quarta-feira, 29 de abril de 2015

Taxa Selic sobe 0,50 p.p. e Copom mantêm comunicado


Os membros do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiram na noite desta quarta-feira manter o atual ritmo de aperto monetário ao elevar novamente a taxa básica de juros em 0,50 p.p.

Com a decisão desta quarta-feira, a taxa Selic sobe para 13,25% ao ano, atingindo o maior patamar desde dezembro de 2008. O novo patamar da taxa básica de juros não surpreendeu o mercado, guiado corretamente pelo conteúdo apresentado na última ata de reunião do Copom, Relatório Trimestral de Inflação e declarações recentes dos diretores do Comitê.

O comunicado exibido após a reunião do Copom é idêntico ao que foi apresentado nas reuniões de janeiro e março: “Avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic em 0,50 p.p.”

A manutenção do comunicado é um importante indicativo de que o ciclo de aperto monetário não chegou ao fim. A divulgação da ata do Copom na próxima semana poderá reforçar essa perspectiva, já que o cenário permanece delicado. O primeiro passo para sair de um quadro estagflacionário é justamente o combate firme à inflação.

Nos Estados Unidos, o Comitê de Política Monetária do FED (Federal Reserve – Banco Central norte-americano) também se reuniu nesta última terça e quarta-feira. Não houve novidades na orientação de política monetária. Os membros do FED decidiram manter o comunicado das últimas reuniões: “O comitê prevê que será apropriado elevar a faixa da meta para a taxa de juros quando tiver visto melhora no mercado de trabalho e estiver razoavelmente confiante de que a inflação irá voltar para sua meta de 2% no médio prazo”

Os indicadores econômicos norte-americanos (especialmente PIB e inflação mais fracos) seguem justificando a manutenção da postura cautelosa do FED nos próximos meses, considerando, ainda, o fato de o timming do aperto monetário ter se tornado desprezível, conforme sinalização emitida ao mercado na importante reunião de Comitê realizada no mês de março.

Na manhã desta quarta-feira, o Departamento de Comércio informou que a economia norte-americana cresceu a uma taxa anual de 0,2% no primeiro trimestre deste ano, bem abaixo das expectativas de 1% dos economistas/analistas. O desempenho da economia foi novamente impactado pelo inverno rigoroso, reposicionamento de empresas do setor energético (agora defensivas) e moeda local mais forte.

Wall Street reagiu ao número decepcionante do PIB norte-americano. O índice Dow Jones fechou o pregão desta quarta-feira em baixa de 0,41%, congestionado no curto prazo, sem apresentar novidades.


O dólar contra cesta de principais moedas globais segue em correção de curto prazo, sem sinalização de interrupção. Movimento iniciado em meados do mês de março, reagindo às novidades importantes apresentadas pelo FED na época.


O fortalecimento do dólar frente ao real nos últimos dois dias está descolado do movimento frente às demais moedas, o que pode ser um indicativo de que a correção de curto prazo do dólar iniciada em R$ 3,31 ainda não chegou ao fim.

Já o índice Bovespa trabalha movimento corretivo de curtíssimo prazo. Reação natural do mercado frente à aproximação da zona de resistência localizada na região dos 57.5k. Tendência de alta de curto e médio prazo iniciada na região dos 45.9k segue inalterada.


14 comentários:

  1. FI,

    Com isso tudo de alta e os EUA nem começaram a subir os juros ainda. Que situação braba a do Brasil.

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    1. Nós estamos na contramão do mundo. A grande maioria dos banqueiros centrais operam políticas de afrouxamento monetário mais agressivas da história. Os responsáveis por esta grande discrepância foram as políticas econômica, monetária e fiscal implementadas no primeiro mandato do governo Dilma. Houve destruição generalizada dos fundamentos econômicos e significativa perda de credibilidade do governo. Agora estamos correndo atrás deste enorme prejuízo, com certo atraso. Mas antes tarde do que nunca. O fato de o Banco Central do Brasil estar se antecipando ao aperto monetário nos Estados Unidos é importante para evitar fuga de capitais. Na situação em que estávamos até o final do ano passado, esse risco era considerável. Hoje está mitigado.

      Abs, bons negócios

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  2. Olá FI.
    Alguma indicação de site onde podemos acompanhar o DI futuro ?
    Qual seria o mais indicado para identificarmos mudanças na precificação do titulos do tesouro ?

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    1. Olá,

      No próprio site da BM&FBovespa. Algumas plataformas também disponibilizam os gráficos dos contratos de juros futuros. Cada título do tesouro tem uma determinada data de vencimento, então o ideal é você analisar a curva de juros futuros com data de vencimento semelhante à data de vencimento de cada título do Tesouro.

