quinta-feira, 11 de junho de 2015

Ata confirma continuação do ciclo de aperto monetário


A ata do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) divulgada nesta quinta-feira não deixou nenhuma dúvida em relação à interrupção ou continuação do atual ciclo de aperto monetário.

O parágrafo 32 do documento foi mantido sem nenhuma alteração: “A propósito, o Copom avalia que o cenário de convergência da inflação para 4,5% no final de 2016 tem se fortalecido. Para o Comitê, contudo, os avanços alcançados no combate à inflação – a exemplo de sinais benignos vindos de indicadores de expectativas de médio e longo prazo – ainda não se mostram suficientes. Nesse contexto, o Copom reafirma que a política monetária deve manter-se vigilante.”

Este trecho da ata é o mais importante, pois tem a função de guiar corretamente as expectativas do mercado, além de colaborar com lento processo de recuperação da credibilidade perdida no passado. O sucesso desta estratégia é comprovado pela redução do impacto dos movimentos especulativos na curva de juros futuros.

Com uma nova alta de pelo menos 0,25 p.p. contratada para a próxima reunião do Copom a ser realizada nos dias 28 e 29 de julho, o Banco Central vence mais uma (das inúmeras) batalha contra o perigoso quadro estagflacionário brasileiro.

Outra novidade apresentada nesta ata foi a inclusão das palavras “determinação e perseverança” para combater devidamente a inflação persistentemente elevada em 2015, com objetivo de impedir sua transmissão para os anos seguintes. É um discurso mais duro que já estava sendo adotado nas declarações recentes dos diretores do Comitê, reforçando a necessidade de continuação do ciclo de aperto monetário.

Com relação à estabilidade financeira global, o Banco Central acrescentou no documento possibilidade de ocorrência de episódios de maior volatilidade. Na verdade, a volatilidade já atingiu em cheio os mercados da dívida soberana europeu, asiático e norte-americano, onde as taxas seguem renovando máximas do ano.

A taxa de juros da Treasury de 10 anos (título público do Tesouro norte-americano, referência global) atingiu a marca de 2,50% na última quarta-feira, mantendo a forte arrancada frente aos 1,68% registrados no mês de fevereiro deste ano. Nesta quinta-feira a taxa recuou para 2,39%, num movimento de alívio de curtíssimo prazo.


O mercado brasileiro, considerado vulnerável, segue relativamente blindado contra os choques externos. Esta “anomalia” não chega ser surpreendente, já que a rota das políticas econômica, fiscal e monetária foi alterada rapidamente, agradando o mercado.

A bolsa de valores fechou o pregão desta quinta-feira em leve baixa, sem apresentar novidades. Mercado segue mantendo sustentação acima da região dupla de apoio formada pela média móvel simples de 200 períodos diária e suporte dos 52.5k. Entretanto, essa sustentação ainda não confirmou fim da tendência de baixa iniciada na região dos 58.6k.


Destaque para surpresa negativa do IPCA de maio (0,74%) divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), reforçando a complexidade de um quadro estagflacionário. O número veio muito acima das expectativas do mercado. A própria presidente Dilma Rousseff chegou a afirmar nesta quinta-feira que a inflação de 2015 preocupa bastante.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em leve alta, sem apresentar novidades. Mercado permanece congestionado no curto prazo.


4 comentários:

  1. Esse IPCA de maio foi doloroso. No último relatório Focus, um dia antes de anunciarem o IPCA de maio, previam 0,55%. No valorinvest, o intervalo de previsão era, salvo engano, de 0,56% a 0,64%. 0,74% foi muito acima das expectativas. Na próxima reunião da COPOM, espero novamente aumento de 0.5% na SELIC. Vejamos o IPCA de junho.

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    1. Sim. IPCA de maio é um lembrete importante de que não se pode "brincar" com a estagflação. Não é por acaso que a presidente Dilma chegou afirmar na entrevista com Jô Soares que a inflação é uma das coisas que mais a preocupam.

      Abs, boa semana

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  2. Respostas
    1. Ainda não há dados suficientes que mostrem necessidade de que a taxa Selic alcance os 16%. A calibragem dos juros dependerá das projeções para inflação do Banco Central. O Relatório de Inflação a ser divulgado no final deste mês será importante para verificarmos se a meta (4,5%) realmente será atingida no final de 2016. A princípio, ainda não. Por este motivo os juros devem continuar subindo, até que a projeção aponte o centro da meta. É importante, também, que desta vez esse compromisso (4,5% no fim de 2016) não seja adiado.

      Abs, boa semana

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