quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Porque trocar seis por meia dúzia?


A permanência de Joaquim Levy no comando do ministério da Fazenda parece que está, realmente, com os dias contados. A especulação criada em torno de sua substituição pelo ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ganhou proporções inimagináveis. Com tanta gente falando a mesma coisa no mercado financeiro e, também, no ambiente político, a troca já parece acertada, independentemente do desejo da presidente Dilma.

Entretanto, levando com consideração o nível de educação e desejo pró-fiscal da população, situação lastimável do quadro doméstico e limitações institucionais para cortes de gastos, a substituição de Joaquim Levy por Henrique Meirelles, ambos de perfil ortodoxo, resultará numa equação de soma zero para a economia.

Da mesma forma que o ministro Levy foi “impedido” de realizar seu trabalho na Fazenda, Meirelles também será, se tentar fazer o mesmo. Portanto, a primeira vista, não faz muito sentido trocar seis por meia dúzia.

Acontece que os pouquíssimos golpes efetuados com sucesso por Joaquim Levy atingiram pessoas, empresas e setores que, de certa forma, recebiam algum tipo de estímulo (desonerações, crédito subsidiado, entre outros) por parte do governo. A grande generosidade do governo com esse seleto grupo foi, inclusive, um dos grandes responsáveis pelo rombo nas contas públicas. Irritados com o fim da festa, esse grupo partiu para o ataque contra o ministro da Fazenda.

Com as chaves dos cofres públicos nas mãos de Levy, a briga chegou rapidamente no ambiente político. Isolado na batalha, o ministro da Fazenda demonstrou ter entregado os pontos no mês de julho, quando anunciou a redução drástica da meta de superávit primário. A partir deste ponto, novas derrotas foram surgindo com bastante rapidez e o pingo de esperança que ainda restava para o futuro, foi-se embora na mesma velocidade.

Além disso, especula-se que a recomendação feita pela Receita Federal para a quebra do sigilo bancário da LFT Marketing Esportivo (empresa de um dos filhos do ex-presidente Lula), também estaria entre os motivos de possível atrito entre Lula e Joaquim Levy. E mais, o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), também ligado ao Ministério da Fazenda, apurou operações envolvendo o ex-presidente e outras figuras do PT. O relatório foi enviado à CPI do BNDES, mas a revista Época conseguiu acesso aos dados, o que gerou grande repercussão na mídia.

A melhora nos prêmios de risco dos ativos brasileiros transmite a falsa ideia de que a entrada de Henrique Meirelles no Ministério da Fazenda seria algo positivo. Na verdade, seria mais uma sinalização ruim ao futuro do País.

O índice Bovespa fechou em alta de 1,86% nesta quarta-feira estimulado pelo teste bem sucedido (ocorrido ontem) na primeira região de suporte da tendência de alta de curto prazo, localizada na faixa dos 45.4k.
  

O fato de o fluxo de capital global permanecer vendedor em Treasuries (título do Tesouro norte-americano, conforme demonstrado no gráfico abaixo) e comprador em ativos de risco, colabora para manutenção da tendência de alta de curto prazo da bolsa brasileira, tendência de baixa de curto prazo do dólar contra real e tendência de baixa das taxas de juros futuros internas.



Portanto, é importante saber separar a situação do mercado com a do delicado quadro doméstico, pois, no momento, estão operando em direções opostas.

4 comentários:

  1. Fico só aqui esperando esse voo de galinha da Bovespa. Como uma cobra (ou urso), ficarei esperando para dar o bote e disparar as vendas!

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  2. FI

    Sobre "tendência de baixa das taxas de juros futuros internas":
    Para se saber o andamento das taxas de juro são úteis o conhecimento dos índices IRF-M e IMA-B Geral, sobretudo para aplicação em fundos pré e de inflação.
    Só sei como obter os mesmos após o término das operações diárias. Aí pergunto: pode-se saber os mesmos durante o período das operações?

    Antecipadamente grato pela resposta

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    1. Olá,

      Para acompanhar a oscilação das taxas de juros futuros, o ideal é que você acesse o mercado de juros futuros na BM&F. Algumas corretoras também oferecem os gráficos dos contratos de juros futuros, basta digitar o código do contrato na plataforma gráfica.

      Abs, bons investimentos

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  3. OK. São ortodoxos, pensam igual... mas....

    Levy se sujeitou a tentar um milagre, sem conter a gastança, que resolveria a questão fiscal, e sem poder subir os juros rapidamente, que seria a solução para a inflação.

    Só pôde trabalhar o aumento de impostos, com arrecadação caindo por causa da crise. Não tem risco de dar certo nunca rs

    Meireles, ao contrário de Levy, só entrará no barco se tiver autonomia total, incluindo o BC e orçamento. Esta é a diferença. Pacote completo ou nada.

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