      Abs, boa semana

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    2. FI, no site da Bovespa tem só na parte Financeiro (DI FUT M15), procede? Ou tem outro lugar lá. Pelo que entendi está é a média dos contratos DI futuro? Obrigado!

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    3. Tem mais contratos (DI) pra vencer em 2016, 2017, 2018, 2019 e por aí vai... No próprio site da Bovespa. Eu prefiro acompanhar pela plataforma gráfica digitando o código do ativo (DI), até mesmo porque o site da Bovespa é ruim de acessar, cai toda hora.

      Abs,

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  3. A culpa é sempre da crise internacional...

    www.ricodinheiro.com.br

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  4. FI,
    tenho perfil conservador e sei que é uma fria os planos de previdência privada.
    Estimo minha aposentadoria em 2045.
    Meu perfil é conservador. Você considera adequada uma estratégia de centrar meus recursos para previdência em NTN-B 2045?
    Grato

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    1. Boa noite,

      De jeito nenhum. Ao contrário do que se comenta e recomenda por aí, considero essa estratégia muito errada. Na verdade, nem chega a ser uma estratégia. Um dos pontos importantes a serem considerados dentro da formação de uma estratégia operacional para títulos da dívida soberana é a capacidade de projeção do quadro macroeconômico para se ter uma estimativa do risco soberano. Em títulos de longo prazo é impossível fazer qualquer tipo de análise nesse sentido, ao contrário dos títulos de curto/médio prazo. Outro ponto importante é que o momento e a quantidade de títulos a serem adquiridos dependem exclusivamente das condições de mercado + estratégia operacional e não dos desejos e/ou entrada de recursos no caixa do investidor. Se existe a perspectiva de aposentadoria em 2045, você não só pode como deve operar títulos de curto/médio prazo (no caso das NTNBs, até 5 anos) aproveitando as oportunidades nos momentos em que elas aparecerem. Quando estes títulos vencerem, você irá trabalhar a realocação do capital. Outro aspecto importante é que nem sempre as oportunidades estarão concentradas no mercado da dívida soberana. Quanto maior o seu fluxo de realocação, maior será sua capacidade de aproveitamento das oportunidades que o mercado lhe oferecerá. E quanto maior sua experiência na realocação de capital, mais capacitado você estará para gerenciar seus recursos na aposentadoria. Experiência é fundamental e ela não chega a um nível satisfatório com menos de uma década no mercado financeiro.

      Abs, bons investimentos

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  5. FI obrigado pelo esclarecimento sobre juros futuros.
    Não sei se v. gostaria de sair da linha de (boas) análises de conjuntura, mas poderia escrever, vez por outra, comentários técnicos sobre juros, inflaçao, mercados de RF e RV, tit. tesouro, etc.

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    1. Por nada. Sim, de vez em quando faço análise sobre essas temas. Não é com tanta frequência, pois tem faltado tempo rs..

      Abs, bons negócios

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  6. Não consigo entender esse rali da bovespa. Há apenas um ajuste fiscal em curso, que isoladamente não trará crescimento. Nenhuma medida séria e concreta que poderá trazer perspectiva de crescimento econômico está sendo adotada. Cenário político complicado. O que os estrangeiros estão vendo na bovespa para terem colocado 7,6 bi em abril? Será que estão fazendo aqui "playground" aproveitando a janela do FED?

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    1. A qualidade das informações apresentadas pelos veículos que fazem cobertura do mercado financeiro nacional já não era tão boa, como de costume, mas acho que perderam totalmente o foco desde o processo de campanha eleitoral no ano passado. Resumindo, o que já não era tão bom, piorou muito. Sem dúvida as novidades apresentadas pelo FED no mês de março é uma das grandes variáveis que influenciaram os preços dos ativos. Decisões e medidas de governos e outros banqueiros centrais importantes também tiveram peso. O mercado financeiro global opera com excesso de liquidez, os ativos estão caros em todos os cantos do planeta. Os ativos brasileiros estavam meio desplugados desta onda global, em função de tudo que foi feito no primeiro mandato do governo Dilma, muitos investidores também estavam irritados com o antigo ministro da Fazenda, etc... Bastou uma pequena correção para o Brasil se inserir novamente no radar dos investidores.

      Abs, bons negócios

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  7. Ótima analise. É uma pena esse ajuste fiscal não ter começado antes, possivelmente estaríamos já sentindo seus feitos hoje.

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