sexta-feira, 6 de março de 2015

Paciência do FED está com os dias contados


A taxa de desemprego divulgada pelo Departamento do Trabalho dos Estados Unidos mexeu com as principais praças financeiras mundiais nesta sexta-feira. A criação de empregos acelerou para 295 mil vagas no mês de fevereiro, após geração de 239 mil postos de trabalho no mês de janeiro.

As contratações surpreenderam as estimativas dos economistas, que esperavam algo em torno de 240 mil vagas. Com os novos dados do Departamento de Trabalho, a taxa de desemprego nos Estados Unidos caiu de 5,7% em janeiro para 5,5% em fevereiro, atingindo o menor patamar dos últimos seis anos e meio.

Os números sugerem continuação do processo de fortalecimento do mercado de trabalho, aproximando-se do objetivo do FED (Federal Reserve – Banco Central norte-americano) para iniciar o ciclo de aperto monetário.

A famosa expressão “paciente", utilizada nos comunicados do Banco Central para orientar o mercado sobre a aproximação do processo de aperto monetário, poderá ser retirada já na próxima reunião de Comitê a ser realizada nos dias 17 e 18 de março. A simples expectativa da mudança na orientação de política monetária pressionou moedas e títulos da dívida soberana no mundo inteiro.

Entretanto, Janet Yellen, chair do FED, frisou no final do mês passado, em discurso no Comitê Bancário do Senado, que os investidores/operadores não devem interpretar a mudança no comunicado como um sinal de que o Banco Central está comprometido com o aumento dos juros em qualquer reunião. Quando a palavra “paciente" desaparecer dos comunicados, significará que a autoridade monetária vai apenas ter flexibilidade para agir conforme os indicadores econômicos aproximem das metas previamente estabelecidas. Yellen ainda afirmou que a modificação da orientação futura não deve ser vista como uma indicação de que o FED vai, necessariamente, aumentar os juros nas em duas reuniões.

Ao avaliar o impacto ocasionado nos preços dos ativos nas principais praças financeiras mundiais nesta sexta-feira, chega-se a conclusão de que o mercado desconsiderou as importantes afirmativas de Yellen. A chair do FED sinalizou que não há motivos para preocupações quando a palavra “paciente” sumir dos comunicados da autoridade monetária. Será uma sinalização de que o aperto monetário está próximo, mas não iminente. Contudo, o que se comentou incorretamente hoje no mercado é que os juros devem subir em duas reuniões após o mês de março, ou seja, que o aperto monetário nos Estados Unidos é iminente.

Como de costume, países que apresentam quadros domésticos mais vulneráveis (como é o caso do Brasil), sofreram mais com o impacto. O dólar subiu 1,49% frente ao real, atingindo a marca de R$ 3,05. No acumulado da semana, a divisa disparou 7,02%, maior valorização desde a semana encerrada em 21 de novembro de 2008, na crise do subprime.

Os contratos de juros inverteram a trajetória e subiram forte. Com isso, o pré-fixado voltou apresentar prêmio de risco (embora ainda modesto) em relação a nova taxa básica de juros. A curva que vence em janeiro de 2017 fechou a semana pagando 13,44%. O contrato com vencimento em janeiro de 2018 fechou aos 13,17%. Os juros com vencimento em janeiro de 2019 subiram para 13,05%.

A inflação do mês de fevereiro, divulgada na manhã desta sexta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), atingiu incríveis 1,22%, jogando a taxa acumulada dos últimos 12 meses para 7,70%, nível mais elevado em quase uma década.

O fim do represamento de preços e a rápida valorização do dólar tendem a continuar fazendo pressão sobre a inflação brasileira nos próximos meses, o que pode contribuir para aumentar a força do perigoso processo de indexação de preços. Diante deste elevado grau de deterioração dos fundamentos econômicos, bem como risco de nova contaminação nas expectativas dos agentes, o Banco Central pode ficar impossibilitado de encerrar o ciclo de aperto monetário na próxima reunião a ser realizada nos dias 28 e 29 de abril.

Já o Ibovespa encerrou o pregão desta sexta-feira em baixa modesta de 0,76%, levando em consideração os acontecimentos do dia. Entretanto, no fechamento acumulado da semana, o índice registrou baixa expressiva, caracterizada pelo marubozu, o que confirmou formação de topo na região dos 52.5k. Mercado segue em correção de curtíssimo prazo, mas ainda não invalidou a tendência altista iniciada na região dos 46k.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones mantém a correção de curtíssimo prazo. Mercado fechou a semana em baixa, formando resistência na região de máxima histórica dos 18.2k.
  


Bom final de semana!

9 comentários:

  1. Bom dia FI, li num tópico anterior em que vc comentaste sobre a eventual questão de cobrança de IR nas LCIs/LCAs... tinha comentado que devido a esta possibilidade o aumento na procura/compra das letras tinha aumentado...
    Bom, para a proteção dos aportes já realizados nessas letras, necessário é que a isenção atual seja condicionada, o que penso ser o caso, visto as condições contratadas (prazo, percentual)
    Entretanto há corrente dizendo que a isenção do IR seria incondicionada, e que por este motivo o governo poderia "quebrar o contrato" e realizar cobrança de IR em aportes anteriores a eventual mudança de legislação.
    Discordo do entendimento da isenção condicionada, entretanto acho preocupante o governo ter sido omisso sobre tais considerações, o que força a alguns investidores fazerem previsão de aportes com vencimentos de no máximo em 01 ano, e com projeção de diminuir o tempo (e se tiver letra disponível para prazos menores).
    Att,

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Correção: Discordo do entendimento da isenção incondicionada

      Excluir
    2. No que se refere a "quebra do contrato", no próprio meio jurídico você encontra alguns profissionais dizendo que sim (é possível) e outros dizendo que não. Dentro desse quadro de incerteza, o investidor não pode fazer nada, a não ser gerenciar seu portfólio para se posicionar em ambos os casos. Ultimamente os bancos estão emitindo mais títulos de 01 ano, do que de 6 meses ou 02 anos ou mais. A concentração do peso em títulos de 01 ano (sem descartar os demais) pode ser interessante dentro do quadro atual.

      Abs, bons investimentos

      Excluir
  2. Infelizmente, FI, estou muito pessimista com o atual cenário pois temo que, agora, o congresso venha a dificultar muito as necessárias medidas de ajuste.
    Diante, disso, acho que o melhor a fazer e ficar quieto na RF e esperar o final dessa comedia de erros. Difícil!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim. Infelizmente a crise econômica contaminou o ambiente político. Agora o investidor precisa gerenciar seu portfólio num ambiente de crise econômica e política.

      Abs, bons investimentos

      Excluir
  3. Respostas
    1. Surfando uma boa onda no mercado bull. Só tome cuidado com o excesso de otimismo nos preços. Obrigado!

      Abs, bos negócios

      Excluir
  4. FI, obrigado pela sua analise.
    Você podia fazer um comentário sobre a relação da subida do dólar e o futuro aperto monetário dos EUA? Fiquei com dúvida nessa questão (saber realmente os principais motivos dessa disparada da moeda americana).
    Obrigado!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá,

      Não existe um único motivo. É uma combinação de fatores: deterioração do quadro político doméstico e expectativa de aperto monetário iminente nos Estados Unidos.

      Abs, bons negócios

      Excluir