domingo, 11 de outubro de 2015

A importância do foco no mercado


O anúncio das intervenções do Banco Central e do Tesouro Nacional no mercado financeiro nacional, bem como alívio temporário nas tensões políticas com a reforma ministerial, abriu condições para que os preços dos ativos no mercado doméstico pudessem acompanhar o direcional global.

Entretanto, analistas e economistas insistem em justificar que os fatores citados no parágrafo anterior foram os principais drivers que permitiram o movimento de alívio no mercado financeiro nacional. Apesar de o motivo ser irrelevante, do ponto de vista prático de uma gestão de portfólio, é importante fundamentar o recente deslocamento de preços para que os investidores/operadores, principalmente aqueles menos experientes, possam focar/descobrir nos (os) pontos mais importantes para uma análise macroeconômica adaptada ao mercado de capitais.

A atuação conjunta do governo foi apenas um fator coadjuvante que permitiu que os preços dos ativos domésticos pudessem seguir, em intensidade semelhante, à dinâmica global. O principal driver responsável por valorizar moedas contra o dólar, jogar os rendimentos dos títulos da dívida soberana para baixo e levantar as bolsas de valores foi o comunicado do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) emitido após a reunião de Comitê em meados do mês passado, seguido pela entrevista de sua chair, Janet Yellen.

Naquela época, especulava-se no mercado uma elevação da FFR (Federal Funds Rate - taxa básica de juros), que por sinal jamais foi sinalizada nos documentos emitidos pela autoridade monetária norte-americana. Informações “não oficiais” costumam surgir e espalhar com muita facilidade num ambiente frenético de fluxo de capitais.

Como de costume, a quebra de expectativas provocou forte reação nos preços dos ativos, refletindo as decisões tomadas pela massa de investidores/operadores posicionados em curto prazo na direção contrária.


O gráfico acima reflete esse movimento a nível global. Os candles representam o deslocamento do índice S&P500, a linha branca refere-se ao deslocamento da bolsa do México, amarela da bolsa indiana, vermelha da bolsa brasileira, azul do mercado alemão e laranja da bolsa de valores do Japão.

A política monetária norte-americana é o foco central nas principais praças financeiras mundiais, não somente por conta da força do Banco Central dos Estados Unidos, mas, também, pelo fato de todos esses mercados estarem abertos ao fluxo de capital estrangeiro.

O fluxo de capital estrangeiro tem participação relevante não somente no mercado brasileiro, mas no mundo inteiro. A grande facilidade para “tirar dinheiro de um lugar e colocar no outro” permite até que os pequenos investidores possam trabalhar alocação global (por sinal é uma estratégia muito utilizada por investidores asiáticos).

Em muitos casos, essas operações são apoiadas no deslocamento do dólar (principal moeda de troca global), o que acaba reforçando as atenções sobre o Banco Central responsável pelo poder de compra dessa moeda. Aliás, é por esse motivo que, às vezes, uma única palavra utilizada em comunicado do FED consegue causar impacto relevante e prolongado nas principais praças financeiras mundiais.

A importância da política monetária do Banco Central dos Estados Unidos ao mercado de capitais também provoca, rotineiramente, conclusões irracionais e/ou análises exageradas. Exemplo disso é que, atualmente, quando um único indicador, mesmo inexpressivo, é divulgado abaixo das expectativas dos analistas, na mesma hora os próprios analistas começam a especular sobre o “adiamento” do aperto monetário. Por outro lado, quando um único indicador, mesmo inexpressivo, é divulgado acima das expectativas dos analistas, na mesma hora os próprios analistas começam a especular sobre a “antecipação” do aperto monetário.

Por este motivo é importante saber filtrar esse tipo de informação, para entender o que é exagero/especulação e o que é real e, principalmente, para tirar proveito desse movimento, pois em muitos casos são os exageros (que se refletem nos preços) que abrem as melhores portas para um bom timming no posicionamento dos ativos.

Boa semana a todos!

6 comentários:

  1. Boa tarde FI! Conhece alguma maneira de ter acesso a ativos de outras praças pelo Brasil, ou é possível somente por meio de contas no estrangeiro? Abraços

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    1. Boa tarde! A maneira mais fácil e recomendável é via fundos disponibilizados no mercado financeiro nacional que aplicam em ativos no exterior. A maneira mais difícil e trabalhosa é abrindo contas em bancos no exterior.

      Abs, bons negócios

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  2. FI,

    Incrível como lemos cada bobagem aqui no Brasil falando que o dólar caiu pelas razões mais absurdas possíveis quando na verdade é essa explicação que vc deu.

    Tenho tentado fazer negócios com o ITSA3 (compra e venda), mas ando tendo um pouco de dificuldade devido a liquidez do papel. Você sabe onde posso ver o número de negócio / liquidez do ativo ?

    Abs!

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    1. Olá, a maioria das corretoras informam os dados que você precisa do papel. Mas vai uma dica: evite ativos de elevada liquidez, alvo de fundos e players de mercado para fazer giro de curtíssimo prazo.

      Abs, bons negócios

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  3. FI, esta comprador em bolsa também? Abs

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    1. Sim, mas ainda com peso muito pequeno.

      Abs, bons investimentos

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