terça-feira, 11 de agosto de 2015

Moody’s poderá rebaixar o Brasil em meados de 2017


A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou nesta terça-feira a nota de crédito do Brasil de “Baa2” para “Baa3”, nota mais baixa dentro da classificação grau de investimento. A perspectiva para o rating do País também foi revisada, de negativa para estável, mostrando que muito provavelmente não haverá mudança na nota de crédito brasileira no curto prazo.

A mudança da perspectiva de negativa para estável gerou um grande alívio no mercado financeiro nacional, pois esperava-se manutenção da perspectiva negativa, alinhada à postura da Satandard & Poor’s para o Brasil, que também foi recentemente reavaliada.

O rebaixamento pela Moody’s foi justificado pela “performance mais fraca que o esperado da economia, tendência de gastos mais elevados do governo e a falta de consenso político sobre as reformas fiscais, que impedem as autoridades de atingir superávits primários elevados o suficiente para conter e reverter a tendência de aumento da dívida este ano e no próximo, além de desafiar sua capacidade de fazê-lo depois”.

A agência de classificação de risco espera que a dívida do governo, bem como sua capacidade de pagamento, continuarão a deteriorar significativamente em 2015 e 2016 em comparação com as expectativas anteriores, atingindo níveis substancialmente piores que os de outros pares do Brasil com classificação Baa.

Um importante detalhe, que passou despercebido pelo mercado, é que a agência se limitou a projetar baixo risco de grave deterioração das métricas de dívida que ameace a classificação de grau de investimento até 2016.

Entre as diversas projeções para o aumento da dívida pública brasileira, é praticamente consenso no mercado que, apesar do rápido e preocupante crescimento da mesma, o patamar de 70% da dívida bruta em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) não será atingido até 2016.

Mas o perigo está no que virá a partir de 2017. O fato de o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, não ter comemorado a revisão da perspectiva de negativa para estável, mostra a necessidade de superar grandes desafios nos próximos 18 meses.

Ao contrário do que se especulou no mercado, a ameaça de rebaixamento está ficando da vez mais forte. Ao final do relatório emitido hoje, a agência de classificação de risco Moody’s detalhou claramente os desafios a serem cumpridos pelo governo brasileiro a fim de evitar um futuro rebaixamento do rating (para grau especulativo):

“O rating poderia sofrer pressão adicional se as métricas de dívida do governo deteriorarem mais e mais rápido que o esperado pela Moody's, e se a agência de rating concluir que o Brasil não conseguirá atingir o crescimento e a consolidação fiscal necessária para garantir a sustentabilidade fiscal no médio prazo. Na visão da Moody's, o Brasil precisa atingir um crescimento do PIB e superávit fiscal de pelo menos 2% do PIB durante a segunda metade do atual governo para conter o aumento da dívida e oferecer uma garantia da sustentabilidade fiscal depois do fim dessa administração. Um resultado negativo provavelmente seria associado a um fracasso coletivo das autoridades fiscais e monetárias do Brasil para estabelecer e atingir objetivos de políticas claras de suporte, juntamente com um nível mais elevado do que o esperado da instabilidade política.”

O trecho acima extraído do relatório da Moody’s dispensa comentários adicionais. Os objetivos são nítidos. E não são nada fáceis. Infelizmente a capacidade de superação aos desafios detalhados pela Moody’s até a segunda metade do atual governo é significativamente baixa e, caso este quadro seja concretizado, o Brasil poderá ser rebaixado para grau especulativo (ou lixo).

No mercado de capitais, o índice Bovespa fechou o pregão desta terça-feira em leve baixa, mostrando forte recuperação no fechamento do pregão. O movimento comprador verificado nos últimos minutos dos negócios foi influenciado pela revisão da perspectiva de negativa para estável, criando grande alívio nos preços dos ativos.  Entretanto, ao lerem o relatório da Moody’s na íntegra, os investidores/operadores poderão constatar que não há alívio, mas sim uma pressão, mais concreta, para o rebaixamento do rating brasileiro.


O candle formado mostra sustentação na linha de suporte dos 48.6k. Entretanto, a sinalização não é confiável, pois foi comprometida por um evento que provocou uma rápida reação avaliada em curtíssimo espaço de tempo. Será necessário aguardar a sinalização dos próximos dias para verificar a real força da linha de suporte dos 48.6k.

Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones devolveu praticamente todo o movimento altista verificado no pregão anterior, mostrando ainda predomínio da força vendedora no curtíssimo prazo. Mercado em tendência de baixa, ameaçando romper mais uma linha de suporte nos próximos dias.


2 comentários:

  1. FI,

    Será que estamos condenados até 2017 a um quadro ainda pior?

    Abs.

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    1. Infelizmente sim. Não há perspectiva de reversão da trajetória ascendente da dívida pública. Já a inflação e o PIB tendem a apresentar números não tão ruins quanto os de 2015, mas ainda assim longe de um patamar satisfatório.

      Abs, bons negócios

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