 anos.

      Excluir
    2. Amigo, acho que aqui o seu petralhismo não vai funcionar neste blog.

      A base monetária do Brasil se expandiu consideravelmente entre 2002 e 2015, portanto, é absolutamente normal que a bolsa esteja nominalmente mais cara, bem como imóveis, ativos, produtos e valor de mercado das empresas. E isso não quer dizer absolutamente nada, é apenas o resultado da inflação. Você ganha nominalmente, mas seu poder de compra fica menor por culpa desta inflação.

      Sugiro que você volte ao Brasil 247, lá o pessoal não compreende estas coisas de economia e finanças, então você vai conseguir enganar mais pessoas.

      Excluir
    3. Exatamente. Lembrando, ainda, que o índice Bovespa foi muito beneficiado na década passada pelo movimento global do super ciclo de alta das commodities, o que ajudou, também, a manter o dólar comportado frente ao real. Nesta época, as empresas exportadoras de commodities tinham o maior peso na carteira teórica do Ibovespa.

      IPCA acumulado de 2002 até 2015: 129,52%
      IGPM acumulado de 2002 até 2015: 160,88%
      IGP-DI acumulado de 2002 até 2015: 160,60%

      Pode escolher.

      Abs, bons investimentos

      Excluir
    4. Finanças, além disso, estes índices que você postou nem inflação são. São apenas a forma como os estatísticos e economistas conseguiram captar o comportamento da inflação (expansão da base) nos preços dos produtos. Nem de longe eles refletem a perda de poder de compra das pessoas. A perda foi muito maior. Só não existe um meio de medi-la perfeitamente.

      Por exemplo, só em dezembro do ano passado a base monetária (inflação) expandiu-se 19% ante novembro. SÓ EM DEZEMBRO!...

      http://www.dgabc.com.br/Noticia/1095654/base-monetaria-tem-expansao-de-9-1-em-dezembro-ante-novembro-na-ponta?referencia=minuto-a-minuto-topo

      O nosso petralha de estimação não entende porque a bolsa subiu de 19mil Reais pra 70 mil reais. Taí a explicação.

      Excluir
    5. Concordo. Na minha opinião esses índices também não estão refletindo a inflação real. Nenhum deles. São apenas uma "referência bem por baixo"...

      Abs, bons negócios

      Excluir