quinta-feira, 16 de abril de 2015

Agenda pesada, mercado leve


O PIB (Produto Interno Bruto) de 7% da economia chinesa divulgado na última quarta-feira não foi nada animador. O governo se preocupa, pois o número fraco mostra que as medidas de estímulo monetário implementadas recentemente não surtiram efeito desejado. O desempenho deste início de ano é o mais fraco desde o primeiro trimestre de 2009, quando a crise financeira levou a uma desaceleração do crescimento chinês para 6,6%.

Além disso, as exportações da China despencaram 15% no mês de março, provocando um verdadeiro choque nas expectativas do mercado (esperava-se alta de 12%). O baixo desempenho das exportações reforça as preocupações sobre como a alta do iuan (moeda local) tem afetado a demanda por bens e serviços chineses no exterior. Já as importações encolheram 12,7% no mês passado, o que revela uma demanda doméstica ainda fraca.

Li Keqiang, premiê chinês, confessou em entrevista ao jornal Financial Times que não será fácil atingir a meta de crescimento de 7% neste ano. Apesar das dificuldades, Li afirmou que não vai promover nova onda de desvalorização da moeda chinesa (como no passado) para retomar o ritmo de crescimento, mostrando comprometimento com o plano, em curso, de reordenamento da economia.

A economia global também não vai ajudar tanto este ano. No relatório de Perspectiva Econômica Global, o FMI (Fundo Monetário Internacional) manteve sua projeção para o PIB global neste ano em 3,5%, com aumento na divergência de trajetórias de crescimento das principais economias mundiais.

Para o Brasil, o relatório passou a projetar retração de 1,0% em 2015, contra projeção anterior de expansão de 0,3% feita em janeiro. O número está bem abaixo da média de 4,3% de expansão para as economias emergentes neste ano.

No ambiente doméstico, destaque para declaração de Alexandre Tombini (presidente do Banco Central) em evento organizado pelo Itaú BBA na última terça-feira. Tombini afirmou que a política monetária está e continuará vigilante para que o IPCA convirja para o centro da meta no fim de 2016, caracterizando importante sinalização de continuação do ciclo de aperto monetário.

No mesmo dia, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou os dois novos diretores do Copom (Comitê de Política Monetária): Otávio Damaso e Tony Volpon, ambos profissionais muito competentes. Damaso é da casa, servidor do Banco Central há 17 anos. Volpon era diretor executivo da Nomura Securities em Nova York, conhecido no mercado financeiro por ter uma postura hawkish. Volpon não tolera inflação alta e criticava a condução da política econômica no primeiro mandato do governo Dilma. Em seu discurso no Senado, chegou afirmar que no momento adequado e na situação adequada, a meta de inflação (atualmente 4,5%) deve ser reduzida.

Na Europa, o BCE (Banco Central Europeu) abriu a rodada de reuniões de comitês de importantes banqueiros centrais mundiais com poucas novidades. O Banco Central reforçou que não tem planos para limitar ou reduzir seu programa de estímulo monetário, embora espere que a recuperação econômica da zona do euro se amplie e se fortaleça. O destaque ficou por conta de uma mulher que vestia uma camisa pedindo “fim à ditadura do BCE”. A ativista pulou na bancada onde Mario Draghi concedia entrevista e soltou confetes. O acontecimento deixou a entrevista de Drahi mais animada, já que o clima era monótono devido à ausência de novidades.

Em meio as prolongadas negociações entre o governo e credores, a agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou os ratings de crédito soberano de longo e curto prazo da Grécia para "CCC+/C", mantendo perspectiva negativa.

No mercado de capitais, o índice Bovespa fechou o pregão desta quinta-feira em leve baixa de 0,45%, sem apresentar novidades. Mercado segue trabalhando dentro de uma tendência de alta iniciada na região dos 45.9k, sem sinalização de reversão.


Nos Estados Unidos os principais índices acionários seguem leves e soltos, registrando pequenos ganhos no curto prazo, operando em proximidade com as máximas históricas.
  


Dólar frente as principais moedas globais segue em correção, apesar de ser possível constatar movimento intensificado frente ao real, tal como foi o ritmo da última perna de alta de curto prazo. Taxa de juros do título de 10 anos do governo norte-americano também segue em correção, influenciando movimentos semelhantes nos demais países. No Brasil, tal como no câmbio, a correção nos juros também é mais forte.

