quinta-feira, 2 de julho de 2015

Indústria brasileira emite primeiro sinal de inversão na trajetória descendente


A última pesquisa de produção industrial brasileira realizada pelo Instituto Markit trouxe um ar de esperança em meio ao lamaçal de problemas acumulados nos últimos meses/anos. Os números do Instituto Markit mostraram que o rápido e preocupante agravamento do quadro estagflacionário brasileiro emitiu, enfim, o primeiro ponto de esgotamento.

O Índice Gerente de Compras do Brasil fechou o mês de junho aos 46,5 pontos. Apesar de continuar mostrando contração da atividade manufatureira, o número é superior aos 45,9 pontos registrados no mês de maio, mostrando que o nível de contração da indústria, apesar de se manter elevado, diminuiu, após estabilização constata entre os meses de abril e maio.


A pesquisa apurou que o principal responsável pela inversão da trajetória descendente é justamente a principal causadora dos atuais problemas econômicos brasileiros: a inflação. Os preços de fábrica cresceram no ritmo mais lento desde outubro do ano passado, refletindo uma combinação de demanda fraca e consequente aumento da concorrência.

Além disso, este importante indicador sinaliza que o fundo do poço em termos de crescimento tende a ocorrer na passagem do segundo para o terceiro trimestre deste ano. Ou seja, o ritmo de retração econômica tende a diminuir nos trimestres seguintes, jogando o País numa trajetória de recuperação, embora a princípio modesta.

Na noite desta última quarta-feira, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, ressaltou que o Brasil passa por um ajuste macroeconômico clássico, em três fases. A primeira é caracterizada pela contenção da atividade econômica (reflexo da política monetária). Na segunda fase, os preços internos tenderão à moderação, resultando em inflação estável no centro da meta. Por fim, na terceira fase, a sinalização de um horizonte de estabilidade e a adoção de reformas estruturais levará à retomada da confiança. Tombini ainda afirmou que essas fases ocorrem sequência, mas se sobrepõem.

O presidente do Banco Central também frisou que “a política monetária no Brasil está e continuará vigilante para assegurar a convergência da inflação ao centro da meta em 2016 e sua estabilidade nos anos à frente”, reforçando a perspectiva de manutenção no ritmo de aperto monetário na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) e subsequente permanência de juros elevados no curto e médio prazo.

Em seminário organizado pela revista The Economist, em Paris, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Luiz Awazu Pereira da Silva, afirmou que o atual processo de ajuste na economia brasileira está funcionando. Segundo Awazu, é preciso continuar com os acertos nas políticas fiscal e monetária, apesar de afetar a expansão de curto prazo, para garantir a construção de uma base sólida para o novo ciclo de crescimento sustentável.

Os discursos dos dois diretores do Banco Central estão bem alinhados, tanto no que se refere à firmeza da política monetária, quanto às perspectivas justificadamente positivas para melhora dos fundamentos econômicos no longo prazo.

No mercado de capitais, os principais índices acionários (com exceção do mercado europeu) reagiram com bastante modéstia ao agravamento da situação na Grécia. Em Wall Street, os índices voltaram para base da zona de congestão de curto prazo, entretanto sem expressar sinalização de rompimento descendente.


No Brasil o índice Bovespa também permanece congestionado, mantendo análise das últimas semanas, sem apresentar novidade.


Os rendimentos dos títulos da dívida soberana sequer esboçaram reação. A taxa de juros da Treasury de 10 anos (título público do Tesouro norte-americano, referência global) está congestionada no curtíssimo prazo, abaixo da máxima registrada mês passado.
  

O dólar frente a uma cesta de principais moedas globais também segue comportado, congestionado no curtíssimo prazo.


A relativa tranquilidade observada nos preços dos principais ativos globais em meio ao agravamento da crise grega mostra que, diferentemente de 2010/2011, os bancos privados estão com baixíssima exposição aos títulos gregos, reduzindo potencial de contaminação no mercado financeiro.

Os novos credores da Grécia são basicamente formados pelos países da UE (União Europeia), o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o BCE (Banco Central Europeu). Além do mais, caso a zona do euro seja abatida pela Grécia, o BCE terá ferramentas (que não possuía em 2010/2011) de intervenção para estabilizar e/ou minimizar possíveis impactos no mercado financeiro europeu. O principal perdedor em caso de ruptura é a própria Grécia.

6 comentários:

  1. Boa noite e parabéns pelo post.
    Como vc está vendo esse movimento baixista da bolsa chinesa? Algo que preocupe ?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Boa noite.

      Não preocupa, por enquanto. Mercado ainda é considerado bem fechado e só está reagindo às intervenções do Estado. O grande prejudicado com esse excesso de intervenções é o próprio investidor chinês, que não tem pra onde correr dentro do seu País, já que a renda fixa (títulos públicos ou privados) também é altamente regulada e apresenta baixo retorno, câmbio dispensa comentários, imóveis em desaceleração (ainda sob risco de a bolha estourar), etc. O ambiente não é nada bom para investidores PF. O governo teve participação importante tanto no movimento ascendente, quanto no movimento descendente da bolsa.

      Abs, bons investimentos

      Excluir
  2. Não se anima de falar também sobre o IFIX ?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. As inúmeras particularidades de cada fundo imobiliário inviabilizam análise de seu índice de referência, diferente de outros segmentos. Mas, no geral, mercado para locações comerciais apresenta considerável desequilíbrio entre oferta x demanda, o que provoca vacância elevada, quebra de contratos e negociações mais favoráveis aos locatários. Este desequilíbrio (oferta x demanda) tende a ser reduzido no longo prazo, com a retomada do crescimento. No curto e médio prazo o quadro é desfavorável.

      Abs, bons negócios

      Excluir
  3. FI,

    Até que ponto um reforço na indústria poderia impulsionar o Ibovespa ? Há alguma relação direta com o PIB ?

    Agradeço.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A participação da indústria no PIB caiu para pouco mais de 10%. Para reverter o processo de desindustrialização (que se acentuou no segundo mandato do governo Lula), é preciso planejamento de longo prazo, coisa que não existe no Brasil, infelizmente. O PIB certamente é uma das variáveis de peso que provocam efeito no Ibovespa, apesar de curva do PIB não se deslocar na mesma intensidade e no mesmo timming do Ibovespa.

      Abs, bons investimentos

      Excluir