9 comentários:

  1. FI,
    Acha que podemos ver a S&P botar o Brasil como BB+ ? (perda do grau de investimento)

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    1. Não. Inclusive a S&P publicou relatório no final do mês passado reafirmando o atual "BBB-", além de justificar a manutenção da perspectiva estável para o rating brasileiro.

      Abs, bons negócios

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  2. FI,
    Você acha os juros do tesouro ainda irão subir depois da correção, ou acredita que será desse patamar para baixo? Alguns andam falando em dólar a R$ 3,50 vc acredita que isso tem possibilidade de aconteceu,

    Seus artigos são muito bem elaborados.
    Valeu

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    1. A tendência principal dos juros futuros ainda é de alta, são quase 3 anos de bull market. Durante todo esse período correções de curto prazo surgiram com certa frequência apresentando características bem semelhantes (como a atual, que a propósito está emitindo sinalização de interrupção), assim como apareceram diversas oportunidades neste percurso para fixar taxa, curiosamente com características bem semelhantes também. O mercado está oscilando de forma relativamente comportada, o que facilita o trabalho do investidor/operador. A mesma análise vale para o dólar, que apesar da correção, permanece dentro de uma tendência principal de alta. Obrigado!

      Abs, bons investimentos

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  3. Eu também acho que esta meta deve ser reduzida. 3% com 1% de tolerância pra cima ou pra baixo está de bom tamanho. Claro, isto só será possível quando o Ministério da Fazenda se tornar uma instituição sólida. No momento, é tão frágil que toda a expectativa dos agentes econômicos gira em torno de 1 nome indicado para o MF. O MF é, hoje, uma das instituições mais fracas da república. O Planejamento também deveria seguir este caminho. Precisamos acabar com a fulanização do MF e torná-lo uma instituição republicana autônoma. Com isso, sim, além do Rating A, poderemos ter um país com inflação controlada e juros baixos.

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    1. Concordo. 3% seria o ideal (ou um sonho rs...). É um caminho longo pra chegar nesse patamar e não sei se o povo brasileiro aprovaria isso com o voto. Creio que existe uma resistência muito grande por total falta de conhecimento. Precisamos evoluir muito...

      Abs, bons negócios

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  4. FI, boa noite,

    Sou estudante de Engenharia e viso entrar p o Mercado Financeiro, principalmente na área de IB ou Wealth Management. Leio alguns blogs como o Breaking Into Wall Street, como não estudo economia, gostaria de saber se o Sr. possuiria alguma dica ou plano de ação, visto que estou no terceiro ano.

    Surgiu a oportunidade de fazer uma iniciação cientifica na area de econometria. Seria mais interessante focar nessa IC ou cursos como finanças corporativas do coursera ?

    Muito obrigado,

    Att.

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    1. Apesar de todo potencial de crescimento, o mercado de trabalho nessa área ainda está muito fraco no Brasil (nos últimos anos andou pra trás ao invés de engatinhar lentamente pra frente, como era de costume). Se você é jovem, domina inglês e não tem nada que te prenda aqui no Brasil (família, negócio, etc...), talvez seja interessante pensar em trabalhar fora. Você vai encontrar mais oportunidades de trabalho em polos financeiros mais consolidados ou em forte crescimento como Nova York, Londres, Cingapura, Xangai e Hong Kong. Todas as grandes casas de investimentos estão presentes nestas praças. Além das especializações nas universidades, acho importante ter pelo menos uma década de prática no mercado. A universidade (juntamente com as certificações) vai ser a ponte para você trabalhar num banco de investimento, mas a experiência no mercado será crucial para você ter sucesso. Se você já opera, ótimo. Se não, comece logo, com valores bem pequenos. Por outro lado, se você pretende trabalhar mesmo no Brasil, procure o quanto antes um estágio/trainee numa casa de investimentos em São Paulo. De acordo com as oportunidades que surgirem dentro da casa, você direciona os estudos para se especializar. Boa sorte na caminhada e sucesso!

      Abs,

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    2. Mais uma vez muito obrigado pela atenção,

      Abs!

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